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Mês: agosto 2011

Os blogues do OPS: Biajoni

___Dizer que cada blogueiro tem suas características é começar esta resenha com uma afirmação banal e que só serve para chover no alagado. Mesmo assim, creio eu, ela não só cabe, como é, também, é um pouco importante no caso que vou analisar hoje, o Luiz Biajoni. ___Um tanto anárquico, Biajoni, antes de ser dono de seu blog homônimo, espalhava seus textos por aí.* Tal qual ele ainda o faz, escrevendo, por exemplo, no Amálgama. Portanto, digo, achar que é possível entender um pouco o Bia só pelo que aparece no blog é pura ilusão. ___Mais do que isso, mesmo com textos muito interessantes espalhados pela internet, creio que vale mesmo a pena acompanhar o Biajoni como romancista. Apesar dos títulos pouco convencionais, Sexo Anal e Buceta são aventuras divertidíssimas – que ainda contam com a graça extra de acontecerem em um cenário que eu conheço um pouco, o interior de São Paulo. Seu último livro, Élvis & Madona (esse no Rio de Janeiro), consegue, mais ainda que os outros, mostrar como Biajoni realmente trata seus personagens com uma atenção gigantesca. ___Vale acrescentar, acompanhar o Biajoni agora parece que vai ser mais fácil ainda. Em setembro, sairá em cartaz, por todo o país, o filme que inspirou seu último livro. E mais, Sexo Anal, uma novela marrom, sua primeira obra, será relançado pela editora Os Viralata. __________ * Mais...

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“O meio justo está na igual possibilidade dos extremos”

  A frase foi dita durante o evento “Música: A Fronteira do Futuro – Criatividade, tecnologias e políticas públicas” (aqui, para quem quiser assistir. Ficará no ar por 30 dias, a partir de 25/08) por Gilberto Gil. “Possibilidade dos extremos” é uma expressão que remete, a meu ver, ao cerne das grandes transformações sociais pelas quais não apenas o mundo passa, mas principalmente o Brasil.   Possibilidade, salvo melhor juízo, é capacidade, potência, vir a ser. Capacidade de exercer seja lá o que for. A vida, direitos, deveres, vontades. Ou mesmo de não exercer.   O embate que vemos cotidianamente na sociedade, sobre os mais diversos temas, é fruto de uma história em que um dos extremos, ao mesmo tempo em que exercia a sua possibilidade de forma plena, negava a existência da possibilidade do extremo oposto. E aquilo que não se conhece, não exerce efeitos sobre nós.   São os casos das manifestações sobre homoafetividade, da não inclusão cultural e digital, do não acesso aos serviços mínimos do Estado, da pobreza, da violência, da liberdade da internet e da produção de conteúdo cultural, enfim de todas situações de não reconhecimento da possibilidade, da capacidade.   Dia desses, no Twitter, li alguém questionar a razão de uma parada do orgulho gay e comentar de que era possível obter o reconhecimento dos seus direitos sem necessidade de paradas. A questão...

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820 anos em 15

Thomas Malthus escreveu, em 1798, que a população tendia a crescer mais do que a economia se não houvesse “cheques positivos” para evitar a multiplicação das pessoas. Por “cheques positivos”ele entendia as guerras, a fome e a miséria. Malthus – que era contra o uso de métodos contraceptivos – considerava que só a alta mortalidade poderia interromper o crescimento populacional. Contudo, os dados mostram que tanto antes, mas principalmente depois das previsões pessimistas do pastor inglês, o crescimento da economia, em média, sempre foi maior do que o crescimento populacional. Segundo cálculos de Angus Madisson, entre os anos 1000 e 1820 o PIB mundial cresceu 6 vezes e a população cresceu cerca de 4 vezes. Em consequência, ao contrário do que analisou Malthus, a renda per capita mundial cresceu 50% (ou 0,05% ao ano) em 820 anos. Foi um crescimento pequeno, mas positivo. A população mundial estava em torno de 1 bilhão de habitantes por volta do ano 1800 e o economista pessimista achava que a única forma de controlar a população era manter um salário de subsistência para que a mortalidade mantivesse a população sobre controle. Contudo, após as Revoluções na Inglaterra (Revolução Gloriosa) nos Estados Unidos (Indepedência em 1776) e na França (queda da Bastilha em 1789) o mundo começou um processo de desenvolvimento que se refletiu em um aumento do crescimento econômico e populacional, sem precedentes...

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A transição para a Economia Verde e a Rio + 20

A crise mundial das bolsas de valores e das dívidas é apenas mais um sinal da inviabilidade da forma como se organiza a atual economia internacional. Se o modelo de endividamento crescente tem se tornado inviável economicamente, também tem se tornado inviável ecologicamente. O atual modelo de desenvolvimento “marron” (poluidor), além de insustentável, pode levar a humanidade ao suicídio e ao ecocídio. Os sinais da insustentabilidade estão por todos os lados. Cresce o número de mortes e deslocamentos humanos forçados  em decorrência de enchentes ou secas extremas, provocadas pelas mundanças climáticas. A erosão dos solos, a desertificação de amplas áreas, o uso e o abuso dos aquíferos, a salinização das águas dos rios e a acidificação dos oceanos diminui a fertilidade das fontes de vida. Além dos danos ambientais, aumenta o preço dos alimentos. Em especial, no leste da África, a seca tem provocado uma epidemia de fome e cenas de crianças esqueléticas pedindo ajuda. As monoculturas uniformes subistituíram a biodiversidade. Dois terços dos recifes de coral e mangues do mundo já foram destruídos. As atividades antropogênicas trouxeram a maior extinção em massa da vida vegetal e animal da nossa história (antropocentro), com cerca de 30 mil espécies sendo extintas a cada ano (3 por hora). O ser humano mudou a química da terra e do céu, aumentando o dióxido de carbono na atmosfera e provocando o aumento do...

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O crepúsculo dos Deuses.

    O que é o limite da vida? Acredito que o limite seja aquele ponto em que a nossa vida chega e que temos apenas a opção de parar tudo que estamos fazendo e da forma como estamos fazendo – pois o próximo passo pode custar à própria vida. Entretanto podemos morrer mesmo vivos, ou como os budistas dizem [principalmente a escola tântrica] – estamos morrendo um pouco a cada dia. Porém qual o objetivo da vida de um artista? Sucesso, fama, dinheiro, reconhecimento, luxo, extravagância ou um misto de tudo isso e mais um pouco? O rock nos oferece em abundância exemplos de artistas que vivem e viveram no limite de tudo, muitos deles pagaram com as próprias vidas, enquanto outros amargam o fundo de um poço que eles mesmos cavaram. Cartola já cantou que “o mundo é um moinho”, um grande triturador de ilusões e sonhos, que é tão implacável quanto o tempo, que devora as coisas e lega a obra [se é que podemos chamar assim em muitos casos] de muitos artistas ao mero esquecimento. Sid Vicious e Kurt Cobain são exemplos de vidas extremas, nas drogas e no sucesso repentino – o primeiro tornou-se símbolo de um movimento [punk] e o segundo de uma geração [os anos 90], ambos, assim como Che Guevara, hoje estampam camisetas de milhares de jovens mundo a fora. O...

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