Segunda-feira

___Na terça, dia 23, publiquei um texto no meu blog e fiquei até hoje pensando que, pelo menos uma partezinha dele deveria estar aqui. Essa parte, vale dizer, não são as minhas letras, mas a imagem (com letras alheias) que o ilustra.
___A imagem contém letras alheias, pois se trata de uma pixação*. E essa pixação passa uma mensagem que, creio eu, combina muito bem com as ideias que rolam aqui pelo Ops!.
___Justificativa dada, ei-la.
As segundas-feiras não são ruins
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P.S.: Já que eu estou linkando uma postagem minha, aproveito e indico também o texto “Marcadores de superioridade”, da Camila Pavanelli. Por que indico? Claro que eu indico porque gostei do texto, mas a verdade é que gosto tanto do jeito que a Camila fala das coisas que não acho que tenho de dar muitas outras explicações.
___Na terça, dia 23, publiquei um texto em meu blog e fiquei até hoje pensando que, pelo menos uma partezinha dele deveria estar aqui. Essa parte, vale dizer, não é exatamente de minha autoria, mas a imagem (com letras alheias) que ilustra a postagem.
___A imagem contém letras alheias, pois se trata de uma pixação*. E essa pixação passa uma mensagem que, creio eu, combina muito bem com as ideias que rolam aqui pelo Ops!.
___Justificativa dada, ei-la.
 
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P.S.: Já que eu estou linkando uma postagem minha, aproveito e indico também o texto “Marcadores de superioridade”, da Camila Pavanelli. Por que indico? Claro que eu indico porque gostei do texto, mas a verdade é que gosto tanto do jeito que a Camila fala das coisas que não acho que tenho de dar muitas outras explicações.
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* Com “x” mesmo.

Efervescências Selvagens

"Os gênios são aqueles que dizem muito antes o que se dirá muito depois."
R. Serna

Conforme anunciado há algumas semanas, abrimos nosso período de seleção de novos colunistas. Este é sempre um momento singular, quase como uma chuva que cai sobre um lago, oxigenando a água ali existente. Quem chega, traz sempre uma vitalidade espetacular à casa, revolvendo conceitos que naturalmente estão querendo sedimentar e abrindo janelas e portas de percepções.

Isso tudo pode ser comprovado pela leitura dos magníficos artigos publicados pela leva de novos colunistas que já estão entre nós. Acompanhe-me:

Berros de Cassandra, de Stella D’Agostini: http://opensadorselvagem.org/ciencia-e-humanidades/berros-de-cassandra/ 

Diálogos entre Paradigmas, de Marcos Bidart: http://opensadorselvagem.org/utopia/dialogos-entre-paradigmas/ 

Terceira Dimensão, de Cristian Menna: http://opensadorselvagem.org/vida-e-estilo/3-dimensao/ 

Mal Belo, de Danilo Augusto: http://opensadorselvagem.org/arte-e-cultura/mal-belo/

Criatividade Sustentável, de Lise Longo: http://opensadorselvagem.org/sustentabilidade/criativamente-sustentavel/ 

Em abril, chegam Sergio Storch, Celso Sekiguchi, Roberson Guimarães, Rafael Machado e José Roig e, quem sabe, você. Se tens o dom e a pulsão pela escrita, pensas de forma não ortodoxa e/ou tens uma visão crítica sobre a realidade, és nosso convidado a fazer parte da nossa seleção de colunistas: http://opensadorselvagem.org/ops/participar/selecao-de-colunistas-2012

Entretanto, que fique claro: bem mais do que "a bunch of writers", nosso principal objetivo é criar uma comunidade se seres humanos pensantes, desviantes da "normalidade de todas as coisas", normalidade assim entendida como a alienação oriunda do processo massificatório e pasteurizante provocado pela grande mídia e pelo capitalismo inquestionado. Somos (e buscamos) seres humanos capazes de perceber, por detrás das rotinas de nossos cotidianos, a grandeza e o potencial do que é SER HUMANO, selvagemente indo onde ninguém jamais foi.

Rafael Reinehr

Idas e vindas

___Apareço hoje com uma notícia um tanto triste e outra bem alegre.
___A triste é que um dos melhores do portal, o grande Milton Ribeiro, blogueiro das antigas, assunto do meu primeiro editorial, acabou por nos deixar. Mais do que isso, levou junto outro dos ícones do site, o P.Q.P. Bach. Felizmente, a saída não foi por nenhum problema grave, nem nada do tipo. Simplesmente o Milton foi convidado a participar do portal Sul21
___Portanto, agora, o novo endereço do Milton é http://www.sul21.com.br/blogs/miltonribeiro/ e o do P.Q.P. é http://www.sul21.com.br/blogs/pqpbach/ Não deixem de acompanhá-los, ambos são ótimos.
___A boa notícia é a “chegada” de uma grande blogueira. As aspas é porque ela já estava aqui, como colunista. Regina Miraaz, vulgo Beauvoiriana, vulgo Literariamente, ou como quer que ela prefira ser chamada, era a autora da coluna Instantâneos Sociológicos. Agora, para a nossa sorte, ela começou a publicar aqui no Ops! um blog chamado de Plenos Poderes.
___Fico contente com a notícia, não apenas porque vou tê-la como vizinha de blog, mas, também, por termos aqui no Ops! mais um blog temático – e sobre um tema, vale dizer, importantíssimo. A ideia é que o Plenos Poderes seja um blog sobre feminismo. Por enquanto, a Regina só publicou algumas poucas postagens, mas deixo fortemente a minha recomendação. Aproveitem.

 

Chegando de mansinho…

 Fim das férias…

Fiquei afastado do OPS! por um bocado de tempo. O último editorial que escrevi foi em 03 de janeiro de 2011, basicamente uma revisão do ano que havia passado. De lá pra cá fiquei nos bastidores, apenas dando suporte para a embarcação continuar a navegar. Coisas chatas do tipo manutenção do servidor e uma ou outra acudida aqui e acolá. Muitos projetos simultâneos me deixaram longe deste espaço que considero, também, como um filho.

Mas o portal ficou em boas mãos. Ulisses, André e mais recentemente o Fabiano tocaram o site com primor, e espero que continuem ajudando daqui para a frente.

Algumas mudanças estão sendo planejadas, tanto na questão da apresentação visual do portal e da rede de blogs quanto nas engrenagens internas de organização. Ao mesmo tempo em que nos embrenhamos em pensamentos e práticas de rede alhures, por aqui devemos "amarrar as pontas" e criar um time coeso de editores e colunistas, aceitando de vez nossa "pegada" web 1.0, ou seja, conteúdo de qualidade feito de tripas, coração e cérebros para pessoas que tem mais o que fazer do que ficar filtrando lixo por aí. Acreditamos de verdade que material gostoso, confiável e interessante de se ler é coisa rara por aí e queremos nos esmerar ainda mais para selecioná-lo e produzi-lo neste ano.

Como todo começo de ano, estaremos selecionando em breve novos colunistas, para as mais variadas áreas, bem como novos blogueiros para integrarem nossa rede de blogs. Mais notícias sobre isso em breve.

Cada seção, Arte e Cultura (previamente Arte e Entretenimento), Ciência e Humanidades, Mundo, Utopia (previamente Liberdade e Utopia) e Vida e Estilo terão agora um Editor formal, que será o responsável pela interação com os colunistas de cada área. Estaremos criando também a seção de Sustentabilidade, cujo nome ainda não foi definido, que deverá primar por artigos referentes à Ecologia, Ambiente e Resiliência.

Pelo menos uma vez por mês estarei aqui neste espaço, compartilhando sonhos e ações com cada um de nossos leitores. E tenham esta caixa de comentários como um espaço para depositarem suas críticas e sugestões para o aprimoramento de sua experiência e da nossa interação.

AA,

Rafael Reinehr

 

O Manifesto Slow Science

___Em meio a uma conversa, um amigo querido me falou sobre a Slow Science. Eu, que nunca havia ouvido falar, fui me informar sobre o que se tratava. Achei a ideia bem interessante, tanto que acabei por divulgá-la no meu blog.
___Como as ideias da Slow Science parecem combinar com os interesses dos leitores do Ops! (portal que jocosamente tem se chamado de “Um bunker da web 1.0”), achei que valia a pena divulgar o manifesto do movimento por aqui.

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O MANIFESTO SLOW SCIENCE

Somos cientistas. Não blogamos nem tuitamos. Não temos pressa.

Sem mal entendidos. Somos a favor da ciência acelerada do início do século XXI. Somos a favor do fluxo interminável de revistas com pareceristas anônimos e seu fator de impacto; gostamos de blogs de ciência e mídia, e entendemos as necessidades que relações públicas impõem. Somos a favor da crescente especialização e diversificação em todas as disciplinas. Queremos pesquisas que tragam saúde e prosperidade no futuro. Estamos todos neste barco juntos.

Acreditamos, entretanto, que isto não basta. A ciência precisa de tempo para pensar. A ciência precisa de tempo para ler, e tempo para fracassar. A ciência nem sempre sabe onde ela se encontra neste exato momento. A ciência desenvolve-se de forma instável, através de movimentos bruscos e saltos imprevisíveis à frente.  Ao mesmo tempo, contudo, ela muitas vezes emerge lentamente, e para isso é preciso que haja estímulo e reconhecimento.

Durante séculos, slow science foi praticamente a única ciência concebível; para nós, ela merece ser recuperada e protegida. A sociedade deve dar aos cientistas o tempo de que eles necessitam, e os cientistas precisam ter calma.

Sim, nós precisamos de tempo para pensar. Sim, nós precisamos de tempo para digerir. Sim, nós precisamos de tempo para nos desentender, sobretudo quando fomentamos o diálogo perdido entre as humanidades e as ciências naturais. Não, nem sempre conseguimos explicar a vocês o que é a nossa ciência, para o que ela servirá, simplesmente porque nós não sabemos ainda. A ciência precisa de tempo.

– Tenham paciência conosco, enquanto pensamos.

(Tradução de José Eisenberg; revisão Antonio Engelke. Retirado de http://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2011/08/11/manifesto-da-slow-science/)

 

Em cartaz: Elvis & Madona

___No meu último editorial, prestei loas a um dos escritores da casa que eu mais aprecio, o Luiz Biajoni. Como disse no texto, gosto mais ainda do trabalho dele como romancista. E, como isto aqui é um editorial e, portanto, pode ser destinado muito bem para propagandear o que acontece com quem produz aqui no Ops!, acho que o espaço vale para anunciar que entrou em cartaz o filme Elvis & Madona – que inspirou o último romance do Bia.
___Não vou mentir, não apreciei tanto assim o filme. Mesmo assim, é uma obra ímpar e vale que vocês tirem suas próprias opiniões.
___Mais informações, acessem o site do filme.

 

Combater a homofobia e defender os direitos dos homossexuais: um desafio para o Brasil

Com as várias notícias recentes de violência contra homossexuais, ficou patente que a homofobia é um problema sério no Brasil.

Isso fica ainda muito mais grave se pensarmos que o poder público vem se omitindo gravemente em relação à questão. Existe um projeto de lei já aprovado na Câmara dos Deputados. O projeto surgiu por iniciativa da deputada Iara Bernardi, do PT-SP, em 2001, durante seu primeiro mandato na casa. As informações sobre a tramitação no site da Câmara indicam que o projeto levou 5 anos para ser aprovado, sendo remetido ao Senado Federal em 2006.

Este é o teor do projeto que saiu da Câmara para o Senado (abre página de download do pdf).

Basicamente o projeto altera o teor do Código Penal e da CLT no assunto sobre punição à discriminação, incluindo o assunto “discriminação por gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero”, junto às questões já tratadas na lei com respeito a discriminação por “raça, cor, etnia, religião, procedência nacional”.

No Senado, o projeto encontra-se atualmente tramitando nas comissões de Assuntos Sociais, Direitos Humanos e Legislação Participativa, e Constituição Justiça e Cidadania. Veja aqui a página de tramitação do projeto.

Nesse meio tempo, o projeto sofreu pressão de líderes religiosos no período eleitoral, misturando demagogia e má-fé, confundindo o eleitor e usando indevidamente o nome de Deus para defender interesses escusos, como bem demonstrei à época em artigo sobre o vídeo do Pastor Pascoal Piragine, da Primeira Igreja Batista de Curitiba.

Não bastasse a demora e as disputas em torno da discussão dessa legislação, a coisa foi complicando à medida em que a Câmara Municipal de São Paulo decidiu polemizar propondo a aprovação de um “dia do orgulho Heterossexual”, projeto de autoria do vereador Carlos Apolinário (DEM). É uma coisa que, de tão ridícula, sequer mereceria comentário. Entretanto, podemos perceber que deixar isso pra lá pode ser perigoso, à medida em que a desinformação das pessoas pode ser usada como arma na disputa política. Daí a importância do texto que escreveu o Ulisses Adirt à época, ou os esclarecimentos de Lola Aronovich, ou ainda a militância de uma advogada lésbica de Belo Horizonte que escreve sob o nick name de Inquietudine.

Nesse meio tempo, enquanto Câmara e Senado arrastam o máximo possível a aprovação de matéria fundamental, enquanto pastores fazem demagogia política, enquanto vereadores tentam defender os coitadinhos dos héteros “perseguidos” pela “ameaça gay”, ao menos o STF vai criando jurisprudência quando provocado, como foi o caso que já celebrei aqui neste editorial. Quando consultado pela Procuradoria Geral da República, nosso tribunal maior definiu que os direitos da união estável são extensivos aos homossexuais.

Outra iniciativa muito importante em tratar da questão veio com uma série de textos no Coletivo Amálgama, num trabalho editorial do Fabiano Camilo, colega aqui nos editoriais e com blog no OPS, além do editor do Amálgama, Daniel Lopes, que também tem blog no OPS. A série completa tem seis artigos, que merecem ser lidos com atenção:

As entranhas da homofobia

Texto no qual Bia Cardoso coloca a questão da dominação masculina e das hierarquias de gênero como ponto principal e gerar a violência contra mulheres e contra homossexuais. Veja um trecho:

Aos “verdadeiros” homens, aqueles que mostram em tudo e sobretudo uma imagem e comportamentos considerados viris, são dados os privilégios da honra, do poder, da colocação das mulheres ou de homossexuais efeminados à disposição doméstica e sexual. Além do direito a realizar agressões e violências.

Casamento e homofobia

Texto do jurista Pádua Fernandes, analisando a teoria jurídica (ou falta dela) que serve de base à manutenção da exclusividade do casamento para heterossexuais. Um trecho:

Em países teocráticos, esse instituto simplesmente não existe. Porém, nos países que desenvolveram essa importante conquista para a pluralidade, o casamento civil, os argumentos para mantê-lo como privilégio de casais de sexo diferente encontram dificuldade de esconder sua origem em preconceitos religiosos – e, portanto, contrários ao espírito do direito de uma sociedade em que Estado e religião estão separados.

Homofobia e transexualidade

Marcelo Caetano e Xênia Mello discorrem sobre a complexidade das identidades de gênero e sobre as dificuldades encontradas por quem constrói uma identidade na contramão das identidades hegemônicas.

Porque os cristãos devem defender os direitos dos homossexuais

Texto meu, tentando explicar porque a intolerância contra os homossexuais não encontra fundamento na teologia cristã, sendo um preconceito que deveria ser combatido e não incentivado pelas igrejas.

Homofobia e universo “psi”

Texto do Ricardo Cabral com uma profunda análise das discussões técnicas sobre homofobia no universo da psicologia, onde o termo surgiu, mas encontra problemas e limitações conceituais nada desprezíveis.Veja este interessante trecho comentando sobre a retirada da homossexualidade dos manuais de doenças e distúrbios das áreas de medicina e psicologia (coisa dos últimos 10 a 30 anos):

Em função desses eventos, o atual discurso da psiquiatria, da psicologia e da psicanálise até que anda afinado, embora infelizmente ainda seja comum encontrar profissionais dessas áreas com posturas patologizantes, o que só confirma o longo caminho a percorrer até o universo “psi” se tornar um bom representante da sociedade mais equânime e justa que precisamos.

Para resumir a história, está ficando claro que a homossexualidade não é doença, a aversão à diversidade de comportamentos sexuais que é. Embora não deva ser tratada apenas como problema individual, mas como uma chaga social, cultural, coletiva.

Este artigo também traz bibliografia, o que é muito útil a quem quiser pesquisar com mais profundidade.

Dominação masculina, homofobia e afetos mutilados

Texto do Fabiano Camilo, citando casos de violência recente em que heterossexuais foram vítimas de atentados violentos por terem sido presumidos como homossexuais, e chamando a atenção para a complexidade do assunto violência contra homossexuais. Corremos o risco de nos tornarmos reféns da pauta da grande mídia, uma vez que o aumento do noticiário vem chamando a atenção para estes casos. Trecho:

Como nossa atenção é atraída não tanto por dados estatísticos de instituições oficiais e órgãos não-governamentais, mas pelos relatos jornalísticos, quando o interesse midiático diminuir, poderemos correr o risco de concluir, erroneamente, que houve uma diminuição da violência.

Numa gigantesca “saída do armário”, para o autor, o aumento da visibilidade da comunidade LGBT em décadas recentes tem provocado reações cada vez mais violentas dos defensores da heteronormatividade.

 

Os blogues do OPS: Biajoni

___Dizer que cada blogueiro tem suas características é começar esta resenha com uma afirmação banal e que só serve para chover no alagado. Mesmo assim, creio eu, ela não só cabe, como é, também, é um pouco importante no caso que vou analisar hoje, o Luiz Biajoni.
___Um tanto anárquico, Biajoni, antes de ser dono de seu blog homônimo, espalhava seus textos por aí.* Tal qual ele ainda o faz, escrevendo, por exemplo, no Amálgama. Portanto, digo, achar que é possível entender um pouco o Bia só pelo que aparece no blog é pura ilusão.
___Mais do que isso, mesmo com textos muito interessantes espalhados pela internet, creio que vale mesmo a pena acompanhar o Biajoni como romancista. Apesar dos títulos pouco convencionais, Sexo Anal e Buceta são aventuras divertidíssimas – que ainda contam com a graça extra de acontecerem em um cenário que eu conheço um pouco, o interior de São Paulo. Seu último livro, Élvis & Madona (esse no Rio de Janeiro), consegue, mais ainda que os outros, mostrar como Biajoni realmente trata seus personagens com uma atenção gigantesca.
___Vale acrescentar, acompanhar o Biajoni agora parece que vai ser mais fácil ainda. Em setembro, sairá em cartaz, por todo o país, o filme que inspirou seu último livro. E mais, Sexo Anal, uma novela marrom, sua primeira obra, será relançado pela editora Os Viralata.

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* Mais ou menos o que é hoje o interessantíssimo Paulo Cândido, que, apesar de não ter um blog (e já ter escrito no maravilhoso e falecido Biscoito Fino), pode ser encontrado no Google Reader, com ótimas indicações e comentários sagazes.

 

Um novo editor provisório

Em maio, a escritora e blogueira Fal Azevedo esteve em Brasília, para a estreia da peça teatral Minúsculos assassinatos e alguns copos de leite, baseada no romance homônimo de sua autoria. Dois dias antes da estreia, Fal, na companhia do diretor da peça, Arthur Tadeu Curado, participou de um bate-papo a respeito do livro, da adaptação e de outros assuntos. Ela falou um pouco sobre seu blog, Drops da Fal, um dos mais famosos, muito merecidamente, e antigos da blogosfera brasileira, que, em março, completou nove anos. Das palavras de Fal naquela noite, registrei uma passagem em especial. Ela contou que, nos últimos nove anos, a maioria das coisas boas que ocorreram em sua vida estiveram relacionadas, de alguma maneira, ao blog – de oportunidades de trabalho na área de tradução a novos amigos.
Tenho me perguntado: por que blogar? o que pode um blog? A primeira pergunta é subjetiva, pode comportar tantas respostas quantos forem os blogueiros; pode também ser reescrita: por que não blogar? A segunda respondo de modo vago: estamos descobrindo.
Eu mesmo não tenho uma resposta pessoal para a pergunta “por que blogar?”. Passados quase dois anos desde que comecei, ainda não sei por que blogo. Contudo, não tenho vontade de parar. Talvez, suspeito, porque o blog também me trouxe muitas coisas boas – entre as quais, a amizade de Madame Fal, como eu carinhosamente chamo a Fal.
Em uma carta à moda antiga, a uma amiga muito querida, ela também blogueira, autora daquele é, em minha opinião, um dos melhores blogs brasileiros, confessei que, por vezes, questiono se tudo o que escrevemos, movidos por aquilo em que acreditamos, produz efeitos. Ela deseja outro mundo. Eu também. Estou certo de que nós todos, colunistas e blogueiros que somos e fazemos O Pensador Selvagem, desejamos. De nossos desejos não sei o que restará. Tampouco dos milhares de textos que escrevemos. Anseio por um mundo outro, mais belo e justo, muito diferente deste, que não é nem belo nem justo. Não sei se viverei para vê-lo – talvez não. Não sei sequer se esse mundo virá, mesmo que em um futuro demasiado distante. Todavia, se tudo o que escrevemos for em vão, restarão os afetos. Em face do terror deste mundo, a amizade – esse vínculo gerado do gostar, do querer bem e da confiança recíprocos – consubstancia, em si, uma forma de resistência, porque é uma abertura ao outro e um entregar-se a possibilidades.
Um blog não é apenas uma escritura, pode ser também um espaço de encontros, de construção de afetos e envolvimentos. Eis um dos motivos pelos quais blogar, bem como coparticipar na escrita de um blog comentando posts, pode ser uma experiência gratificante.
No último diálogo travado com Kublai Khan, em As cidades invisíveis, de Italo Calvino,Marco Polo diz a seu amigo:
O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço.
* * *
André Egg e Ulisses Adirt conceberam o projeto de uma série de editorais dedicados aos blogs do OPS! e me convidaram a participar da empreitada. Por ora, me considero um editor provisório. Estou neste espaço colaborando com dois amigos. Se me tornarei um editor efetivo, o tempo dirá, muito embora eu não tenha essa pretensão.
Em meu próximo editorial, entrarei na dança. O texto será dedicado ao blog do meu amigo André, Um Drible nas Certezas. Como disse a ele, passarei ao largo somente dos posts sobre futebol, por absoluta falta de competência para discorrer a respeito do tema.
PS: escrevi este editorial na madrugada do dia 20 de julho. Não sabia que dia era, nunca sei, e não me lembrava de que, nessa data, se comemora o Dia do Amigo.

Os blogues do OPS: Ágora com dazibao no meio (2ª parte)

___No último Editorial, o grande André Egg deu início à série que será a pauta dos Editoriais aqui do portal nos próximos meses: “Os blogues do OPS”. Eu, o André e, provavelmente, o Fabiano Camilo –, do Dispersões, Delírios e Divagações –, iremos publicar algum texto sobre cada um dos blogs ativos.
___As publicações devem acontecer semanalmente. A cada nova semana, um dos editores irá publicar seu texto falando de um dos blogs que ainda não foi agraciado ou fazer um bate-bola com o texto que outro editor publicou na semana anterior. E é exatamente essa segunda alternativa o caminho do meu editorial de hoje.

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___Fã que sou dos escritos que o Ricardo Cabral publica no Ágora com dazibao no meio, para mim seria um imenso prazer falar sobre o seu trabalho em uma série sobre os blogs do portal. Porém, como qualquer leitor dos editoriais pode notar, o texto que o André publicou na última semana realmente resenhou o Ágora, teoricamente deixando para mim apenas a opção de partir para outro blog. Como eu sou teimoso, decidi ficar e colocar um pouco mais de açúcar no doce do André.
___Quase tudo que o André falou, eu assino embaixo. Só um paragrafozinho me deixou com vontade de tirar uma pedrinha do sapato. Ei-lo:

“O blogue do Ricardo não é tão lido quanto poderia/deveria. Média de 2000 visitas por mês. Considero que a maior dificuldade de ampliar estes acessos é o fato de o autor escolher títulos que não são amigáveis aos buscadores, justamente por não dizerem praticamente nada sobre o conteúdo dos textos. De modo que meu conselho é: não se acanhe se um título não te chamar a atenção – provavelmente o texto é bem mais importante do que parece.”.

___O comentário do André é preciso (realmente alguns os títulos que o Ricardo escolhe soam estranhos) e o conselho é ótimo (“não se acanhe se o título não te chamar a atenção”), mas, eu teria sido menos bonzinho, até como resenhista. A resenha já dizia que o Ágora é fabuloso, os links que o André escolheu provavam isso. Agora, se algum leitor vai fugir por conta de um título, eu não só deixaria, como ainda daria risada. A mesma gargalhada, vale dizer, que eu daria de alguém que não quisesse comer bicho de pé ou olho de sogra por conta do nome.

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P.S.: Já que o Ágora com dazibao no meio é o assunto, deem uma olhada que coisa mais linda esse “Cordis” que o Ricardo acabou de publicar.