Tiririca na Itália

 

“Tiririca italiano” afirma que não apoiará posse de governo de outros partidos

  • Giorgio Perottino/Reuters

    Partido de Beppe Grillo teve a maior votação do país

    Partido de Beppe Grillo teve a maior votação do país

O líder do Movimento 5 Estrelas (M5S) italiano, o comediante Beppe Grillo, insistiu neste sábado (2) que não apoiará a posse de nenhum governo formado por outras coalizões e que só está disposto a prestar uma colaboração pontual ao próximo Executivo.

Grillo, que lidera o partido mais votado para a câmara baixa do parlamento italiano nas últimas eleições gerais e que é a terceira maior força parlamentar do país, explicou através de seu blog o conteúdo de sua entrevista publicada neste sábado pela revista alemã “Focus”.

Na entrevista, feita na quarta-feira, Grillo se mostrava aberto à possibilidade de um governo do progressista Partido Democrata (PD) de Pier Luigi Bersani e do conservador Povo da Liberdade (PdL) de Silvio Berlusconi, se este tiver como prioridades reformar a lei eleitoral e reduzir os custos públicos da classe política.

“Repito pela última vez, o M5S não apoiará a posse de nenhum governo (muito menos um governo do PD e do PdL), mas votará lei a lei, de acordo com seu programa”, afirma Grillo em um acréscimo, divulgado hoje, à última entrada de seu blog, datada de ontem.

As declarações do político e humorista, que costumam chegar através de entrevistas à imprensa estrangeira ou por meio de seu perfil no Twitter e em seu blog, continuam estampando capas de jornais na Itália desde o recente pleito, que transformou o M5S em elemento necessário para a posse no Senado de um governo de Bersani, pois este não quer pactuar com Berlusconi.

Nos últimos dias, o Movimento 5 Estrelas fechou qualquer porta a um pacto com a centro-esquerda que permita a governabilidade de Bersani e desafiou tanto o PD como o PdL a permitir a formação de um governo liderado pelo M5S se estiverem dispostos de verdade a se sacrificar pelo país.

Na entrevista publicada hoje pela “Focus”, Grillo citava três pontos como os fundamentais que, segundo sua opinião, o próximo governo italiano tem que cumprir: a reforma da lei eleitoral, a abolição do reembolso com dinheiro público das despesas das campanhas dos partidos, e o limite dos parlamentares a dois mandatos.

“Se o PD de Bersani e o PdL de Berlusconi propusessem uma mudança imediata da lei eleitoral, a abolição dos reembolsos dos custos da campanha eleitoral e ao máximo dois mandatos para cada deputado, nós apoiaríamos naturalmente um governo deste tipo. Mas eles não farão isso nunca”, afirmou o comediante na parte da entrevista à “Focus” justificada.

Nessa entrevista, Grillo afirma que se a situação continuar como está, a Itália não poderá pagar dentro de seis meses as aposentadorias ou os salários dos funcionários públicos e terá que deixar de adotar o euro como moeda, por isso propõe uma renegociação da dívida pública italiana, que ontem se soube que fechou 2012 em 127% do PIB.

Comparação com Tiririca

Grillo foi comparado pelo jornal “Financial Times” ao deputado federal Tiririca (PR-SP), o mais votado nas eleições de 2010. “Enquanto o Brasil dá a largada ao seu ciclo de eleições presidenciais de 2014, a breve carreira de um dos estranhos legisladores do Brasil diz muito sobre a disfuncionalidade da política do país”, disse matéria do jornal publicada na terça-feira (26), comparando a eleição de Tiririca à de Beppe Grillo na Itália.

Cooperação ou Competição 2

 Acredito que o ser humano é naturalmente cooperativo. Mas esta afirmação assim, nua e crua, sem nenhuma antítese, me provoca reações internas de estranheza. E as memoráveis partidas de ping-pong da infância e adolescência, nas quais eu dei tudo de mim para ganhar? Serão elas meros frutos de uma programação mental? Ou será que crianças nascidas em uma civilização em que a mensagem sub-reptícia seja a da permanente cooperação nunca vão inventar um joguinho de quem joga uma pedrinha mais perto da parede.

Esta questão permanece para mim insolúvel. Por mais que eu queira me jogar no abismo de novos paradigmas, algo em mim não quer abandonar meu Flamengo domingos no Maracanã. Que aliás é nosso… Será que é realmente impossível qualquer forma de cooperação saudável, será que são impossíveis jogos em que os que deixam de ganhar não saiam se sentindo derrotados e fracassados e sim felizes por terem participado de uma disputa acalorada, adrenalinada e endorfinada?

Pois assim eram muitos de meus jogos na infância… Muitas vezes perdi e saí feliz. Não consigo reconhecer nos folguedos competitivos de minha infância a competição doentia e provocadora de estresses nefastos. Mesmo depois na vida adulta tenho na memória os jogos de futebol com os times de garçons na madrugada em que tudo terminava em uma bebedeira matinal envolvendo os dois times… Jogo para mim é festa. Nunca a competição é saudável?

Uma competição sei que não é saudável. Esta que nos ensinam desde pequenos, a lei do mais forte, a superioridade fracassada dos mercados que tudo resolvem. Este é o paradigma que nos trouxe até onde estamos. Um ponto da história da humanidade em que quase torcemos para que os meteoritos fossem maiores e que o asteroide tivesse passado mais perto…

Discurso do Senador Pedro Taques

 O senador Pedro Taques (PDT-MT) fez discurso de cerca de 15 minutos nesta sexta-feira (1º) para afirmar sua “anticandidatura” à presidência da Casa. Ele afirmou ser um “perdedor”.  “Eu, anunciado perdedor, comprometo-me perante meus pares e perante todo o país a impugnar estes exageros do Poder Executivo. Será que o anunciado vencedor pode fazer idêntica promessa?”, questionou.

Leia abaixo a íntegra:

Sr. Presidente, senhoras senadoras, senhores senadores. Cidadãos que nos acompanham pela TV e Rádio Senado. Amigos das redes sociais,

É como um perdedor que ocupo hoje esta tribuna. Venho como alguém a quem a derrota corteja: certeira, transparente, inevitável, aritmética. Sou o titular da perda anunciada, do que não acontecerá.

Mas o bom povo de Mato Grosso não me deu voz nesta Casa para só disputar os certames que posso ganhar, mas para lutar, com todas as minhas forças, as batalhas que forem justas. Sigo o exemplo do apóstolo Paulo, também um perdedor, degolado em Roma por levar a mensagem do Cristo: quero poder dizer a todas as pessoas que combati o bom combate.

As palavras dos vitoriosos são lembradas. Seus feitos, realçados. Sua versão, tende a se perenizar. O sorriso do orgulho lhes estampa a face, tantas vezes, antes mesmo de vencerem. E nem sempre se pergunta que vitória foi esta que obtiveram.  Será a vitória do Rei Pirro, que bateu os romanos na Batalha de Heracleia (280 A.C.) e olhando desconsolado para suas tropas destroçadas, disse que “outra vitória como aquela o arruinaria”? Será a vitória do Marechal Pétain, que ocupou o poder numa França emasculada pelos nazistas, traindo o melhor de sua gente? Será a vitória sem honra dos alemães diante do levante de Varsóvia?

Pois existem vitorias que elevam o gênero humano e outras que o rebaixam. Vitórias da esperança e vitórias do desalento. E, tantas vezes, é entre os derrotados, os que perderam, os que não conseguiram, que o espírito humano mais se mostra elevado, que a política renasce, que a sociedade progride.

Minha voz não é a da vitoriosa derrama de El-Rey de Portugal, mas a dos derrotados inconfidentes que fizeram germinar o sonho da nossa independência. O grande herói brasileiro, senador Aécio, – Tiradentes – é um perdedor, pois a Conjuração Mineira não venceu, naquele momento, mas nem as partes de seu corpo pregadas na via pública, ao longo do caminho de Vila Rica, o impediram de ser um brasileiro imortal.

Valho-me da memória de outro grande brasileiro, Ulisses Guimarães, anticandidato, lançado em 1973 pelo então MDB, MDB Jarbas Vasconcelos, MDB Pedro Simon, MDB Requião, tendo como vice-anticadidato Barbosa Lima Sobrinho. “Vou percorrer o país como anticandidato”, disse Ulysses, para denunciar a “anti-eleição”, do regime militar.

Ulysses Guimarães, este grande perdedor, este grande brasileiro. Pois aqui estou, emulando o espírito daqueles grandes homens:

Eu me anticandidato à Presidência deste Senado da República. Apresento-me para combater o bom combate. Quero ser Presidente da Casa da Federação. Quero que a sociedade brasileira observe que as coisas podem ser diferentes, que o passado não precisa necessariamente voltar, que há modos novos e melhores de fazer política, que esta Casa não é um apêndice, um “puxadinho” do Poder Executivo, mas que estamos aqui também pelo voto direto que nos deram o bom povo de nossos Estados.

Chega do Senado-perdigueiro! Chega do Senado-sabujo! Somos Senadores, não leva-e-trazes do Poder Executivo!

Não podemos respeitar os demais poderes, o Executivo ou o Judiciário, se não nos respeitamos a nós próprios. Não ajudamos a boa governança constitucional, se nos olvidamos de nossos deveres, de nosso papel e nossas prerrogativas. Nossa omissão alimenta o agigantamento dos outros poderes, o que a Constituição repele.

É como derrotado que posso dizer francamente que a sociedade brasileira clama por mudança, por dignidade, por esperança, por novos costumes políticos, por uma nova compreensão de nosso papel como senadores.

Anticandidato-me à Presidência do Senado, para combater o mau vezo do Poder Executivo de despejar suas medidas provisórias, ainda que fora de situações de urgência e relevância, em continuado desprestígio de nossas prerrogativas legislativas. Lanço-me para que façamos valer a Constituição e seu artigo 48, II, segundo o qual devemos velar pelas prerrogativas de nossa Casa Legislativa. Almejo aplicar severa e serenamente, o artigo 48,  XI, do Regimento Interno do Senado, segundo o qual o Presidente tem o dever de impugnar proposições que lhe pareçam contrárias à Constituição, às leis e ao próprio Regimento”.

Eu, anunciado perdedor, comprometo-me perante meus pares e perante todo o país a impugnar estes exageros do Poder Executivo. Será que o anunciado vencedor pode fazer idêntica promessa? Vou aplicar o mesmo rigor aos “contrabandos legislativos”, impedindo que o oportunismo de alguns acrescente às já abusivas Medidas Provisórias as emendas de interesses duvidosos que nada têm a ver com o objeto original da medida que se supõe urgente e relevante.

Prometo desconcentrar o meu poder como Presidente, distribuindo a relatoria dos projetos por sorteio. Como agirá o vencedor? Distribuirá apenas entre os seus?

Vou criar uma agenda pública e transparente, a ser informada a toda a sociedade brasileira, para a apreciação dos vetos presidenciais, estas centenas de esqueletos que deixamos por aqui. Vou designar as comissões e convocar as sessões do Congresso Nacional que se façam necessárias. Como farão os vencedores?

Vou além: toda a agenda legislativa tem de ser democratizada. Comprometo-me a construir mecanismo pelo qual os cidadãos possam formular diretamente requerimentos de urgência para votação de matérias, nas mesmas condições que a Constituição exige para a iniciativa popular de projetos de lei.

Farei ainda com que o Senado invista no desenvolvimento de mecanismos seguros de petição digital, para facilitar a mobilização dos cidadãos em torno das iniciativas populares já previstas na nossa Carta Magna.

Mobilizarei também toda a Casa para promover a atualização dos textos dos Regimentos Internos do Senado e do Congresso Nacional, documentos originários de resoluções dos anos 70, aprovadas durante o período escuro de nosso país e anteriores até mesmo à nossa Constituição democrática.

Aos servidores do Senado faço o compromisso de dar o que eles, profissionais dedicados, mais querem: organização, estruturação administrativa eficiente, seriedade, probidade. É também o que espera a sociedade brasileira. Não serão tolerados abusos de qualquer ordem. Funcionários públicos, representantes do povo, estamos aqui para servir a Sociedade e o Estado e não para nos servimos deles!

Como farão os vencedores? O que farão aqueles que já venceram antes e nada fizeram? Como esteve o Senado, quando ocupado pelos presumidos vencedores de hoje?

Posso ser um perdedor, mas para mim, a lisura, a transparência, o comportamento austero são predicados inegociáveis de um Presidente do Senado. Será que os vencedores também poderão dizê-lo?

Os que hão de vencer dialogarão com a classe média, com os trabalhadores, as organizações da sociedade civil, com a Câmara dos Deputados, com estudantes e donas-de-casa? Os vencedores darão continuidade a reformas como a do Código Penal, a Administrativa e o Pacto Federativo, ou preferirão deixar as coisas como estão?

A ética estará com os vencedores ou com os perdedores, Senhores Senadores?
Quais de nós serão mais bem acolhidos, não nesta Casa, mas pela sociedade brasileira. Os vencedores ou os perdedores?
Queremos o melhor para nós ou o melhor para a nação?

Existem voltas ainda hoje esperadas, como a de Dom Sebastião, que se perdeu nas batalhas africanas. A volta do Messias, esperado por judeus e cristãos. Os desaparecidos na época do regime militar, senador Aluísio, que hão de aparecer, ainda que para a dignidade de serem enterrados pela família.

Mas existem voltas que criam receios, de continuísmo, de letargia, de erros ressurgentes.

Sou o anticandidato, o que perderá. Não sou especial. Não tenho qualidades que cada cidadão brasileiro, trabalhador e honesto, não tenha também.  A ética que proclamo é aquela que quase todos os brasileiros se orgulham de cultivar. Eu não temo o próprio passado e, portanto, não tenho medo do futuro. Falo pelos derrotados deste país, todos os que ainda não conseguiram seus direitos básicos: as mulheres, senadora Lídice da Mata;  os índios, senador Wellington Dias; as crianças, senadora Ana Rita; os negros, senador Paulo Paim; os assalariados, senador Jaime Campos; os sem casa, senador Rodrigo Rolemberg; os sem escola, amigo Cristovam Buarque.

Falo pelos sem voto, aqueles que, embora titulares da soberania popular – o cidadão – se vêem alijados da disputa pela Presidência desta Casa, porque o terreno da disputa se circunscreveu aos partidos da maioria.

Essa não é mais a candidatura do Pedro Taques, e sim do PDT, do PSOL, do PSB, do DEM, do PSDB e de corajosos senadores de outras legendas, que não se submetem. Por que, como diz o poeta cuiabano Manoel de Barros, “quem anda no trilho é trem de ferro, liberdade caça jeito”.

Essa candidatura é daqueles que nunca tiveram voz nesta Casa, é dos mais de 300 mil brasileiros que assinaram a petição online “Ficha Limpa no Senado: Renan não”, promovida pelo portal internacional Avaaz.

Sei que nossa derrota é certeira, transparente, inevitável, aritmética. Mas faço minha a fala do inesquecível Senador Darcy Ribeiro:

  “Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”.

Nas andanças do tempo, vencedores podem ser efêmeros; os derrotados de um dia, vencem noutro. Maiorias se tornam minorias. Mas a dignidade, Senhores Senadores, jamais esmorece. Nós, os que vamos perder, saudamos a todos, com a dignidade intacta e o coração efusivo de esperança.

O que você sabe sobre cooperativismo?

Do site da OCB

Cooperativismo é um movimento, filosofia de vida e modelo socioeconômico capaz de unir desenvolvimento econômico e bem-estar social. Seus referenciais fundamentais são: participação democrática, solidariedade, independência e autonomia.

É o sistema fundamentado na reunião de pessoas e não no capital. Visa às necessidades do grupo e não do lucro. Busca prosperidade conjunta e não individual. Estas diferenças fazem do cooperativismo a alternativa socioeconômica que leva ao sucesso com equilíbrio e justiça entre os participantes. Associado a valores universais, o cooperativismo se desenvolve independentemente de território, língua, credo ou nacionalidade.

 

No século 18 aconteceu a Revolução Industrial na Inglaterra. A mão-de-obra perdeu grande poder de troca. Os baixos salários e a longa jornada de trabalho trouxeram muitas dificuldades socioeconômicas para a população. Diante desta crise surgiram, entre a classe operária, lideranças que criaram associações de caráter assistencial. Esta experiência não teve resultado positivo

Com base em experiências anteriores buscaram novas formas e concluíram que, com a organização formal chamada cooperativa era possível superar as dificuldades. Isso desde que fossem respeitados os valores do ser humano e praticadas regras, normas e princípios próprios.

Então, 28 operários, em sua maioria tecelões, se reuniram para avaliar suas idéias. Respeitaram seus costumes, tradições e estabeleceram normas e metas para a organização de uma cooperativa. Após um ano de trabalho acumularam um capital de 28 libras e conseguiram abrir as portas de um pequeno armazém cooperativo, em 21-12-1844, no bairro de Rochdale-Manchester (Inglaterra).

Nascia a Sociedade dos Probos de Rochdale, conhecida como a primeira cooperativa moderna do mundo. Ela criou os princípios morais e a conduta que são considerados, até hoje, a base do cooperativismo autêntico. Em 1848, já eram 140 membros e, doze anos depois chegou a 3.450 sócios com um capital de 152 mil libras.

 

Cooperativismo de Crédito: Você fora do sistema

 08/01/2013 às 00h00

Cooperativas de crédito crescem mais que bancos

Por Mônica Izaguirre | De Brasília

O ano de 2012 foi bom para as cooperativas de crédito no Brasil. Os ativos dessas instituições romperam a marca histórica da centena de bilhões, alcançando R$ 103,15 bilhões em setembro, segundo consolidação dos balanços enviados no último trimestre ao Banco Central. Com mais de seis milhões de associados, linha ultrapassada em junho, e um estoque de empréstimos e financiamentos que cresceu mais de 600% nos últimos dez anos, se formassem um banco, o conjunto das cooperativas corresponderia ao oitavo maior conglomerado financeiro do país em ativos totais. Em rede própria de atendimento, seriam o terceiro maior conglomerado, com mais de 5 mil pontos atingidos em novembro, atrás apenas de Banco do Brasil e Bradesco.

A participação nas operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) está em torno de 2%. O percentual sobe em alguns nichos, como financiamentos rurais com recursos livres e empréstimos mediante desconto de títulos, dos quais elas respondiam, respectivamente, por 17,5% e 8,6% do saldo em junho.

Os números foram fornecidos pelo diretor de relações institucionais do BC, Luiz Edson Feltrim, em entrevista ao Valor. Os dados mostram que em 2012, até setembro, o cooperativismo cresceu num ritmo mais forte que o do conjunto do SFN, tanto em ativos totais quanto em saldo de operações de crédito. A velocidade de avanço do patrimônio líquido e dos depósitos captados também superou a média.

Considerando-se apenas as instituições bancárias, universo do qual fazem parte como captadoras de depósitos à vista, as cooperativas também vêm crescendo mais rápido que o conjunto já há vários anos. Com isso, a participação no sistema tem aumentado em relação a diversos indicadores.

O segmento tem crescido em operações, rede e universo de depositantes (necessariamente os próprios associados) apesar da queda do número de cooperativas singulares (que não são cooperativas de cooperativas, estas chamadas de cooperativas centrais).

Após atingir o número de 1.427 no fim de 2007, ano em que ainda houve aumento de cooperativas, a quantidade de instituições caiu nos anos seguintes. Houve redução mesmo com o surgimento de novas cooperativas, pois as que desapareceram foram em maior número. No fim de setembro de 2012, restavam em atividade 1.231, 196 a menos que no fim de 2007.

Um “saudável” processo de concentração para ganhar escala explica o descompasso entre a evolução do número de cooperativas singulares e o crescimento dos demais indicadores do segmento, disse Feltrim. Ao fazer tal afirmação, ele apresentou um levantamento sobre os motivos de desaparecimento de cooperativas entre 2010 e setembro de 2012.

Nesses quase três anos, 172 instituições deixaram de existir, provocando redução líquida de 135 no número total de cooperativas. Precisamente 89, mais da metade, sumiram porque foram incorporadas a outras, informou o diretor do BC, destacando que há um esforço para ganhar escala e, assim, reduzir custos.

Somente três saíram do mercado porque sofreram liquidação extrajudicial pelo BC nesse período. Os cancelamentos de ofício, que somaram 21, também são iniciativa do BC. Mas o diretor explicou que referem-se a cooperativas que desistem de operar sem avisar antes a autoridade supervisora, que vai atrás para saber o que houve, por exemplo, quando deixa de receber relatórios contábeis obrigatórios e regulares.

O restante das 172 saiu do mercado por decisão dos próprios cooperados, mediante processos como liquidação ordinária, mudança de objeto social, extinção, ou por falência (um caso apenas desde 2010).

Chefe do departamento de organização do sistema financeiro por mais de 12 anos, até maio de 2011, Luiz Edson Feltrim integrou o grupo de especialistas do governo cujos estudos se desdobraram, desde 2003, numa profunda mudança no arcabouço normativo do crédito cooperativo no Brasil. Na opinião do diretor, as regras prudenciais adotadas, semelhantes às aplicáveis aos bancos, como a limitação de operações em função do capital, foram um importante fator de crescimento sustentado do segmento nos últimos anos.

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Singularidade

 

‘Próximo Facebook pode nascer no Brasil’, diz fundador da Universidade da Singularidade

YURI GONZAGA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O indiano Salim Ismail, 47, é um dos fundadores da Universidade da Singularidade, organização encravada em um campus da Nasa, a agência espacial dos EUA, no Vale do Silício.

Anualmente, 80 estudantes do mundo todo vão à instituição, em Mountain View (Califórnia), para um curso de dez semanas em que, como define a própria universidade, “aprendem a resolver os maiores problemas globais”, como a fome e os desastres climáticos.

  Rodrigo Sepulveda Schulz/Creative Commons  
Salim Ismail, fundador da Universidade da Singularidade, um dos palestrantes da Campus Party 2013
Salim Ismail, fundador da Universidade da Singularidade, um dos palestrantes da Campus Party 2013

Para Ismail, empresário que hoje coordena o processo de expansão global da escola, o próximo Facebook pode ser fundado no Brasil. “Não há motivo para isso não acontecer”, disse em e-mail à Folha o diretor da universidade norte-americana.

Ele estará em São Paulo na semana que vem, para realizar uma palestra na sexta edição da Campus Party, evento de tecnologia que começa na próxima segunda. Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

ia central [da Universidade da Singularidade] é estudar as áreas da tecnologia que estão se transformando mais rapidamente, como a computação, a robótica e a biotecnologia, para resolver os maiores problemas globais, como a crise financeira, pandemias e outras questões exponenciais.

Soluções exponenciais

Estamos acostumados a uma forma de pensamento linear, enquanto os maiores problemas do mundo são exponenciais -no caso de uma doença contagiosa, por exemplo, eu posso transmiti-la para duas pessoas, essas duas pessoas para mais quatro, e assim por diante. Nós estamos preparando os estudantes para encontrar soluções que também sejam exponenciais, em especial ligadas a áreas como a computação, que se aceleram por conta própria.

Pensar diferente

Estamos verificando o crescimento de organizações como o TED e o X Prize [fundações que apoiam o surgimento de ideais e projetos sociais e humanitários]. Nelas, quando uma pessoa é adicionada ao grupo, há um salto de produtividade muito superior ao do que aconteceria em uma empresa tradicional. São colaborativas, conectadas, usam “crowdsourcing” e têm uma visão de propósito que cria um novo tipo de estrutura.

Voz estrangeira

Cerca de 85% dos nossos estudantes não são dos EUA. Os cerca de 4.000 candidatos anuais vêm de 120 países. Não poderíamos querer resolver problemas globais sentados no Vale do Silício. As diferentes formas de pensamento são importantes para nós.

Poder do Brasil

Somos muito otimistas em relação ao Brasil, porque há muito entusiasmo e empreendedorismo natos. Quando isso é exposto a tecnologias poderosas, pode ter resultados extraordinários. Acredito que, por isso, o Brasil será um dos mais importantes países para as próximas gerações.

Por causa do advento dos celulares e da democratização da tecnologia pessoal, acho que o próximo Facebook deve nascer no Brasil ou em outro país emergente. Não há razão para que isso não aconteça. O Facebook foi criado em um notebook de US$ 1.000; o próximo deverá ser feito em um celular de US$ 100.

A Nasa e o Vale do Silício

É essencial [para a universidade] que estejamos na Nasa e, mais importante, no Vale do Silício. Em um raio de 50 km, podemos entrar em contato com os maiores pensadores do mundo nas áreas da tecnologia que nos interessam.

O campus Ames é responsável pela parte de supercomputação de toda a Nasa, o que nos dá acesso ao trabalho de mais de 4.000 pesquisadores nesse tema essencial.

Nunca poderíamos estar dentro de Berkeley ou de Stanford, porque gastaríamos muito tempo combatendo suas maneiras velhas de pensar.

Humanos x máquinas

Muitas vezes, o conceito de singularidade [que dá nome à instituição] é posto como um momento mágico no tempo em que a inteligência artificial superará a dos seres humanos.

Não acredito nisso porque nem sequer entendemos perfeitamente ou sabemos mensurar a inteligência.

Temos a inteligência humana como parte de um processo criativo e cheio de nuances, algo que não sei se poderíamos replicar com inteligência de máquinas.

*

RAIO-X
SALIM ISMAIL, 47

QUEM É
Nascido em Mumbai, formado em física pela Universidade de Waterloo (Canadá), é cofundador da Universidade da Singularidade

O QUE JÁ FEZ
Foi vice-presidente do Yahoo!, onde criou a encubadora Brickhouse (2007-2008).
Em 2010, sua empresa Angstro, que compilava informações na web sobre os contatos de seus usuários, foi comprada pelo Google

Comunicação e Conflito

 Conflito é hoje considerado normal e sempre presente em organizações (Morgan, 2002). Não serão abordados aqui de forma aprofundade aspectos internos dos conflitos pessoais, do ponto de vista psicanalítico. Desta teoria basta a lembrança de que o conflito produz ansiedade, afinal qualquer escolha pressupõe perda de alguma coisa.

A competitividade no modelo neoliberal é cada mais acirrada, a informação mais acessível a todos e a comunicação mais acelerada. Alta qualidade ou baixo custo tornam-se necessidades e objetivos a serem alcançados nos produtos. Sua obtenção baseia-se em um sistema de produção enxuto e em que se possa continuamente agregar melhoramentos a cada etapa de produção, implicando na utilização de um sistema organizacional adequado e uma mão-de-obra cada vez mais qualificada. Isto gera uma aceleração de conflitos entre culturas e estruturas, entre o que o ser humano deseja e o que o sisteme econômico impõe. Estes conflitos se traduzem em processos de comunicação por vezes conturbados e que interferem na realização de projetos.

Para melhor se compreender como conflitos surgem e atrapalham ou ajudam a comunicação é interessante lançar mão das ideias de alguns autores. Argyris (1969) define conflito como aquela tensão que impede ou prejudica a atuação de uma pessoa em determinada situação. Afirma também que não é uma situação necessariamente negativa, pois quando a pessoa (ou grupo) lida bem com ele, passa a ser uma experiência positiva para a personalidade. “Por estranho que pareça o conflito pode ser usado para ajudar a construir a personalidade, bem como para deformá-la a até mesmo para destruí-la”. (Argyris, 1969, p.49). O mesmo autor liga o conflito a situações de frustração, aqui entendida como a incapacidade da pessoa de atingir um objetivo ou ainda a incapacidade de determinar seus próprios objetivos em relação às necessidades interiores. 

Continua Argyris (1969, p. 51) baseando-se na teoria freudiana e apresentando os mecanismos de defesa utilizados pela personalidade humana para lidar com o conflito, entre eles: (ii) culpa e hostilização de si próprio, quando o conflito é identificado como causado pela limitação da própria personalidade; (iii) negação, o ato de ignorar consciente ou inconscientemente fatos ou aspectos causadores do conflito; (iv) conversão, ter medo de não ser capaz de fazer algo e transformar isto em dificuldade física; (v) racionalização, inventar desculpas aceitáveis para a personalidade de cada um para não desempenhar as tarefas; (vi) projeção, atribuir aos outros modos de conduta, sentimentos e opinião que são nossos; (vii) vacilação, dificuldade de escolher entre duas soluções; e (viii) ambivalência, oscilação de sentimentos em relação a pessoas que estão no centro do conflito.

Apesar desta concepção de que o conflito pode ser positivo ainda somos marcados pelo modelo racional, baseado na noção de que qualquer conflito é nocivo porque afeta a eficiência organizacional (Chanlat, 1997). Antes dos primórdios da era industrial, a “nova aristocracia” representada pelos empresários considerava os trabalhadores como mentores de uma classe social inferior e tratava os conflitos potenciais como relação pura e simples de dominação-submissão. Através de diferentes mecanismos estruturais, são projetados esforços para reduzir as possibilidades de conflito no ambiente de trabalho. A chamada organização científica do trabalho visava harmonizar as relações e supostamente deveria facilitar a comunicação, com a definição das tarefas, das regras e dos métodos, como papéis e responsabilidades de cada um (princípio da despersonalização da execução do trabalho); além da redução das interfaces (diminuição da dependência das tarefas em relação às outras) e da concentração do poder (redução do nível de ambiguidade e de incertezas vividas pela base da organização).

Chanlat (1997) destaca que pelo reconhecimento da natureza estratégica das relações entre os diversos grupos que compõem a organização, cada grupo tenta dominar dimensões essenciais do trabalho. Cada grupo busca ampliar as zonas de influência, comunicando aos outros grupos sua existência e suas demandas. Mesmo que não escritas passam a existir regras que obrigam as partes a se respeitarem. Cada grupo insiste em conservar sua anatomia e sua própria margem de poder sobre seu ambiente. Estas disputas podem acabar gerando conflitos e provocando os mecanismos de defesa grupais descritos por Morgan (2002), com base nos estudos do Instituto Tavistock. Em tempos de grande ansiedade os grupos se defendem por meio de: (i) dependência, com a projeção da atenção do grupo sobre uma figura capaz de resolver os problemas, idealizando as características do líder; (ii) emparelhamento, fantasia de que surgirá uma figura messiânica capaz de solucionar os problemas; e (iii) luta-fuga, com a projeção dos problemas sobre algum tipo de inimigo, interno ou externo. 

A análise dos conflitos organizacionais a partir das perspectivas da comunicação e da informação pode levantar questões inovadoras, capazes de gerar subsídios para aprimoramento de outras abordagens. Sob esta perspectiva conflito pode ser definido como a interação de interdependência de pessoas que percebem oposição de metas, propósitos e valores e que veem a outra parte como potencialmente interferindo na realização dessas metas (GODOI; RIBEIRO, 2007). As características gerais do conflito estariam vinculadas à interação social, uma vez que é nas interações entre as pessoas que os conflitos são formados e sustentados. Outra característica é a interdependência que envolve as partes na situação conflitiva e, cada parte, por sua vez, tem o poder de constranger ou interferir nas metas do outro. A característica de incompatibilidade de metas fornece suporte para verificar as maneiras opostas de como as partes percebem os propósitos e valores.

Referências:

ARGYRIS, C. Personalidade e Organização. Rio de Janeiro: Editora Renes, 1969

CHANLAT, J.F. O indivíduo na organização: dimensões esquecidas. São Paulo: Atlas, 1997

GODOI, E.; RIBEIRO, A. Pragmática Linguística: conexão com crises e conflitos na comunicação Organizacional. I Congresso ABRACORP, Anais do Congresso, ECA/USP, São Paulo, 2007

MORGAN, G. Imagens da Organização. São Paulo: Atlas, 2002

  

Sociedade de Risco e Sustentabilidade

Segundo Ulrich Beck eu seu Risk Society de 1992, não há como ter absoluta certeza de que determinados caminhos são os mais proveitosos para a sociedade como um todo. Sempre existe a possibilidade (ou probabilidade) de que interesses escusos estejam por trás dos dados e informações que geram as ações dos seres humanos envolvidos nesta problemática, provocando ao final mais dano do que soluções para todas as partes envolvidas. A partir disto, não só o indivíduo, mas a sociedade, produtora de riscos, se torna cada vez mais autocrítica, e ao mesmo tempo em que a humanidade põe a si em perigo, reconhece os riscos que produz e reage diante disso. A sociedade global reflexiva se vê obrigada a confrontar-se com aquilo que criou de positivo e negativo: os bens que pertencem a alguns e os males que a todos ameaçam.

A questão introduzida por Beck é que, na mesma medida em que a sociedade se desenvolve, são produzidos bens e são produzidos males ou riscos. Enquanto os primeiros continuam sendo desigualmente distribuídos, alguns destes últimos são compartilhados na mesma medida entre todos os indivíduos na sociedade. “Essa ‘lógica’ da produção e distribuição de riscos se desenvolve de forma comparável à ‘lógica’ da distribuição da riqueza (que até então determinou o pensamento teórico social)” (BECK, 1992, p. 13). Alguns dos riscos diretamente ligados à miséria e a determinadas classes sociais se distribuem de forma oposta à riqueza, sendo maiores para as classes menos favorecidas. Outros, no entanto, diferentemente dos riscos industriais e ocupacionais, que eram associados a determinadas localizações e profissões, são riscos supranacionais e transcendem classes sociais.

Beck  afirma que “[…] no sentido de uma teoria social e de um diagnóstico de cultura, o conceito de SR designa um estágio da modernidade em que começam a tomar corpo as ameaças produzidas até então no caminho da sociedade industrial”. Riscos sociais, ambientais, políticos, econômicos e individuais estão escapando do controle dos mecanismos criados até então pelas instituições organizadas para manter a proteção da sociedade. Trata-se de uma globalização de riscos que coloca em marcha uma dinâmica social, que não mais pode ser compreendida em categorias de classes sociais. “A circularidade do perigo que ameaça a sociedade pode ser generalizada: sob o teto dos riscos da modernidade, perpetrador e vítima mais cedo ou mais tarde se tornam idênticos” (BECK, 1992, p. 38). Isto porque não há conflitos e contradições materiais claras entre os afetados por certos riscos de larga escala e os não afetados por eles.

Esta dinâmica social também provoca dinâmicas políticas. Não há mais como haver consenso sobre questões como, por exemplo, benefícios fiscais para geração de empregos, pois os custos envolvidos e escondidos ao se receber certas indústrias podem exceder em muito os benefícios aparentes. A opinião pública se torna interessada em opinar em detalhes técnicos e muitos querem se tornar uma voz ativa em detalhes técnicos, econômicos e legais, criando um sistema de referências novo e sem precedentes (BECK, 1992). A questão dos riscos a que a sociedade está exposta é, portanto, de difícil solução, caso se confie apenas no papel da ciência em suas funções de criadora e reveladora de novas tecnologias e técnicas (BECK, 1992).

A ciência tradicional é certamente ainda a maior fonte de conhecimento para detectar e analisar os riscos para a sustentabilidade, em especial os mais sutis. No entanto, ao estar engajada ao mesmo tempo em seu papel tradicional de gerar novas descobertas e novas tecnologias e em papéis de subserviência a interesses comerciais, a ciência cria e adiciona novos riscos aos existentes. Os atores sociais, em função destes papéis nem sempre claros da ciência, dividem-se entre pressões para descobertas tecnológicas inovadoras e, ao mesmo tempo, na reinvenção das instituições sociais, políticas e da própria ciência. A tecnologia traz em seu bojo novos riscos e descontroles, envolvidos no seu próprio uso e, em especial, “na concentração de poder que recai sobre os especialistas e comunidade científica e na dependência tecnológica entre países pobres e ricos, entre outros aspectos” (ibid, p. 11).

Beck traz inúmeros exemplos de questões ligadas a riscos e incertezas e sua relação com a ciência. Um destes foi o do gás CFC, que foi lançado comercialmente em 1927. Apenas em 1974, mais de 40 anos depois, se descobriram os danos que causava à camada de ozônio e os riscos de câncer que provocava em massa à população da Terra. É a mesma ciência que continua lançando novos produtos e serviços, talvez com mecanismos de regulação maiores, mas com os mesmos interesses financeiros e, por vezes, com o mesmo grau de incerteza sobre as consequencias futuras do uso indiscriminado daqueles produtos e serviços. Como Beck (2007) afirma, aceitar riscos faz parte da vida do indivíduo, mas quem gerencia o significado do que é arriscado ou não escapa do poder individual; quem diz se realizar uma determinada cirurgia tem risco de 10 ou 90% é a ciência e os mecanismos de comunicação, o mesmo aplicando-se ao uso de produtos ou de serviços.

A construção do significado do que seja sustentabilidade é então influenciada pelo poder de comunicação dos grupos de interesse que dominam os sistemas especialistas daquela área. Para entender melhor o que seja, de fato, ‘sustentável’ para uma organização é necessário desconstruir o conceito em trabalho conjunto com determinados grupos e, novamente, o construir com os mesmos grupos dentro de organizações e locais de trabalho específicos. Pode-se, assim, fazer surgir um corpo de ideias, dentro das organizações, que espelhe as necessidades específicas de cada empresa. 

 

Os simplismos do pensamento organizacional quanto à sustentabilidade

Shrivastava (1994) apontava para uma ‘castração’ de assuntos ligados ao meio ambiente nos estudos organizacionais, no sentido de que a natureza não era levada em consideração nas pesquisas organizacionais. Apesar do reconhecimento de que os estudos organizacionais até então haviam dado pouca importância às questões da relação homem-natureza no sentido de ambiente biológico, as propostas de solução oferecidas por este autor e outros de correntes mainstream do pensamento em gestão e teoria organizacional, são prescritivas e simplistas. 

 Lentamente no início e com grande impulso posterior, as preocupações com o meio ambiente e com a miséria de largas partes da população começaram a descer do nível macro, do planeta e da sociedade, para o nível das organizações. Como exemplo pode-se citar a visão baseada em recursos (VBR), que no final do século passado estabelecia suas bases como pensamento estratégico dominante. Hart (1995) propunha incluir as questões ambientais neste escopo estratégico das organizações, criando uma VBR Natural, como uma solução para os problemas ligados à sustentabilidade. O autor afirmava que os próximos 40 anos, a partir de então, apresentavam um desafio sem precedentes, pois neste período, a partir de 1995, a população mundial iria dobrar aritmeticamente e o uso de recursos naturais tendia a aumentar em proporção geométrica. “Ou se altera a natureza das atividades econômicas ou se arrisca causar danos irreversíveis aos sistemas ecológicos básicos do planeta” (HART, 1995, p. 991). O autor usava aqui a palavra ‘natureza’ em outra acepção, mas este uso mostra a profunda ligação da mesma com o que há de mais essencial e ontológico no homem.

No quadro de ações abaixo, no entanto, o autor sugere como escopo conceitual para a implementação destas medidas ‘soluções paliativas’, pouco concretas e absolutamente dentro dos padrões de atuação das empresas da época, sem maiores desafios e com um linguajar absolutamente digerível pelas grandes corporações.

Quadro 3– Uma Visão Baseada em Recursos – Escopo Conceitual

Capabilidades Estratégicas

Forças Ambientais – Minimizar

Recursos-Chave

Vantagem Competitiva

Prevenção à Poluição

Emissões, efluentes e desperdício.

Melhoria contínua

Custos mais baixos

Liderança em Produtos

Custo do ciclo de vida dos produtos

Integração dos stakeholders

Bloqueio de competidores

Desenvolvimento Sustentável

Impacto do crescimento da empresa

Visão Compartilhada

Posições futuras

                                                                                                Fonte: Adaptado de Hart (1995)

 Pode-se observar que as palavras-chave e ideias mais frequentes que aparecem no leque de soluções apresentadas por Hart (1995) acima são ‘minimizar e melhorar’. Remetem aos trabalhos da mesma época, ligados à Qualidade Total ou melhoria contínua. Não há propostas radicais nem ameaçadoras para as organizações. Este texto pode ser tomado como base para entender a percepção vigente no mundo corporativo sobre o tema e serve de base para outros trabalhos posteriores deste autor que, de forma funcionalista, pragmática e inofensiva – para as grandes empresas – propõe o que chama de Portfólio de Sustentabilidade (HART, 2000, p. 113).

Como aponta Snell (2000), estudos realizados nos anos 80, nos Estados Unidos da América, mostram que algumas organizações parecem dirigidas internamente por forças que divergem consideravelmente dos valores esposados pela sociedade. De algumas, poder-se-ia dizer que, sob a superfície, suas normas são “[…] a desonestidade, a injustiça, o saque, a brutalidade psicológica e a instrumentalidade a serviço dos próprios interesses (SNELL, 2000, p. 269)”. A utopia e o desejo de que haja hoje organizações seriamente esforçadas em mudar a situação e se colocar a serviço desta definição acima e da realização do sonho de um mundo melhor não deve, no entanto, ser descartado cedo demais. Existem hoje casos considerados exemplares de organizações e de políticas, consideradas sustentáveis para a sociedade como um todo. São casos que levam em consideração os saberes atuais, mesmo com o risco intrínseco de que as propostas de ação um dia se revelem infrutíferas ou insuficientes.

Uma das dificuldades que as organizações enfrentam é que no sistema capitalista tradicional são usados princípios contábeis dogmáticos para definir o que é lucro e sustentabilidade econômica, princípios estes pouco acessíveis aos leigos. É usada uma contabilidade que não atribui valor a alguns dos maiores volumes de recursos que as empresas usam na produção, como é o caso de custos indiretos de recursos naturais, oxigênio consumido e ar devolvido sujo, depleção de aquíferos etc. Entende-se hoje que é irreal atribuir a estes insumos apenas os valores de mercado, associados à sua colocação à disposição, como no caso da água, sem considerar, por exemplo, o custo do esgotamento futuro ou outros custos ambientais envolvidos na sua produção, como a liberação de metano em determinados reservatórios. Em uma experiência conduzida entre 1991-93, no Arizona, chamada Biosphere 2, os cientistas descobriram que não podiam manter os níveis de oxigênio necessários para a vida de oito pessoas que viviam no projeto de US$ 200 milhões, enquanto a Terra faz isso sem nada cobrar (HAWKEN et. al., 1999). A tecnologia parece não poder substituir alguns dos serviços oferecidos pelos sistemas biofísicos do planeta, da mesma forma que máquinas vêm se mostrando incapazes de substituir plenamente a inteligência, o conhecimento, a sabedoria, a cultura e as habilidades organizacionais dos seres humanos.

Muitas vezes, no nível organizacional, o discurso da sustentabilidade é, por vezes, extremamente focado na questão da inovação tecnológica como solução para todos os problemas. A ‘inovação sustentável’ é aquela “[…] que traz benefícios econômicos, sociais e ambientais, comparados com alternativas pertinentes” (BARBIERI et al. 2010, p. 151) e aparece segundo o autor hoje como preocupação de muitas organizações sempre que ocorre a introdução, produção, assimilação ou exploração de produtos, processos produtivos ou ainda métodos de gestão.

Springett (2005), no entanto, afirma que muitas das estratégias de gestão empresarial chamadas de sustentáveis são focadas no ‘o que fazer’ e ‘como fazer’: produção mais limpa, operações ecoeficientes e supostamente benignas e organizações e ações socialmente responsáveis. Apesar de fornecerem respostas ao que os empreendimentos devem fazer, carecem de sugestões sobre o que os negócios devem ser na sociedade em que queremos viver.

A proposta de Murdoch e Clark (1994) é a de que o conhecimento local deve ser investigado e, se possível, estudado na ação em suas consequencias práticas nas comunidades e suas organizações. Formas locais de conhecimento, mesmo que originárias das comunidades e do bom senso, ainda sem fundamentação científica, devem ser consideradas  com seriedade. Podem, à primeira vista, parecer em desarmonia com o meio ambiente ou insustentáveis em termos econômicos tradicionais, mas podem ser sob outros aspectos, vitais para aquela comunidade e as organizações que dela fazem parte e sustentáveis para a sociedade como um todo. Práticas culturais, sociais, políticas e suas manifestações agrícolas, industriais e tecnológicas em geral, não devem ser imediatamente descartadas em detrimento de alternativas ‘verdes’ criadas em centros de estudos distantes e de ‘manejo’ proposto pela ciência tradicional e que seguem uma lógica baseada, em primeiro lugar, na ‘verdade’ econômica predominante.

A ciência tradicional valeu-se sempre da busca por aplicações práticas e esta afirmação deve valer para a ciência social, precisando esta ser passada por severo escrutínio antes de ser aplicada em qualquer ambiente, seja este econômico, social, cultural, político, tecnológico e biológico. Este escrutínio deve sempre buscar os interesses que podem estar por trás de seus postulados, prescrições e possíveis consequencias para as populações envolvidas.

 Referências (a serem colocadas)

BARBIERI. J.C; ANDREASSI, VASCONCELOS, F.C.; VASCONCELOS, I.F.G. Inovação e sustentabilidade: novos modelos e proposições, RAE Revista de Administração de Empresas, v. 50, n. 2, p.146-154, 2010

HART, S. L.  A Natural-Resource-Based View of the Firm, The Academy of Management Review, v. 20, n. 4, p. 986-1014, oct. 1995

_________. Beyond Greening: Strategies for a Sustainable World, In: Harvard Business Review on Business and the Environment. Boston MA: Harvard Business School Press, 2000, p. 105-130

HAWKEN, P.;  LOVINS, A.; HUNTER-LOVINS, L. Natural Capitalism. New York, Boston: Back Bay Books / Little Brown, 1999

MURDOCH, J.; CLARK, J. Sustainable Knowledge, Geoforum, v. 25, n. 2, p. 115-132, 1994

SHRIVASTAVA, P.  Castrated environment: Greening organizational studies, Organization Studies, v. 15, n. 5, p. 705-726, 1994

SNELL, R. S. Studying moral ethos using an adapted Kohlbergian model, Organization Studies, v. 21 n. 1, p. 267–295, 2000

SPRINGETT, D. ‘Education for Sustainability’ in the Business Studies Curriculum: a Callfor a Critical Agenda, Business Strategy and Environment, v. 14, 146–159, 2005

 

Sustentabilidade econômica e ideologia

A tese de doutorado da qual este texto é extraída baseia-se teoricamente na relação entre estrutura e ação, espelhada (ou refletida) na relação entre pessoas e organizações e nas inter-relações entre as organizações. Estes atores possuem diferentes interesses e atribuem diferentes significados à ‘razão de ser’ do fenômeno organizacional. Organizações existem sempre envolvidas em um determinado ambiente macroeconômico e se relacionam umas com as outras em um ambiente microeconômico. Estas ideias que aqui são apresentadas de forma sucinta são necessárias não apenas para deixar transparecer com que linhas do pensamento econômico este trabalho se alinha, mas também para apresentar o ideário atual, bem como tendências futuras que acabam por influenciar a maneira de pensar e agir de todos os envolvidos na discussão que aqui é apresentada.

 

A lógica econômica ainda é colocada, mesmo que de forma velada, como ponto mais importante do tripé da sustentabilidade, sem que seus pressupostos sejam profundamente questionados. Trata-se da questão do lucro como principal objetivo organizacional a serviço da sociedade, em uma lógica neoliberal ligada, por exemplo, ao pensamento de autores como Friedman (1970), sendo o lucro considerado apenas à partir da relação entre vendas e custos e despesas, ambas monetizadas, de bens e serviços. Como afirmam Hawken, Lovins e Hunter-Lovins (1999, p. 287) estas definições baseadas apenas em moeda corrente são reducionistas, pois, “As necessidades humanas básicas podem ser satisfeitas por uma combinação de produtos e serviços com formas de organização social e política, normas e valores, espaços e contextos, comportamentos e atitudes”.

Antes de falar de desenvolvimento sustentável, tema mais adiante abordado no nível organizacional, é necessário entender o termo desenvolvimento em si. Este é frequentemente tratado como sinônimo de crescimento econômico (VEIGA, 2010). Foi, no entanto a partir dos anos 60 do século passado, que passa a ser sentida com clareza a necessidade de distinguir crescimento econômico de desenvolvimento. Arrighi (1997) já apontava para o fato de que crescimento do Produto Nacional Bruto (PNB) de modo nenhum implicava maior acesso das populações pobres a bens materiais, sociais e culturais. A argumentação de Arrighi (1997), no entanto, “comete o simplismo de usar o PNB per capita para medir o desenvolvimento” (VEIGA, 2010, p. 22). Outros autores críticos do ‘mito do desenvolvimento’ não têm esta visão quantitativa do mundo, típica dos gurus da economia neoclássica. Uma visão que ignora “[…] processos qualitativos histórico-culturais, o progresso não linear da sociedade, as abordagens éticas e até prescindem dos impactos ecológicos” (ibid).

Desenvolvimento econômico não implica, portanto, desenvolvimento da sociedade como um todo. Veiga (2010, p. 18) sugere que foi para por fim a esta ambiguidade que a o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) lançou o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), como uma forma de “[…] evitar o uso exclusivo da opulência econômica como critério de aferição.” O autor sugere que por trás do pensamento econômico tradicional talvez esteja uma maneira ‘mecânica’ de pensar, apoiada na física, que isola o pensamento econômico de assunções históricas e condicionantes ecológicas.

Ainda segundo Veiga (2010, p. 51) “A prevalecente suposição de que o sistema econômico poderia atingir um ‘ótimo’ sempre ignorou a união entre sistemas econômicos e bióticos, além de desdenhar a existência de limites naturais”. Propõe então o autor brasileiro que sejam rejeitadas as duas respostas simplórias, que traduzem o desenvolvimento como crescimento econômico ou como ilusões utópicas e aponta a obra de Sachs (2002, 2004) como a que melhor consegue evitar “[…] as tentações enganosas do otimismo ingênuo e do pessimismo estéril.” Alerta antes para o fato que renunciar à ideia de desenvolvimento e usar apenas o termo sustentabilidade pode ser “[..] uma armadilha ideológica inventada para perpetuar as assimétricas relações entre as minorias dominantes e as maiorias dominadas, nos países e entre países.”

Jacobi (2006, p. 4) entende que o termo DS surgiu no contexto do enfrentamento da crise ambiental, configurada pela degradação sistemática de recursos naturais e pelos impactos negativos desta degradação sobre a saúde humana. DS diz respeito também, além das preocupações ambientais, a um esforço de geração de novos conceitos no âmbito da ciência econômica, como o de ‘eficiência social’ e ‘ecoeficiência’ dos mercados. Segundo Sachs (2004), estes novos desafios transcendem às eficiências alocadoras, inovadoras e keynesianas, associadas a Adam Smith, Schumpeter e Marnard Keynes. “Não resta dúvida que o capitalismo é muito eficiente em termos de alocação, porém deficiente em termos da eficiência social e ecoeficiência” (SACHS, 2004, p. 42). Seria exatamente a introdução destas eficiências que geraria um desenvolvimento includente, fundamentado no trabalho decente para todos. Vale aqui lembrar o pensamento de Giddens (1984) e suas reflexões sobre a relação entre estruturas e indivíduos: ‘mercados estruturalmente ineficientes provocam a ‘reação’ e a ‘ação’ de indivíduos, que se esforçam para mudá-los e, se for o caso, destruí-los.

O desenvolvimento sustentável seria, então, uma maneira de pensar ligada a conceitos de desenvolvimento econômico, uma expressão que provém do edifício intelectual da economia do pós-guerra, em contraposição a um simples conceito de crescimento econômico. Alguns autores críticos, pautados naquela compreensão de desenvolvimento ligada a aspectos quantitativos da economia, consideram o termo impregnado de noções da economia neoliberal (BANERJEE, 2003). Este autor entende que da mesma forma que se deu com o termo ‘desenvolvimento’, ‘desenvolvimento sustentável’ possui práticas, políticas e significados que resultam em prejuízos para a maior parte da população mundial, em especial, para as populações rurais do Terceiro Mundo. Para Banerjee (2003), termos como sustentabilidade e desenvolvimento sustentável continuam sendo construídos no âmbito do pensamento colonialista e explorador.

Söderbaum (2008) entende que o conceito de DS pode ser atrelado a três lógicas. A primeira, estritamente econômica e técnico-científica que propõe a articulação do crescimento econômico e a preservação ambiental sem grandes mudanças de base na sociedade ou nos sistemas produtivos. O autor sueco chama esta lógica por trás do DS de business as usual, e entende que os atores que abraçam esta ideologia como crentes de que não há na realidade grandes problemas ambientais e sociais acontecendo e que eles são exagerados. Esta maneira de pensar faz com que não sejam necessárias grandes mudanças no paradigma dominante e que se possa continuar a ênfase em crescimento econômico e inovação tecnológica, deixando a regulação de problemas ambientais aos mecanismos de controle já existentes na sociedade. Uma segunda maneira de pensar sobre o DS segundo Söderbaum (2008) é a de que tanto a humanidade quanto as organizações enfrentam problemas ambientais e sociais sérios e inéditos e que exigem respostas criativas. Esta visão reconhece que ação imediata é necessária, mas entende que o paradigma atual, em sua ideologia, maneira de produzir e escopo institucional precisa apenas ser modificado e alterado para dar conta da situação. A terceira corrente de pensamento segundo Söderbaum (2008) é a interpretação radical do DS, que prega e exige uma mudança em larga escala, de paradigmas, ideológica e institucional. No âmbito desta terceira corrente estão aquelas ideias que apontam o neoliberalismo e a economia neoclássica como raízes do problema. Ainda é uma corrente marginalizada, uma vez que “Companhias transnacionais e políticos com uma orientação neoliberal tem sido bem sucedidos há algum tempo em definir problemas e influenciar o diálogo sobre desenvolvimento” (SÖDERBAUM, 2008, p. 17).

As grandes corporações e os governos, ao menos em suas ações discursivas e em suas práticas comunicativas, admitem a situação de ‘insustentabilidade’ da sociedade e da espécie humana, caso permaneçam no mesmo rumo, fazendo exatamente como fazem. A questão aqui é que, para colocar em prática as novas maneiras de agir apregoadas pelas grandes corporações, será exigida uma série de mudanças: novas formas de trabalho, novos conhecimentos, novas habilidades, novas atitudes. O grande desafio é que possivelmente sejam necessárias novas reflexões, novos significados sobre o que seja trabalho, novas concepções sobre o que seja uma empresa e sobre sua importância e papel na sociedade.

Neste trabalho opta-se pelo uso da expressão sustentabilidade, pois é esta que se tornou uma ideia-força no nível organizacional. Não se deixa de lado, no entanto, a noção de DS. Este termo é o que serve de pano de fundo para os que defendem avanço econômico, social, cultural, tecnológico e político sem degradação ambiental. Uma ideia-força, portanto, alinhada com as necessidades de países menos desenvolvidos. Como propõe Söderbaum (2008, p. 18-19) a busca é por um conceito ‘razoável de DS, uma vez que “progressivamente se reconhece a necessidade de algo novo para lidar com os desafios da sustentabilidade”.  Barbieri (2007, p. 104) afirma que muitas organizações “individualmente ou em associação, estão procurando encontrar um modo de se tornarem atores relevantes de fato no processo de desenvolvimento sustentável”. (BARBIERI, 2007, p. 104), ou seja, se tornando elas mesmas organizações sustentáveis. É neste processo de busca das organizações pelo desenvolvimento de competências organizacionais para a sustentabilidade que se torna necessário o desenvolvimento de competências gerenciais que suportem este mesmo processo.

Söderbaum (2000) explicita a maneira de pensar econômica que norteia este trabalho assumindo que quando desempenhando um determinado papel social, qualquer indivíduo ou organização se guia pelas suas ideologias. Ideologia é utilizada aqui como uma noção ampla sobre relações entre meios e fins. Não apenas em referência aos ‘ismos’ como o ‘socialismo’, o ‘capitalismo’, ‘feminismo’ ou ‘conservacionismo’, mas mesmo em atitudes mais próximas do dia a dia, como uma ‘ideologia dos cuidados com saúde’ (health care ideology). O autor ressalta que a maior parte dos economistas reluta em aceitar ideologias em seus modelos, reafirmando que na sua visão “Ideologias no tempo presente são baseadas em crenças. Estas crenças não são elementos factuais, mas também expectativas sobre possíveis resultados de se agir conforme uma determinada ideologia em vez de outra” (SÖDERBAUM, 2000, p. 3).

Referências

ARRIGHI, G. A ilusão do desenvolvimento. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997

BANERJEE,  S. B. Who Sustains Whose Development? Sustainable  Development and the Reinvention of Nature, Organization Studies, v. 24, n.1, p. 143–180, 2003

BARBIERI, J.C. Organizações inovadoras sustentáveis. In: BARBIERI, J. C;SIMANTOB, M. Organizações inovadoras sustentáveis: uma reflexão sobreo futuro das organizações. São Paulo, Atlas, 2007.

FRIEDMAN, M. The Social Responsibility of Business Is to Increase Its Profits, The New York Times Magazinen.33, p. 122–126, 1970

GIDDENS, A. The Constitution of Society: Outline of the Theory of Structuration. Cambridge: Polity Press, 1984

HAWKEN, P.;  LOVINS, A.; HUNTER-LOVINS, L. Natural Capitalism. New York, Boston: Back Bay Books / Little Brown, 1999

JACOBI, P. Educação Ambiental e o Desafio da Sustentabilidade Socioambiental, Rev. Mundo da Saúde, v. 30, n. 4, 2006

SACHS, I. Desenvolvimento includente, sustentável e sustentado. Rio de Janeiro: Garamond, 2004

SÖDERBAUM, P. Ecological Economics: A Political Economics Approach to Environment and Development. London: Earthscan, London, 2000

SÖDERBAUM, P. Understanding Sustainability Economics: Towards Pluralism in Economics. London: Earthscan, 2008

 VEIGA, J. E. Desenvolvimento Sustentável: O desafio do século XXI. Rio de Janeiro: Garamond, 2010.