A soma de todos os erros – Pt 9 de 9

 A soma de todos os erros – O nono

Olá, você que lê! É hora de continuarmos o texto anterior de A Soma de Todos os Erros.

Se você está começando aqui, recomendo que leia o conteúdo anterior.  

 

Em resumo, estou explicando como o automóvel simboliza os mais diversos aspectos obsoletos que a economia monetária representa. Está longe de ser completo, trata-se apenas de um exercício de reflexão. Vamos lá então?

 

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O nono erro: A função social.

 

O problema: Qualquer cidadão morador de cidades relativamente grandes acaba se encontrando com necessidades de transportes mais práticos. E o carro é quase sempre o meio escolhido É evidente que com o problema da proliferação, está cada vez mais difícil considerar o automóvel como uma opção de transporte rápido. No entanto, ele ainda possui essa fama.

 

Até aí tudo bem, mesmo considerando todos os outros erros mencionados anteriormente, o carro está aí para suprir uma necessidade humana. A necessidade de transporte. É só isso que um carro é, não? Claro que não!

 

Você sabe muito bem que automóveis são símbolos de status. É uma grande demonstração de poder um indivíduo dirigir um caríssimo carro esporte importado com o motor mais barulhento possível, modelo conversível.

 

Sei que para falar melhor sobre erro é preciso tocar no assunto de comportamento humano e relacionamentos sociais. Então vamos parar por aqui. Avaliar este aspecto específico não é a proposta desta reflexão. Isso ficará para uma outra oportunidade.

 

O problema da função social é a distorção que o automóvel sofre. Ele deveria apenas ser o meio de suprir a necessidade de transporte. Nada mais! É uma anomalia valorizarmos atributos como beleza e luxo e ignorarmos eficiência e segurança, por exemplo. É como estarmos diante de um assassino pronto para atacar nossos filhos. E nossa única preocupação não é a segurança deles, é apenas se suas roupas são bonitas e chamativas. Estamos tão estúpidos com nossas crenças que não conseguimos mais ver o óbvio.

 

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Sabe o que é mais engraçado? O pessoal sabe e se conforma.

 

A conclusão: Automóveis não servem mais para o propósito ao qual foram criados: transportar coisas e pessoas. Temos em mãos apenas uma sombra distorcida daquilo que ele um dia já foi.

 

Obrigado por ter acompanhado até aqui.

Nos vemos na próxima semana. J

A soma de todos os erros – Pt 8 de 9

 A soma de todos os erros – O oitavo

 

Olá, você que lê! É hora de continuarmos o texto anterior de A Soma de Todos os Erros.

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Em resumo, estou explicando como o automóvel simboliza os mais diversos aspectos obsoletos que a economia monetária representa. Está longe de ser completo, trata-se apenas de um exercício de reflexão. Vamos lá então?

 

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O oitavo erro: A onipresença.

 

O problema: Em O Guia do Mochileiro das Galáxias, Douglas Adamms, é bastante irônico ao criar o alienígena Ford Prefect. Ford conta para Arthur que escolheu este nome para facilmente se disfarçar de terráqueo. Quando Arthur pergunta porque seu amigo escolheu um nome de carro, Ford diz que achava que os automóveis eram os seres dominantes da Terra. Ford Prefect era um modelo de carro bastante popular nos anos 50, ele achou que seria uma boa idéia escolher um nome comum.

 

Entre no Google Maps e procure pela cidade de São Paulo. Ou qualquer outra grande cidade. Deixe qualquer avenida no meio da imagem e aplique zoom até o máximo. Quanto mais próximo do chão sua perspectiva fica, mais carros aparecem. Automóveis estão por todos os lugares. E você não enxerga pessoas, pois elas são muito pequenas. É evidente que um alienígena, vindo dos céus, achasse que carros dominassem o planeta.

 

E as demais evidências fortificam esta teoria. Considere o espaço exclusivo dos automóveis nas ruas. Vamos supor um número, digamos que 80% delas sejam de uso exclusivo para carros. Contando os investimos que prefeituras fazem com melhorias das vias, negligenciando calçadas, temos mais uma base para a perspectiva de Ford. As ruas são para os carros! Imagine o que pensou ele vendo vias pavimentadas com asfalto, que tem relação com o escasso petróleo. É luxo. Enquanto calçadas apenas recebem as abundantes pedras comuns. As migalhas para os servos.

 

Existe um documentário brasileiro chamado A Sociedade dos Carros. Em certo momento, ele chama a atenção para refletirmos sobre a onipresença sonora dos veículos. “O som da cidade é o som dos carros” diz o texto na imagem. Faça este exercício: vá até a janela de sua casa ou pare na calçada e identifique o som mais presente. A menos que você more no campo ou em uma área bastante isolada, é o motor dos carros que mais ocupam sua audição, não é mesmo?  Ford Prefect não poderia chegar a outra idéia. Pobre alienígena.

 

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Bem, não agüento mais ficar nessa posição. Por que nunca diz nada?

 

A conclusão: Automóveis são os senhores das cidades. Voltamos nossas moradias às necessidades destes enormes seres. É nosso dever servi-los oferecendo a maior parte de nossas vias. Temos também de usar nossos investimentos para mantê-las sempre em bom estado. Elas são prioridades maiores do que nossas calçadas. E temos de ser também “todo ouvidos” para eles.

 

Nos vemos no próximo erro!

A soma de todos os erros – Pt 7 de 9

 A soma de todos os erros – O sétimo

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Em resumo, estou explicando como o automóvel simboliza os mais diversos aspectos obsoletos que a economia monetária representa. Está longe de ser completo, trata-se apenas de um exercício de reflexão. Vamos lá então?

 

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O sétimo erro: A proliferação.

 

O problema: Aqui temos uma situação estritamente relacionada à obsolescência intencional. A cada ano, os principais carros do mercado recebem um suposto upgrade. O modelo do ano trata-se quase sempre de uma versão levemente diferente da anterior. Não é nada mais óbvio a verdadeira intenção destes constantes lançamentos se não manter o mercado sempre com “novidades”. Mesmo que não haja diferença substancial alguma nos carros nas últimas décadas.

 

Pense no seguinte: se o novo modelo, o tão aguardado modelo do ano, realmente fosse uma versão melhorada, o automóvel anterior seria substituído pelo novo, um por um. Claro, se vivêssemos numa sociedade sã, sem fundamentos monetários. É como uma cobra. Quando uma pele nova entra em cena, a antiga é substituída. E isso é feito com o propósito de melhor a saúde do animal. Por isso você vê uma cobrinha nos símbolos da medicina. Esse bicho é um representante da boa saúde. Obviamente, como estamos falando de natureza, a pele antiga não vira lixo. Ela segue o ciclo da vida. E o que acontece com os carros que não já não mais modelos do ano? Existe o mesmo princípio de reciclagem embutida como a pele da cobra? Pergunte-se, qual o verdadeiro ganho para nossas vidas lançar uma lata nova de mil quilos todo ano?

 

E isto tudo piora ainda mais quando governos adotam políticas de fácil acesso a financiamentos. Quanto mais gente comprando, mais demanda por carros novos existe. É a felicidade do mercado! Se a cobra na natureza é símbolo de saúde, na economia monetária é sinônimo de círculo vicioso. Temos uma cobra comendo o próprio rabo.

 

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Tá é faltando ceticismo em nossa sociedade.

 

A conclusão: Automóveis “crescem” como câncer nas vias públicas. E isso só piora quando governos facilitam o acesso à compra de novos veículos. De fato não há como saber se isso é resultado de lobbying de grandes montadoras ou se é apenas uma “nobre” vontade de fortalecer o crescimento econômico do país. Mas isso pouco importa. Pois nunca realmente houve uma diferença entre os interesses do Estado e da iniciativa privada. Seus fundamentos, como vimos, são os mesmos: a economia monetária.

 

O resultado disso? Atualmente, aqui em Porto Alegre, pessoas dizem que está faltando rua para tantos carros. Você sente o mesmo acontecendo perto de sua casa?

 

Nos vemos no próximo erro!

A soma de todos os erros – Pt 6 de 9

 A soma de todos os erros – O sexto

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Em resumo, estou explicando como o automóvel simboliza os mais diversos aspectos obsoletos que a economia monetária representa. Está longe de ser completo, trata-se apenas de um exercício de reflexão. Vamos lá então?

 

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O sexto erro: O trânsito.

 

O problema: Segundo a ABRAMET, em 2009, o número de acidentes no trânsito brasileiro foi de 400 mil por ano. E 35 mil destes resultaram em morte. Aqueles que não morreram, 20 mil apresentaram mutilações em seus corpos. E o que fazemos a respeito? Nada. Substancialmente nada. Sim, estou ciente de leis que proíbem beber e dirigir, sei que não se deve passar da velocidade máxima de cada via, existem regras de trânsito, etc. Também conheço inúmeras entidades nobres com boas intenções para lidar com esta situação. Mas isso tudo é substancialmente nada. Porque se fizéssemos alguma coisa significativa a este respeito, o sexto erro não existiria. Simples assim. Simples mesmo. Bem como este exemplo: João está com fome. Isto é um problema. João come e a fome passa. O problema do caso foi resolvido.

 

Pessoas morrem e se machucam no trânsito. E o que fazemos? Compramos mais carros! Colocamos, todo ano, mais 60 milhões de novos carros no trânsito de todo o mundo. Que maravilha! E cada carro é um pequeno sistema isolado sem nenhuma relação com o trânsito ao qual pertence. O resultado? Com cada motorista por si, é óbvio que teremos “acidentes”. É inerente à nossa estrutura social. Nós, humanos, temos mil e um pensamentos a seguir. Somando todo o stress diário, é inevitável que algo tão monótono como dirigir acabe perdendo parte da nossa atenção um momento ou outro. Não é necessariamente culpa dos motoristas colisões ocorrerem. A culpa é social! É a negligência em resolver um problema técnico com a aplicação do método científico!

 

Temos tecnologia para unirmos todas as unidades móveis em um só sistema integrado automático de trânsito. Pense no elevador automático que você está acostumado a usar. Como seria se, ao invés de um computador com sensores e motores automáticos, ele fosse guiado por pessoas? Não me refiro somente ao velho ascensorista. Considere este sistema com pessoas abrindo e fechando suas portas o dia todo. Coloque mais um grupo de homens puxando o cabo para subir e descer o elevador. É insano, não é? Muita gente ia se machucar ou morrer. Não importa quantas leis ou programas educacionais façamos, uma hora ou outra, alguém irá se cansar ou perder a atenção. Como é um trabalho em grupo, o deslize de um, é a catástrofe de todos.

 

Com certeza ninguém acharia uma boa idéia mudarmos de um sistema automático para um manual. Acho que você entendeu o raciocínio, não? Enquanto pessoas dirigirem estas latas de uma tonelada, estamos fazendo nada para impedir danos e mortes. É através da automatização integrada que podemos alcançar segurança e tranqüilidade no trânsito.

 

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Ben… Ah… hum… Esquece!

 

A conclusão: Cada carro é dirigido por uma pessoa. Cada pessoa é capaz de enxergar, naturalmente, apenas da sua perspectiva. A insegurança é inevitável deste modo. Quem possui a melhor perspectiva integrada? O rato no labirinto, procurando uma saída enquanto se debate nas paredes ou o individuo que é capaz de enxergar de forma ampla o funcionamento do sistema? Temos GPSs que podem ser integrados a carros automatizados. Mas não usamos. E ainda reclamamos do perigo no trânsito.

 

Nos vemos no próximo erro!

A soma de todos os erros – Pt 5 de 9

 A soma de todos os erros – O quinto

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Em resumo, estou explicando como o automóvel simboliza os mais diversos aspectos obsoletos que a economia monetária representa. Está longe de ser completo, trata-se apenas de um exercício de reflexão. Vamos lá então?

 

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O quinto erro: A durabilidade.

 

O problema: Este erro poderia ser parte do design, mas acho que vale a pena falar dele isoladamente. Pois o problema é o seguinte: não importa a manutenção regular e bom uso diário que você dá ao automóvel, invariavelmente ele irá se tornar obsoleto. “Dã! Óbvio, Juliano! Todas as máquinas estragam de vez uma hora ou outra.” Bom, isso até pode ser verdade. Mas o que me refiro é: (1) carros deveriam ser projetados para durarem “para sempre”. Ou seja, ao invés de usarmos motores explodindo combustível fóssil, usarmos eletricidade. O desgaste de peças é infinitamente menor e a simplicidade da sua constituição aumenta a durabilidade. (2) A liga de memória de forma, mencionada anteriormente, aumentaria ainda mais o a vida útil do mesmo veículo. (3) Reciclagem embutida no design. Significando que todos automóveis construídos sejam substancialmente reaproveitáveis uma vez que se tornem obsoletos por completo.

 

Este erro retornará muitas vezes ainda nestas páginas, pois é um assunto que precisa de mais dedicação. Por ora, apenas gostaria de chamar a atenção de que somos tão acostumados a vermos os objetos e máquinas ruírem, que já nem questionamos se isso poderia ser diferente. Lembre-se do que significa sustentabilidade! Não pode haver desperdícios. Se construímos algo sem a intenção de fazê-lo durar o máximo possível, estamos indo contra um dos princípios mais básicos da natureza.

 

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Será que um dia vão perceber que a culpa é de todos nós?

 

A conclusão: Você pode ser um bom pai ou uma boa mãe, mas a chance de seu filho falecer antes de você é simplesmente enorme. E nós achamos isso perfeitamente normal! Não consideramos tratar nossos filhos com higiene (reciclagem embutida), cuidados médicos (liga de memória com forma) e uma alimentação saudável (eletricidade).

 

Nos vemos no próximo erro!

A soma de todos os erros – Pt 4 de 9

 A soma de todos os erros – O quarto

Olá, você que lê! É hora de continuarmos o texto anterior de A Soma de Todos os Erros.
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Em resumo, estou explicando como o automóvel simboliza os mais diversos aspectos obsoletos que a economia monetária representa. Está longe de ser completo, trata-se apenas de um exercício de reflexão. Vamos lá então?
 
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O quarto erro: O design.
 
O problema: Com certeza este erro representa um dos maiores problemas que o carro possui. Pois ele é o berço desta “criança problemática”. Veja se você concorda comigo.
 
Em primeiro lugar, resgatando o erro anterior, o carro é um tremendo desperdício de material. Ele é desenvolvido para transportar cinco pessoas, mas apenas uma ou duas o usam diariamente. Além disso, o espaço ocupado pelas máquinas que o movem (vamos chamá-las apenas de “motor”) representa cerca de 1/3 do total do automóvel. Considerando que temos tecnologia para movermos carros com eletricidade, com um motor infinitamente menor, temos mais desperdício proclamado. Pense nisso! Se o automóvel fosse projetado de forma mais eficaz, ele seria muito menor. Você conhece o Smart Car? Pois é, esse é um exemplo muito bom de tamanho adequado.
 
Em segundo lugar, temos dois pontos em um só: manutenção e acessibilidade. A manutenção obviamente se trata da necessidade de mantê-lo funcionando. Para isto, temos que levá-lo regularmente a um mecânico. Nada mais natural, certo? É aqui que entra a acessibilidade. Os carros que vemos por aí são muito complexos. Um leigo (ou seja, você e eu) é incapaz de resolver os mais variados problemas sozinho. Somos obrigados a pedir ajuda a especialistas. Até mesmo trocar uma simples lâmpada do farol não é fácil, nem óbvio.
 
Agora, imagine um carro projetado que permita qualquer um (até mesmo você!) realizar sua manutenção. Considere um design em que o carro possui alertas para todos os seus componentes. Ele avisa, através de seu painel, como estão as condições de todas suas partes. Mais ainda, a acessibilidade a elas seria fácil e intuitiva. Mais ou menos como passar um anti-vírus em seu computador ou trocar uma lâmpada do abajur. Não há motivo para que seu design não seja acessível e inteligente deste modo. Claro, imagine a quantidade de empregos que desapareceriam se o carro fosse assim bem projetado.
 
Terceiro lugar: a durabilidade. Ou melhor, a “descartabilidade”. O que acontece com o automóvel, há uns 10 km/h, se colidir com um objeto? A menos que seja contra um pedaço de isopor, nosso querido amigo vai ganhar um simpático “amassinho”. E o que acontece se a velocidade for, digamos, uns 60 km/h? Ixi! Que coisa feia!
 
Sim, sim. Sei que antigamente os carros eram desenhados de forma mais “dura”. A energia da colisão era projetada para quem estava dentro deles. Com certeza era muito mais perigoso. Tornar os carros mais “macios” é uma forma de segurança, com certeza. Mas isso não resolve o problema de quem está do lado de fora. Muito menos serviu para diminuir a quantidade de acidentes e mortes. Mas, sobre segurança, vamos falar em breve.
 
Voltando ao ponto, o carro é descartável. A questão é termos uma tecnologia chamada ligas de memória com forma. A aplicação destas ligas tornaria os carros reconstituíveis. Considere a situação: um carro colide e se amassa todo. Ele é levado a uma oficina em que se aplica uma grande quantidade de calor. Ao esquentar, suas partes retornam ao formato correto do carro. É mais ou menos como uma camisa amassada que volta a ficar lisa depois que um ferro quente a toca. Pesquise isso na internet.
 
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E se eles se deram conta de que tá tudo errado?
 
A conclusão: O carro é exageradamente grande, sua manutenção é complicada, poucos podem fazê-la e sua estrutura material é frágil como uma casca de ovo e não pode ser facilmente reconstituída. O design é propositalmente inferior à realidade tecnológica e não considera um uso inteligente dos recursos materiais. Ou seja, ele é grande, chato e sensível. Você convidaria alguém assim para rodar por aí?
 
Nos vemos no próximo erro!

A soma de todos os erros – Pt 3 de 9

 A soma de todos os erros – O terceiro

 
Olá, você que lê! É hora de continuarmos o texto anterior de A Soma de Todos os Erros.
Se você está começando aqui, recomendo que leia o conteúdo anterior. 
 
Em resumo, estou explicando como o automóvel simboliza os mais diversos aspectos obsoletos que a economia monetária representa. Está longe de ser completo, trata-se apenas de um exercício de reflexão. Vamos lá então?
 
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O terceiro erro: O uso diário.
 
O problema: Reforçando novamente, esta análise não se sustenta em dados estatísticos ou informações científicas precisas. Para o erro “uso diário”, você mesmo pode responder a estas perguntas: qual é a lotação máxima de um carro popular? Contando o motorista, quantas pessoas geralmente ocupam um automóvel?
 
Posso presumir que você tenha respondido cinco para a primeira pergunta e uma ou duas para a segunda. Acertei? Pois é, o uso diário que damos a estas máquinas não condiz nem um pouco a capacidade de carga delas. Se considerarmos o porta-malas, a situação piora ainda mais.
 
Não vamos nos precipitar e culpar motoristas e passageiros por não utilizarem a máxima capacidade dos seus carros. Precisamos relacionar este erro com outros que ainda virão: o design e sociedade. Mas já podemos adiantar que os automóveis são um tremendo desperdício de material e espaço. Continuamos a produzir e comercializar um produto que tem um fim nunca amplamente utilizado.
 
Mais uma pergunta: qual é o estado do carro na maior parte do tempo? Deixe-me ser mais claro. O que o carro mais faz durante as 24h do dia?
 
Fica parado, né? Parado como muitas bicicletas ergométricas vencidas pela promessa de “segunda-feira eu começo os exercícios”. Ah sim! Existem os táxis, é claro. Mas você entendeu a questão.
 
Sobre isto vamos resgatar mais tarde, lá no erro trânsito.
 
A conclusão: Automóveis são como casas com dois pisos, cinco dormitórios, dependência de empregada e um amplo jardim para uso de apenas um homem solteiro que passa o dia inteiro fora e que não é nem um pouco chegado em receber convidados em sua casa. No máximo, ele aprecia um jantar a dois no conforto de seu lar.
 
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Bem, não tenho mais pra comentar..
 
Nos vemos no próximo erro!

A soma de todos os erros – Pt 2 de 9

 A soma de todos os erros – O segundo

 
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Olá, você que lê! É hora de continuarmos o texto anterior de A Soma de Todos os Erros.
Se você está começando aqui, recomendo que leia o conteúdo anterior.
 
Em resumo, estou explicando como o automóvel simboliza os mais diversos aspectos obsoletos que a economia monetária representa. Está longe de ser completo, trata-se apenas de um exercício de reflexão. Vamos lá então?
 
 
 
O segundo erro: O preço.
 
O problema: Com exceção de filmes americanos, em que se compram carros usados por apenas U$ 1.000 (ou menos), a aquisição deste produto é um “privilégio” apenas da classe média e alta. Fazendo uma pesquisa bem simples na internet, considerando apenas carros populares brasileiros, chegamos a um preço referencial de R$ 30 mil. Um indivíduo de classe média pode pagar este valor em 48 parcelas mensais de R$ 625,00. Junto ao preço do automóvel em si, vamos considerar mais alguns gastos.
 
O que seria de um carro em uma cidade sem uma apólice de seguro? Inseguro, obviamente! Como todos sabem, quanto mais popular o carro for, mais caro é seu seguro. Como estamos justamente considerando esta categoria de carro, prepare seu bolso. Mas não vamos falar de números. Os conceitos em si já são assustadores o suficiente.
 
Juntamos isto aos tributos. Temos que pagar anualmente ao Estado o IPVA e seguro obrigatório. Some ainda o custo freqüente de manutenção mecânica, renovação de fluídos, peças obsoletas (ou estragadas por colisões), combustível, estacionamento e eventuais multas. Esquecemos alguma coisa? Tenho certeza que você pode acrescentar mais custos a esta lista.
 
Há ainda custos indiretos, relacionados ao trânsito, como crianças de ruas e demais pedintes em sinaleiras, ou até os famosos flanelinhas “guardadores” de carro.
 
Imagino que estas informações não surpreendam você, estou certo? Afinal, quando o assunto é dinheiro, costumamos pensar muito mais conscientemente. Bom, vamos manter em mente nossos parâmetros propostos neste exercício. Para o erro preço ter mais significado, é preciso relacioná-lo ao que virá a seguir (o uso diário).
 
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Melhor a gente sair de fininho.
 
A conclusão: Como o impacto do preço depende do restante da nossa análise, vamos considerar apenas uma conclusão precipitada: automóveis são muito caros. Muito mesmo! Pense na porcentagem do seu salário que é destinada exclusivamente a ele.
 
Nos vemos no próximo erro!

A soma de todos os erros – Pt 1 de 9

Automóveis. Convivemos com estes “seres” diariamente. E talvez poucos de nós refletimos sobre eles além de meras máquinas de transporte.Quero compartilhar com você uma perspectiva diferente sobre os carros (e motos, caminhões, ônibus…). Talvez o que verá escrito aqui possa não ser nenhuma novidade. Se não for, que bom! Pensamos de modo similar a este respeito. Do contrário, quero explicar porque considero o automóvel um dos grandes símbolos da economia monetária. Não gosto da palavra “erro”, mas ela se mostrou adequada para a situação, já que o carro sintetiza sozinho quase todos os aspectos contraproducentes que ainda defendemos como modo de vida neste planeta.
 
Como disse antes, convivemos com estes “seres” diariamente. Então vou me dar ao luxo de (quase) me abdicar de dados estatísticos ou informações científicas precisas. De fato, serei bastante superficial em alguns pontos. Você verá que não é necessário grande aprofundamento para percebermos a plenitude de suas falhas. Este é apenas um exercício de observação. Tudo o que já sabemos e somos capazes de perceber é suficiente para vermos o automóvel com outros olhos. Então, vamos lá?
 
 
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O primeiro erro: O combustível.
 
O problema: Como é à base de petróleo, ao ser explodido pelo motor, o combustível gera gases que afetam nossa respiração e saúde de modo geral. Outros animais e plantas também são vítimas dessa ação (e olha que eles nem dirigem). E a poluição desses gases, como você sabe, gera a famosa nuvem cinza visível em muitas metrópoles. Olhando de mais perto a ação desta nuvem, vemos o escurecimento de prédios, casas, estátuas, etc.
 
E o petróleo, sangue da economia monetária, como não é renovável, torna-se cada vez mais escasso. Seu custo gradualmente mais elevado reflete-se no preço do combustível.
 
Claro, não podemos deixar de mencionar o trabalho envolvido em produzir e transportá-lo para todos os cantos do mundo. Afinal, não é possível produzi-lo em quase qualquer lugar (como energia solar e eólica).
 
Ah sim! Lembre-se que estamos lidando com um líquido inflamável. Portanto, mais custo embutido com planos de seguradoras. E temos que considerar os ganhos dos envolvidos. Desde os salários dos engenheiros e o retorno dos investimentos dos acionistas até as esmolas que ganham os motoristas de caminhões e frentistas sorridentes que limpam retrovisores. Curioso pensar que o combustível que entra no automóvel já viajou mais pelo mundo do que o empregado do posto de gasolina.
 
 
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Acho que o pessoal tá começando a desconfiar.
 
 
A conclusão: O combustível do automóvel faz mal para a saúde dos seres vivos, sejam motoristas, pedestres, cachorros, azaléias ou árvores. Faz mal para a aparência dos objetos inanimados, como nossas moradias. Depende de uma indústria enorme para produzir e transportar. É perigoso. É caro. Muito caro. E está ficando cada vez mais caro. Apesar disso, ele nunca se tornou substancialmente melhor desde seu uso pela primeira vez.
 
Nos vemos no próximo erro!

O exterminador de empregos

No artigo 7º – XXVII, da Constituição Federal brasileira, consta que é dever do Estado proteger o trabalhador contra o processo de automatização da indústria. Se deixarmos as máquinas assumirem tarefas realizadas por seres humanos, o que será destes trabalhadores? Mais ainda, se os empregos são roubados pelas temíveis máquinas,  consumidores perdem seu poder de compra. O que seria da economia?

 
Pensando assim, seria economicamente imprudente permitir a automatização desenfreada da indústria. Será? 
 
Automatizar a produção tem sido extremamente lucrativo para qualquer empresa.  É muito mais barato, já que máquinas não recebem salários, nem fundo de garantia ou plano de saúde (a não ser alguma manutenção de tempos em tempos).  Também não precisam dormir, não tem mau humor, oscilações emocionais, desatenção e especialmente, trabalham muito melhor do que nós.
 
 
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No quadro acima fica muito claro que observando este processo desde a Revolução Industrial, quanto mais máquinas trabalham, mais produzimos. Ou, quanto menos os seres humanos trabalham, mais produzimos. Mas existe uma função nesta história na qual não podem nos substituir. Somos os consumidores! Precisamos manter a economia girando, o consumo cíclico ativo e pra isso precisamos trocar nossa mãodeobra por dinheiro.  E aqui está a grande contradição: a tendência indica que seguiremos aumentando nossa produção enquanto que, de forma inversamente proporcional, diminui nossa capacidade de consumo. Ou errei na matemática?  
 
A Organização Internacional do Trabalho, em seu relatório anual ‘Tendências Mundiais de Emprego’, afirma que o número de desempregados no mundo chegou a cerca de 212 milhões em 2009 na sequência de um aumento sem precedentes de 34 milhões de trabalhadores, comparado com 2007. A forma como chegam a estes números são questionáveis, mas o principal a se analisar aqui é a tendência que percebemos. O relatório também relata que o número de jovens desempregados no mundo aumentou em 10,2 milhões em 2009, o maior aumento registrado desde 1991.”
 
É comum argumentarem que, conforme as empresas automatizam e o custo de produção diminui, também diminuem os preços dos produtos, anulando assim o efeito do desemprego tecnológico na economia. Mas esquecem que o que leva a empresa a automatizar é a possibilidade de ter um custo de produção menor sem abaixar os preços, o que é muito mais  lucrativo. Na selva do livre mercado, há uma "seleção natural"  das empresas que obtêm maior lucro, portanto mais competitivas, e as que não seguem o padrão do mercado, invariavelmente têm de fechar as portas.
 
Seja no capitalismo, socialismo ou qualquer outra variação, o problema segue o mesmo. O “monetarismo”, por assim dizer, simplesmente não comporta os avanços técnicos a que chegou a humanidade, esteja esta produção nas mãos do Estado ou da iniciativa privada. O trabalho como fonte de renda para obtenção dos bens de consumo e recursos em geral não permite, em nenhuma economia, que a automatização trabalhe a favor da humanidade. É puramente uma questão de lógica, matemática. Nenhuma indústria pode dar-se o luxo de não aplicar essa substituição, nem a sociedade tem condições de regressar a um modelo antigo que não daria conta de manter um alto padrão de vida aos quase sete bilhões de seres humanos. Demore dez ou cinquenta anos, não vamos nem podemos impedir este processo, e esperar que os postos de trabalho tornem-se cada vez mais escassos para pensar em uma alternativa não parece uma boa ideia
 
Há poucas centenas de anos, a agricultura consumia toda nossa força de trabalho, até as máquinas tomarem conta de praticamente todo o processo. Então fomos trabalhar nas fábricas, até as máquinas tomarem conta de praticamente todo o processo. Hoje a força de trabalho concentra-se no setor terciário (ou de prestação de serviços). Mas até quando? Estamos tão distantes de repetir a mesma explicação dos dois primeiros casos? 
 
Dos caixas eletrônicos até restaurantes já completamente automatizados, não há uma área sequer em que este processo não esteja acontecendo, e diferentemente das outras vezes, agora não há um quarto setor emergindo para compensar as ocupações do setor terciário extintas pelo fenômeno.
 
Para ilustrar, dois vídeos chamados ‘’Nossa realidade tecnológica pt1" e "Nossa realidade tecnológica pt2".
 
Além disso, com o advento da inteligência artificial (a chamada "singularidade"), veremos a automatização dos chamados "trabalhos intelectuais ou criativos", acabando de vez com o mercado de trabalho.
 
A tendência é clara, mas dentro da nossa estrutura, os resultados não são positivos como poderiam e deveriam ser. Precisamos reorganizar nossa sociedade para comportar estes avanços, de modo a não mais vermos a evolução tecnológica como algo de que o Estado deva nos proteger, mas como um auxílio fundamental na construção de uma nova sociedade e um novo paradigma para a humanidade. Automatizar para humanizar, ainda que soe contraditório.  
 
Se entendemos a tecnologia como uma extensão das habilidades humanas, precisamos tê-la ao nosso lado, aliviando-nos de trabalhos maçantes e repetitivos, possibilitando-nos gerar abundância para atender a todos os habitantes deste planeta e libertando o ser humano para atividades muito mais interessantes e prazerosas.
 
E o que faríamos se não tivermos que trabalhar para viver? Qual seria a motivação do ser humano? Num próximo artigo, em breve.