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Mês: janeiro 2011

Escola SESC

___Um dos grandes debates que aconteceram aqui no Ops!, no ano passado, foi sobre um dos meus temas preferidos: Educação. Como faz mais de uma década que sou professor nem tinha como não conhecer o catalisador da conversa, o grande José Pacheco, da Escola da Ponte. ___Só que a famosa escola portuguesa, ainda bem, não é a única diferente que existe. Noutro dia, encontrei, no MSN, uma ex-aluna minha, aqui de São Paulo, e ela veio me contar como era maravilhosa sua nova escola, lá do Rio. Como, acredito, para quem se interessa por Educação, como muitos leitores do Ops!, a conversa é bastante válida, segue uma edição dela abaixo: ### Ela: Professor, q bom ver vc aqui. Estou morando no RJ, em um colégio interno. Eu: Oi. Colégio interno? Gosta de morar em um colégio interno? Ela: Muuuuito! É que o que eu moro é um colégio bem diferenciado. Eu: Q legal. Só feminino? Ela: Não, não. Misto É um colégio laico. Eu: Graças a deus. 😉 Q interessante. Qual o colégio? Ela: Escola Sesc de Ensino Médio (www.escolasesc.com.br) É muito bom… Se você puder divulgar. Ele é gratuito. Eu: Interessante… Ela: Vale a pena falar sobre ele mesmo. Cada aluno ganha um laptop, o colégio tem muita estrutura… É um colégio modelo do Brasil. E não paga nada, sabe? Eu: Puxa, que legal. O assunto bons colégios...

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Hibridismos Musicais.

  Certa vez o sociólogo francês Michel Mafessoli disse que o Brasil é um laboratório de pós-modernidade. O sociólogo continuou dizendo que o ambiente brasileiro é dado a muitas misturas e que isso representava uma nova concepção das relações humanas. O Brasil é um país mestiço por condição (ou maldição). Desde a colonização a mistura se dá – e nessa mistura é que a identidade da “nação” se construiu e se constrói. Os eugenistas viam na miscigenação um traço de atraso para as nações – e isso é que diferenciava os desenvolvidos dos não-desenvolvidos. Já para Gilberto Freyre, a mistura, a mestiçagem – fora um elemento importante para o florescimento de nossa cultura e identidade. Como dito acima – a mistura é uma “condição” brasileira – e logo estendida em todas as direções da vida social. Aqui sempre nos identificamos com a irreverência, com a inovação, com o desregramento – porém a influência positivista, primeiro européia e depois americana, nos tornou sistemáticos. O golpe militar de 64 trouxe a ordem ao pé de ferro – e a contracorrente disso tudo foi à Tropicália. A grande contribuição do tropicalismo, é a que é possível misturar tudo – lembremo-nos de Gilberto Gil cantando: “eu vou misturar, Miami com Copacabana, chicletes e misturo com banana, e o meu samba vai ficar assim”. Outras correntes que influenciaram muito a tropicália foram a Bossa...

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vértebra terceira: a entrega

 “o erótico, para mim, acontece de muitas maneiras, e a primeira é fornecendo o poder que vem de compartilhar intensamente qualquer busca com outra pessoa. a partilha do gozo, seja ele físico, emocional, psíquico ou intelectual, monta uma ponte entre quem compartilha, e essa ponte pode ser a base para a compreensão daquilo que não se compartilha, enquanto, e diminuir o medo da suas diferenças.”  (audre lorde)   coloco-me em movimento na tortuosidade dos caminhos, cada passo descobre novas texturas. não digo que ando, trata-se mais de engatinhar, de arrastar-se beirando o chão, com o máximo de pele roçando a terra, o piso, o lençol ou seus pêlos. o corpo balança, curva-se, pende para os lados, quase cai… acho que o erotismo não curte muito o equilíbrio. eros é uma deusa torta, detesta corpos eretos, colunas alinhadas, músculos rígidos, bases seguras, passos retos e posições estáveis. gosta de movimentos imprevistos, daqueles que acontecem nos esbarrões do acaso, no voar de plumas, nos arrepios dos ventos, no acelerar das pulsações, no beijar de retinas e no tocar de sobrancelhas. são nesses movimentos que me faço seu. já que a entrega é colocar-se em movimento.   é por ser da ordem do movimento, que a entrega não é rendição, nem afirmação de uma passividade ou anuncio de uma letra de posse que permite o outro fazer contigo o que quiser. quando...

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Estação das Chuvas

Quando pensamos em Angola, vem à mente Luanda e sua história sangrenta. Carros encimados por homens carregados de metralhadoras, linchamentos, explosões, ambição por diamantes, comitês e organizações estudantis que sentem na política seu sangue ferver, a independência colocada acima de vidas e das virtudes dessas vidas; busca por liberdade, por dignidade, por direitos arrancados em função de grandes poderes, e às vezes silenciados como são aqueles que rompem barreiras ideológicas; o racismo e o ostracismo abertos e carnudos como uma flor de ódio regada constantemente pela loucura humana. Sobre tudo isso jaz um escombro de esperança. “Estação das Chuvas” (Língua Geral, 344 páginas), segundo romance do escritor angolano José Eduardo Agualusa, mistura uma labiríntica história ficcional de personagens bem-construídos com a assustadora história política da África moderna. Estes dois caminhos, um de rica ficção e outro absolutamente jornalístico, se confundem ao longo do livro, sendo quase impossível saber o que é realidade e o que é imaginação. O romance é dividido em nove partes, cada parte com uma porção de capítulos curtos, o que torna a narrativa mais saborosa e menos cansativa. A primeira e a segunda, intituladas de “O princípio” e “A poesia” respectivamente, expõem um pouco da vida de Lídia do Carmo Ferreira, personagem central do livro, embora quase ausente. Esta figura é apresentada pelo narrador, um jornalista cujo nome nunca é revelado e que ao longo...

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O Plano Nacional de Educação e o bônus demográfico

“O objetivo da educação não é encher um balde, mas acender um fogo… porém, é mais fácil acender uma fogueira se há combustível no balde” (N. Kristof, China’s Winning Schools? NYT, 15/01/2011) O Brasil vive um momento demográfico excepcional, pois a população em idade ativa está crescendo e o número absoluto de crianças e jovens (0-17 anos) está diminuindo. Este fenômeno – que os demógrafos chamam de bônus demográfico – abre a possibilidade de o Brasil dar um salto quantitativo e qualitativo na educação. Mas isto depende da vontade política dos governantes e do engajamento cívico da sociedade, da população, do setor privado, da mídia, do terceiro setor, etc. O bônus demográfico já tem ajudado no aumento do indicador que mede a média de anos de estudo da população de 15 anos e mais de idade. Os anos médios de estudo da população brasileira era de 5,2 anos, em 1992, e passou para 7,5%, em 2009, aumento de 44% no período. Entre as regiões, o Nordeste apresentou as menores médias de anos de estudo: 3,8 anos em 1992 e 6,3 anos em 2009, mas a variação obtida no período significou um aumento de 65%, bem acima das demais regiões. Em termos de situação de domicílio, as melhores médias são encontradas nas áreas metropolitanas, seguidas das áreas urbanas não metropolitanas e, por último, no meio rural. Porém, foram as áreas...

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