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Mês: fevereiro 2009

bon appe!

bon appetit vira bon appe, d’accord vira d’ac. se cortam as palavras mas jamais os cardápios aqui hexágono donc, os especialistas pregam que a descrição cristaliza o prazer da degustação – e todos os demais da vida, pois não ? e sentenciam : para apreciar, é preciso palavras. e antes da descrição, a composição: entrada, prato principal, sobremesa, queijos, café. assim se come num restaurante apenas médio francês. sim, é possível poupar a carteira e pedir apenas o prato principal, mas aí perde um pouco o encanto da mise en scene… buffet inexiste por aqui. buffet à quilo, então: heresia ! até no restaurante universitário, o chef cuisiner compõe nosso prato principal. antes disso, nos logra a árdua tarefa de escolher entre salada verde, abacate com maionese, ou taboulé – por exemplo, para a entrada ; queijo : saint-nectaire ou fourme d’ambert, ou iogurte natural para finalizar a refeição ; crepe nutella ou fromage frais au crème de marron como sobremesa. e somente então que ele, devidamente paramentado em branco, nos serve o prato, inclusive interditando alguma combinação que o pareça bizarre… ! mesmo que por aqui se coma de tudo. y compris des bestioles de qual espécime se queira imaginar. os-à-primeira-vista assombrosos scargots, que se revelam uma boa entradinha, e têm o gosto do tempero, quer dizer, a versão xuxu do reino animal. as tradicionais ostras das refeições...

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Cri-critica-se (ou o silêncio da sutileza)

Há uma sensível diferença entre os vinhos, mas é a sensibilidade que faz o violino tocar.   Uma vez, à época que começava a me interessar mais criticamente por cinema (ou que a análise de filme passou a necessitar ser mais que uma mera bifurcação “filmão/ bomba”), ouvi dizer de Cidadão Kane um exemplo de filme moderno e Veludo Azul de um pós-moderno. Se ambos se aproximam por serem raros casos de títulos traduzidos literalmente do original, instintivamente eu notava certa oposição formal (e mais que isso) entre eles, porém precisei de um conhecimento teórico sobre a caracterização dos termos para notar em Blue Velvet a sistemática de apropriação e pastiche da pop art e afins e assim perceber nele uma destinação a mentes poluídas, mentes já poluídas pelo turbilhão de imagens do século: só se pode ser original se se levar ao extremo a citação ao que já há, porque o que já há é muito (e o extremo da citação é o plágio assumido, a recontextualização, o uso intencional dos clichês para explorar o imaginário comum). E graças ao conteúdo teórico que pude corroborar o limite estabelecido pelos 60’s relativamente ao século XX (assim como do século XX em relação ao milênio): o moderno substitui o antigo, o pós-moderno substitui o moderno e embora aquele esteja neste (noção já embutida na palavra), são antônimos: o moderno já...

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James Abbot McNeill Whistler

A obra de Whistler merece mais destaque do que a sua biografia enganadora. Holker: Qual é o assunto em "Noturno em Negro e Dourado"? Whistler: É uma peça noturna e representa a queima de fogos nos jardins Cremorne. Holker: Não é uma vista de Cremorne? Whistler: Se fosse intitulada "Uma Vista de Cremorne" certamente que não traria a não ser aborrecimentos para os observadores. É um arranjo artístico. É por isso que o chamo de noturno… Holker: Quanto tempo leva para pintar o "Noturno em Negro e Dourado"? Em quanto tempo você o finaliza? Whistler: Em alguns dias – um dia para fazer o trabalho e outro para finalizá-lo. Holker: O trabalho de dois dias? É por isso que você cobra 200 guinéus? Whistler: Não. É o que peço pelo conhecimento que acumulei durante o trabalho de uma vida toda. O diálogo acima foi retirado de uma sessão do julgamento do caso envolvendo pintor James Abbot McNeill Whistler e o crítico John Ruskin. Holker era o advogado de Ruskin, que foi processado por Whistler em função de um texto excepcionalmente agressivo em que o crítico acusava o pintor de cobrar uma fortuna para jogar tinta na cara do público. Whistler quis que o julgamento se transformasse numa arena de discussões sobre a função e o valor da obra de arte. Whistler acabou por vencer a contenda, mas arruinou-se financeiramente...

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Incêndio deixa navio de cruzeiro com brasileiros à deriva no Uruguai

Navio de cruzeiro pega fogo perto da costa do Uruguai com cerca de 300 brasileiros à bordo.   Costa Mágica Parece que a temporada sinistra de cruzeiros não vai acabar tão cedo. Dessa vez foi um incêndio em um navio da Costa Cruzeiros que saiu do Rio de Janeiro na última segunda-feira com 1,4 mil passageiros a bordo, entre eles mais de 300 brasileiros. O fogo atingiu o gerador do navio, obrigando-o a para na costa uruguaia, a uns 13 quilômetros de Punta del Este. À tarde, a emissora argentina TN divulgou que a Marinha do Uruguai teria decidido evacuar o navio por precaução, mas até a noite isso não havia acontecido. As informações do Jornal Nacional dizem que o navio já estava sendo consertado e que eles deveriam chegar esta noite a Punta del Este. Assessores da empresa Costa Cruzeiros, dona do navio, disseram à BBC Brasil que, os passageiros foram ‘imediatamente informados’ sobre a situação.   ‘Os passageiros estão bem. Não houve problemas com eles. O barco não está encalhado, mas sim parado para que os técnicos resolvam a falha e ele possa seguir viagem.’ disse o funcionário da empresa.   O navio Costa Romântica deveria ter chegado à Argentina na manhã desta quinta-feira. A empresa disse que vai reembolsar os passageiros com um valor equivalente a dois dias de viagem.  A produtora Gisele Carvalho Lopes, de 33 anos, contou ao Globo...

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Cruz e Sousa

Cruz e Sousa Os malditos são os que podem contradizer o que a “elite intelectual", ou o bom-gosto, ou a crítica ou o senso comum diz ou percebe. Porém, o preço que pagam por isso nem sempre chega ao patamar da vida boêmia e outsider elegida por livre espontânea vontade. Exemplo perfeito disso está no simbolismo brasileiro. O decadentismo em terras tupiniquins não teve a aura romântica (em sentido ideológico), ou poetas correndo descabelados pelas ruas, entre doses de ópio e bebedeiras memoráveis. Mas teve loucura, lirismo e a indefectível ambientação onírica. De certa maneira, Cruz e Sousa, Alphonsus de Guimaraens e Augusto dos Anjos (que não sei ao certo se pode estar aqui) fizeram uma suave contraposição à objetividade de fin de siécle e aos inícios da Belle Époque, empolgada com novas descobertas e as promessas de progresso econômico e social. Na contramão, os simbolistas trazem misticismo e espiritualidade, em franca fuga à realidade que para eles parece não fazer eco à poesia. É uma viagem ao mundo invisível e impalpável do ser humano e, para dar corpo a essa travessia espiritualizada, buscam uma linguagem nem sempre clara, mas sempre sugestiva e simbólica. Cruz e Sousa enche a poesia brasileira de musicalidade e de sensações em que não faz falta a análise da palavra, mas a capacidade de sentir. O eu lírico, no entanto, é muito do poeta....

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