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Mês: janeiro 2009

Limites ampliados para Selvagens Pensadores

A partir da próxima semana, a equipe de editores d’O Pensador Selvagem estará selecionando blogueiros e articulistas para completarem nosso time, preenchendo algumas lacunas que ainda existem em nosso portal. O critério de seleção para inclusão dos mesmos será o de sempre: possuir um pensamento extraordinário, desviante, libertário, sedento de novidade mas atento à tradição cultural, um pensamento que lida bem com a diversidade e que se anima com o bem-estar do outro, quer seja alguém com pensamento afim, quer seja alguém com pensamento diverso. Um selvagem e respeitoso pensador, um alguém ecocentrado que percebe que o todo é maior que a soma de suas partes e que o progresso não é sinônimo de exploração indiscriminada da natureza para produzir bens de consumo tampouco a intensificação da exploração do homem pelo homem. Não há espaço para selvageria no mundo dos Selvagens Pensadores. Por aqui, de forma contínua, tratamos de produzir inconscientes. Esta é nossa missão. Rafael...

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Economia da cultura: do mercado e da proteção à diversidade

A economia da cultura apresenta a visão de uma rede intrincada de bens, serviços, processos e produtos, modificando por completo visões assentadas sobre a oposição binária entre mercado e não-mercado. Faço algumas anotações sobre o tema, tendo em mente a questão da proteção e da promoção da diversidade cultural, incluindo os novos agenciamentos artístico-culturais: 1. Há um […] A economia da cultura apresenta a visão de uma rede intrincada de bens, serviços, processos e produtos, modificando por completo visões assentadas sobre a oposição binária entre mercado e não-mercado. Faço algumas anotações sobre o tema, tendo em mente a questão da proteção e da promoção da diversidade cultural, incluindo os novos agenciamentos artístico-culturais: 1. Há um texto de Lala Deheinzelin intitulado Economia criativa e reinvenção da economia, que nos traz elementos novos para a análise do tema,do qual reproduzo um trecho: “O tangível/material é finito, limitado, portanto gera disputa por sua posse, conduzindo à competição como elemento central na política, economia e, infelizmente, na vida cotidiana. Já o intangível é ilimitado, e pode ser o caminho para novos modelos baseados em cooperação. Quando somado às tecnologias digitais (e bits também são infinitos) temos uma infinitude de opções colaborativas e surge um novo termo: “economia da abundância” que pode originar modelos mais solidários de viver.” 2. Outro texto muito interessante, este de George Yúdice, Economia da cultura no marco da proteção...

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Uso de software livre nas empresas brasileiras

De acordo com pequisa realizada com mais de mil empresas de diferentes portes, setores e localização, entre os meses de novembro e dezembro de 2007, pela ISF , o Software Livre está presente em 73% das empresas com mais de mil funcionários, contra 31% das menores (até 99 funcionários). 2.8 Uso de software livre nas empresas brasileiras De acordo com pequisa realizada com mais de mil empresas de diferentes portes, setores e localização, entre os meses de novembro e dezembro de 2007, pela ISF (Instituto SemFronteiras), o Software Livre está presente em 73% das empresas com mais de mil funcionários, contra 31% das menores (até 99 funcionários). Para os autores da pesquisa, tal resultado deve-se ao fato de que “as maiores empresas são menos permeáveis à pirataria em razão de sua maior capacidade de adquirir software proprietário ou de definir o uso de software livre, implementá-lo e geri-lo de forma eficiente”. E “quanto menor a empresa, no entanto, tais condições se deterioram, criando mercado para a pirataria de software.”. Ou seja, as empresas que possuem condições financeiras para adquirir software proprietário, optam por usar soluções livres.   A adoção de software livre nos servidores das empresas que participaram da pesquisa é de 56%, mas apenas 7% dessas empresas utilizam software livre em todos os seus servidores. O número é ainda menor quando se trata do uso em todos os...

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Sobre pintores e escritores

Ou, de como certos textos podem influenciar os rumos da pintura, mesmo que através de um mal entendido. Creio que foi Baudelaire que afirmou num de seus cadernos que a humanidade só caminha graças ao mal entendido. Afirmação irretocável, que foi posta à prova em várias ocasiões no universo das artes, e no mais das vezes confirmada. O mal entendido pode dar-se das mais diversas maneiras: uma interpretação equivocada de uma determinada obra de um passado remoto, a impossibilidade de compreensão de um contexto específico, ou mesmo uma egotrip ensandecida de um crítico querendo fazer-se mais importante do que o artista ou obra que analisa. O fato é que muitas vezes esses equívocos podem render frutos e determinar toda uma nova linguagem artística, como foi o caso da estatuária da era clássica, mais especificamente a dos gregos, que foi erroneamente interpretada pelos artistas do Renascimento, que se baseavam em cópias romanas feitas em mármore de originais gregos (dos quais restam pouquíssimos exemplos) feitos de bronze, ouro, madeira e marfim e absurdamente coloridos. Em outras ocasiões, a qualidade do perpetrador do mal entendido acaba por superar o contexto e o significado original da obra de um artista. Jean Paul Sartre interpretava as figuras de Giacometti como a representação do ser existencial: Giacometti achava isso uma bobagem. Morandi também se espantava com as interpretações em chave fenomenológica de suas pinturas. De...

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Dostoievski

Dostoievski é maldito? Essa pergunta não é retórica. Muito menos didática. Realmente fico me perguntando se posso colocá-lo neste espaço e em que nível posso qualificá-lo como maldito. Principalmente pelo atrevimento que significa falar deste russo pra lá de complicado. Antes de começar este texto sobre Fiódor Dostoievski (1821-1881), tive vontade de simplesmente colocar toda a primeira parte de Memórias do subsolo e deixar que isso fosse tudo. E realmente o é. Eu sou um homem doente… Um homem mau. Um homem desagradável. Cito de memória. Venho tentando escrever de maneira que além de, digamos, “homenagear” os escritores malditos, também situá-los nesse âmbito e, a partir daí, prestar meu culto, de certa forma. Só por isso posso falar de Dostoievski, um escritor que li muito e devagar, mas que é um enigma absoluto para mim. De certa forma, me custa um pouco “desvendar” seu texto. Às vezes, os acadêmicos, temos a pretensão de achar que vamos ir tão fundo que não restará mistério, apesar de dizer que nenhum grande escrito é totalmente decifrado. Já falei de outros abismos aqui, do poço sem fundo em que somos jogados, quando iniciamos a jornada de uma obra que nos toma, mais do que alicia. Essa é minha história de leitura de Dostoievski. Todas suas obras foram pegas e relegadas por mim, pegas outra vez e relegadas de novo. Até a necessidade de...

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