Em busca da saúde perfeita

Este escrito, ou série de escritos que aqui se iniciam são de uma certa forma um desabafo, de outra um canto de esperança. Sei que a saúde perfeita não existe, saúdes perfeitas são momentos de profundo bem estar em que nada no nosso corpo, mente ou relacionamentos com pessoas e com o mundo nos incomoda… Mas mesmo assim buscar a saúde perfeita provoca um processo de reflexão e aprofundamento… A busca é o importante.

Para mim esta busca neste momento é de suma importância, é o sumo da existência. Cheguei a pesar 118 kgs ano passado, em meus 1,82 ms de altura. Um corpão pesado e que me machuca joelhos e autoimagem. Chega. Ao mesmo tempo em que estou cansado, quero progredir de maneiras fora da Matrix (ver Hierarquia, Augusto de Franco, 2013). Sem hipnotismos, sem rituais monótonos e repetitivos. A não ser talvez o de contar os ladrilhos da piscina…

Hoje nadei. Breve pego minha bike que está sendo montada na Cratera da Colônia, pelo meu amigo Fernando Bike. Hoje, só por hoje, pesei 113,80 kgs… E me senti bem, estou feliz com a minha barriga encostada na mesa escrevendo.

Deus, à imagem e semelhança do homem

Os estados teocráticos e a falsa moralidade religiosa invadindo  temas laicos, trazem à tona um tema que permeia a sociedade desde que o homem tentou entender a natureza. A chuva com seus trovões, a seca, a passagem do dia e da noite, os astros, a morte. Alguém deveria entender e tentar intermediar a relação do invisível com o concreto. E, claro, quem dispunha deste privilégio de entender-se com o que ninguém conseguia entender despertava o respeito e o temor dos demais.

Certamente o primeiro homem que deduziu que estes sinais da natureza eram manifestações divinas imaginou também formas de contentar a estes deuses para que os problemas causados pelos deuses não tivessem tanto impacto na materialidade. Agradando aos deuses imaginava-se possível reverter seus acessos de ira, responsáveis por tantos estragos de tempos em tempo.

 

Mas não era toda a coletividade que possuía esta condição, a de intermediar e comunicar-se com os seres divinos. Era necessário que o coletivo se resguardasse das ameaças, que providenciasse alimentação, havia ainda o cuidado com a estrutura que protegesse do clima e tempo.

 

A existência de um excedente de alimentos a partir da agricultura permite que a sociedade se divida em tarefas diferentes. As funções básicas das sociedades primitivas, produção, arrecadação  previam que deste excedente alimentasse o contingente destinado à segurança, e também os dirigentes destas comunidades. E claro que aquele que possuía o dom de agradar aos deuses geralmente interferiam no poder diretivo, por respeito ou medo, a acabavam decidindo os rumos de suas comunidades, respaldados pelos deuses que diziam representar.

 

Neste contexto as religiões e seus representantes tinham como principal função a obtenção de ganhos ou benefícios. A necessidade de entender a natureza e a própria natureza humana ficava em segundo plano. Os rituais, a destinação de locais próprios para cultos, a criação das artes adivinhatórias criavam a aura de mistério e respeito necessária para garantir que os sacerdotes fossem considerados semi-divindades.

 

Nesta situação a fusão entre decisões humanas e desejos divinos era providencial para os governantes. O temor aos deuses, estes obviamente criados a partir do modelo humano, com amores, paixões e ódios de formato humano, mas com poderes ilimitados facilitava que decisões terrenas fossem justificadas por desígnios divinos. Homens podem ser contrariados, deuses jamais. E desta forma, desde as primeiras sociedades a religião permeia o poder terreno, chegando mesmo a eleger como deuses alguns de seus governantes, tornando-os deus na terra, portanto com poderes ilimitados.

 

Quanto a população, restava-lhe sustentar com seu trabalho governantes e sacerdotes, seguir suas regras opressoras e temer a ira de suas  vingativas e cruéis  divindades temendo, além de todo o tormento terreno os tormentos de outra vida além da morte.