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Mês: setembro 2012

A população da Nigéria em 2100

A Nigéria pode se tornar, em termos demográficos, o país de maior crescimento absoluto no século XXI. A população nigeriana era de 37,8 milhões de habitantes em 1950 (época em que a população brasileira era de 52 milhões) e chegou a 124 milhões no ano 2000 e a 158 milhões em 2010. Mais que quadruplicou em 60 anos e aumentou em 34 milhões de habitantes somente na última década (o Brasil aumentou 20 milhões, em números redondos, de 170 para 190 milhões de habitantes entre 2000 e 2010) A divisão de população da ONU estima que a Nigéria terá uma população de 230 milhões de pessoas em 2030, maior, portanto, do que a população brasileira que deve ficar em torno de 210 milhões nesta data. Para o ano de 2050, a Nigéria teve atingir uma população de 348 milhões, na hipótese baixa, de 390 milhões na hipótese média,  e de 504 milhões de habitantes na hipótese alta. Para o final do século as hipóteses são: 505 milhões de habitantes, na hipótese baixa, de 730 milhões, na média, e 1,02 bilhão na hipótese alta. Ou seja, a população da Nigéria pode variar entre 505 milhões a 1,02 bilhão de habitantes em 2100, dependendo fundamentalmente do comportamento das taxas de fecundidade e um pouco menos da migração. Desta forma, a população da Nigéria que ainda hoje é menor que a população...

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Afinal, o que é a tal da sustentabilidade?

São tantos os usos e desusos do termo sustentabilidade que quando vejo escrita a palavra, logo procuro identificar a corrente ideológica e a maneira de pensar de quem a usa. Fico confuso, na verdade pasmo, que esta palavra (ou ideia-força como prefere minha orientadora de doutorado), seja usada por gente que propõe temas verdadeiramente alternativos, sem maiores aprofundamentos. Posso dizer a verdade? Usei o termo em meu doutorado, mas náo gosto dele. Acho obsoleto e já “engolido” e “digerido” pelo sistema. E transformado em que? Na mesma coisa que tudo que é engolido e digerido.  Começo então uma série de 4 artigos, buscando oferecer uma visão ampla e crítica de como o termo surgiu e é usado e corrompido. Afinal, o que é a tal da sustentabilidade?  Sustentabilidade é um conceito amplo, sobre o qual há muitas controvérsias (SÖDERBAUM, 2000; 2008). O conceito do tripple bottom line (tripé da sustentabilidade), cunhado por Elkington (1998) se tornou dominante no sentido de capturar os esforços de países e organizações para uma atuação voltada para reflexões sobre o capital humano e capital natural, além de um capital econômico. Tornou-se expressão também largamente utilizada para a elaboração de padrões de relatórios organizacionais  e nacionais sobre sustentabilidade e para medir a chamada ‘pegada ecológica’.    A compreensão de sustentabilidade baseada apenas no triple bottomline pode ser reducionista. Söderbaum (2008), por exemplo, elenca seis diferentes dimensões sobre as...

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O pico do petróleo e o pico populacional

A população mundial era de 1,275 bilhão de habitantes em 1870, chegou ao redor de 1,6 bilhão em 1900 e passou para 7 bilhões em 2011. Um crescimento de 5,5 vezes, em menos de um século e meio. Foi o maior crescimento demográfico de toda evolução da vida humana na Terra. Porém, no mesmo período, a economia mundial (PIB) cresceu 51 vezes, segundo cálculos do eminente economista britânico Angus Maddison. Ou seja, nunca na história do Planeta houve um crescimento demográfico e econômico (demo-econômico) tão grande, propiciando, a despeito das desigualdades, uma significativa melhora no padrão de vida da população. A esperança de vida média dos habitantes do globo que estava abaixo de 30 anos antes de 1900 subiu para 65 anos no ano 2000 e já está próxima de 70 anos. Houve melhoria das condições de moradia das pessoas, aumento do nível médio da educação, redução do analfabetismo e redução da jornada média de trabalho. O número de pessoas com acesso ao telefone (fixo e celular) e à luz elétrica passou de algo próximo do nada no século XIX para 6 bilhões em 2010. É cada vez maior o número de domicílios com a presença de geladeira, fogão, máquina de lavar, televisão, rádio, computador, Internet, etc. Embora exista muita desigualdade social no mundo, o aumento do padrão de vida médio do ser humano avançou consideravelmente, quando comparado com...

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O fundamentalismo que mora em nós

“A realidade, mesmo se necessária, não é inteiramente previsível. Aqueles que chegam a conhecer algum pormenor exato sobre a vida de outra pessoa, logo tiram dali consequências que o não são, vendo no fato recém-descoberto, a explicação de coisas que precisamente não têm nenhuma relação com ele.” (Marcel Proust in “Em busca do tempo perdido: A Prisioneira”. Editora: Globo. Volume V, 2011.) No final de semana, iniciando a releitura deste livro, deparei-me com esse trecho que pode ser entendido como o enfoque proustiano sobre as aflições que precedem os peculiares processos de mutação. No livro, Marcel busca a essência do “eu” de Albertine ao encarcerá-la. Todavia, como uma submissão ao fim, apenas, a encontra acordada pelo curso do tempo. Ao limitar o seu espaço, resigna-se por não aceitar uma nova mulher que se substitui perante o tempo. De modo imprevisto, Marcel cai das nuvens e acorda no concreto. Prefere acreditar que o amor não tem por objeto um corpo, a não ser quando nele se funde uma emoção, o medo de perdê-lo e a incerteza de reencontrá-lo. Mas no final, com a morte de Albertine, só encontra vários “eus” em si, resultado do silêncio indiferente do tempo. Penso que na expectativa da segurança, a espera dói e a gravidade também. O caus implica a perda do controle e o resultado do caus seria a mudança imprevisível.  Impede-se, assim, o...

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O fundamentalismo que mora em nós

 “A realidade, mesmo se necessária, não é inteiramente previsível. Aqueles que chegam a conhecer algum pormenor exato sobre a vida de outra pessoa, logo tiram dali consequências que o não são, vendo no fato recém-descoberto, a explicação de coisas que precisamente não têm nenhuma relação com ele.” (Marcel Proust in “Em busca do tempo perdido: A Prisioneira”. Editora: Globo. Volume V, 2011.) No final de semana, iniciando a releitura deste livro, deparei-me com esse trecho que pode ser entendido como o enfoque proustiano sobre as aflições que precedem os peculiares processos de mutação. No livro, Marcel busca a essência do “eu” de Albertine ao encarcerá-la. Todavia, como uma submissão ao fim, apenas, a encontra acordada pelo curso do tempo. Ao limitar o seu espaço, resigna-se-se por não aceitar uma nova mulher que se substitui perante o tempo.  De modo imprevisto, Marcel cai das nuvens e acorda no concreto. Prefere acreditar que o amor não tem por objeto um corpo, a não ser quando nele se funde uma emoção, o medo de perdê-lo e a incerteza de reencontrá-lo. Mas no final, com a morte de Albertine, só encontra vários “eus” em si, resultado do silêncio indiferente do tempo. Penso que na expectativa da segurança, a espera dói e a gravidade também. O caus implica a perda do controle e o resultado do caus seria a mudança imprevisível.  Impede-se, assim, o...

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