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Mês: agosto 2009

O fluxo intergeracional de riquezas

Quando muda a relação custo/benefício dos filhos é porque mudou o fluxo intergeracional de riquezas e a queda da fecundidade é a consequência inevitável deste processo. Um dos fenômenos sociais mais importantes e de maior impacto transformador é a transição demográfica, que significa a passagem de altas para baixas taxas de mortalidade e natalidade. Durante o século XX a esperança de vida da humanidade mais que dobrou, passando de cerca de 30 anos em 1900, para mais de 60 anos no ano 2000. A vitória sobre a mortalidade precoce foi uma vitória e tanto e jamais algo parecido havia acontecido no mundo. Crianças morriam como mariposas e adultos “abandonavam” a vida em seus momentos de maior produtividade e criatividade. Muitos sonhos foram desfeitos e muita potencialidade foi desperdiçada. Mas com a união de todas as forças progressistas e o esforço coletivo as taxas de mortalidade foram reduzidas e continuam a cair no século XXI. Caindo as taxas de mortalidade, já não fazia mais sentido manter altas taxas de natalidade. Contudo, houve resistência nas sociedades que haviam se preparado durante séculos para manter altas taxas de fecundidade (número de filhos por mulher) e criado uma cultura pró-natalista. Romper com as tradições e os fatalismos é sempre uma ação social que encontra muitas barreiras. A ordem patriarcal valorizava as mulheres enquanto donas de casa, esposas e mães dedicadas e restringia uma...

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No Limite, Reality Shows e o Oba-Oba no Congresso Nacional

Estamos gradualmente caminhando para uma maior transparência nos atos que governam nossa sociedade e, apesar de que os grupos de interesse que detêm o poder ainda possuem muitas armas e artimanhas para se defender, as forças “brancas” parece que, finalmente, encontraram a contra-magia para atacar.     Como seria bom se pudéssemos “eliminar” um político corrupto ou incompetente como se faz nos Reality Shows como Big Brother ou No Limite…     Estamos gradualmente caminhando para uma maior transparência nos atos que governam nossa sociedade e, apesar de que os grupos de interesse que detêm o poder ainda possuem muitas armas e artimanhas para se defender, as forças “brancas” parece que, finalmente, encontraram a contra-magia para atacar.     Em 2007, propus uma pequena semente – então considerada utópica – para incrementar o controle popular sobre os desmandos dos nossos representantes eleitos, a qual chamei de Voto Contínuo. De lá pra cá, muito se tem discutido acerca de transparência, democracia real, democracia direta, democracia líquida e outros termos afins.     Agora, entre 25 e 27 de setembro de 2009, a Controladoria Geral da União estará organizando, em Brasília o I Seminário Brasileiro de Controle Social (Controle Democrático sobre o Governo e a Corrupção).     Entre os temas, vejam o que se debaterá no segundo painel: Transparência e Acesso a Informação como Instrumentos do Controle Social     – Panorama da Transparência e do...

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Duas histórias

Os matemáticos gostam de contar histórias. São exemplos da profunda diversidade do mundo e da grande capacidade da inteligência humana em decifrar os seus enigmas. Apresento duas para a coleção. Desta vez limitar-me-ei a duas histórias, uma inventada por algum matemático e outra que julgo ser verdadeira. Vejamos a primeira. Um velho mercador de camelos sentindo chegar a sua hora, reuniu os seus três filhos e disse-lhes: “Quando eu morrer quero que vocês façam a partilha dos meus camelos como está neste testamento” e entregou-lhes um envelope fechado. E assim foi. O mercador morreu e os filhos abriram o testamento para cumprir a vontade do pai. Qual não foi o espanto quando leram que o mais velho teria metade, o do meio um quarto e o caçula um sexto dos camelos. Isto porque o total de camelos a distribuir pelos filhos era de 11, o que tornava impossível a divisão do testamento. Lembraram-se então de um tio, que tinha fama de sábio, e resolveram mandar um mensageiro pedindo ajuda. O tio veio montado no seu camelo e disse-lhes: “Meus caros sobrinhos, compreendo a vossa aflição. Para que a partilha possa ser feita conforme o testamento, ofereço o meu camelo para juntar aos 11 que vocês têm. Assim com um total de 12 camelos, fica fácil. O mais velho terá metade ou seja 6, o do meio um quarto ou...

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Seleção com critério

O que há de bom para se ler. ##### _____Gostar muito de ler sempre fez de mim um tipo consultor literário das pessoas que me cercam. O problema é que minhas indicações dos clássicos, por diversas vezes, não satisfazem esses leitores sem um gosto ainda definido para literatura. “Mas, você só vai indicar autor morto? Indica um vivo, vai.”. _____Mesmo lendo mais defuntos do que autores vivos, sempre tenho algumas dicas na manga. Uma clássica é alertar para que se desconfie dos bestsellers. Os mais apressadinhos, nesse momento, sempre bradam um “Não quero dicas do que não ler; quero saber o que ler!”. Simpático, falo para procurarem por ganhadores de prêmios realmente respeitados, como o Jabuti, o Nobel de Literatura, o Camões. Talvez em outras épocas eu até chegasse a indicar as Academias de Letras. Hoje, aqui no Brasil, não é mais possível. _____A Academia Brasileira de Letras já manchou mais ainda suas páginas ao aceitar Josés e Paulos com seus livros medíocres. Imaginem o que não é, então, a Academia Alagoana de Letras que vai aceitar um Fernando Collor – que nem um livrinho tem para constar no currículo (eu não deveria me espantar tanto assim, o Nordeste é um lugar em que até sobem ao poder governadoras que perdem eleições – e viva os Josés novamente). _____Aposto que as discussões entre os membros do Ops! para selecionar...

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Microblog ou superchat ? (ii), ou Para ler no fluxo do Twitter

Mais sobre Bakhtin, o Twitter e o discurso que nele se produz “Não vou viciar. Não vou viciar. Não vou viciar.” @fsalvaterra embarcando no Twitter Com uma performance ainda discreta em relação ao Orkut ou o Facebook, o Twitter já se afigura, todavia, dado o crescimento galopante de sua base de usuários, como uma das mais ativas e capilarizadas redes sociais existentes até hoje. Qualquer dúvida quanto a isto pode ser imediatamente dirimida mediante o simples cruzamento, no módulo de pesquisa do Twitter, das palavras Orkut e parado. Muito do apelo e alcance da nova mídia reside na atomização do discurso que nela se produz em sentenças simples a comportar, quando muito, um sujeito, um verbo e um predicado, de sorte que seu já célebre paradigma de 140 caracteres tenha adquirido, em pouco tempo, o próprio status de unidade de formato lingüístico que já pertenceu, a seu tempo, ao grande romance, à novela, ao conto, à crônica e ao post. Tal entendimento se faz mais claro à luz da concepção dialógica da comunicação discursiva formulada por Mikhail Bakhtin, segundo a qual unidades discursivas, designadas por enunciados, são delimitadas pela alternância entre os falantes. Para Bakhtin, o sentido de um discurso não se produz internamente a cada enunciado, mas no diálogo que se instaura no conjunto das áreas de tensão entre os mesmos. Central, também, à concepção enunciativa da linguagem...

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