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Mês: maio 2011

Mais do mesmo e mais de coisa nenhuma

___Um dos grandes assuntos deste mês de maio foi o depoimento dado pela professora Amanda Gurgel, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Falando com muita propriedade, (algo que não isenta a fala dela de críticas), Amanda dissertou um pouco sobre a péssima situação na qual vivem os professores do país. Para quem não viu, aqui está o link do discurso. httpv://www.youtube.com/watch?v=yFkt0O7lceA ___Amanda apareceu em canais de televisão, foi compartilhada a torto e a direito pelas redes sociais, deu entrevista para jornais impressos. Mesmo gostando do discurso da moça, não vejo motivo para tanta repercussão. O que foi falado é tão lugar comum, é tão simples, todo mundo já ouviu tantas vezes que equivale a demonstrar espanto por gatos miando, montanhas ficando paradas ou religiosos acreditando em bobagens. ___Não sou só eu que falo isso. A própria Amanda, em fala repercutida pelo RS Urgente, diz “Fico surpresa com toda essa repercussão porque o meu discurso não trazia nada de novo. Qualquer professor conhece aquelas situações descritas.”. Não só qualquer professor. Dificilmente alguém que já frequentou uma escola desconhece essa situação. Blogs de professores falam disso a todo momento. Até o Chico Anysio, fazendo comédia, lembrava: “E o salário, ó!”, enquanto fazia sinal de pequeno com os dedos. ___Só me chateia muito saber que essa repercussão em cima da fala na Assembleia Legislativa é só revolução de sofá –...

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Funções

Função é uma relação entre grandezas matemáticas. O caso mais simples é o de duas grandezas que se relacionam entre si, representando uma figura geométrica no plano cartesiano de coordenadas ortogonais. René Descartes (1596-1650) criou as bases da Geometria Analítica, também chamada de Geometria cartesiana, onde a ideia fundamental consistiu em substituir os pontos por números. Os dois eixos numéricos ortogonais dividem o plano cartesiano em quatro quadrantes, convencionalnente chamados de 1º, 2º, 3º e 4º quadrantes, numerados no sentido anti-horário de rotação. O eixo horizontal é o eixo dos xx’s ou das abcissas e o eixo vertical o eixo dos yy’s ou das ordenadas. Os dois eixos cruzam-se no ponto 0 ou o ponto de origem das coordenadas. Os eixos estão divididos em unidades numéricas iguais, em valor absoluto, para ambos os eixos, numa sequência crescente a partir do zero. No eixo dos xx’s a numeração é positiva do zero para a direita e negativa do zero para a esquerda. No eixo dos yy’s a numeração é positiva do zero para cima e negativa do zero para baixo. A numeração de um ponto qualquer do plano cartesiano é denotada convencionalmente (a,b), onde “a” é o valor no eixo dos xx’s “b” o valor no eixo dos yy’s. O ponto (3,4) por exemplo. Vejamos: no 1º quadrante (+3,+4), no 2º quadrante (– 3,+4), no 3º quadrante (–3, –4) e...

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O jornalismo-terror da revista ‘Época’ (ou como não fazer pseudojornalismo)

O sociólogo Pierre Bourdieu tem uma visão da sociologia de que gosto muito. Ele compara a sociologia a um “esporte de combate” (vejam o filme), porque serve justamente para explicitar e, a partir disso, combater, dominações, desigualdades, ideologias e violências. Se a sociologia é um esporte de combate, acho que a crítica à ideologia reproduzida pela mídia é uma de suas modalidades. É preciso desconstruir o discurso midiático porque seu objetivo é reforçar e manter as relações sociais exatamente como se apresentam hoje, com seus preconceitos, desigualdades e injustiças. Acho que não chega a ser novidade para ninguém que os interesses econômicos mais robustos – que andam de mãos dadas com os interesses políticos mais conservadores e dominadores – sustentam a mídia tradicional. Mas contentar-se com essa explicação é ser muito simplista. Essa associação se desdobra em uma infinidade de aspectos do discurso jornalístico. Assim como no esporte de combate o atleta procura usar a força do adversário como alavanca para sua força. É só explicitando cada um dos aspectos ideológicos do discurso, que constituem a força da produção midiática – a frase torta, a construção ideológica de cada matéria, a argumentação falaciosa perdida no texto – que é possível enfraquecer o poder exercido pelos meios de comunicação. Ontem estava procrastinando no Twitter quando meu amigo Fabiano Camilo, blogueiro de O Pensador Selvagem, me mandou o link da capa...

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Seu gosto é duvidoso?

    O “gosto” é, foi e sempre será um tema espinhoso e um terreno muito pantanoso e escorregadio. É fácil cair no senso comum, fazer generalizações, dar opinião, apontar preferências, mas admitamos, é um tema fascinante e convidativo. Eu acabei meu artigo “Som, Ruído e Música” – publicado aqui em 19.10.2010, dizendo: “Gosto não se discute, porém numa arqueologia do gosto, concluo que se respeita o do outro, porém se admite que há gostos inferiores e gostos superiores”, ou seja, esse trecho admite uma hierarquia do gosto. Mas é estranho tudo isso. Uma vez que há muita subjetividade envolvida nesses processos – por exemplo, se “gosto” está relacionado com prazer, sempre iremos esbarrar na questão de algo te da mais ou menos prazer – mas só que isso é para você e não necessariamente em todos os casos. É o mesmo reducionismo que eu critico na psicologia. Não podemos relacionar que todos os filhos de pais separados serão homicidas – é mais correto dizer que há incidência em muitos casos, mas nunca em todos e essa não pode ser uma padronização. Então o gosto é subjetivo, depende da experiência de cada um, isso a julgar meramente pela sensação. Analisando música de um ponto de vista mais funcionalista, e enquadrando-a num aspecto mais amplo, talvez possamos usar critérios de relevância, assim como se apurarmos pelas questões especificamente técnicas. Só...

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O Esquisito Violino Stroh

   Dando prosseguimento ao assunto da aula anterior, vamos conhecer hoje, na categoria de  estranhos instrumentos, da nossa querida Escola Anormal, o esdrúxulo Violino Stroh.    Criado por Johannes Matthias Augustus Stroh, daí seu nome, esse violino aparentemente estranho, tem lá sua explicação. Na época das gravações em discos de cera, no tempo dos Phonógrafos e Gramophones, como se sabe, não havia ainda a captação elétrica do som, ou seja, a música produzida pelos instrumentos, ou antes, a vibração produzida pelos instrumentos, atingia a campânula de um grande funil de metal que conduzia esta vibração até uma espécie de diafragma acoplado à uma agulha. Vibrando este diafragma, a agulha, que lhe estava ligada, igualmente vibrava, por conseqüência imprimia, na cera meio amolecida, essas vibrações. Após, era só fazer essa agulha trilhar novamente aqueles sulcos que ela mesma traçara, lá estavam registrados os sons que ela gravara ao vibrar sobre a cera. O resultado? Ora, reproduzia-se a mesma música produzida pelos instrumentos, só que desta vez, reproduzida pela máquina, não é fantástico? Simples, fantástico e Divino, como tudo que o homem inventa com o espírito  voltado tão somente para ideais nobres e elevados como a Música, por exemplo.  Bem, o certo é que um grupo de instrumentistas, durante a gravação de determinada música, deveria posicionar-se bem próximo à máquina de gravação, a fim de que suas vozes e as vozes...

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