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Mês: outubro 2011

Lula e o SUS. Ou, não se é presidente por acaso!

Construímos uma civilização que achou por bem diferenciar certas atividades. Dentre elas, as atividades desenvolvidas por “líderes”. A civilização também desenvolveu o conceito de que à liderança cabia um conjunto de valores diferenciado, não necessariamente pelas qualidades pessoais de quem exerce a liderança, mas pelo entendimento básico de que necessitamos dessa liderança. Se somarmos a essa necessidade a capacidade pessoal do líder, ótimo. A presidência de um país é um caso. Atribuimos valor de liderança a esse conjunto de atividades e a ele associamos valores diferenciados. Por outro lado, não se é presidente por acaso. É preciso demonstrar a posse de valores no mímino correspondentes ao conjunto diferenciado que a sociedade elegeu como sendo valores de um líder. Uma vez adotados, esses valores tornam-se tácitos, crescemos com eles da mesma forma como crescemos com o valor da higiene, por exemplo. E aqui há algo, também tácito, aparentemente esquecido por tantos quantos levantam a questão do tratamento do Lula: todos, tenham votado nele ou não, concordam que o conjunto de valores associado a um presidente ou ex-presidente é um conjunto de valores diferente do nosso. E não é porque seja o Lula. Valereia até para o Collor, houvesse ele se mantido… Guardamos em nós a máxima de que “uma vez rei, sempre majestade”. Não há diferenciação entre presidente e ex-presidente. Dentre os inúmeros valores eleitos – para, e atribuídos à...

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Vida (nossa), esta tão “assenhada”.

  Vida (nossa), esta tão “assenhada”. Brevíssimos comentários acerca de alguns elementos das sociedades de controle. Nossa vida está cada dia mais “assenhada”. Parece até não ser nossa esta vida que só pode ser acessada, a cada instante, a partir de uma (ou várias) senha(s). Das senhas, precisamos delas para acessar bancos, comunidades digitais, escolas, hospitais e porque não, nossa própria casa. – Não entro em minha casa sem antes inserir algo em torno de sete dígitos numa combinação de alfanuméricos em uma maquineta e seus gadgets miraculosos. No dia em que por acaso eu não me lembrar de todas estas senhas terei que dormir na rua. – E isto só vem a se acentuar, na medida em que a ênfase no corpo parece sair de cena (ou se transformar), e a nossa alma passa a ser controlada pelo uso imoderado de senhas. Lembro-me neste momento de passagens em “Post-scriptum sobre as sociedades de controle”, texto visionário, escrito por Deleuze em uma espécie de resposta a Foucault. Nas sociedades disciplinares, conforme importante análise de Foucault, tudo incidia sobre o corpo – a ser confinado, docilizado, adestrado, higienizado… por fim, disciplinado, e o modelo de centro penitenciário criado por Jeremy Bentham, denominado Panóptico, literalmente “fez escola”, ao inspirar a construção desde o século XVIII de edificações e práticas, que serviram a hospitais, manicômios, igrejas, fábricas e também a escolas. Ainda vemos nos...

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A cidadania é o melhor contraceptivo

Como estabilizar a população mundial? De acordo com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), o habitante de número 7 bilhões chegará ao mundo no dia 31 de outubro de 2011. A espécie humana chegou a 3,5 bilhões em 1968, a  4 bilhões em 1974, a 5 bilhões em 1987 e a 6 bilhões em 1999. Ou seja, em 43 anos (entre 1968 e 2011), a população global dobrou de tamanho, tendo acrescentado 1 bilhão de pessoas apenas nos últimos 12 anos. Sete bilhões de pessoas é muito, é pouco ou é suficiente? Evidentemente, assim como quase tudo que se refere às ciências humanas, não existe uma resposta única. Sempre vão existir aqueles que acham que a Terra tem espaço suficiente, enquanto outros acham que a Terra está superpovoada. Porém, hoje em dia, é crescente o número de pessoas que consideram que as atividades humanas estão destruindo o Planeta e colocando em risco o futuro da humanidade e das outras espécies vivas da Terra. Mas enquanto algumas pesquisadores responsabilizam o crescimento populacional pelo estresse ambiental, outros responsabilizam o crescimento do consumo. Os primeiros dizem que o consumo é elevado porque existem muitas pessoas no mundo (overpopulation) e que a demanda por bens e serviços sempre tende a crescer porque as aspirações humanas são infinitas. Os segundos consideram que o alto consumo (overconsumption) ocorre devido à máquina de propaganda...

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Cibernética

Desta vez vou tratar de um assunto que não é propriamente do âmbito da matemática mas onde ela tem um papel fundamental, a cibernética. Termo criado por Norbert Wiener, (1894-1964), matemático norte-americano, em publicação de 1948, a cibernética é a ciência que estuda as atividades rotineiras do homem que a partir do século 20 se modificaram completamente com a 2ª revolução industrial. Mas não é a invenção das máquinas em si da 1ª revolução industrial ocorrida no século 19 que nos interessa, como por exemplo a máquina a vapor substituindo as carruagens puxadas por cavalos e os barcos à vela singrando os mares. Nos interessa é a invenção das máquinas que comandam e controlam outras máquinas, tarefas que anteriormente só cabiam ao homem pois só ele era capaz de as executar, em parte e com muito menor capacidade. No final do século 20 teve início a era das máquinas que hoje dominam completamente as nossas atividades. Se os pitagóricos de 300 anos a. C. vivessem hoje, diriam que a sua previsão “tudo são números” havia finalmente se realizado. Realmente tudo que fazemos hoje é transformado em números pelas máquinas que dialogam entre si para cumprir as suas tarefas. Não se trata das informações solicitadas por telefone, cujas instruções para  atendimento são fornecidas por um disco dando uma sequência de alternativas a serem tecladas pelo solicitante. Aqui o diálogo não...

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Extremos demográficos: alto crescimento e decrescimento populacional

Na média, a população mundial tem reduzido o ritmo de crescimento e tende à estabilização na segunda metade do século XXI. Mas os números médios geralmente escondem o que está acontecendo nas extremidades. Os extremos demográficos ficam claros quando consideramos os países com menor e maior fecundidade. Os 10 países que apresentavam Taxas de Fecundidade Total (TFT) de cerca de 6 filhos por mulher, no quinquênio 2005-10 são: Afeganistão, Burkina Faso, Chade, República do Congo, Malawi, Niger, Somalia, Uganda, Tanzania e Zambia. Em 1950, estes 10 países tinham uma população total de 50 milhões de habitantes (equivalente à população do Brasil na época), passando para 258 milhões em 2010 e, mesmo considerando que a fecundidade venha a cair rápido nas próximas décadas, devem chegar a 640 milhões de habitantes, em 2050. Como a população destes países é muito jovem, o ritmo de crescimento, mesmo diminuindo, deve continuar na segunda metade do século XXI e não é imposível que estes 10 países ultrapassem 1 bilhão de habitantes antes de 2100. Os 10 países que apresentavam Taxas de Fecundidade Total (TFT) abaixo de 1,5 filho por mulher, no quinquênio 2005-10 são: Alemanha, Japão, Rússia, Grécia, Itália, Portugal, Espanha, Hungria, Coréia do Sul, Romenia. De 1950 a 2010 a população destes países aumentou de 389 milhões para 556 milhões, mas, mesmo na hipótese de aumento da fecundidade, a população vai diminuir até...

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