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Mês: junho 2013

Brasil, um país hediondo?

Segundo o Houaiss, hediondo é um adjetivo que significa: “que apresenta deformidade; que causa horror; repulsivo, horrível”; pode, por derivação, adquirir um sentido figurado: “que provoca reação de grande indignação moral; ignóbil, pavoroso, repulsivo”; pode, ainda, representar algo “que é sórdido, depravado, imundo”.   Na esteira das ações que estão sendo tomadas de afogadilho para satisfazer o clamor popular, o Senado acaba de aprovar projeto de lei que torna a corrupção um crime hediondo.   Foram definidos, com tal, os crimes de corrupção ativa e passiva, concussão (obter vantagem indevida em razão da função exercida), peculato (funcionário público que se apropria de dinheiro ou bens públicos ou particulares em razão do cargo) e excesso de exação (funcionário público que cobra indevidamente impostos ou serviços oferecidos gratuitamente pelo Estado).   Mas a coisa não parou por aí. Segundo as notícias, o relator do projeto, Senador Álvaro Dias acatou emenda do senador José Sarney (PMDB-AP) para incluir homicídio simples na categoria de crimes hediondos. A alegação do Senador é de que crimes praticados contra a vida estão entre os mais graves, não podendo ficar de fora.   Já não estava 100% convencido da hediondez da corrupção e correlatos, mesmo se tomada a acepção derivada de que esses crimes provocam uma grande indignação moral. Tenho que já existem leis suficientes para punir esses crimes. Torná-los hediondos não terá o condão de afastar...

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Meus 20 centavos sobre o discurso da Dilma

Critiquei a todos quantos, segundos após o pronunciamento da Presidenta Dilma, e sequer sem se dar o devido tempo para análise, saíram criticando o discurso. Gente que adora bravatas e que é do contra tão somente por achar bonito ser do contra.   “Hay gobierno? Soy contra!”   Claro que recebi críticas por isso. Defendi, diversas vezes, que a Presidenta não deveria se manifestar. E havia duas razões para pensar assim: a primeira, é que grande parte da pauta de reivindicações dos manifestantes era local; a segunda, é que as manifestações também eram localizadas em poucas grandes cidades.   Traduzo. Aumento das passagens de ônibus em Porto Alegre (onde tudo começou) e, depois, em São Paulo.   Mas também havia quem não quisesse que permanecesse assim. Ardilosamente, como sói acontecer nesses momentos, a extrema direita conservadora, que só se manifesta pela mídia reacionária, deixou claro que tomaria para si o movimento.   Editoriais em jornais incitaram a violência policial, sabendo bem que isso seria o estopim para a ampliação do movimento. Jabor, em uma participação memorável, joga a gota que faltava.   Pronto. O que era local transforma-se, como queriam, em nacional. O que era passagem de ônibus vira um sem número de cartazes vazios de conteúdo. Bem ao gosto de quem pretende ver o povo nas ruas, sabendo que povo nas ruas sempre foi a grande oportunidade para...

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PROPOSIÇÃO: “Há mais coisas entre o Céu e a Terra…

… do que ousa sonha nossa vã filosofia.“ COROLÁRIO 1: De onde menos se espera, é de onde não sai nada mesmo! COROLÁRIO 2: “Apenas duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. E eu não tenho certeza se isso é verdadeiro para o primeiro.” (Einstein) DEMONSTRAÇÃO: “Isto é evidente!” (Espinosa). Basta ver o tal projeto de lei que circula no Congresso Nacional, apelidado de “Bolsa Estupro”. ESCOLIO 1: Que vivamos em tempos difíceis, em termos de assentamento de uma identidade nacional, faz parte da evolução. Nada mais é do que uma natural exacerbação de uma continentalidade forjada pela força. E, claro, por circunstâncias que hoje fogem ao nosso alcance, posto que ocorridas fora dos discursos da maioria dos historiadores. Não vi, confesso, de quem é a autoria do tal projeto. E justifico o que alguns poderiam chamar de “falha minha”, com o simples argumento de que não é o autor de uma obra que faz dela uma boa obra. Fora esse tipo de crítica unânime na humanidade, sequer Deus passaria no teste. Afinal, há os que, como eu, prescindem da existência de Deus. Logo, não há como qualificar uma obra produzida por quem não existe. Não é o caso, nesse caso, da obra produzida por quem se qualifica como humano. Que haja autoria não é de espantar ao mais despreparado, socialmente falando, dos cidadãos. (assim deveria...

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DE CÍRCULOS E ESPIRAIS

Alguém já falou – e não recordo nesse momento quem foi – que governar é fazer escolhas.   Em termos de governos, só existem duas opções: ou se governa em um círculo vicioso ou em uma espiral virtuosa.   O mesmo vale para a forma como as pessoas encaram as ações dos governos: ou ficam no fácil plano – ocupado pelo círculo – da crítica rasa, ou procuram ascender na espiral e fazer uma análise mais profunda.   Claro que a mídia, interessada que é em que as pessoas não sejam capazes de ir além de uma manchete, instiga nas pessoas o raso “ser contra”. O caso da realização da Copa do Mundo (e da consequente Copa das Confederações) no Brasil tem sido, usando da velha e batida expressão, paradigmático dessa oposição entre o pensar no plano do círculo e o pensar em espiral virtuosa, ascendente.   O pensamento raso é: há tanto por fazer em termos de saúde, de educação, de segurança e outras necessidades do povo, e os governos gastam bilhões na construção de estádios de futebol. Quantos leitos em hospitais poderiam ser disponibilizados com esse dinheiro, quantos hospitais, escolas e prisões poderiam ser construídos com esse dinheiro.   E por aí vai… Raso, extremamente raso.   Não seria de se exigir que as pessoas que pensam dessa forma tivessem um mínimo conhecimento de economia. Impossível, é...

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