População e Clima

No dia 18 de novembro, o Fundo de População das Nações Unidas – UNFPA – divulgou o Relatório sobre a Situação da População Mundial 2009, intitulado “Enfrentando um mundo em transição: mulheres, população e clima”. O relatório afirma que: “As dinâmicas populacionais, e em especial o papel das mulheres, são elementos fundamentais para o estabelecimento de um acordo efetivo e de longo prazo para enfrentar as mudanças climáticas”.

O representante do UNFPA no Brasil, Harold Robinson, afirma que: “As mudanças climáticas são um problema humano provocado pela atividade humana. Embora sejamos afetados por elas e tenhamos que nos adaptar, podemos reverter esse processo”.

O Relatório reconhece que  o crescimento populacional é um dos fatores que contribuem para o volume de emissões totais. Mas as maiores emissões não ocorrem onde há taxas mais elevadas de crescimento demográfico. Maiores emissões ocorrem onde o consumo médio per capita de energia e de materiais é mais elevado, como é o caso dos países mais desenvolvidos. Porém, a China – que é o país mais populoso do mundo – passou a liderar a emissão de gazes poluentes à medida em que acelerou suas taxas de crescimento econômico e mantém uma matriz energética poluidora e que tem como base o petróleo e o carvão mineral e vegetal.

O Relatório demonstra que, em escala mundial, os pobres estão em situação mais vulnerável aos efeitos das alterações climáticas, como, por exemplo, secas ou chuvas em excesso e suas conseqüências, desabamentos e inundações. As mulheres, que são a maioria dos 1,5 bilhão de pessoas em situação de pobreza, sofrem as piores consequências das instabilidades climáticas. Em geral, elas têm menores oportunidades de emprego e renda, menor mobilidade e estão mais expostas aos desastres naturais. Neste sentido, “a luta da comunidade internacional contra a mudança climática terá maiores chances de ser bem sucedida se as políticas públicas, programas e tratados levarem em consideração as necessidades, direitos e potencialidades das mulheres”.

O Relatório reconhece que não só o crescimento demográfico, mas também a estrutura de idades em uma sociedade e a composição familiar influenciam de maneira importante na mudança climática. Há um crescente entendimento de que o crescimento dos domicílios unipessoais, provocados em alguns casos por separações e divórcios, pode gerar mais emissões de gases do efeito estufa que um nascimento, já que uma família se divide (e não há recasamento) representa a formação de dois lares, provavelmente dois carros e, em geral, uma situação que significa praticamente duplicar o consumo de energia doméstica e de outros bens e serviços.

Em artigo recente, Ojima e Carvalho (2009) também realçam o papel da dinâmica populacional e os novos arranjos dos domicílios e consideram importante aprofundar o estudo das mudanças na esfera da família e gênero e suas relações com as mudanças ambientais: “Enfim, é importante colocar na agenda de pesquisa abordagens inter-disciplinares que incorporem as complexidades que não são apenas inerentes à temática socioambiental, mas, sobretudo, ao caso brasileiro e latino-americano. Assim, incluir uma abordagem de gênero e família aos estudos desenvolvidos na área de população, espaço e ambiente é uma tarefa tão complexa quanto potencialmente produtiva, mas essa tarefa poderá gerar resultados mais promissores na medida em que haja colaboração entre as áreas de pesquisa” (p. 12).

Referência:
O Relatório sobre a Situação da População Mundial 2009: “Enfrentando um mundo em transição: mulheres, população e clima”, pode ser acessado no seguinte endereço: www.unfpa.org.br

O texto “Gênero, família e meio ambiente: limites e perspectivas para o campo dos
estudos de população” (2009) de Ricardo Ojima e Regiane Lucinda de Carvalho pode ser acessado em: http://www.abep.nepo.unicamp.br/docs/anais/outros/gtgenero_2009/ojima_carvalho.pdf

 

Energia solar: nova etapa na evolução?

Na evolução do ser humano houve avanços que foram realizados por pressão das condições ambientais e outros em razão de avanços nos conhecimentos científicos e tecnológicos. Nesta segunda perspectiva, alguém já afirmou com toda a propriedade: “A idade da pedra não acabou por falta de pedras”.

De fato, o ser humano no paleolítico (idade da pedra lascada) ou no neolítico (idade da pedra polida) usava ferramentas e armas feitas de pedra e dependia da própria força física para sobreviver. Não foi por falta de pedras que se chegou à metalurgia, à construção de ferramentas mais elaboradas e o uso da energia animal (para mover um moinho, para arar ou para transporte). Estes avanços tecnológicos possibilitaram a expansão da espécie e o controle humano sobre a natureza.

A Revolução Industrial do século XVIII significou um grande salto no uso de ferramentas e energia, pois instituiu a industrialização em larga escala e o uso de energia a vapor (substituindo a manufatura e a energia animal). Em 1768, James Watt inventou a máquina a vapor, possibilitando o início do predomínio da produção industrial.

No final do século XIX teve inicio a Segunda Revolução Industrial com a utilização do aço, do motor à combustão e do uso da energia elétrica, com base principalmente no petróleo. A produção industrial em massa e a queima de combustíveis fósseis moveram o século XX, propiciando o maior crescimento econômico da história da humanidade, mas também promovendo sérios danos ambientais. A emissão de gases provocou o efeito estufa e o aquecimento global que, agora, ameaçam a sobrevivência do Planeta.

Neste ritmo, a era do petróleo não acabará por falta de petróleo, mas sim pela destruição do meio ambiente.

Contudo, existe uma alternativa ecologicamente sustentável para a superação da era do petróleo e do carvão. O Sol irradia durante 365 dias o equivalente a 10.000 vezes a energia consumida anualmente pela população mundial. Assim, o nosso astro maior pode se tornar a grande fonte de energia renovável do planeta, abrindo espaço para o início do uso de uma fonte energética que seja abundante, permanente, limpa e ecológica.

Existem diversas pesquisas sobre o uso da energia solar sendo desenvolvidas. Diversas são muito promissoras, especialmente aquelas que permitem o controle local das comunidades. Porém, a produção de energia solar em grande escala não pode ser ignorada com alternativa para substituir o enorme consumo de energia fóssil.

Um exemplo de produção em grande escala é a tecnologia termossolar, chamada Energia Solar Concentrada (CSP – Concentrated Solar Power – na sigla em inglês), que em vez de produzir eletricidade diretamente, como nas células solares fotovoltaicas, utiliza espelhos para concentrar a luz do sol sobre encanamentos para produzir vapor em seu interior, que por sua vez movimenta turbinas que produzem eletricidade. Para manter a usina em funcionamento durante a noite ou em dias nublados, utiliza-se o calor excedente produzido durante o dia por meio do armazenado de um líquido especial em tanques apropriados.

A usina termossolar – CSP – se torna mais interessante na medida em que é mais indicada para ser construída no deserto, utilizando as águas dos oceanos por meio de um processo de dessalinização. O sal derretido, devidamente tratado e aquecido, se torna o líquido especial que permitirá armazenar o calor na ausência do sol. A água restante do processo de produção poderá ser utilizada na recuperação das regiões desérticas. Além disto, a sombra dos espelhos poderia ser usada para plantação de espécies vegetais que usualmente não sobreviveriam no intenso calor do deserto. Outros projetos adicionam estufas que podem ser utilizadas para a produção de uma variada gama de alimentos, tornando regiões desérticas em oásis férteis.

Desta forma, sol e sal seriam as soluções para o futuro energético do mundo. A utilização da energia termossolar em articulação com as baterias elétricas poderia, por exemplo, substituir os atuais motores à combustão, criando uma alternativa não poluidora para movimentar os caminhões, trens e ônibus responsáveis pelo transporte de carga e transporte coletivo.

Para solucionar a atual crise ambiental o caminho não é voltar para a idade das pedras, mas sim promover um novo salto científico e tecnológico que coloque o ser humano em harmonia com a natureza e consigo mesmo.

 

Referencia:
Torres de Energia Solar Concentrada (Concentrated Solar Power Tower – CSPT)
http://mybelojardim.com/torres-de-energia-solar-concentrada-concentrated-solar-power-tower-cspt/
Concentrated solar power could generate ‘quarter of world’s energy
http://www.guardian.co.uk/environment/2009/may/26/solarpower-renewableenergy
Environment: Solar plant yields water and crops from the desert
http://www.guardian.co.uk/environment/2008/sep/03/alternativeenergy.renewableenergy
Solar – Sunlight to Energy
http://www.greenpeace.org/international/campaigns/climate-change/solutions/solar
NREL – National Renewable Energy Laboratory –  http://www.nrel.gov/

 

Iniciando uma jornada pela auto-suficiência energética – Manifesto pela livre energia

Enquanto ainda dependemos fortemente de plantas centrais que nos fornecem energia (gás, carvão, energia hidroelétrica ou nuclear) a um custo ou oferta sobre os quais não temos nenhum controle, o mundo já está cheio de soluções que podem ser usadas localmente, em escalas menores, como por exemplo a biomassa (utilizando soja, mamona, algas, restolhos de madeira), energia eólica, solar. Muitas dessas energias podem ser organizadas e distribuídas por cooperativas ou associações relativamente pequenas, enquanto outras podem ser utilizadas até de forma individual.

Em Ontario, no Canada, uma iniciativa da província permite a proprietários de casas, fazendeiros, cooperativas e escolas que instalem sistemas de energia renovável e então vendam o excedente à rede elétrica local a um preço fixo por 20 anos. Este mesmo esquema fez com que a Dinamarca e a Alemanha multiplicassem sua rede de pequenas turbinas eólicas e painéis fotovoltaicos.

“As turbinas devem ser de propriedade das comunidades, indivíduos, empresários e cooperativas, ao invés de gigantescas companhias elétricas”, diz Bill Becker. “A energia distribuída” – ele diz – “constrói o modelo da auto-suficiência local, controle, poder. As pessoas sentem-se mais donas de suas vidas”.

Há muito é sabido – mas nem sempre praticado – que o uso de lâmpadas fluorescentes compactas consegue produzir a mesma quantidade de luz utilizando somente 25% da energia elétrica, além de durar 10 vezes mais. Além disso, a utilização de refrigeradores, secadoras, lavadoras, microondas mais econômicos, além de manter lâmpadas e equipamentos eletrônicos ligados somente quando de fato estamos no recinto somam para reduzirmos nosso impacto ambiental. Medidas simples como janelas amplas e clarabóias também são tendências arquitetônicas que impactam na utilização da energia elétrica, bem como vidros duplos e isolamento adequado das paredes tanto nos locais frios (menor necessidade de aquecimento) ou nos locais quentes (menor necessidade de refrigeração).

A multiplicação de locais com produção de energia elétrica própria em um bairro ou em uma cidade pode levar, mais facilmente com auxílio do Estado brasileiro – mas não necessariamente com ele – à formação de redes distribuídas como as que já existem em alguns pontos da Europa e Estados Unidos. A energia seria distribuída mais ou menos como a Internet, de forma descentralizada, e operando em ambas direções. Produtores e usuários estariam ligados a vários pontos, e você pode tanto colocar energia ou retirá-la, e o seu débito ou crédito dependerá de quanto você contribui ou consome energia. As chances de uma pane elétrica em um sistema desses é mínima, pois somente uma catástrofe natural gigantesca atingiria todas as fontes de energia da sua rede. Atualmente, a Finlândia, a Holanda e a Dinamarca já adquirem entre um terço e metade de toda sua energia através destes projetos de energia descentralizada. E o Brasil, “país do futuro”, recentemente capa da The Economist com sua manchete “O Brasil decola”, o que está fazendo de prático para gerar auto-suficiência local de energia?

Na Inglaterra, um projeto-piloto no bairro de Woking usou 60 diferentes geradores locais – incluindo boilers alimentados por gás e placas fotovoltaicas – para eletrificar, aquecer e refrigerar prédios públicos, algumas moradias, bem como muitos dos empreendimentos comerciais do centro. As emissões de carbono foram reduzidas em 77% e, no caso de um blackout nacional – como o que aconteceu recentemente no Brasil, deixando 60 milhões de brasileiros no escuro por mais de 5 horas – o bairro poderia ser isolado da rede principal e continuar funcionando normalmente. O bairro de Woking conseguiu pagar pelos investimentos feitos no sistema pioneiro através da economia gerada. Ou seja: o próprio projeto acabou se pagando.

E o que falta aqui, o que falta nesse Brasil, eternamente país do futuro? Falta inteligência (enquanto sobra esperteza), falta senso de comunidade (enquanto sobra de individualidade), falta apoio governamental (enquanto sobra taxação, sobretaxação e benefícios a montadoras de automóveis e grandes empresas multinacionais), falta apoio da mídia institucionalizada, que se ocupa primariamente em suas enjoativas críticas às políticas que desagradam seus patrocinadores (aqueles mesmos donos de quase tudo que poderiam estar mudando a realidade mas estão amarrados por duros nós de auto-interesse).

A velocidade das mudanças em direção a uma auto-suficiência energética local poderia ser acelerada rapidamente se, ao invés de somente subsidiar e dar atenção para grandes plantas de combustíveis fósseis (vide pré-sal), os governos oferecessem generosos descontos de impostos para quem colocasse painéis solares, construísse de forma energeticamente eficaz e exigisse das grandes companhias elétricas a compra de energia excedente das eventuais indivíduos ou redes que se formassem, a preços justos. Um ótimo exemplo de sucesso neste aspecto é o Japão que, com financiamentos a juro baixo para instalação de sistemas fotovoltaicos, descontos expressivos para instalações em casas urbanas comuns e regulamentação que exigia que as companhias elétricas comprassem o excesso de energia, transformou-se hoje no maior consumidor e produtor mundial de células e painéis fotovoltaicos, ultrapassando em muito os Estados Unidos, mesmo sua área sendo dezenas de vezes menor. Neste momento, os subsídios governamentais já foram retirados e o crescimento da capacidade de gerar energia eólica continua crescendo. Os japoneses aprendem bem rápido!

Um estudo feito por um consórcio não-governamental chamado Energy Foundation avaliou que, nos Estados Unidos, o “espaço comercial e residencial nos telhados poderiam acomodar o equivalente a 710.000 megawatts de energia solar elétrica”, o que significa três quartos de toda energia elétrica que os estadunidenses utilizam. No Brasil, não temos este dado, mas a expectativa seria de que produzissemos mais energia do que seja necessário, já que nosso parque industrial é em muito inferior ao americano (mesmo levando em conta que a densidade de construções também é menor).

Este Editorial, que é também um Manifesto, procura questionar este sistema baseado na centralização de um bem que na verdade deve ser comum – tão comum quanto a água que ingerimos ou o ar que respiramos – e este bem é a energia. Já temos tecnologia e condições de começar a criar, hoje – e não em um futuro que nunca chega – um sistema que contemple a produção e utilização local, descentralizada e distribuída de energia. A vontade de fazê-lo acontecer, entretanto, está, como sempre quando se trata de algo que distribui ao invés de concentrar o poder, nas mãos do povo. Está nas mãos de cada um que estiver lendo este Manifesto, de cada indivíduo, associação de bairro, empresário ou associação de empresários, lojistas, cooperativas e organizações não-governamentais e mesmo instituições governamentais como universidades, hospitais e demais órgãos públicos que, desta nova configuração da produção e distribuição da energia poderão se beneficiar.

O futuro já passou. Como diriam os Titãs: “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”. E também energia e auto-suficiência. Comecemos a jornada.

Os Conceitos Matemáticos

A Matemática é uma ciência exata  mas não como a Física e a Química. Estas estudam as “verdades” dos fenômenos naturais, ao passo que a Matemática basta-se a si mesmo, sem recorrer a nada que lhe seja estranho. A escala das temperaturas e o balanço das empresas apresentam números positivos e negativos, mas são apenas exemplos de aplicação, nada mais. Por isso, os conceitos matemáticos devem ser isentos de indefinições e contradições, para que possam ser utilizados como premissas no desenvolvimento das teorias. Vejamos um exemplo simples de como atua o pensamento matemático. Suponhamos a expressão aritmética: 3 vezes um terço, 3×1/3. Realizando a multiplicação temos 3 sobre 3, 3/3. Portanto, o resultado da expressão é 1. Mas agora vamos proceder de outra forma, também correta: 1 a dividir por 3, 1/3, dá 0,3333… . Multiplicando por 3, temos como resultado final 0,9999… . Dois resultados diferentes. É uma contradição! Não é, pois 0,9999… é uma dízima periódica, ou seja, uma outra representação do número 1. Apesar de 0,9999… ser intuitivamente equivalente a 1 é necessário provar que isso é verdade. Há na lógica matemática, um princípio universal, chamado princípio da indução completa, que nos diz que se uma operação se repete sempre rigorosamente nas mesmas condições, ela irá se repetir indefinidamente. Assim acontece com a divisão de 1 por 3. O 3 de 0,3 repetir-se-á sempre nas mesmas condições operacionais. Portanto a divisão repete-se indefinidamente. Vejamos outro exemplo. Um número inteiro, qualquer que seja, multiplicado por si mesmo, passa a ser uma potência desse número. Quer dizer, o número ou seja a base, elevada a um  outro número, o expoente, indicando quantas vezes o número base se repete. Temos portanto a seguinte seqüência: a,a2,a3, a4, … , desde que o o número expoente seja maior que 0. Se for zero não pode? Pode, mas é um caso especial. Qualquer número base elevado a zero é igual a 1. Podíamos explicar este resultado dizendo que se multiplicarmos dois números quaisquer da seqüência das potências de base “a”, o resultado é um outro número da mesma seqüência, de expoente igual à soma dos dois expoentes anteriores. Suponhamos agora que os dois números a serem considerados tenham os expoentes 0 e “m”. O resultado é “a” elevado a “0+m”. Mas 0 mais “m” é igual a “m”, 0+m=m, visto que 0 é o elemento neutro da soma. Portanto, “a” elevado a “0+m” é igual a “a” elevado a “m”, igualdade que só pode ser satisfeita se “a” elevado a zero for igual a 1, a0=1. Esta demonstração não vale, pois estamos argumentando num círculo vicioso, comprovando um enunciado com outro enunciado. Os matemáticos justificam o resultado de outra forma, dizendo que se a0=1 se “encaixa” na estrutura sem ferir nenhum preceito matemático, é porque está correto. Vejam que este argumento só pode valer, se todos os conceitos matemáticos forem isentos de quaisquer insuficiências e contradições, o que é uma verdade axiomática. Vejamos um outro caso. O exercício de definição de conceitos a partir das suas abrangências. Consideremos a expressão abstrata simbólica y=f(x). Esta expressão é genérica, serve apenas para definir o conceito de função. Ou seja, “y” é função de “x”, onde, convencionalmente, “x” é a variável independente e “y” a variável dependente. Quer dizer, existe uma relação simbólica entre os elementos de dois conjuntos de variáveis, representada pela letra “f”. Nada mais. Vejamos agora alguns exemplos de aplicação. Comecemos por y=xn, onde “n” é um número inteiro. Trata-se da equação das potências de “x”. Se “n” for igual a 2 temos y=x2 que é a expressão mais simples de uma equação do 2° grau. Esta equação tem duas raízes. Admitamos x=2, temos y=4, mas isso se considerarmos somente o valor absoluto de “x”. Na verdade temos dois valores +2 e  –2, ambos dando 4 quando multiplicados por si mesmos. É o que diz a regra dos sinais da multiplicação, + vezes + dá + e – vezes – dá também +. Evidentemente esta equação é muito simples. O que interessa é a equação característica do 2° grau completa ax2+bx+c=0., a equação quadrática. Passemos a outro exemplo y=nx, onde a variável independente não está na base mas no expoente. Representa uma função completamente diferente. Consideremos o número 10 como o valor da base “n”. Se dermos a “n” o valor 2 temos y=102=100. Quer dizer, temos uma outra função, o logaritmo de um número. Neste caso, o logaritmo de 100 é o expoente a que temos que elevar a base 10 para repoduzir o número. Ou seja, log100 na base 10 é igual a 2. Um conceito completamente diferente do anterior. Estes exemplos mostram como partindo dos mesmos conceitos genéricos, é possível estruturar equações representado ramos distintos do conhecimento matemático.                

Fico por aqui. Até à próxima.

Os Conceitos Matemáticos

A Matemática é uma ciência exata  mas não como a Física e a Química. Estas estudam as “verdades” dos fenômenos naturais, ao passo que a Matemática basta-se a si mesmo, sem recorrer a nada que lhe seja estranho. A escala das temperaturas e o balanço das empresas apresentam números positivos e negativos, mas são apenas exemplos de aplicação, nada mais. Por isso, os conceitos matemáticos devem ser isentos de indefinições e contradições, para que possam ser utilizados como premissas no desenvolvimento das teorias. Vejamos um exemplo simples de como atua o pensamento matemático. Suponhamos a expressão aritmética: 3 vezes um terço, 3×1/3. Realizando a multiplicação temos 3 sobre 3, 3/3. Portanto, o resultado da expressão é 1. Mas agora vamos proceder de outra forma, também correta: 1 a dividir por 3, 1/3, dá 0,3333… . Multiplicando por 3, temos como resultado final 0,9999… . Dois resultados diferentes. É uma contradição! Não é, pois 0,9999… é uma dízima periódica, ou seja, uma outra representação do número 1. Apesar de 0,9999… ser intuitivamente equivalente a 1 é necessário provar que isso é verdade. Há na lógica matemática, um princípio universal, chamado princípio da indução completa, que nos diz que se uma operação se repete sempre rigorosamente nas mesmas condições, ela irá se repetir indefinidamente. Assim acontece com a divisão de 1 por 3. O 3 de 0,3 repetir-se-á sempre nas mesmas condições operacionais. Portanto a divisão repete-se indefinidamente. Vejamos outro exemplo. Um número inteiro, qualquer que seja, multiplicado por si mesmo, passa a ser uma potência desse número. Quer dizer, o número ou seja a base, elevada a um  outro número, o expoente, indicando quantas vezes o número base se repete. Temos portanto a seguinte seqüência: a,a2,a3, a4, … , desde que o o número expoente seja maior que 0. Se for zero não pode? Pode, mas é um caso especial. Qualquer número base elevado a zero é igual a 1. Podíamos explicar este resultado dizendo que se multiplicarmos dois números quaisquer da seqüência das potências de base “a”, o resultado é um outro número da mesma seqüência, de expoente igual à soma dos dois expoentes anteriores. Suponhamos agora que os dois números a serem considerados tenham os expoentes 0 e “m”. O resultado é “a” elevado a “0+m”. Mas 0 mais “m” é igual a “m”, 0+m=m, visto que 0 é o elemento neutro da soma. Portanto, “a” elevado a “0+m” é igual a “a” elevado a “m”, igualdade que só pode ser satisfeita se “a” elevado a zero for igual a 1, a0=1. Esta demonstração não vale, pois estamos argumentando num círculo vicioso, comprovando um enunciado com outro enunciado. Os matemáticos justificam o resultado de outra forma, dizendo que se a0=1 se “encaixa” na estrutura sem ferir nenhum preceito matemático, é porque está correto. Vejam que este argumento só pode valer, se todos os conceitos matemáticos forem isentos de quaisquer insuficiências e contradições, o que é uma verdade axiomática. Vejamos um outro caso. O exercício de definição de conceitos a partir das suas abrangências. Consideremos a expressão abstrata simbólica y=f(x). Esta expressão é genérica, serve apenas para definir o conceito de função. Ou seja, “y” é função de “x”, onde, convencionalmente, “x” é a variável independente e “y” a variável dependente. Quer dizer, existe uma relação simbólica entre os elementos de dois conjuntos de variáveis, representada pela letra “f”. Nada mais. Vejamos agora alguns exemplos de aplicação. Comecemos por y=xn, onde “n” é um número inteiro. Trata-se da equação das potências de “x”. Se “n” for igual a 2 temos y=x2 que é a expressão mais simples de uma equação do 2° grau. Esta equação tem duas raízes. Admitamos x=2, temos y=4, mas isso se considerarmos somente o valor absoluto de “x”. Na verdade temos dois valores +2 e  –2, ambos dando 4 quando multiplicados por si mesmos. É o que diz a regra dos sinais da multiplicação, + vezes + dá + e – vezes – dá também +. Evidentemente esta equação é muito simples. O que interessa é a equação característica do 2° grau completa ax2+bx+c=0., a equação quadrática. Passemos a outro exemplo y=nx, onde a variável independente não está na base mas no expoente. Representa uma função completamente diferente. Consideremos o número 10 como o valor da base “n”. Se dermos a “n” o valor 2 temos y=102=100. Quer dizer, temos uma outra função, o logaritmo de um número. Neste caso, o logaritmo de 100 é o expoente a que temos que elevar a base 10 para repoduzir o número. Ou seja, log100 na base 10 é igual a 2. Um conceito completamente diferente do anterior. Estes exemplos mostram como partindo dos mesmos conceitos genéricos, é possível estruturar equações representado ramos distintos do conhecimento matemático.                

Fico por aqui. Até à próxima.

A Conferência de Copenhague

Faltam poucos dias para o início da Conferência do Clima de Copenhague, a COP/15, que deverá reunir cerca de 190 países na capital da Dinamarca, entre os dias 7 e 18 de dezembro de 2009, em busca de um novo acordo que substitua o Protocolo de Kyoto, após 2012.

Segundo Yvo de Boer, secretário executivo da Convenção do Clima (UNFCCC – United Nations Framework Convention on Climate Change), as questões essenciais para a o novo protocolo são: a disposição dos países industrializados em reduzir suas emissões de gases de efeito estufa; a disposição dos principais países em desenvolvimento como, Brasil, China e Índia em limitar o crescimento de suas emissões; como se dará o financiamento e a ajuda para os países em desenvolvimento se comprometerem com a redução de suas emissões e se adaptar aos impactos das mudanças climáticas; e como monitorar os recursos e os resultados.

Existia uma expectativa de que a COP/15 alcançasse um compromisso dos maiores emissores – os Estados Unidos, maior economia do planeta, a Índia e a China – os dois países mais populosos do mundo – que levasse a uma efetiva redução das emissões nacionais dos gases de efeito estufa.

O aquecimento do nosso planeta é, sem dúvida, um fenômeno da globalização, pois a elevação da temperatura e a poluição não ocorrem de maneira isolada, como fenômenos nacionais. As emissões de gases ultrapassam as fronteiras e e seus efeitos são sentidos em todas as partes do mundo, com terríveis conseqüências, dentre outras:

– Redução da camada de gelo dos pólos e de neve nos picos das montanhas com grande prejuízo para a vida nestas áreas;
– Elevação do nível dos oceanos e o deslocamento de milhões de pessoas que vivem nos litorais;
– Crescimento das tempestades e da instabilidade climática;
– Redução da disponibilidade de água potável;
– Redução da quantidade de terras férteis e disponíveis para a agricultura;
– Expansão do alcance de doenças transmitidas por vetores, como a malária, que matam milhões de pessoas anualmente;
– Extinção de inúmeras espécies vegetais e animais e perda de biodiversidade;
– Aumento da fome, em especial entre as populações mais pobres.

Diante desta lista de ameaças, seria urgente que todos os países fizessem algo, incluindo o Brasil, quinto países do mundo em extensão territorial, em tamanho de população e também em emissão de gases do efeito estufa. O governo brasileiro teve bastante dificuldade para definir uma posição para a COP/15. Dentro do governo existem aqueles que quereriam um compromisso de redução das emissões de gases do efeito estufa, estabilizando nos níveis de 2005, especialmente pela redução do desmatamento da Amazônia e do Cerrado. Mas também existiam aqueles que achavam que o Brasil tem que emitir mais para crescer e garantir o desenvolvimentismo tradicional.

Porém, depois de muito debate e levando-se em conta a pressão da opinião pública, os ministros Carlos Minc (Meio Ambiente) e Dilma Roussef (Casa Civil) anunciaram oficialmente o corte entre 36,1% e 38,9% no dióxido de carbono emitido pelo Brasil até 2020. A meta foi definida como uma “ação voluntária do governo” e a “banda” foi escolhida para dar flexibilidade aos segmentos da sociedade. Sem dúvida, foi uma posição bastante avançada do governo.

No dia 14 de novembro o presidente Lula se reuniu com o colega francês Nicolas Sarkozy e apresentavam um “programa comum” para a COP/15, além de cobrarem dos Estados Unidos e da China avanços que permitam um acordo concreto em Copenhague. Sem dúvida a atuação conjunta Brasil-França ajuda para que se alcance ações concretas e avançadas na 15ª Conferência do Clima das Nações Unidas. Existe um reconhecimento cada vez maior de que o crescimento econômico no século XXI só poderá ocorrer em um ambiente de baixo carbono.

Porém, a China e os Estados Unidos vaciliam em levar metas numéricas de redução de emissão de gases de efeito estufa para a COP/15. Outros líderes da região asiática e da Europa também não chegaram a um acordo para assinar um novo tratado climático neste momento. No linguajar diplomático, fala-se agora em um acordo “politicamente vinculante”, o que adiaria a fixação de metas para uma próxima conferência, em 2010.

O adiamento de um acordo avançado na Conferência de Copenhague só agrava a situação ambiental mundial e não elimina a urgencia da questão climática ser tratada em uma perspectiva de mudança mais ampla do modelo de desenvolvimento. Modelo este que mantém uma estrutura de produção e consumo que são incompatíveis com a preservação do meio ambiente e com o crescimento sustentável do bem-estar para as futuras gerações.

Referencias:
Fonte: http://unfccc.int/essential_background/items/2877.php
COP15 United Nations Climate Change Conference Copenhagen 2009 –
http://en.cop15.dk/

As imagens do desabamento do Rodoanel

O artigo abaixo foi publicado quase que concomitantemente no meu blog, o Incautos do Ontem. Como achei que o tema merecia mais exposição, resolvi colocá-lo, também, neste nobre Editorial. Aproveitem.

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___Vamos fazer um pequeno exercício? Abra a homepage do Google e/ou do Yahoo! e digite “Guerra”. Agora clique em “Imagens” (de preferência com o SafeSearch/Filtro Familiar desativado). Horrível, não? Agora digite “Guerra” e, também, “Afeganistão”. Mais cenas grotescas. Troque “Afeganistão” por “Vietnã”. Imagens fáceis de deixar qualquer um chocado. Acha bom trocar de tema? Quer algo mais recente? Tente “Furacão” e “Ida”. Mesma coisa: fotos tristes de destruição. Agora apague tudo e digite “Desabamento”. Destroços, construções destruídas. Quer ver agora a pior de todas? Digite “Desabamento” e, também, “Rodoanel”. Isso mesmo, procure pelas imagens do acidente nas obras do Rodoanel Mario Covas, aqui em São Paulo – acidente ocorrido na última sexta-feira, dia 13. O que achou? Medonho, certo? Vou reproduzi-las abaixo.

___Google:

___Yahoo!:

___Achou? Eu também não. O Google mostra só cenas calmas: o Rodoanel, o governador José Serra, mapas, máquinas trabalhando. Nenhum desabamento; nem mesmo um destroço. O Yahoo!? O Yahoo! fica em uma situação pior ainda: não mostra nada. Aparece simplesmente a mensagem “Não foram encontrados resultados sobre ‘desabamento rodoanel’.”. ___O que é isso? Que falta de vergonha na cara é essa? De onde vem essa censura velada?

___Nem imagino se a ordem para esconder as imagens veio de coação do governo estadual, de suborno da Dersa (empresa responsável pela construção) ou do Chuck Norris em pessoa. O fato indiscutível é que o acesso às fotos do acidente foi dificultado e isso queima bastante a credibilidade desses serviços de busca.

___Quanto às imagens, elas obviamente existem, soltas pela rede. Deixo algumas delas abaixo.

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P.S.: O furo, obviamente, não veio da grande imprensa, mas, sim, das mídias sociais. Recebi a dica da minha vizinha de portal Camila Pavanelli, que encontrou a notícia no blog Estado Anarquista e no Cloaca News. Não achei mais ninguém falando disso, mas, também, os procuradores não ajudaram. Ainda bem que não precisamos mais contar somente com grandes empresas para saber de alguma notícia.

Seja ético, não patético…

Ser ético é uma qualidade que muitos se atribuem em qualquer ambiente, inclusive no profissional. Não é preciso ir muito longe para perceber se a afirmação é verdadeira ou apenas demagogia. Ser ético é ser para o próximo tão benevolente quanto espera que lhe sejam ou ser o mais justo possível? O exemplo que mais observamos é o primeiro, raras são as administrações que contemplam a justiça “doa a quem doer” e, talvez, por crescer profissionalmente em ambientes tão favoráveis à falta de ética é que haja tanta revolta enrustida no trabalho.

Começando com os relacionamentos ‘interpessoais’, ético é o colega que conta o que outro falou sobre um terceiro ou que sumariamente expõe o caso afirmado pelo primeiro à apreciação dos superiores? Óbvio que ético é não espalhar fofoca, mas quem já teve peito de sabotar um assunto tão interessante quanto, por exemplo, as supostas amantes da diretora de RH supostamente lésbica? Ou de, ao menos, contar para a suposta diretora que ‘fulano de tal’ (e dar o nome) disse exatamente o que disse e sustentar a delação mesmo se tiver de confrontar o fofoqueiro? Quem é fofoqueiro nesse caso? Quem seria mais ético com as pessoas?

Fato é que fofoca é o que mais rola e pode sabotar muita gente, não só no ambiente corporativo. No suposto caso acima, ambos seriam considerados fofoqueiros que não prezam pela privacidade alheia e, portanto, não são éticos. Mas um seria apenas o cara que ouviu um fulano dizer que ouviu um boato enquanto o outro seria considerado um tremendo traidor dos colegas que se refestelavam com as piadas do fofoqueiro que espalhava o que não tinha certeza para aplacar o tédio de quem não tem ética.

Ser ético, hoje em dia, talvez seja mais fácil se você nada ver, nada ouvir e nada dizer.Foot in mouth

Uniban, Taliban, Autobahn e Croissant, quais as diferenças?

Recentemente, alguns episódios que confirmam a lógica insana a qual presenciamos dia após dia no noticiário brasileiro me puseram a refletir. O pequeno contributo abaixo é um esforço meditativo em prol da “democracia” (que cada vez mais acredito ser coisa do “demo” mesmo). Vamos então às diferenças:

Croissant2Croissant: é uma palavra francesa, que significa crescente. Identifica um pão característico, de massa folhada em formato de meia-lua, feito de farinha, açúcar, sal, leite, fermento, manteiga e ovo para pincelar.

Autobahn: é um termo da língua alemã, que significa literalmente caminho ou percurso (Bahn) para carros (Auto). O termo oficial é Bundesautobahn (auto-estrada federal).
A Autobahn na Alemanha é similar a uma auto-estrada. O que diferencia a Autobahn da auto-estrada de outros países é a ausência do limite de velocidade, porém, recomenda-se uma velocidade de 130 km/h. Somente estradas de duas vias em cada direção são consideradas do tipo Autobahn na Alemanha. Obviamente há limite de velocidade em lugares considerados perigosos, regiões montanhosas, estradas sinuosas ou perto de regiões urbanas com trânsito intenso.

Taliban (ou Talibã): o talibã (também transliterado talebã, taliban ou taleban, que em farsi significa estudantes) é um movimento islamita extremista nacionalista da etnia afegane pashtu, que efetivamente governou o Afeganistão entre 1996 e 2001, apesar de seu governo ter tido reconhecimento de apenas três países: Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Paquistão. Seus membros mais influentes, incluindo seu lídeo Mohammed Omar, eram simplesmente ulema (isto é, alunos universitários) em suas vilas natais.

Algumas atividades que foram banidas do Afeganistão durante o regime do taliban:

* leitura de alguns livros
* portar câmeras sem licença
* cinema, televisão, uso de videocassetes (considerados decadentes e promotores da pornografia ou de idéias não-muçulmanas)
* uso de Internet
* música

* as mulheres só podiam sair acompanhadas de um homem
* empinar pipas (considerado perda de tempo, além de serem usadas em rituais hindus)
* aparição de mulheres em fotos ou na televisão, ou fotografar mulheres
* plantio de ópio
* Rinha de Cães
* previsão do tempo
* boxe. Embora o esporte continuasse a ser praticado no país, os competidores não podiam participar em torneios internacionais pois não podiam cortar a barba, enquanto as regras internacionais do boxe exigem que o atleta esteja completamente barbeado.
* Artes (pinturas,estátuas e esculturas de outras religiões)

Mulheres: O regime taliban impedia as mulheres de trabalhar e tinha regras rígidas sobre a educação feminina. Em alguns casos, as mulheres eram impedidas de terem acesso a hospitais públicos para que não fossem tratadas por médicos ou enfermeiros homens.As mulheres não podiam sair de casa sem acompanhantes homens, e saiam somente pela porta de trás do ônibus. As mulheres que eram viúvas ou que não possuiam filhos eram consideradas não-pessoas pelo Estado e muitas vezes enfrentavam a fome.

talibanUniban: Universidade “de esquina” brasileira, nome dado a instituições de ensino que mais se parecem empresas cujo objetivo principal é o lucro em detrimento da qualidade de ensino, pesquisa ou formação ética de seu corpo discente. Recentemente envolveu-se em ato francamente imoral ao expulsar aluna que compareceu às suas dependências com o que se convencionou chamar de microssaia, sem antes promover um debate na sociedade (ou mesmo interno) sobre o assunto. Para alguns críticos, o movimento assemelhou-se ao início de medidas conservadoras, opressoras e cerceadoras extremistas que aproximam a instituição mais do regime do Taliban (descrito acima) do que o que se encontraria em uma verdadeira democracia.

Agora pergunto: você preferiria viver em um mundo em que fossem possíveis Croissants e Autobahns ou Talibãs e Unibans?

Aproveito para dar as boas-vindas a dois novos blogueiros que uniram-se ao nosso coletivo: Camila Suzuki, que mantém o blog BecoSangre, “literapura” na veia e o Prof. Dr. Waltécio de Oliveira, que questiona a vida, a natureza e a sociedade em seu belíssimo Macaco Alfa. Sejam muito bem-vindos nobres confrades!

Em breve, juntarão-se a nós dois novos blogs, cujos temas estou antecipando: ateísmo, religião, cultura, política e utopia. Logo, no OPS!.

Opinião pública derrota Taliban da Uniban

No sábado, dia 07, escrevi o artigo “Taliban de meia-tijela na Uniban” aqui no OPS, comentando os absurdos acontecimentos que transformaram os alunos de uma universidade em uma turba que perseguiu e ofendeu uma aluna de vestido curto (minissaia) que caminhava pelos corredores e rampas do prédio rumo à sala de aula.

Eu terminei o artigo com uma mensagem otimista no sentido que os órgãos superiores da universidade pudessem resolver adequadamente o lamentável episódio. O último parágrafo diz o seguinte: “A direção da Uniban necessita dar uma resposta adequada ao lamentável fato ocorrido e evitar a repetição de acontecimentos semelhantes. Que os erros deste tumulto sejam uma lição e que o respeito ao ser humano, à dignidade e à liberdade façam parte do ensino diário da universidade, mostrando que a sexualidade deve ser conjugada com o verbo prazer e não o verbo punir”.

Qual não foi a minha surpresa quando no dia seguinte toda a midia nacional anunciou que, por decisão do Conselho Superior da Universidade, a aluna Geyse Arruda, vítima das agressões dos colegas, foi expulsa da Uniban. A notícia estarrecedora foi comunicada em nota oficial paga nos principais jornais de São Paulo e é um documento de fazer inveja aos tempos da inquisição, pois é um planfeto obscurantista que trata a aluna como uma “bruxa de minissaia”, despudorada, que atiçou os mais nobres instintos dos pobres alunos que defendem a moralidade da instituição. Ou seja, o Conselho Superior da Uniban sancionou, no domingo, dia 09/11, os atos de barbárie praticados pelos alunos em suas dependências duas semanas antes.

Evidentemente o Brasil não é o Afeganistão e nem o xador e nem a burca fazem parte dos mecanismos de controle sobre a sexualidade feminina no país. As mulheres brasileiras já conquistaram direitos à autonomia e à liberdade individual, que estão garantidos na Constituição Federal.

Portanto, além da baderna provocada pelos alunos a atitude do Conselho Superior é ilegal e ilegítima e provocou as mais diversas reações. A UNE, a SPM, o MEC, a OAB, o Procon, a Delegacia de Mulheres, o movimento feminista e centenas de colunistas de jornais e blogs se manifestaram contra a expulsão da aluna Geyse Arruda. A mobilização dos órgãos do Estado e da sociedade civil foi ágil e eficiente, mostrando que o Brasil é um país que não aceita a intolerância e preserva as liberdades conquistadas.

Como resultado, na noite da segunda-feira, dia 09 de novembro (dia em que se comemorava os 20 anos da queda do Muro de Berlin) o reitor da Universidade Bandeirante, Heitor Pinto, determinou a revogação da expulsão da estudante de Turismo. O assessor jurídico da reitoria da instituição, Décio Machado, informou que a decisão de invalidar a expulsão foi tomada pelo “reitor, como pessoa física”.

Evidentemente o reitor voltou atrás em função da grande mobilização de amplos setores da sociedade e da opinião pública. Mas é estranho que ele tenha tomado esta atitude à revelia de um conselho superior. A revogação deveria ter sido feita pelo Conselho Superior e não somente pelo reitor.

Este fato é mais um capítulo das trapalhadas da Uniban e mostra que a universidade não está preparada para a democracia e a cidadania. O Ministério da Educação tem razão em pedir explicações e precisa com urgência avaliar o nível de ensino da Uniban (que alguns chamam de “supermercado da educação”), pois pelas últimas manifestações fica patente que as lições básicas de convivência e de direitos humanos não foram ensinadas para alunos, funcionários e professores.

Segundo o jornal Folha de São Paulo, a avaliação de 35 cursos da Uniban indicou que 16 foram considerados insatisfatórios; 13 atingiram o mínimo patamar esperado; seis não tiveram nota, por questões metodológicas e nenhum foi ‘top’.

Portanto, a Uniban, ao invés de se preocupar com a saia curta, deveria se preocupar com as idéias curtas e com os preconceitos, oferecendo um nível de ensino de qualidade  e um comportamento compatível com os princípios jurídicos anti-discriminatórios da legislação nacional.