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Mês: novembro 2011

Sob(re estupro) o Domínio do Medo*

Pintura: Estupro das Filhas de Leucipo por Peter Paul Rubens     (Trato de impressões. Sem cortes profundos nem muitos temperos. Responsabilidade adoça a vida. Enxergo, sim, a falta de cores em algumas práticas violentas, e deixo-me levar pelas impressões. É com empatia, imaginação, compreensão e bom senso que escrevo. Impossível evitar ter pretensão nas margens de tudo; não estou cego. Se soar pretensioso peço desculpas. Mas tento ver por dentro. Com muito esforço. Permito-me uma viagem dolorosa… Não deixa de ser uma verdade tudo aquilo que se imagina). Não sei se uma mulher, um homem ou uma criança – e os deixo assim indefinidos – conseguiriam ser os mesmos depois de uma agressão sexual. No entanto, não deveria espantar a ninguém se todas as flores, quaisquer flores, ao redor e as mais próximas dessas vítimas, começassem a perder o visco, ou regredir; semente ou broto sem coragem voltando ao começo, quando nada ainda era início; quando ainda não havia culpa. As músicas tornam-se abafadas, se conseguem ser ouvidas. O sangue caminha em refluxo, borbulhando, movido à tristeza e desencanto. Foram mil braços, os agressores. Um desejo corrupto, sujo, a comprometer o desejo do outro. As lágrimas percorrem o corpo para purificar, limpar pequenos pedaços; uma gota a cada ameaça. A alegria enferruja em poucos minutos, enquanto durar o ato; um desastre de poucos minutos. O silêncio é uma...

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Brasil e a migração internacional: refugiados do clima e da crise econômica

Em fevereiro de 2011 escrevi aqui no OPS o artigo “Nova reversão do fluxo da migração internacional do Brasil?”, onde comentava que o Brasil deixou de ser “importador líquido” de pessoas desde 1980 para se tornar “exportador líquido” até recentemente. Mas com a queda das taxas de fecundidade e a retomada do crescimento econômico, poderia haver uma reversão da reversão da migração. Constatei o seguinte: “Se o Brasil tiver uma política macroeconômica que leve o mercado de trabalho a uma situação próxima do pleno emprego, na corrente década, pode haver uma reversão do fluxo migratório internacional, com menos brasileiros querendo sair do país e mais estrangeiros querendo se mudar para as terras tupiniquins”. No início do ano havia uma esperança de crescimento da economia internacional.  Mas no decorrer de 2011 o horizonte ficou mais escuro e carregado. A luz do fim do túnel está cada vez mais fraca, ofuscada pelas crises econômica e ambiental. O cenário mais dramático é o da Europa, especialmente dos países mediterrâneos. Os chamados PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) são países de baixa fecundidade e de população bastante envelhecida. Só não existia decrescimento demográfico porque estes países recebiam migrantes da América Latina, África e Ásia. Mas a crise econômica européia está não só levantando um muro invisível contra a entrada de novas pessoas, mas está se tornando uma catapulta que expulsa não só...

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Números complexos

Nos trabalhos anteriores apresentei o sistema numérico desdobrado nas suas diversas categorias, mostrando as insuficiências de cada categoria e como superá-las mediante expansões sucessivas. Iniciando pelos números naturais e anexando o número zero passei aos números inteiros positivos e negativos, aos racionais, algébricos, fracionários, irracionais, transcendentes e finalizando nos números reais. Parecia portanto que a expansão numérica estava completa devido à propriedade dos números reais de apreesentar entre dois números sucessivos sempre um terceiro, por mais póximos que estejam entre si os números escolhidos. É a chamada “hipótese do continuum” da sequência ininterrupta dos números reais sem “saltos” ou descontinuidades de qualquer natureza. Mas vocês devem  lembrar da pequena ressalva que coloquei “pondo de lado os números complexos”. Qual o motivo dessa minha preocupação? De fato os números complexos são números um tanto “estranhos” digamos assim. Eles não deviam existir pois resultam de uma operação impossivel de se realizar, a raiz quadrada de um número inteiro negativo. Por exemplo, a raiz quadrada de 4 é 2 mas a raiz quadrada de –4, 4 com o sinal menos, não pode ser realizada. Nenhum número elevado ao quadrado pode ser negativo. Assim é a regra dos sinais: +2 X +2=+4 mas –2 X –2 é também igual a +4. Mas a raiz quadrada de um número inteiro negativo pode acontecer, como por exemplo na equação x2+1=0 e é por isso que...

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O aumento do preço dos alimentos

O índice de preço dos alimentos da FAO (Food and Agriculture Organization) tem apresentado uma tendência de aumento desde o quinquênio 1999-2003 e estudos mostram que estes preços estavam nos níveis mais baixos de todo o século anterior. Durante o iníco do ano de 2011 até setembro o índice da FAO estava em seu nível mais elevado no atual século. Em outubro os preços cairam um pouco devido à crise econômica dos Estados Unidos e da Europa. Mas a tendência é se manter em níveis elevados. Realmente é surpreendente que o índice de preço dos alimentos, em nível mundial, tenha caído no século passado mesmo com o aumento da população mundial (que cresceu 4 vezes no século XX) e o crescimento da economia mundial (PIB) que cresceu cerca de 18 vezes no século XX. Ou seja, a despeito de um crescimento de 4,5 vezes no poder de consumo per capita da população mundial, o preço dos alimentos apresentou uma tendência de queda. É mesmo surpreendente, pois é sabido que existe muito desperdício e muita especulação na produção e no consumo de alimentos e mesmo assim os preços reais caíram durante décadas. Desta forma, embora a demanda tenha crescido o índice de preço mundial dos alimentos caíu e se manteve em nível baixo até o ano de 2003. Durante o século XX, o preço dos alimentos aumentou durante as duas...

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A redistribuição da economia internacional e os novos desafios ambientais

Os países ricos e desenvolvidos estão passando por uma enorme crise econômica, desde 2007. Após a desaceleração de 2008 e a grande recessão de 2009, esperava-se que houvesse recuperação nos anos seguintes. Mas o curto fôlego só aconteceu em 2010. Tudo indica que as economias americana e da área do Euro podem cair na recessão novamente, caracterizando a situação de “duplo mergulho”. Na melhor das hipóteses os países desenvolvidos vão crescer pouco enquanto não conseguirem resolver seus problemas de altos déficits, altas dívidas e alto desemprego. Entrementes, a maioria dos países em desenvolvimento, a despeito de serem mais pobres em termos de renda per capita, estão apresentando um melhor desempenho econômico (inclusive os países da África ao sul do Saara). No início da década de 1990, a região desenvolvida (composta por 34 países e com 1,25 bilhão de habitantes em 2011) representava cerca de 2/3 da economia mundial e a região em desenvolvimento (composta por 150 países e com 5,75 bilhões de habitantes em 2011) representava 1/3 da economia do Planeta, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), medido em poder de paridade de compra (ppp). Até o ano 2000 as percentagens mudaram pouco e passaram para 63% e 37%, respectivamente. Porém, após a virada do milênio os países antes considerados do Terceiro Mundo passaram a crescer em um ritmo muito mais veloz, sendo que em 2010 os países...

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