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Mês: março 2013

“Democracia não é no grito”

Estamos assistindo a nação ser tomada, como se fôramos “impávidos colossos”, pelo fundamentalismo, ora sob a égide da religião, mas que, a qualquer momento, abertos os precedentes, será de qualquer grupo que se arvore o direito de sair repetindo, por aí, as palavras do vice-presidente do PSC – Partido Social Cristão, Everaldo Pereira, ao referir-se à posição do partido pela manutenção do deputado Feliciano na presidência da CDHM: “O PSC não abre mão da indicação. Democracia não é no grito”.   “Democracia não é no grito”, repito.   Para completar o quadro, a Comissão de Constituição e Justiça aprovou, em 27/3/12, a Proposta de Emenda Constitucional – da lavra do deputado João Campos (PSDB-GO) – que acrescenta o inciso X ao artigo 103 da Constituição Federal, para nele incluir as “associações religiosas de âmbito nacional (aqui a íntegra da proposta, com a justificação), a já apelidade “Emenda Evangélica”.   “Democracia não é no grito”, repito.   Também em 27/3/2013, foi entregue ao PSC um abaixo-assinado com mais de 455 mil assinaturas pedindo a saída do deputado Feliciano da CDHM. O texto linkado oferece uma versão do que teria dito Pereira: “Democracia é voto. Democracia não é grito, nem ditadura”.   “Democracia é voto! Democracia não é grito, nem ditadura”, repito, com as atualizações.   Não importa a forma, mas o conteúdo do dito. Sim, democracia é voto, mas também...

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Deus é brasileiro?

A presidente Dilma Rousseff, primeira chefe de Estado a ser recebida pelo papa Francisco após a missa inaugural do pontífice, dia 20 de março de 2013, brincou que os argentinos têm sorte pela escolha de um papa de seu país. Contudo, disse: “mas Deus é brasileiro”. Esta brincadeira faz parte de uma idéia geral, amplamente difundida na sociedade brasileira, de que o Brasil é um país abençoado por Deus, não só pelas suas riquezas e belezas naturais, mas também pelo alegria e espírito cordial de seu povo. Ou melhor, se diz que “Deus é brasileiro”, como se o “Criador do Universo” tivesse nascido em terras tupiniquins e tivesse predileção por este cantinho do Universo. De modo nada humilde, os brasileiros ao invés de se mostrarem fiéis para com Deus e “servos do Senhor”, de acordo com os princípios da mística cristã, simplesmente consideram que Deus é um conterâneo que está aí para proteger o Brasil e os brasileiros. Esta inversão do dogma, reflete uma postura brasileira de que as necessidades do povo vão ser atendidas por um Pai misericordioso e que o esforço individual e a responsabilidade pessoal  são atitudes secundárias diante da abundância de recursos naturais e da bondade divina. Afinal somos da mesma família, ou no máximo vizinhos, de Deus. Não deixa de ser uma brincadeira ridícula. Mas está concepção brasileira perde para a postura argentina onde,...

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A população de Singapura em 2100

Singapura é um pequeno país tropical, mas economicamente rico e com excelente qualidade de vida de seus cidadãos. O país é uma Cidade-Estado, de 700 km2 (menor do que o tamanho da cidade do Rio de Janeiro) composta por 63 ilhas, separado da Malásia pelo Estreito de Johor e separado da Indonésia pelo Estreito de Singapura. A maior parte da população é composta por chineses, seguidos de malaios e indianos. O país foi criado como entreposto comercial da Companhia das Índias Orientais por Sir Stamford Raffles em 1819 e se tornou um colônia britânica.  Durante a Segunda Guerra Mundial foi invadido pelo Japão, mas voltou ao domínio britânico após a derrota japonesa. Conseguiu a independência em 1959 (mesmo ano da Revolução Cubana), mas se juntou à Malasia e só se tornou um Estado totalmente independente em 1965. Embora nunca tenha sido um país miserável, Singapura era bastante pobre e tinha, no quinquênio 1950-55, uma mortalidade infantil de 61 por mil, uma esperança de vida ao nascer de 60 anos e Taxa de Fecundidade Total (TFT) de 6,6 filhos por mulher. Mas em poucas décadas Singapura deu a volta por cima e atualmente apresenta indicadores econômicos e sociais melhores, por exemplo, do que os dos Estados Unidos. Segundo dados do FMI a renda per capita de Singapura (em poder de paridade de compra – ppp), em 2012, era de 61,5...

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Desenvolvimento econômico: mito ou realidade?

O eminente economista brasileiro Celso Furtado, no livro “O mito do desenvolvimento econômico”, considerava que os países da periferia do sistema capitalista seriam incapazes de reproduzir o padrão de consumo dos países ricos, pois o padrão de desenvolvimento afluente não seria generalizável para a maioria da população mundial: (…) que acontecerá se o desenvolvimento econômico, para o qual estão sendo mobilizados todos os povos da terra, chegar         efetivamente a concretizar-se, isto é, se as atuais formas de vida dos povos ricos chegam efetivamente a universalizar-se? A resposta a essa pergunta é clara, sem ambiguidades: se tal acontecesse, a pressão sobre os recursos não renováveis e a poluição do meio ambiente seriam de tal ordem (ou alternativamente, o custo do controle da poluição seria tão elevado) que o sistema econômico mundial entraria necessariamente em colapso (Furtado,1974, p. 19). O custo, em termos de depredação do mundo físico, desse estilo de vida, é de tal forma elevado que toda tentativa de generalizá-lo levaria inexoravelmente ao colapso de toda uma civilização, pondo em risco as possibilidades de sobrevivência da espécie humana. (…)  a ideia de que os povos pobres podem algum dia desfrutar das formas de vida dos atuais povos ricos – é simplesmente irrealizável. Sabemos agora de forma irrefutável que as economias da periferia nunca serão desenvolvidas, no sentido de similares às economias que formam o atual centro do sistema capitalista....

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A redução das desigualdades e a convergência de renda entre as regiões do mundo

Existem muitos conflitos e muitas injustiças no mundo. São tantas as dificuldades e os problemas, especialmente na área ambiental, que algumas novas tendências positivas ficam ofuscadas. No plano internacional, a novidade recente é que o hiato de renda entre as economias avançadas (desenvolvidas ou Primeiro Mundo) e as economias emergentes (em desenvolvimento ou Terceiro Mundo) está diminuindo. Nos anos de 1980, a crise econômica internacional e o aumento dos juros nos Estados Unidos (durante o governo Ronald Reagan) provocou um declínio da renda per capita na maioria dos países pobres do mundo. Em consequência, houve aumento das desigualdades de renda entre as nações. Em 1989, a renda per capita (em poder de paridade de compra – ppp) dos países desenvolvidos era mais de 10 vezes superior à renda per capita dos países em desenvolvimento, segundo dados do Fundo Monetário Internacional – FMI. Porém, desde o início dos anos de 1990, houve um processo de redução das desigualdades, pois o fator de multiplicação caiu para pouco mais de 8 vezes na última década do século XX. Este fator chegou pela primeira vez abaixo de 8 vezes em 2005 e caiu rapidamente nos anos seguintes, ficando abaixo de 6 vezes em 2012. Esta tendência de desconcentração deve prosseguir em 2013 e nos próximos anos, pois as economias maduras estão em crise e economias emergentes – como China e Índia – ainda...

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