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Mês: junho 2011

Uma mulher na direção do FMI

Não deixa de ser irônico que uma mulher chegue ao posto máximo do Fundo Monetário Internacional (FMI), depois da prisão do seu ex-Diretor Presidente, Dominique Strauss-Kahn, por tentativa de estupro contra uma camareira afro-descendente, em Nova York.Mas a chegada de Christine Lagarde à direção do FMI reflete uma nova realidade da economia mundial e da situação da mulher no mundo. O FMI, desde que foi criado em 1944, sempre foi dirigido por homens europeus, enquanto o Banco Mundial era dirigido por homens dos Estados Unidos (EUA). A união dos EUA com a Europa garantia a hegemonia dos “países avançados” (na terminologia do FMI) no controle das instituições multilaterais do mundo. Ao mesmo tempo, os requícios do patriarcalismo garantia a hegemonia dos homens no topo da hierarquia dos cargos. Mas esta história tende a mudar no século XXI. Por um lado os países em desenvolvimento (ou países emergentes) tem crescido economicamente a um ritmo superior ao dos países avançados. Por exemplo, o G-7 (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) produzia mais da metade do PIB mundial até o ano 2000, caiu para 40% em 2010 e deve ficar em torno de 36% até 2015. Enquanto isto, os demais 12 países que compõem o G-20 produziam apenas 25% do PIB mundial em 2000, mas devem ultrapassar o G-7 já em 2014. Portanto, os países emergentes (liderados pela China...

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A revolução social dos celulares

O número de subscrições de telefones celulares no Brasil, em meados de 2011, atingiu o número de 215 milhões, para uma população estimada em 193 milhões de habitantes. Portanto, existem mais celulares do que habitantes no Brasil, embora “apenas” 80% dos domícilios tenham pessoas com acesso ao celular. Existem mais domicílios com acesso ao celular do que ao esgotamento sanitário adequado. No mundo, existiam 719 milhões de subscrições de celulares no ano 2000, passando para 5,3 bilhões em 2010. Estima-se que, em 2015, haverá mais celulares do que habitantes no globo.  Até 2020, o acesso universal ao telefone celular deixará de ser uma utopia. O telefone celular deverá ser o primeiro aparelho – fruto da revolução industrial e científica e tecnológica – com uso universal, especialmente se houver políticas para reduzir as tarifas e garantir a conecção e a inclusão digital. Alguns estudiosos consideram que haverá uma revolução social no mundo se todos os cidadãos do mundo estiverem conectados via celular e Internet, pois além de eliminar o isolamento das pessoas, a inclusão digital possibilitará que as pessoas tenham acesso a serviços e informações como nunca antes imaginado. Os celulares são aparelhos que sintetizam e disponibilizam diversas invenções que ocorreram nos últimos 150 anos. Os aparelhos celulares incorporam relógio, calculadora, máquina de fotografia, filmadora, despertador, GPS, etc. Pelo celular pode-se ouvir rádio, assistir televisão, ver filmes e ter acesso...

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nem esquerda, nem direita, nem fora do eixo! Ivana Bentes e o artigo do Passa Palavra

Contexto: O projeto/coletivo Passa Palavra publicou um artigo intitulado “A esquerda fora do eixo”, abordando as “últimas mobilizações em São Paulo e apontando a fragilidade prática e teórica da esquerda num cenário de ascensão e transformação econômica”. Inicialmente o texto faz uma resenha política, por assim dizer, dos movimentos livres que aconteceram em São Paulo, incluindo a Marcha da Liberdade, que ampliou-se para uma mobilização nacional, realizada no dia 18 de junho, envolvendo pelo menos 40 cidades em todo o Brasil. Em seguida apresenta a sua visão do Coletivo Fora do Eixo (um dos núcleos articuladores da Marcha), analisa as relações do Coletivo com a esfera pública cultural e política e também com o mercado da cultura. Por fim, acusa fragilidade política e social nos movimentos por eles não apresentarem um conteúdo político efetivamente e estruturalmente transformador, e acusa o Coletivo Fora do Eixo de vislumbrar, através de certa apropriação simbólica dos movimentos, a ampliação de sua representatividade perante possíveis públicos de suas ações culturais e de negócios alternativos. Como resposta a este artigo, a pesquisadora Ivana Bentes publicou no blogue trezentos o texto “A Esquerda nos Eixos e o novo ativismo”, no qual defende os movimentos em questão como uma forma de participação social, cultural e política que reflete as novas conjunturas do capitalismo cognitivo e das novas ferramentas tecnológicas que propiciam articulações em rede, descentralizadas, que embora...

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A pior censura

___Novo colunista contratado do Papo de Homem, Alex Castro, espertamente, fez uma brincadeira com os leitores: apresentou dois casos de censura – A Centopeia Humana 2, no Reino Unido, e o curta brasileiro “Eu não quero voltar sozinho”, censurado no Acre – e perguntou qual deles é pior. O filme é temática fortemente escatológica, enquanto o curta (que eu aconselho que vocês vejam AGORA, antes de terminar de ler este parênteses) é uma linda reflexão sobre preconceito e tolerância. ___O resultado dos comentários foi bastante simples. Excetuando os tradicionais homofóbicos-idiotas, muita gente, com asco do filme, achou a censura d’A Centopeia Humana 2 aceitável e a do curta, absurda. Todos esses, caíram na brincadeira. ___Censurar já é ruim por si só. Como, hoje, as pessoas mais esclarecidas não costumam ser homofóbicas, censurar um curta lindo e que prega a tolerância parece pior do que proibir um filme escatológico (se quiserem saber mais, procurem o trailer do filme). Todavia, fosse a nossa sociedade versada em aceitar a coprofagia e rejeitar o homossexualismo, veríamos os leitores reclamarem da censura do filme e aceitar a do curta. ___Proibir alguém de expressar algo é horrível por si só. Permitir que um governo decida isso, então, é absurdamente problemático. Não importa quais sejam as ideias aceitas em cada época (expressar opinião contrária à escravidão era problemático em algumas épocas), é importante que todos possam...

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Por que ser feminista? E quem pode ser feminista?

“Feminista” é quase uma palavra-tabu. Entre a maior parte dos homens, é quase um sinal vermelho: se eles dizem que uma mulher é “feminista” querem dizer que ela é um problema. Entre a maioria das mulheres, ainda é uma desqualificação. Muitas mulheres que se identificam com alguns questionamentos feministas em relação à sociedade – por exemplo, a igualdade salarial –, dizem sempre: “defendo isso, mas não sou feminista. Essas três letrinhas juntas – mas – carregam consigo uma oposição ou restrição ao feminismo, e as escutamos todos os dias. Em certa medida, até entendo: a palavra “feminista” foi tão bombardeada de conteúdo ideológico machista e conservador, é tão descaracterizada e caricaturada pela mídia, por alguns intelectuais e por grupos dominantes que se uma pessoa se assume “feminista” precisa estar preparada para colher preconceito. “Feministas não gostam de homens”, “feministas são mal-amadas”, “feministas querem tomar o lugar dos homens” e sei lá mais quantas outras bobagens dizem sobre AS feministas. Se a pessoa que se declara feminista for um homem, então, haja explicações… Feministas, homens ou mulheres, precisam quase sempre fazer uma “legítima defesa antecipada” de sua escolha diante de toda a carga negativa que a palavra carrega. São mais de dois séculos – isso, séculos! – de lutas. E ao longo desse tempo, o feminismo tem sido pintado, em primeiro lugar, como um movimento “apenas” feminino. Como se as...

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