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Mês: outubro 2010

Deus, à imagem e semelhança do homem

Os estados teocráticos e a falsa moralidade religiosa invadindo  temas laicos, trazem à tona um tema que permeia a sociedade desde que o homem tentou entender a natureza. A chuva com seus trovões, a seca, a passagem do dia e da noite, os astros, a morte. Alguém deveria entender e tentar intermediar a relação do invisível com o concreto. E, claro, quem dispunha deste privilégio de entender-se com o que ninguém conseguia entender despertava o respeito e o temor dos demais. Certamente o primeiro homem que deduziu que estes sinais da natureza eram manifestações divinas imaginou também formas de contentar a estes deuses para que os problemas causados pelos deuses não tivessem tanto impacto na materialidade. Agradando aos deuses imaginava-se possível reverter seus acessos de ira, responsáveis por tantos estragos de tempos em tempo.   Mas não era toda a coletividade que possuía esta condição, a de intermediar e comunicar-se com os seres divinos. Era necessário que o coletivo se resguardasse das ameaças, que providenciasse alimentação, havia ainda o cuidado com a estrutura que protegesse do clima e tempo.   A existência de um excedente de alimentos a partir da agricultura permite que a sociedade se divida em tarefas diferentes. As funções básicas das sociedades primitivas, produção, arrecadação  previam que deste excedente alimentasse o contingente destinado à segurança, e também os dirigentes destas comunidades. E claro que aquele que possuía...

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O número pi

Um dia destes lendo a revista “Pesquisa” da Fapesp, de outubro de 2010, deparei com uma notícia de título “O novo valor do número pi”. Dizia o comunicado: “Tzo–Wo Sze, um cientista da computação da Yahoo nos Estados Unidos, criou um programa de computador e instalou-o em mil máquinas da empresa e depois de 23 dias obteve o dobro de dígitos que se conhecia até agora para o número pi. Definido como o resultado da divisão do comprimento da circunferência por seu diâmetro, pi é um número irracional que começa com 3,14 e segue por infinitos dígitos. O pesquisador chegou a uma notação binária, com dois quatrilhões de dígitos ou bits, o dobro do recorde anterior. Em formação decimal (3,14…) o valor anterior tinha 2,7 trilhões de dígitos. Documentos antigos indicam que a busca por aumentar a precisão do valor de pi começou 1700 anos antes de Cristo”. Classificar de pesquisa a busca de um novo valor para o número pi é uma afirmação sem sentido. Seria como procurar montar um programa de computador para se obter o recorde do maior valor do conjunto dos números naturais. Tanto neste caso como no anterior são conjuntos infinitos de dígitos e a obtenção de valores cada vez maiores nada acrescenta. Por serem conjuntos infinitos, os valores seqüenciais mantêm sempre a mesma posição em relação ao infinito dos conjuntos. Estão sempre infinitamente...

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É MUITA HIPOCRISIA NUM CORPO SÓ…

É ao apagar das luzes que mostramos quem somos. Tipo essa coisa meio atávica de proteção, que a escuridão nos trazia nos tempos das cavernas e que ainda hoje parece subsistir em nós. Vá lá que “nas quatro paredes” isso seja válido. Afinal, se existe um lugar em que a hipocrisia manda a mil é fora das quatro paredes. Mas dentro delas… Mas tem gente que esquece disso. Tem gente que pensa que internet é o seu quarto. E acaba por confessar o inconfessável. Esquece que internet não tem paredes. Esquece que o que é dito por aqui é dito para a “eternidade”. E não é que o “justiceiro da democracia” esqueceu disso? Fora um guri até seria perdoável, mas partindo de alguém com a experiência do senhor Plínio? Só dá para entender de uma maneira: É MUITA HIPOCRISIA NUM CORPO SÓ! Olhem o “instantâneo” (há pouco, 18:18h): Passada a oportunidade de se eleger (ainda bem que não conseguiu!) o senhor Plínio mostra a cara da verdadeira hipocrisia que impera entre nós: “anulo meu voto amanhã”! Mas não era do voto que ele dependia e pelo qual tanto lutou? Não era voto que ele pedia até pouco tempo? Essa é a verdadeira face da hipocrisia! Essa é a nossa face! Alguém duvida? Claro que quem foi para a praia não...

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O que há de real no meu estilo de vida?

Do aparentemente óbvio também pode surgir algo complexo e instigador: o que é a minha realidade? Quando olho para além de mim, estendendo os olhos para a distância que se apresenta, como eu definiria o que é real? A minha realidade também não é a realidade do outro, compartilhada? É aquilo que toco? Quando fecho os olhos, a tal realidade deixa de ser real e então o interior (real?) se apropria do que em mim é consciente e começa a existir? Aquilo que não vejo pode ser real? Quando me ofereço a alguma reflexão sobre a realidade, lembro de algumas aulas sobre fenomenologia, nas quais meu destaque sempre foi questionável. Husserl (1960) pensou a Fenomenologia como um “caminho” para se chegar ao conhecimento das essências; a redução fenomenológica seria, portanto, o modo para se retornar “à própria consciência: E a consciência se mostra consciência de objetos constituídos no próprio ato cognoscente.” (Galeffi, 2000). Seguindo tal perspectiva, seria importante testar as experiências fenomenológicas, por assim dizer. E então veio Aaron Beck e sua Terapia Cognitiva, propondo uma teoria cujo raciocínio teórico subjacente é o de que “o afeto e o comportamento de um indivíduo são amplamente determinados pelo modo como ele estrutura o mundo (cognições/pensamentos)”.  Então, a Terapia Cognitiva não deixa de ser fenomenológica, já que pretende também “descrever e analisar as categorias de experiências”.    Um BlaBlaBlá-Teórico-Filosófico nem tão...

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Música claustrofóbica – mente, sobrevivência e os limites humanos.

Quantas vezes você já hesitou entrar em elevadores de prédios antigos do centro de São Paulo? Aqueles em que o ascensorista é velho e encurvado pela idade, a cancela de metal enferrujada e o assoalho de madeira mofada parece que irá de desfazer a qualquer momento. O medo de ficar preso num elevador é apontado por muitas pessoas como um de seus principais medos urbanos – a violência não conta aqui. Outros dizem ter pavor das paradas do metrô em túneis. Essa limitação espacial, com paredes negras por todos os lados traz incômodo, falta de ar, agonia, entre outras sensações – mesmo que por apenas alguns minutos. Agora imagine tudo isso elevado a potências altíssimas – justamente numa situação extrema, “você preso por mais dois meses em uma mina de cobre”? O caso dos mineiros do Chile ganhou o mundo pelas várias lições que podemos tirar desse fato marcante. A luta pela sobrevivência, diz muito sobre a vida em si, e sobre os limites do ser humano em suas dimensões físicas e psíquicas. O trabalho em si de um minerador já é difícil – pois requer cuidado constante com a segurança e conhecimento técnico das condições do local, já que lidar com a natureza é sempre com margem mínima de previsibilidade. 700 metros de profundidade – parece até coisa de livro de Júlio Verne, essa é a distância da...

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