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Mês: dezembro 2011

Classismo, sexismo, escravismo, racismo, xenofobismo, homofobismo e especismo

O teocentrismo dominou o pensamento ocidental por mais de mil anos. O livro de Gênesis descreve a criação do mundo por Deus da seguinte forma: No primeiro dia, Deus criou a luz. No segundo dia, criou o firmamento. No terceiro dia, separou as águas da terra e mandou a terra fornecer ervas, plantas e árvores frutíferas. No quarto dia, criou luzes no firmamento para separar a luz da escuridão e marcar dias, estações e anos. No quinto dia, mandou o mar se encher de criaturas vivas e os pássaros voarem pelos ares. No sexto dia, mandou a terra produzir criaturas vivas (animais domésticos, répteis e animais selvagens segundo as diversas espécies) e, por último, criou o ser humano (primeiro o homem e depois a mulher) à sua própria imagem e semelhança, ordenando: “Frutificai, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra.” No sétimo dia Deus descansou. Esse teocentrismo traz em seu bojo uma visão antropocentrica (teo-antropocentrismo), pois, segundo esse mito do surgimento do mundo, o ser humano foi criado à imagem de Deus, possuindo uma missão de se multiplicar e dominar a Terra e todas as espécies vivas do mundo. Mas, na tradição bíblica, embora o “Homem” tenha sido criado à imagem e semelhança de Deus ele não possui...

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O que tem 2011 a ver com angústia?

Perdoem a petulância da total generalização do texto. Isso significa que farei intercambiáveis a terceira e a primeira pessoas. Quem sabe uma forma de aliviar a angústia seja essa: compartilhar; pensar que aquilo que sinto seja o mesmo que todo mundo sente. Se há uma palavra que defina 2011, mais que qualquer outro ano, essa palavra é angústia. Não sei o que dizem os dicionários, mas a mim parece ser algo indefinido. E é justamente essa indefinição que a distingue de outras sensações. Tenho eu o dever, por mais velho que sou, de compreender a ignorãncia? Não teria que, necessariamente, por mais velho que sou, aceitar o fato de que a ignorância (no bom sentido, claro) só aumenta com o passar do tempo, com a influência da mídia institucionalizada e com um sistema educacional cada vez mais raso? A angústia nasce da dúvida. “Se duvido, penso”, disse Descartes. Eu, se fosse ele, teria dito “se duvido, sinto!” E o que outra coisa nos foi oferecida no ano de 2011 senão dúvidas? E pensamos em 2011? Não creio! Tenho a impressão de que, para fugir da angústia, permanecemos atores da peça de sempre: reclamamos disso e daquilo, sabendo que, no fim, queremos mesmo é continuar a reclamar… Desde que não nos falte, claro, um bom Deus a nos salvar e uma gelada Cerveja a nos saciar… Que esteja líquida, não...

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A composição dos atos mínimos

A vida hoje exige pedaços cada vez maiores de cada um, de cada coisa (ato, pessoa e objeto). As declarações estão se tornando mais caras: declarações de amor, de bem querer, de desistir, de preferir amanhã o que não se pode ter agora, de permanecer ausente, de precisar de uma proximidade sufocante; declarações de Aniversário, Natal, Ano Novo. Declarações reproduzidas, programadas, incansavelmente pesquisadas na internet. Não se pensa no outro como conteúdo singular. A mesma declaração para qualquer pessoa disponível. A repetição da palavra sem sentido. Os presentes são grandes, coloridos, roem o valor do bolso e esvaziam a honestidade dos sentimentos. Pessoas que passaram o ano construindo uma indevassável e descomunal muralha de intolerância tentam acentuar a gravidade da maldade escorada em todas as suas atitudes: Um cartão de natal, um abraço opaco. Elas não sabem como recomeçar. Preferem o valor das coisas (ato, pessoa e objeto) à delicadeza que é reconhecer equívocos e aceitar particularidades.    Algumas pessoas desistem do próprio entendimento. Elas não olham para cima pelos pedaços calmos de nuvens que espalham sombras redondas. Não entendem que dentro do peito tem céu. Buscam salvação no valor, no preço, na marca, na facilidade de ter por perto alguém que não precisa ser nada parecido com o que satisfaz sua decência.   O natal está quebrado. O amor agora é vidro. E os homens são papel picado...

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O Manifesto Slow Science

___Em meio a uma conversa, um amigo querido me falou sobre a Slow Science. Eu, que nunca havia ouvido falar, fui me informar sobre o que se tratava. Achei a ideia bem interessante, tanto que acabei por divulgá-la no meu blog. ___Como as ideias da Slow Science parecem combinar com os interesses dos leitores do Ops! (portal que jocosamente tem se chamado de “Um bunker da web 1.0”), achei que valia a pena divulgar o manifesto do movimento por aqui. ### O MANIFESTO SLOW SCIENCE Somos cientistas. Não blogamos nem tuitamos. Não temos pressa. Sem mal entendidos. Somos a favor da ciência acelerada do início do século XXI. Somos a favor do fluxo interminável de revistas com pareceristas anônimos e seu fator de impacto; gostamos de blogs de ciência e mídia, e entendemos as necessidades que relações públicas impõem. Somos a favor da crescente especialização e diversificação em todas as disciplinas. Queremos pesquisas que tragam saúde e prosperidade no futuro. Estamos todos neste barco juntos. Acreditamos, entretanto, que isto não basta. A ciência precisa de tempo para pensar. A ciência precisa de tempo para ler, e tempo para fracassar. A ciência nem sempre sabe onde ela se encontra neste exato momento. A ciência desenvolve-se de forma instável, através de movimentos bruscos e saltos imprevisíveis à frente.  Ao mesmo tempo, contudo, ela muitas vezes emerge lentamente, e para isso é...

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População humana e seus animais humanificados

O ser humano começou a dominar a agricultura e a domesticar os animais durante a chamada “revolução neolítica”, há cerca de 10 mil anos. Com o acesso regular aos grãos e às carnes, houve uma melhora na alimentação, o que possibilitou que o aumento demográfico se mantivesse lento, mas crescente ao longo dos séculos. Calcula-se que no ano 1 da Era Cristã a população mundial estivesse em 250 milhões de habitantes, passando para 500 milhões por volta do ano 1500, um bilhão por volta do ano 1800 e sete bilhões de habitantes em 2011.  De revolução em revolução, o homo sapiens se espalhou por todos os cantos do Planeta e se tornou uma espécie onipresente. Existem pessoas que consideram que o ser humano é muito “espaçoso” e não se importa com a biodiversidade e a sobrevivência de outras espécies. Inúmeras pesquisadores consideram grave o fato de o ser humano já ter uma pegada ecológica maior do que a Terra pode sustentar. Outros, como a revista National Geographic, acham que, colocados lado a lado, os sete bilhões de habitantes do mundo cabem dentro dos limites de uma cidade grande, como a região metropolitana de São Paulo. Porém, as pessoas não vivem em pé, lado a lado, e precisam de casas para morar, escolas para estudar, hospitais para se tratar, áreas de lazer, etc. Principalmente, precisam de terras para cultivar grãos,...

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