Últimas Palavras

Conta-se que, em seu leito de morte, Jean-François Arouet, que também atendia por Voltaire, foi visitado por um padre. Decidido a salvar a alma imortal do famoso filósofo e contestador, o pároco aproveitou a extrema unção para exortar o moribundo: “Voltaire! Renuncie à Satã e salve sua alma!” Este, prestes a bater as botas, não perdeu a deixa… e apenas disse “Padre, padre… isso não é hora de se fazer inimigos.” Infelizmente não tenho a presença de espírito de Voltaire. Mas farei o melhor nessas que são, também, minhas últimas palavras.

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O Porão da América

Neste domingo a Folha de S. Paulo lançou mais uma de suas coleções. O tema dessa vez é literatura brasileira, o que explica ela estar sendo mencionada aqui… É também uma ótima oportunidade para questionar o quão relevante é realmente a vertente nacional da arte. Bom, pra ser sincero, “não muito” é a resposta mais exata… Sim, os ufanistas que me perdoem, mas escrever em português não é fundamental.

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Literatura Japonesa – Parte Final – Oe vs. Murakami

Na última parte desse meu panorama da literatura japonesa, o espaço é de dois autores que representam não só o estado atual das artes no Japão, mas o próprio embate que a literatura mundial enfrenta no momento… De um lado do ringue, com um Nobel na cintura, o expert do existencialismo, o pioneiro da profundidade, Kensabuuuuuuuro Oeeeee! E, do outro lado, o desafiante, o príncipe do pop, o queridinho das massas, Harukiiiiiii Murakaaaamiiiii!!! Round One. Fight!

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Literatura Japonesa – Parte San – A Decapitação de Yukio Mishima

Da última vez que estive por aqui cantei as graças de Jun´Ichiro Tanizaki. Hoje, vou dedicar minhas palavras a um sucessor digno de Tanizaki: Yukio Mishima. Escritor de renome, discípulo do nobelizado Kawabata Yasunari, Mishima foi o escritor-estrela do Japão, atingindo sucesso já na sua estréia e possuindo uma obra tão extensa quanto variada. Um currículo impressionante que, infelizmente, será talvez para sempre eclipsado pelo final infame de sua vida…

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A Literatura Japonesa, Parte Ni – Jun´Ichiro Tanizaki

Continuando a série sobre literatura japonesa, que devia ter só duas partes, mas fazer o quê, me empolguei, falo um pouco sobre Jun´Ichiro Tanizaki. Autor de "Irmãs Makioka", "A Chave" e "Diário de um Velho Louco", o homem foi o principal autor do seu tempo, influência inegável para a literatura do Japão e, na minha humilde, seu principal representante na literatura mundial. Isso tudo, e ainda por cima, era um safado.

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A Literatura Japonesa Parte I – A História de Genji

Em comemoração aos 100 Anos de Imigração Japonesa, vou dedicar um tempinho para fazer um panorama da literatura nipônica. Para começar, o primeiro romance da humanidade, com comentários bibliográficos.

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Jung e sua Turma

Sombra, anima, animus, self… os arquétipos do inconsciente coletivo descritos por Carl Jung povoam a mente de todo ser humano… e a literatura também.
Da última vez em que estive por aqui, mencionei a crítica psicológica. A idéia é bastante simples. A literatura é, inevitavelmente, um esforço de imaginação. A imaginação é regrada pelo inconsciente. Isso é inevitável.

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Muitas Críticas

Existem diversos tipos de crítica literária. O livro, como objeto de análise, pode ser estudado por diversos ângulos diferentes. A seguir, um monte de besteira descompromissada sobre o assunto.

Um tipo muito popular, ou melhor dizendo, popularesco, é a crítica biográfica. Essa modalidade esportiva analisa uma obra literária a partir das experiências de vida de seu autor, traçando um paralelo entre a ficção e fatos ocorridos na vida real. Não é lá meu tipo preferido de crítica…

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