Select Page

Mês: março 2010

Pedido público de desculpas

Em 07 de março de 2010 foi publicado o resultado do Concurso O Pensador Selvagem/ Simplicíssimo de minicontos. Nesta data eu, Rafael Reinehr, publiquei o resultado do referido concurso elencando o nome de Lilly Falcão, na ocasião por mim chamada de Lia de Abreu Falcão de forma a responsabilizá-la pelo atraso do resultado do concurso, de forma que possa ter causado constrangimento à então amiga, escritora e jurista. O tom antipático do meu texto tornou-se ainda maior quando, no dia 8 de março, recebi notificação da amiga Lilly informando que esteve ausente por motivo de força maior, já que precisou realizar intensos cuidados de saúde na ocasião. Após uma tentativa frustra de edição do texto, naquele mesmo dia 8 de março, somente vim a verificar meu lapso no dia 26 de março, quando efetivamente editei a página com o resultado do concurso neste website. Assim posto, quero publicamente me desculpar com Lilly Falcão, pelo fato de inicialmente de forma intempestiva e, em seguida, de forma inadvertida, ter causado qualquer mal pela exposição pública de seu bom nome, sendo que em nada a mesma poderia ser responsabilizada pelo atraso na divulgação do concurso em virtude de força maior. Espero que, de algum modo, esta declaração pública e pedido de desculpas possa amenizar o buraco que ficou em nossa amizade e que o tempo mostre que não houve maldade ou intenção...

Read More

Existe alguma coisa de errada nessa “justiça” – o caso Nardoni de um ponto de vista libertário

    O que é justiça? Prender uma pessoa por 13, ou 31 anos, por toda a vida ou condená-la à morte é “fazer justiça” quando uma pessoa tira a vida de outra?     A impunidade gera insegurança e aumenta a chance de atos violentos? Da mesma forma, a impunidade favorece a corrupção? É o ser humano bom ou mau por natureza?     É mais importante punir o bandido ou evitar que este acabe por se tornar criminoso? Quais são os fatores – sociais, econômicos, biológicos – que criam um assassino, um ladrão, um corrupto?     Enquanto não tivermos condições de responder estas e algumas outras perguntas, estaremos sempre perdidos. Sempre precisaremos correr atrás e punir “malfeitores”. Veremos cenas em que, tal qual nas cerimônias de guilhotinagem da antiguidade, o povo se reunia e, eufórico, bradava ao ver a cabeça ser decapitada.     Enquanto humanos, somos demasiado animais ao querer ver um outro ser humano antes punido do que educado.     Se fôssemos educados, se fôssemos conviviais, se soubéssemos o que é uma vida em comunidade, se mantivéssemos uma vida em harmonia com os outros, sem precisar viver em favelas de ricos (conjuntos de apartamentos), se controlássemos a natalidade, tivéssemos melhor distribuição da riqueza (ou se nossa maior riqueza não fossem os bens materiais e sim a tranquilidade de espírito), não precisaríamos de cadeias, jaulas humanas nas quais o veneno...

Read More

Obama está vivo, para desespero dos conservadores

A última semana de março foi consagradora para o presidente Barack Obama. O Congresso Americano aprovou a Reforma da Saúde que amplia a cobertura a cerca de 32 milhões de pessoas. É a politica social de maior alcance no país, feita em quase cinco décadas (desde Lyndon Johnson, 1963-1969, que ratificou a lei dos direitos civis). Os EUA e a Rússia concordaram em ampliar o controle de armas estratégica, tendo sido o acordo mais importantes desde o fim da Guerra Fria. Por fim, o presidente norte-americano, com sua paciência esgotada com a procrastinação do governo de Israel, ousou colocar uma “pulga atrás da orelha” do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu e sua política de assentamentos em Jerusalém. Em suma, foi a semana que fez Barack Obama voltar a sorrir e fez o mundo ver que os EUA não estão (totalmente) dominados pelos conservadores do Partido Republicano e do movimento “Tea Party”. O primeiro ano de governo de Obama não foi de muitas realizações. A “herença maldita” do governo Bush fez a economia americana ter a maior recessão dos últimos 60 anos, no ano de 2009. O alto déficit fiscal e os altos níveis de desemprego, provocados pela recessão (que foi consequência das políticas do partido Republicano), minaram a confiança dos americanos. Além disto, a fala mansa e a paciência de Obama estavam dando a impressão de fraqueza e falta de...

Read More

Um cinema do ordinário

Para abrir esta coluna, buscamos alguma obra cinematográfica ficcional, que tenha sido realizada nos últimos dez anos, que reflita, de algum modo, assim como nos primeiros filmes dos Lumière, o cotidiano. Obviamente, tal obra, deveria abranger o tema de forma crítica e flexiva.   “O Pântano”, dirigido e roteirizado por Lucrecia Martel, encaixou como uma luva em tal proposta. Logicamente, para realizarmos uma reflexão básica sobre todos aspectos deste filme, teríamos que nos estender por mais algumas postagens. Como apresentado anteriormente, nosso foco aqui se dá apenas nas questões ordinárias do cotidiano. Como diversos outros autores já discorreram sobre a obra em questão, relembrando como esta é trabalhada de forma primorosa na mise en scène, na montagem e em diversas outras etapas relativas à construção cinematográfica, nosso olhar aponta para os personagens, e como se fazem através de uma história do comum, do cotidiano, do banal. Seres que incorporam pensamentos, emoções e reações, atravessam uma narrativa do ordinário. Sem realizarmos uma análise cena a cena, ou mesmo extremamente aprofundada, podemos levantar aspectos gerais e fundamentais para a apreciação de detalhes orquestrados na fundamentação emocional das personagens. Seriam estes baseados no viver diário, naquilo se passa despercebido, mas que estrutura até o nosso próprio cotidiano. Há uma exposição do ambiente e da fragilidade dos indivíduos, como barreiras que instigam o espectador a adentrar naquele universo. Lá se desenvolve o frágil,...

Read More

O presente e os devires: sobre alguns nomadismos

Por Murilo Duarte Costa Corrêa Editor do blog de Filosofia e Teoria do Direito A Navalha de Dalí Hoje iniciamos uma coluna mensal em O Pensador Selvagem, e nada melhor do que nos dedicarmos a falar um pouco sobre a unio mystica entre esses elementos: o pensamento e o selvagem; elementos que unimos sob o caráter unívoco e, a um só tempo, diferencial (e plural), de alguns nomadismos. A violência que força a pensar é da mesma ordem de uma violência que vem de fora; Michel Maffesoli, já há alguns anos, dissera que é isto um bárbaro: aquele que vem de fora para fecundar um corpo social já esgotado. A barbárie, o nomadismo, como devires micropolíticos, apontam para uma potência selvagem em conexão com um certo vitalismo e com a própria vida, que constitui suas infinitas e contínuas possibilidades de variação de modos de vida; assim é para o antropólogo francês, Michel Mafesolli, bem como para alguns de seus mais importantes predecessores, Friedrich Nietzsche (e seu conceito de vontade de poder) e Gilles Deleuze (e os conceitos de vida e imanência, que se confundem no título de seu último escrito, publicado em 1995, L’immanence: une vie…). O nômade povoa um espaço em contínuo deslocamento pois vive de entretempos, em entretempos; ser nômade, diziam Deleuze e Guattari, é viajar com a potência selvagem de uma linha de fuga; é um...

Read More