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Mês: julho 2012

Dubai: cidade ecologicamente insustentável

Dubai é uma cidade que se vende como se fosse uma grande Itu do deserto. Em Dubai tudo é superlativo: o mais alto prédio do mundo, o hotel mais luxuoso e caro do globo, o maior shopping center, o maior aeroporto, etc. Além disto, construiram uma montanha de neve artificial para esqui, piscinas com ondas, um campo de golf que precisa de milhões de galões de água por dia, restaurante construído em gelo, hóteis feitos em granito, mármore e ouro, etc. E muito, muito automóveis e ar condicionados. Ninguém anda a pé. Com o dinheiro do petróleo o governo dos Emirados Árabes Unidos investiu na construção de uma cidade totalmente artificial no meio das dunas quentes, como se fosse uma Dineylandia do deserto. Mas não foi uma cidade feita para economizar energia, água ou se adaptar às condições inóspidas do semi-árido, como faziam os antigos beduinos. Ao contrário, criaram uma cidade das Mil e Uma Noites voltada para o luxo, o desperdício, a desigualdade social, a falta de liberdade e a insustentabilidade ambiental. Aliás o dinheiro do petróleo tem permitido a construção de cidades no Oriente Médio totalmente insustentávei do ponto de vista dos recursos naturais. Qatar é um país de 1,4 milhões de habitantes com uma pegada ecológica per capita de 11,68 hectares globais (gha) e uma biocapacidade per capita de 2,05 gha. O Kwait é um país...

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Até onde vai a queda dos católicos na baixada fluminense?

A proporção de católicos no Brasil caiu de 89% em 1980, para 83% em 1991 e chegou a 64,6% em 2010. Nos últimos 20 anos a perda tem sido quase um por cento ao ano. Neste ritmo os católicos deixam de ter maioria absoluta (mais de 50%) das filiações religiosas no país em 20 anos e podem empatar com os evangélicos em até 30 anos, na média nacional. Contudo, os católicos já estão perdendo para os evangélicos na Baixada Fluminense.  Tomando o município de Nova Iguaçu como exemplo, podemos ver que os católicos eram 43,1% em 2000 e os evangélicos eram 29,1%. Em apenas 10 anos, os católicos cairam para 33,1% e os evangélicos subiram para 36,9% da população total de Nova Iguaçu em 2010. Esta inversão de posições é mais acentuada quando se considera os grupos etários, pois os católicos continuam superando os evangélicos nas idades acima de 40 anos, mas perdem nas idades menores de 40 anos.  No grupo etário 0-14 anos, de crianças e adolescentes, os católicos eram 37,7% em 2000 e cairam para 28,3% em 2010, enquanto os evangélicos subiram de 30% para 40,3%, no mesmo período. No grupo de adolescentes e adultos jovens (15-39 anos) os católicos cairam de 42% para 29,6% e os evangélicos subiram de 24,8% para 37% entre 2000 e 2010. Já nos grupos acima de 40 anos os católicos ainda...

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A pedra no caminho do tempo

“ O que é passado, presente ou futuro, só o tempo atestará. Pois se existe mesmo esse vidro-hoje a separar fatos e pessoas, existe o vidro-afeto a ser quebrado a qualquer momento, não aceitando nem ser refratário, para se tornar apenas pleno em sua invisibilidade.” [ROMEU, A. C. Passado, presente e futuro. Jornal Diário Popular, Pelotas, 21 de jul. de 2012] Não lembro a fonte do conto “a pedra no caminho”, mas independente do tamanho e tempo da pedra, no decorrer da vida, penso que não existe uma, que não seja possível aproveitá-la para o próprio crescimento espiritual. Acredito que, independente do tempo, a diferença em seguir sonhando, nunca esteve na pedra, mas na capacidade de autorenovação do homem. Parece claro que existe similitude da pedra no caminho à ideia de um tempo retilíneo, acomodado pela repetição dos fatos, que se movem em torno do mesmo centro e se  encontram partir dos mesmos princípios e eventos ortodoxos. Sob esse olhar platônico, há impossibilidade do movimento e alteração da pedra, ou seja, é inútil mudar a natureza humana, pois não há tempo no qual possa se alterar.  Nunca haverá restauração do tempo. Qual é sentido de tudo isso? A questão de forma abstrata pode receber várias respostas.  Diria que o homem sempre teve, desde os primórdios, a necessidade de se defender, enquanto a pedra aceita a guerra como um fato...

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Hipocrisia e ditaduras!

De qualquer governante que fique no poder por mais de dois daquilo que poderíamos chamar de “mandatos” pode-se dizer que não seja democrático. Que dizer então de gente que, de uma forma ou outra se perpetua no poder? Ditadores, no mínimo. E não importa o matiz ideológico.   Em uma democracia “de verdade”, ninguém conseguiria ficar tanto tempo no poder por conta apenas de “eleições”. Um povo democrático é um povo que possui diversidade e, logo, de uma forma ou outra encontra maneiras dessa diversidade se manifestar no governo, sem que para isso sejam necessárias revoluções ou guerras civis. E da natureza da democracia, e portanto natural, que a diversidade se alterne. Qualquer outra situação jamais poderá ser chamada de democracia. Qualquer outra forma de se manter no poder é antinatural e democratas que se prezam de assim pensar e agir, não podem pactuar com “disfarces” perpetrados mundo afora.   A questão que se coloca são as defesas feitas, a essas pessoas e a seus regimes, como se democráticos fossem e por pessoas que alardeiam serem democráticas também. Instado a me manifestar, incondicionalmente, em defesa do regime sírio, em clara guerra civil, fui solenemente acusado de “defensor dos assassinos americanos” e de pactuar com as mentiras propagadas pelo PIG direitoso brasileiro.   Esse é um dos problemas da radicalização: joga quatro milhões de anos de desenvolvimento humano no lixo,...

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A sociedade brasileira avança e a igreja Católica fica presa no passado

A igreja Católica chegou ao Brasil junto com Pedro Álvares Cabral. A primeira missa foi rezada por Frei Henrique Coimbra, no sul da Bahia, no dia 26 de abril de 1500. Nos 4 séculos seguintes, a igreja manteve um monopólio de quase 100% sobre a população brasileira. A igreja Católica reinou no Brasil quando o país era rural, de economia agrária e de subsistência, as famílias eram numerosas e havia baixa mobilidade social e baixo nível de consumo. A família católica típica era formada a partir do matrimônio de mulher virgem com um homem que já tinha alguma experiência sexual (geralmente com prostitutas), os casamentos eram para sempre, pois havia baixo índice de separações e divórcios, o homem trabalha fora e possuia renda, a mulher era apenas dona de casa e tinha como função cuidar dos filhos e do marido. As taxas de fecundidade eram altas, a esperança de vida era baixa, o percentual de pessoas morando sozinhas era pequeno, praticamente não havia aposentadoria e sistemas públicos de proteção social, o índice de analfabetismo era muito elevado, os canais de informação e comunicação eram restritos e a mobilidade espacial e social era limitada. Era forte a ligação da família extensa com a igreja e os padres eram uma referência importante das comunidades. Porém, este Brasil tradicional ficou para trás na medida em que ia se urbanizando, industrializando e avançando...

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