Modos de ver

Templo Zu Lai - Monge bravo
___Um grupo de amigos resolveu fazer o último encontro do ano em um templo budista aqui de São Paulo. Fomos todos, então, ao Templo Zu Lai. Para quem não conhece, o lugar é enorme, com construções interessantes, estátuas e uma jardinagem bem cuidada.
___Os olhares dos meus amigos sobre o local, entretanto, divergiram bastante. Alguns viam aquele templo como um lugar de comunhão com a natureza, de tranqüilidade; a representação de uma paz perfeita. Apreciavam a paisagem e diziam como seria maravilhoso se todos vivessem daquele modo.
Templo Zu Lai
Templo Zu Lai
Templo Zu Lai

___Outros viram um local cheio de hipocrisia. Disseram que pessoas que pregavam o desapego aos bens materiais não poderiam viver em um lugar tão grande, com templos tão ricamente construídos. Encontraram mais de um exemplo para demonstrar que as pessoas iam para lá para se sentir melhor, mas que não abandonavam de maneira alguma seu modo capitalista de viver – simplesmente mais um local de consumismo religioso.

Templo Zu Lai - Monges?
Consumismo no Templo
Estacionamento do Templo Zu Lai

___Posso dizer que, provavelmente, nenhum dos grupos tinha completa razão, mas que fizeram algo importantíssimo: pararam para refletir. Isso é exatamente o que tentamos proporcionar aos leitores do Ops!. Por isso que mantemos por aqui colunistas e blogueiros tão estranhos que falam de assuntos bastante atípicos, que pensam de forma incomum, que proporcionam bases para novas formas de ver o mundo. E no próximo ano, pretendemos continuar assim.
___Um ótimo 2010 para todos.

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P.S.: Sobre olhar o mundo com outros olhos, tenho um link extra para reflexão. Divirtam-se.

Derivadas

A geometria analítica estuda as expressões matemáticas interpretando conjuntamente as expressões algébricas e as figuras geométricas. Esse duplo enfoque possibilitou um intercâmbio de propriedades e relações, criando novas alternativas de expressão no campo das aplicações. Vejamos como as leis de formação dessas alternativas foram estabelecidas e como evoluíram até as derivadas. Comecemos pelo círculo, ou seja, pelo lugar geométrico de todos os pontos do plano eqüidistantes de um ponto fixo chamado centro. Se situarmos o círculo no plano cartesiano, a sua definição é ampliada. O círculo passa a ser o lugar geométrico do conjunto dos pontos (x,y) do plano, que estão a uma certa distância, denominada raio, de um ponto fixo denominado centro. No primeiro caso, o círculo definia-se em si mesmo, ao passo que no segundo, é definido em relação aos eixos de coordenadas cartesianas. No primeiro é uma figura geométrica simples, nada mais, enquanto que no segundo, incorporou os valores algébricos. Vejamos o que isso significa. Suponhamos um círculo situado no 1° quadrante do plano de coordenadas cartesiano, como o que se apresenta na figura:

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O círculo escolhido tem a localização definida pelas coordenadas do centro, ou seja, pelos seus valores numéricos, (a,b), constantes para todo o círculo. Agora, os pontos do círculo são dados pelas suas coordenadas, ou seja, pelas variáveis (x,y), que são as incógnitas da equação geral que representa o círculo. Para obtermos essa equação algébrica, temos que relacionar as coordenadas variáveis dos pontos às coordenadas fixas do centro. O centro localiza o círculo como um todo e, por sua vez, os pontos do círculo são localizados em relação ao centro. Reparem a figura geométrica da figura, do ponto em relação ao centro, ela é dada por um triângulo retângulo. Portanto, pelo teorema de Pitágoras, temos que o quadrado da hipotenusa, isto é, r2, é igual à soma dos quadrados dos catetos. Ou seja, o teorema transforma-se na expressão (x–a)2+(y–b)2=r2, que é a equação geral do círculo. Observem o quanto foi introduzido resultante da configuração do círculo no plano cartesiano. Todos os pontos do círculo tiveram as suas localizações definidas, ponto por ponto; a relação entre as coordenadas dos pontos representa uma função, y=f(x), onde “x” e “y” são as incógnitas da equação algébrica e os seus valores numéricos que a satisfazem são raízes da equação. Vejamos um exemplo. Suponhamos que as coordenadas do centro, em números inteiros, são (15,8) e que o raio do círculo é r=5. Suponhamos que x=18 e y=12. Para x=18 temos 18–15=3 e para y=12 temos 12–8=4. Substituindo na equação, os quadrados desses valores dão 9+16=25 que é uma identidade. Logo x=18 e y=12 são raízes da equação do círculo dado. Esta relação repete-se para os círculos concêntricos por serem figuras semelhantes. Quer dizer, têm a mesma forma mas não o mesmo tamanho. Exemplo, as coordenadas do centro continuam as mesmas (15;8), mas o raio passa a ser o dobro, isto é, 10. Suponhamos que x=21 e y=16. Para x=21 temos 21–15=6 que é o dobro de 3 do exemplo anterior. Igualmente para y=16 temos 16–8=8, o dobro de 4. Substituindo na equação, os quadrados desses valores dão 36+64=100 que é 10 ao quadrado. Logo (21,16) são raízes da equação do círculo concêntrico.

Consideremos agora uma outra questão. O centro em relação a um ponto representa a  curvatura do círculo nesse ponto, sempre a mesma qualquer que seja o ponto. Podíamos dizer, que o círculo é o lugar geométrico do conjunto dos pontos do plano que têm uma curvatura constante, a mesma para todos eles. O conceito de curvatura está vinculado à figura geométrica da linha reta tangente ao círculo no ponto considerado, linha reta que, por sua vez, é perpendicular ao raio nesse ponto. Se admitirmos que o ponto percorre todo o círculo numa rotação completa, a linha reta considerada desloca-se conjuntamente com o raio, “fechando” o círculo com o conjunto das suas posições. Reparem que por imposição geométrica, a linha reta tangente é sempre externa ao círculo, sempre do lado convexo da curva circular. Pois bem, se em vez de uma curva fechada, sempre igual, tivéssemos uma linha aberta, de curvatura variável, e se essa linha for contínua, podemos admitir que cada ponto tem a sua curvatura específica, ou seja, tem o correspondente centro de curvatura. Sendo assim, se associarmos ao ponto que se desloca, uma linha reta tangente, verificamos que ela gira, num sentido e no outro, de acordo com a variação da curvatura da linha. Mas sempre do lado convexo da curva. Se na curva existir um ponto de inflexão, a linha reta tangente passa, nesse ponto, de um lado para o outro da curva, de forma a se manter sempre do lado convexo. Exatamente no ponto de inflexão, a linha reta tangente tem um raio de curvatura infinito, ou seja, zero de curvatura. Vejamos uma aplicação interessante do que foi dito. Atualmente as linhas férreas de passageiros operam com alta tecnologia, atingindo velocidades iguais ou superiores a 200km/h. Por exemplo, os TGV’s, Trens de Alta Velocidade da França. Pois bem, se um trem em alta velocidade, passar de um trecho em linha reta, diretamente, para um trecho em curva circular, mesmo de grande raio, recebe um forte solavanco, correndo o risco de descarrilar. Para evitar isso, é preciso intercalar um trecho em espiral, conhecida como a espiral de Cornu. Assim o trem passa por uma evolução contínua da curvatura, do zero até a curvatura da curva circular, sem qualquer risco, nem sequer balanço, por não existir nenhum “salto” na curvatura da linha.

Nesse exemplo, a derivada da equação de segundo grau do círculo é a equação de primeiro da reta tangente.

Para entender o que seja derivada, o que interessa fundamentalmente, é ter noção do que seja a função derivada primeira de uma função f(x). Se for uma função constante, x=a, a sua derivada será uma função nula, zero portanto. Se a função dada for ax+b, a sua derivada será uma função constante x=a. Se for ax2+bx+c, a derivada será 2ax+b e assim por diante. Vejam que a função x=a representa uma linha reta paralela ao eixo dos y’s e a função y=b um linha reta paralela ao eixo dos x’s. São funções constantes pois representam igualdades. O único ponto de cruzamento tem as coordenadas (a,b), raiz das duas funções. As funções constantes têm derivadas nulas. O ponto de cruzamento tem derivadas constantes.

Fico por aqui. Até à próxima.

Dois parabéns e uma vaia para a Panini

Dezembro me trouxe três surpresas nas duas revistas em quadrinhos nacionais que eu tenho comprado regularmente. Duas delas foram muito boas, mas a terceira foi BEM ruim.

Comecemos pela mensal mais bacana da DC no Brasil, a do Lanterna Verde. Seguindo com os preparativos para a Noite Mais Densa, a edição deste mês traz o especial Final Crisis: Rage of the Red Lanterns. Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, achei acertadíssima a decisão de publicar esta história na revista de linha do personagem. Afinal, a despeito de citar a Crise Final em seu título, esta trama não tem nada a ver com a saga. Bem, na verdade ela cita muito en passant alguns acontecimentos do começo da série de Grant Morrison, mas a ligação alardeada na edição nacional fica só na capa.

É uma história importantíssima, contudo, para quem está acompanhando as aventuras do Lanterna Verde, e não só para marcar a volta da revista à cronologia presente depois de sete meses lendo a versão definitiva da origem do herói – pelo menos até a próxima reformulação no universo DC. Aqui vemos a ascensão de mais duas tropas, e a descoberta de que o arquivilão Sinestro terá papel fundamental no futuro da série.

O segundo acerto da Panini é uma atração que estreia em janeiro na mesma revista (que, a propósito, bem poderia perder o desnecessário “Dimensão DC” da capa): a minissérie Os Últimos Dias do Homem-Animal, de Gerry Conway e Chris Batista. Material de qualidade, com um personagem bacana, mantendo o alto nível da publicação – que ainda tem as aventuras do Gladiador Dourado, a melhor revista que você não está lendo.

Como nem só de bons momentos é feita a vida, porém, tenho que dar um puxão de orelha na Panini pela interrupção (ainda que temporária, como anunciado) na publicação da oitava temporada de Buffy, a Caça-Vampiros. Confesso não ter acompanhado a série na TV (calma que eu chego lá, gente. Tá na lista), mas nem por isso deixei de virar fã da caçadora de monstros criada por Joss Whedon. Além do mais, só por ter criado uma nova proposta em transmídia o título já valia ao menos uma olhada. Mas vem cá…uma revista de cem páginas como a do Lanterna custa R$ 7,50, e cinquenta centavos a menos compram 40% menos quadrinhos no título da Buffy…que bélgica de matemática é essa?

Sobre a inveja

“Se não podemos escrever com a beleza com que Mozart escrevia, ao menos tentemos escrever com a sua pureza.” – Johannes Brahms

Obviamente Brahms se referia à arte da composição, e não à da escrita propriamente dita. Mas não há nada melhor do que começar um texto sobre Wolfgang Amadeus Mozart do que com um jogo de palavras, tal como ele fazia frequentemente em suas cartas. A motivação para este texto surgiu quando eu revi o fantástico filme “Amadeus”, dirigido por Miloš Forman em 1984. O filme é baseado na adaptação feita por Sir Peter Shaffer à partir de uma pequena peça de Aleksander Pushkin, chamada “Mozart e Salieri”. Mas comecemos com o realismo e então passemos ao romance.

Wolfie nasceu em 27 de janeiro de 1756 em Salzburg. Desde muito cedo tornou-se evidente o seu grande talento para música, algo que seu pai Leopold, violinista e compositor, não demorou a notar. Leopold fez excursões e mais excursões pela Europa com seu filho. Seu pai foi seu primeiro e único professor, ensinando ao jovem Mozart tanto música quanto línguas e outros variados assuntos. Mozart compôs sua primeira peça para piano aos cinco anos, sua primeira sonata aos seis, sua primeira sinfonia aos oito e sua primeira ópera aos onze.

Sua música possui uma fluência inigualável. Mozart não dá sustos, Mozart rema, mas ao mesmo tempo é contrastante na medida correta, nunca sendo óbvio. Esta é a minha honesta opnião sobre a sua música, e eu assino embaixo da frase já citada por Brahms. Wolfie, ao contrário da crença popular, compôs muitas obras trágicas. O que dizer de seu Requiem, ou do Don Giovanni, ou da Sinfonia No.25 ou mesmo da ária “Der Hölle Rache kocht in meinem Herze”, da sua Flauta Mágica? Também ao contrário do que está na boca do povo, Mozart possui obras difíceis de se ouvir, ou ao menos foram para a “seleta audiência” de seu tempo, e não é à toa que este morreu completamente pobre. Tentem encarar os primeiros compassos do seu Quarteto de Cordas No.19 “Dissonâncias”.

Mozart foi um grande inovador, elevando o classicismo ao seu auge. Com seu temperamento brincalhão, entrou para a história como o primeiro compositor a usar a técnica da politonalidade na sua hilária “Piada Musical”, K.522, ou com o seus minuetos que eram criados ao jogar-se dados. Foi talvez o primeiro compositor a utilizar o conceito de série, algo notado por Arnold Schoenberg em uma de suas cartas.

Vamos então falar da ficção. “Amadeus” não é uma biografia e, aliás, passa muito longe disto. Muitas das frases atribuídas a Mozart no filme são falsas, bem como grande parte da sua personalidade e, obviamente, a trama é completamente fictícia. Apesar destes poréns (e que grandes poréns), o filme é excelente. Este filme não deve ser visto como uma biografia, mas sim como uma obra-prima sobre a inveja e o orgulho. Mozart é, neste caso, irrelevante, e o filme poderia se passar em um cenário completamente diferente. Mozart não é o centro do filme, tampouco Salieri, tampouco a sociedade vienense do século dezoito, e é por não notar isto que muitas pessoas odeiam este filme.

A personalidade de Wolfie era muito bem humorada, talvez às vezes vulgar, mas não tão exagerada como o filme mostra. Mozart era capaz de escrever coisas como:

“Eu me importo muito pouco com Salzburg e nem um pouco com o arcebispo: eu cago em ambos.” – em uma carta ao seu pai

Mas não é simplesmente assim que ele é retratado no filme. O Mozart hollywoodiano possui uma risada histérica e patética, uma personalidade egoísta e nada o emociona além da sua música, algo que não pode ser provado por nenhuma carta sua ou de terceiros.

E o pobre Antonio Salieri? Salieri foi um músico com uma carreira invejável, sendo talvez o favorito em Vienna no seu tempo. Seus grande mérito foi como professor, ensinando nomes como os de Beethoven e Liszt. Salieri retornou do seu silencioso esquecimento para se tornar um grande vilão.

Mas nada disto me incomoda, justamente pelo filme ser uma obra prima sobre estes sentimentos baixos. As atuações são impecáveis, e o velho Salieri, à beira da loucura por sua inveja e seu arrependimento, é realmente tocante. A visão de um Mozart infantil vem da cabeça de Salieri já velho e louco, e é sob esta ótica que temos que assistir ao filme: o Mozart ali retratado não é, necessariamente e, provavelmente, como ele foi. Com pitadas de humor, Forman leva o filme com uma elegância extraordinária. E o grande argumento de seus críticos, de que o filme iria denigrir as imagens de Mozart e Salieri, pode ser respondido com uma simples frase: quem é que se importa com Mozart e Salieri?

Bem, as pessoas que ouvem Mozart para “relaxar” não irão sofrer dano algum se acreditarem em tudo o que o filme diz. E alguém que ouve música de maneira séria provavelmente saiba muito da biografica deste compositor. Então os chatos, e superficiais, voltam ao ataque, e dizem: “E Salieri? Ele ficará para a história como um vilão!”. E eu respondo: quem foi Antonio Salieri? Como você soube da sua existência? Salieri só entrou para a história por conta deste filme, e ponto final.

Enfim, eu recomendo este filme à todos vocês. Para dar um exemplo da maestria com que Forman mistura humor com tragicidade, dêem uma olhada neste pequeno trecho do filme, fazendo o favor de desculpar as legendas em neerlandês. Vale a pena notar que “Amadeus” foi filmado quase inteiramente em Praga, e todas as cenas de dentro do teatro foram filmadas no famoso Teatro Nacional de Praga, aonde Mozart estreiou seu Don Giovanni. Então assistam ao filme e deixem os seus comentários por aqui.

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Caros amigos, uma pequena nota antes de terminar – depois de um longo silêncio eu volto a escrever algumas linhas por aqui. O motivo do meu silêncio é razoavelmente nobre: eu me inscrevi para o exame da Academia de Música de Praga, o qual ocorre no final de janeiro. Não é nada fácil ser aprovado para estudar nesta instituição, e os exames são famosos por serem muito difíceis. Eu preciso estudar quatro peças ao piano, finalizar meu quarteto de corda e iniciar (e terminar) uma abertura orquestral, além de revisar composições antigas. E como se não bastasse, o exame será em tcheco, idioma o qual eu falo tão bem quanto a Leticia (sem acento) Wierzchowski fala o espanhol. Pois por isso eu continuarei um tanto ausente até fevereiro, quando eu espero poder ter minha vida normal de volta. Até lá, vocês podem contar com uma ou outra resenha aqui no OPS!, mas sem a frequência semanal de publicações que eu até então vinha tendo.

Resultados da COP/15 de Copenhague

A Conferência do Clima de Copenhague valeu pela mobilização e pelo fato de ter colocado, mais uma vez, o assunto da sustentabilidade e da preservação do meio ambiente na prioridade da agenda mundial. Cabe destacar que os grandes vitoriosos deste processo foram as ONGs e a opinião pública global e local.

Mas do ponto de vista de ações práticas e imediatas para enfrentar a urgência dos problemas climáticos do Planeta, a COP (“Conference of the Parties”)/15 ficou muito aquém do esperado. Não se conseguiu desbloquear a questão do MRV (“mensurável, reportável e verificável”), nem estabelecer o montante de recursos financeiros necessários ao longo da próxima década e não se garantiu medidas claras de mitigação e de adaptação. Em muitos aspectos Copenhague ficou mais para “Flopenhague” (fiasco) do que para “Hopenhague” (esperança).

Evidentemente, reunir delegações de mais de 190 países e chegar a uma acordo que agrade a todos é uma tarefa muito dificil. O lado positivo da Conferência de Copenhague é o reconhecimento de que “a mudança climática é o maior desafio do nosso tempo” e que é necessário fazer “profundos cortes” na emissão global dos gazes do efeito estufa. Ficou claro que as divergências nacionais e entre os diversos blocos é maior do que a consciência ambiental. Há uma oposição de interesses entre os países ricos, entre os próprios países pobres, entre os países produtores de petróleo e os consumidores de energias fósseis e entre os ricos e os pobres, numa nova versão do conflito Norte versus Sul.

Contudo não podemos perder de vista todo o processo de preparação e os avanços que aconteceram no posicionamento dos países. O Brasil, especialmente após a pré-candidatura presidencial de Marina Silva, apresentou metas de redução das emissões de gases de efeito estufa de 36,1% a 38,9%, tendo como base a mudança no sistema da  agricultura; mudança no sistema siderúrgico; mudança e aprimoramento da matriz energética e o desmatamento da amazônia e do cerrado.

Também os Estados Unidos apresentaram metas de redução das emissões de gases de efeito estufa (mesmo que muito limitadas) e o país assumiu o compromisso de ajuda financeira às nações mais pobres. Mesmo sendo pouco, não deixa de ser um avanço em relação ao governo Bush. O Congresso dos EUA está elaborando uma lei sobre o assunto.

Mas talvez uma das contribuições mais significativas venha da China que é o país com maior população do mundo e a economia que mais cresce e mais polui o Planeta. O governo chinês definiu metas voluntárias para ações de controle da emissão de gases de efeito estufa e decidiu que, até 2020, a emissão de dióxido de carbono por unidade do PIB será reduzida entre 40% e 45% em relação a 2005, o consumo da energia não fóssil corresponderá a 15% do consumo primário da energia e a extensão e a reserva de florestas aumentarão respectivamente em 40 milhões de hectares e 1,3 bilhões de metros cúbicos em relação a 2005.

Por fim, já no sábado, dia 19/12, a COP de Copenhague aprovou, sem unanimidade, um acordo liliputiano. Segundo o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, o acordo mesmo que insuficiente “é uma etapa essencial para um futuro pacto do clima”. O protocolo de Kyoto continua válido, mas daqui para a frente, somente com ampla mobilização dos formadores da opinião pública mundial os governos vão se verem forçados a superar os impasses atuais e tomar as decisões necessárias até a próxima conferência sobre o clima, COP/16, que será realizada no México, no final de 2010.

Abaixo os principais pontos do “Acordo de Copenhague”, segundo a BBC
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/12/091219_acordoanalise.shtml

STATUS LEGAL

O acordo, fechado entre Estados Unidos, Brasil, China, Índia e África do Sul, não faz referência a um tratado com valor legal e nem prevê um prazo para que o texto seja transformado em um tratado com valor legal, como reivindicavam alguns países em desenvolvimentos e ambientalistas. No entanto, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse que esta mudança de status precisa acontecer em 2010. As 193 nações participando do encontro “tomaram nota” do documento, mas não o aprovaram, o que necessitaria do apoio unânime dos participantes. Ainda não está claro se o documento pode ser considerado um acordo formal da ONU.

AUMENTO DE TEMPERATURAS

O texto reconhece a necessidade de limitar o aumento das temperaturas globais a 2ºC acima dos níveis pré-industriais. A linguagem no texto revela que 2ºC não é uma meta formal, mas que o grupo de países “reconhece a posição científica” de que a alta nas temperaturas deve ficar abaixo deste número. No entanto, o acordo não identifica um ano de pico para as emissões de carbono, algo que gera oposição entre alguns países em desenvolvimento mais ricos. Os países devem dizer até 1º de fevereiro de 2010 quais são suas propostas para cortar as emissões de carbono até 2020, mas o acordo não especifica punições para os países que fracassarem em cumprir suas promessas.

AJUDA FINANCEIRA

O acordo promete US$ 30 bilhões de ajuda para países em desenvolvimento nos próximos três anos. O texto também prevê o objetivo de oferecer US$ 100 bilhões por ano até 2020 para ajudar países pobres a lidar com os impactos da mudança climática. O acordo diz que os países ricos devem juntos chegar aos US$ 100 bilhões e que o dinheiro deve vir de fontes variadas: “públicas e privadas, bilaterais e multilaterais, incluindo fontes alternativas de finanças”. Um fundo verde para o clima também será estabelecido pelo acordo. Ele vai financiar projetos em países em desenvolvimento relacionados a ações de mitigação (redução de emissões), adaptação, “construção de capacidade” e transferência de tecnologia.

TRANSPARÊNCIA NAS EMISSÕES
As promessas dos países ricos passarão por um exame detalhado segundo a Convenção sobre Mudança Climática das Nações Unidas (UNFCCC, na sigla em inglês). Pelo acordo, países em desenvolvimento vão submeter propostas para cortar emissões segundo um método “que garanta que a soberania nacional seja respeitada”.

REVISÃO DE AVANÇOS

A implementação do acordo de Copenhague será revista em 2015, cerca de um ano e meio após a próxima avaliação científica do clima global pelo IPCC, o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas. No entanto, se em 2015 os participantes quiserem adotar uma nova meta, mais baixa, para o aumento da temperatura global, por exemplo 1,5ºC em vez de 2ºC, já seria tarde demais.

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Glossário da COP

http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/reducao_de_impactos2/clima/mudancas_climaticas_resultados/negociacoes_de_clima/negociacoes_de_clima.cfm

ADAPTAÇÃO – É a preparação para as mudanças que ocorrem ou ocorrerão no mundo por conta do aquecimento do Planeta. É a tentativa de aliviar os efeitos inevitáveis das mudanças climáticas.

MITIGAÇÃO – É a intervenção humana para combater e reduzir as emissões de gazes de efeito estufa na atmosfera.

UNFCCC / Convenção de Clima – Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. O primeiro passo em direção a um esforço global em prol do clima se deu com a assinatura da Convenção de Clima (UNFCCC no original em inglês – United Nations Framework Convention on Climate Change), na Eco-92 do Rio de Janeiro, entrou em vigor em 1994. Assim foram estabelecidos os alicerces para acordos climáticos posteriores. O documento estabeleceu o princípio das “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”, que diz que todos países devem reduzir suas emissões de gases de efeito estufa, porém o esforço daqueles que mais emitiram ao longo da história deverá ser maior.

COP – Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Reunião de negociação entre todos os signatários da Convenção de Clima. Em 2008, ocorreu a 14ª COP, que acontece dentro da UNFCCC, simultaneamente à MOP, na cidade de Poznan, na Polônia.

MOP – Reunião de negociação entre os signatários do Protocolo de Quioto. Como Quioto entrou em vigor em 2005, essa é a 4ª MOP, que acontece dentro da UNFCCC e ao mesmo tempo que a COP.

Protocolo de Quioto – É o “braço quantificável” da Convenção. Dentre outras considerações, ele estipula as metas de redução dos países desenvolvidos – 5,2% até 2012, em relação aos níveis de 1990 – e institui os instrumentos de apoio aos esforços de redução das emissões, como o Comércio de Carbono. Finalizado em 1997, ele somente entrou em vigor em 2005 com a entrada da Rússia. Mesmo assim, ainda continuam fora do acordo importantes emissores como os Estados Unidos.

PÓS 2012 – É o próximo acordo global sobre Clima, que substitui o Protocolo de Quioto. O primeiro período de compromisso vai de 2008 a 2012 e estabelece metas para os países do Anexo I – os desenvolvidos – de 5,2% de redução dos gases de efeito estufa com base nos níveis medidos em 1990.

ANEXO I – São os países desenvolvidos que possuem metas de redução de emissão de gases de efeito estufa.

NÃO-ANEXO I – São os países que não integram o Anexo I. Os países deste grupo e signatários do Protocolo de Quioto não possuem metas de redução, embora precisem montar um plano de ação para a redução interna de suas emissões de gases de efeito estufa e medidas para adaptação perante as futuras alterações climáticas.

ANEXO B – São os países desenvolvidos signatários da Convenção, mas que não fazem parte do Protocolo de Quioto, como os EUA, por exemplo.

GEEs – Gases de Efeito Estufa, os responsáveis pelo efeito estufa. Dentro das negociações internacionais de clima e de projetos de carbono, seis grupos de gases são considerados: dióxido de carbono (CO2), Metano (CH4), Óxido Nitroso (N2O), Hidrofluorcarbonos (HFCs), Perfluorcarbonos (PFCs) e Hexafluoreta de Enxofre (SF6). Para facilitar os cálculos dos impactos climáticos de cada setor, empresa, país ou indivíduo, todos os gases são expressos em termos de CO2-equivalente. É por causa da emissão em excesso desses gases que acontecem as mudanças climáticas.

CO2-equivalente – Unidade de medida do impacto das emissões sobre o clima do planeta. Todos os gases são transformados em CO2-equivalente, de acordo com um fator de conversão. Assim, por exemplo, uma tonelada de metano (CH4), por possuir um efeito 21 vezes superior ao dióxido de carbono, equivale a 21 toneladas de CO2-equivalente.

LULUCF – Do inglês, Land Use, Land Use Change and Forestry (Uso do Solo, Mudanças no Uso do Solo e Atividades Florestais). As emissões do setor de LULUCF são provenientes das atividades agrícolas, do desmatamento e da degradação do solo. Em 2000, foi responsável por pouco mais de 30% do total das emissões humanas (mais de 12 bilhões de toneladas de CO2-equivalente).

REDD – Redução das Emissões oriundas do Desmatamento e Degradação. Reduzir o desmatamento constitui uma das prioridades para a redução das emissões de gases de efeito estufa, não somente por seus benefícios climáticos, como também para outros benefícios sociais e ambientais. Existem diversas propostas de apoio para a redução do desmatamento, dentre elas a proposta brasileira.

SUMIDOURO DE CARBONO – Um ambiente natural que absorve e armazena mais CO2 da atmosfera do que emite.  As florestas e os oceanos são os maiores coletores.

IPCC – Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima. É uma instituição científica ligada às Nações Unidas que reúne todo o conhecimento científico em relação às mudanças climáticas. O IPCC não faz pesquisa e sim condensa todas as informações coletados pela humanidade sobre as alterações climáticas em três relatórios sobre ciência climática, impactos e soluções.

 

2007, 2008, 2009…

Balanço dos seis meses do novo editorialista e mais novidades no Ops!.

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___Quem me acompanha desde que fui convidado pelo Rafael Reinehr para dividir, com ele, o Editorial dO Pensador Selvagem, já deve ter percebido que eu trabalho de maneira um tanto estranha. Não foi à toa que me “apresentei” para os leitores na minha segunda coluna e não na de estréia.
___Nestes seis meses que escrevo por aqui já falei sobre temas tão diversos que fica difícil contabilizar. Defendi o uso de bicicletas, apoiei a literatura independente, divulguei os ridículos processoscensura contra escritores, ataquei o fogo de palha do voluntariado. Refleti sobre literatura, propagandeei blogs e quadrinhos, fiz denúncias políticas e, como todo bom editorialista, enchi isto aqui com a minha opinião. Acreditem ou não, até usei o espaço do Editorial para fazer algo mais clássico como divulgar as principais notícias da casa.
___É exatamente o que venho fazer hoje por aqui. Além do rápido balanço dos meus seis meses como editorialista, aproveito para dizer que o Ops! completou mais um ano de existência. O portal, que começou em 9 de dezembro de 2007, continua firme e forte no ar. Como bom ateu, rezarei para que assim continue. E, para garantir que os deuses continuarão olhando para este local com bons olhos, termino com uma ótima notícia: Daniel Lopes, o editor do Amálgama, estreou aqui o Index: um blog ateu. Que chova fogo sobre nós.

Aquecimento Global: fenômeno natural ou antropogênico?

O aquecimento global é uma realidade que ninguém contesta. De fato a temperatura do Planeta subiu nas últimas décadas, conforme mostram a grande maioria dos estudos científicos realizados com bases de dados confiáveis.

O que causa contestação são os motivos do aquecimento global e as projeções para as próximas décadas. Enquanto grande parte dos estudos mostra que o aquecimento é causado pelo acúmulo dos gases do efeito estufa na atmosfera, decorrentes da queima de combustíveis fósseis, os céticos dizem que o aquecimento é um fenômeno cíclico e natural e nada tem a ver com as atividades antropogênicas (provocadas pelo ser humano).

 Os primeiros querem mudar a matriz energética mundial e o padrão de consumo que agride e destrói a natureza e a biodiversidade. Querem taxar as indústrias que produzem e usam energias que liberam carbono e também aquelas que produzem bens e serviços supérfluos. Os segundos, geralmente ligados às industrias do petróleo e carvão, argumentam que o aquecimento não é causado pelo CO2 e criticam os gastos considerados excessivos para limitar um fenômeno que seria natural e, portanto, distante da capacidade humana de resolve-lo.

Por exemplo, o dinamarquês Bjorn Lomborg, autor do livro “O Ambientalista Cético” (Campus, 2002), acredita que um esforço mundial para cortar emissões de gases do efeito estufa no curto prazo é um gasto errado de recursos, pois seria mais útil investir na solução de problemas mais graves como a desnutrição infantil, a malária e outras doenças que matam milhões de cidadãos nos países pobres.

Evidentemente ninguém tem certeza absoluta sobre todos os aspectos da verdade climática. Ter cautela é uma atitude recomendável. Neste sentido, independentemente da controvérsia se o aquecimento global é natural ou antropogênico existem diversas ações que podem ser efetivadas para diminuir a dependência dos combustíveis fósseis que são poluidores e limitados. Vejamos algumas medidas que podem trazer ganhos para o meio ambiente em qualquer cenário futuro:

1) Mudar a matriz energética para fontes renováveis e limpas: a conjugação da energia solar, eólica, das marés e da biomassa pode livrar a humanidade da dependência do petróleo e do carvão. Investimentos e incentivos adequados podem fazer despencar o preço de produção destas fontes alternativas e tornar viável a economia de baixo carbono;

2) Investir em um sistema de transporte coletivo e de carga que adote as fontes limpas e renováveis de energia, conforme a matriz solar, eólica, das marés e da biomassa;

3) Investir na industria da construção civil e na criação de casas, escritórios e prédios inteligentes e ecologicamente sustentáveis, utilizando materiais recicláveis, fontes renováveis de energia para aquecimento e refrigeração, sistema de ventilação inteligente para aproveitar as condições naturais do clima, reaproveitamento e reutilização da água, etc;

4) Reurbanização das cidades com melhoria do transporte coletivo, veículos movidos a combustíveis limpos, viabilidade das caminhadas a pé e do uso de bicicletas, viabilização do trabalho a domicílio com disponibilidade de tecnologias de informação e comunicação, etc.

5) Incentivo para a instalação de comunidades autônomas de baixo carbono, capazes de serem auto-sustentáveis, com eficiência energética, com alimentação orgânica, com mobilidade e acessibilidade e a participação pública da sociedade civil.

Os exemplos acima podem ser implementados e trazer ganhos para toda a sociedade e o meio ambiente, mesmo que o aquecimento global seja um fenômeno natural e que, numa visão otimista,  venha pela frente um ciclo de resfriamento.

Contudo, os ganhos das medidas acima serão ainda maiores se o aquecimento global for fruto do acúmulo de liberação de gases de efeito estufa, pois as medidas listadas contribuem para uma economia de baixo carbono. Evidentemente, é possível caminhar para o desenvolvimento sustentável, criando “empregos verdes”, e sem deixar de enfrentar os graves problemas de educação, saúde e moradia pelos quais sofrem as populações de baixa renda do Brasil e do mundo.

 

Equações lineares

Equação é uma igualdade de expressões matemáticas, contendo, pelo menos, uma incógnita. A sua denotação deve, portanto, apresentar o sinal igual, =, para ser considerada uma equação. O sinal igual separa a expressão em duas partes, denominadas membros da equação. Convencionalmente chama-se de 1º membro, o da esquerda e de 2º membro, o da direita.Uma equação pode ter uma, duas, três, … “n” incógnitas. É claro que uma igualdade numérica não é uma equação, mas sendo uma igualdade, apresenta propriedades que valem para as equações. Vejamos uma semelhança no sentido figurado. Uma balança de farmácia antiga de pratos. A balança fica em equilíbrio quando os dois pratos têm o mesmo peso. Nesta condição, é possível adicionar ou retirar o mesmo peso de ambos os pratos sem que o equilíbrio seja afetado. Pois bem, suponhamos uma subtração, por exemplo 7 – 4 = 3. Se adicionarmos  +4 a ambos os lados da igualdade temos, 7–4+4 =3+4. Como –4+4 é igual a 0, temos o resultado 7=3+4. Acontece o mesmo se em vez de uma  subtração fôr uma soma. Temos, portanto, uma regra importante: quando um termo da igualdade muda de lado, tem de mudar de sinal. Com a equação é a mesma coisa. Apesar de existirem as incógnitas a regra não muda. De fato, para uma equação, qualquer que seja a sua forma, o que condiciona as suas raízes, ou seja, os valores das incógnitas que lhe dão validade, são os números coeficientes dos seus termos. Lidamos com números, logo a regra é a mesma: mudou de membro, muda de sinal. Se for uma soma passa a subtrair, se for uma multiplicação passa a dividir e vice-versa. Consideremos agora o plano de coordenadas cartesianas. Qualquer ponto do plano é definido por duas coordenadas: a abscissa “x” no eixo horizontal  e a ordenada “y” no eixo vertical. Esta configuração é convencional, pois os dois eixos são idênticos nas suas escalas numéricas. Na geometria analítica, a equação mais simples é a da linha reta, ax+by=c, onde “a”, “b” e “c” são números inteiros. Resolver a equação é determinar as coordenadas dos pontos que pertencem à linha reta que lhe corresponde. Façamos um exercício. Peguem uma folha de papel quadriculado e tracem duas das suas linhas, uma horizontal e outra vertical. Temos assim um plano cartesiano de coordenadas, onde os pontos de cruzamento das linhas são representados pelas seqüências dos números inteiros, a partir do (0,0) ponto de origem no cruzamento dos eixos marcados. A convenção é que, a partir do ponto 0, são positivas as abscissas para a direita e as ordenadas para cima, negativas  no sentido oposto. Consideremos o caso mais simples: a linha reta passa pelo ponto de origem. É evidente que qualquer que seja a linha reta escolhida, a sua inclinação em relação aos eixos ortogonais cartesianos é uma constante, sempre a mesma. Portanto a relação entre os valores das abscissas e das ordenadas é constante para qualquer ponto da  linha reta. Suponhamos uma linha reta passando pelo ponto (0,0) inclinada a 45 graus em relação aos eixos cartesianos. A relação entre as abscissas e as ordenadas é sempre igual a 1 pois os seus valores, em números inteiros, são sempre iguais. Podemos dizer que “a” está para “b’ assim como “x” está para “y” e que esta relação é igual a 0. Desta “regra de três” temos pela multiplicação cruzada  a.x=b.y. Ou seja, para “a.x” ser sempre igual a “b.y” é preciso que “a” seja igual a “b”. Temos assim a equação da linha reta escolhida. Vejamos agora: a linha reta continua passando pelo ponto (0,0), mas a sua inclinação é menor que a anterior. Ela passa no ponto (2,1) logo após o ponto (0,0). Temos deste modo: 2 está para 1 assim como “x” está para “y”. A equação da linha reta é x=2y. Para x=0 e y=0 temos 0=0 e para x=2 e y=1 temos 2=2. São as duas raízes iniciais que definem a linha reta escolhida. Vejamos agora uma linha reta que não passe pelo ponto (0,0). A  primeira coisa a fazer, é definir a linha reta indicando os seus dois pontos iniciais. Por exemplo, um ponto é x=–1 e y=–1  e o outro ponto é x=3 e y=2.

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Vejam pelo desenho. A inclinação da linha reta é dada pela relação entre os valores, medidos na abscissa e na ordenada, necessários para se passar de um ponto para o outro. Esses valores são 4 e 3 e a sua relação é  1. Pela “regra de três” temos 4 está para 3 assim como “x” está para “y”. A multiplicação cruzada dá 3x–4y=1 que é a equação da linha reta dada. Substituindo “x” e “y” pelas coordenadas do primeiro e segundo pontos, temos, –3+4=1 e 9–8=1. Ou seja, os pontos dados são raízes da equação. Vocês devem ter reparado que em todos os casos  sempre disse que os pontos escolhidos eram os iniciais. Por quê esta precaução? Porque os pontos por serem iniciais, são os menores possíveis, isto é, a equação que os representa está reduzida à sua expressão mais simples. As coordenadas de quaisquer outros pontos da mesma linha reta, são obtidas acrescentando, para cada ponto, pares de valores iguais às diferenças das coordenadas dos pontos iniciais. Para os utilizar na obtenção da equação, teríamos que aplicar o  algoritmo de Euclides para calcular o máximo divisor comum dos valores “a” e  “b”. Reduzidos à expressão mais simples, “a” e “b” são primos entre si e a divisão de “a” por “b” tem como resto, ou seja, para “c”,  o valor 1. De fato, na equação dada 3x –4y=1, 3 e 4 são números primos entre si. Logo os valores que foram acima considerados, (–1,–1) e (3,2), são as coordenadas de pontos iniciais da linha reta representada pela equação dada. Para se obter o ponto seguinte, temos que adicionar às coordenadas dos pontos iniciais, a x=3, a diferença das abscissas, ou seja 1+3=4  e a y=2, a diferença das ordenadas 2+3=5. Temos portanto a raiz x=7 e y=5 que dá, substituindo na equação, 3×7– 4×5=21– 20=1, o que comprova a regra dada.

Fico por aqui. Até a próxima.

O vermelho (rosa) e o negro

O Vermelho e o Negro (Le Rouge et le Noir) é um famoso romance histórico de Stendhal, publicado em 1830. O livro trata da história de Julien Sorel, um rapaz (branco) ambicioso, filho de um carpinteiro, que tenta subir na vida na sociedade francesa do século XIX e estava dividido entre tornar-se um general ou um bispo, as rotas de ascensão social disponíveis em uma sociedade bastante estratificada. O vermelho representaria a cor da vestimenta do exército e o sangue derramado na guerra. O negro é uma alusão à batina do clero e aos poderes eclesiásticos.

O vermelho e o negro também são as cores do Clube de Regatas do Flamengo, fundado para disputas de remo em 1895, mas mais conhecido como um time de futebol masculino, do Rio de Janeiro, com uma das maiores torcidas (senão a maior) do Brasil. Até novembro passado, o futebol masculino do Flamengo já havia conquistado 31 títulos estaduais, 5 títulos nacionais, uma Copa Libertadores e um Mundial Interclubes.

Porém, todas as vitórias do clube aconteceram sobre a liderança de um técnico branco. Como é amplamente conhecido, a exclusão de jogadores negros era uma realidade do início do futebol no Brasil, que era um esporte praticado por jovens brancos, com base no padrão inglês. O Vasco da Gama foi o primeiro time brasileiro a colocar um time racialmente misto em um campeonato. A partir daí, o futebol brasileiro virou uma fonte profissional e um meio de ascensão social para os rapazes negros em busca de fama e dinheiro. Pelé é o caso mais emblemático.

A conquista do Flamengo, em 06/12/2009, trouxe como novidade o técnico Andrade, que entrou para a história como o primeiro treinador negro a conquistar o Campeonato Brasileiro de futebol masculino. Jorge Luís Andrade da Silva, nascido em 21/04/1957, em Juiz de Fora (MG), já havia sido campeão nacional 5 vezes, mas como técnico sempre foi interino até ser apoiado pela torcida para ser o titular em 2009.

Outra novidade do Flamengo foi a eleição, em 07/12/2009, de Patrícia Amorim, como a nova presidenta do clube e responsável por dirigir a instituição entre 2010 e 2012. Pela primeira vez o comando do clube ficará nas mãos de uma mulher. Patrícia Amorim Sihman (nasceu em  13/02/1969 no RJ) foi uma atleta que se destacou na natação e foi 28 vezes campeã brasileira nos 200, 400, 800 e 1.500 metros livres. Foi uma das raras atletas do Brasil nas olimpíadas de Seul, em 1988. Agora inova ao ser uma dirigente feminina de um grande clube brasileiro de futebol.

Embora, o futebol feminino no Brasil não tenha nem um centésimo do apoio que a mídia e a sociedade dispensam ao futebol masculino, uma mulher na direção do Flamengo pode ser o início do fim do mito de que “futebol é coisa pra homem”.

Eu não sou torcedor do Flamengo, mas tenho que reconhecer que o clube rubro/negro contribuiu, nesta semana, para arejar a cultura do futebol brasileiro, abrindo caminho para ascensão social de negros nas direções técnicas e de mulheres na direção administrativa e política. As cores do clube ganharam vida: o negro ficou mais negro e o vermelho ganhou uma coloração rosa.

 

II Concurso Simplicíssimo/O Pensador Selvagem de Minicontos

O Simplicíssimo e O Pensador Selvagem tem a alegria de comunicar que está lançado o II Concurso de Minicontos. Depois das mais de 300 inscrições do primeiro Concurso, temos a honra de apresentar o…

Regulamento do II Concurso Simplicíssimo/O Pensador Selvagem de Minicontos

Este concurso, de iniciativa do site literário-cultural Simplicíssimo e do site/comunidade/portal O Pensador Selvagem, tem como objetivo principal estimular a produção literária e o “desengavetamento” do talento e da criatividade de simples e selvagens humanos.

Inscrição:

1. Podem ser enviados até 3 minicontos por autor, sendo que o CPF será utilizado como indicador da autoria do miniconto.

2. Por definição, será considerado um miniconto uma narrativa curta com até 300 caracteres (excluindo-se o título, quando houver). Entre suas características encontramos a concisão, a narratividade, a totalidade, o subtexto, a ausência de descrição e o retrato de pedaços da vida.

3. Os minicontos devem ser enviados até às 24:00 (horário de Brasília-DF-Brasil) da data limite (15/02/2010), para o e-mail simplicissimo@simplicissimo.com.br

4. No espaço Assunto do e-mail deve haver o título: II Concurso Simplicíssimo/O Pensador Selvagem de Minicontos

5. No e-mail que contém o(s) miniconto(s), devem ser enviados os seguintes dados de identificação: Nome do autor, CPF, endereço completo, telefone para contato, e-mail para contato e a resposta à pergunta: “Como ficou sabendo do II Concurso Simplicíssimo/O Pensador Selvagem de Minicontos”.

6. Não é permitida a inscrição de autores vinculados aos sites Simplicíssimo e O Pensador Selvagem, tampouco cônjuges ou familiares de primeiro grau destes.

7. Os minicontos inscritos devem ser originais e não podem ter sido publicados em nenhum tipo de meio impresso ou virtual, tampouco premiados em outros concursos anteriormente. Premiação:

Serão premiados os três melhores minicontos, levando-se em conta a originalidade, a concisão, a capacidade de narrar uma história, o final surpreendente e a correção da ortografia.
A premiação consistirá em:

Primeiro lugar: Vale-livros no valor de R$150,00, um exemplar do livro “Contos Caminhoneiros”, um exemplar do livro “O Maquinista Daltônico – Crônicas” e um exemplar do livreto “Café dos Confrades – Crônicas”
Segundo lugar: Vale-livros no valor de R$100,00, um exemplar do livro “O Maquinista Daltônico – Poesias” e um exemplar do livreto “Café dos Confrades – Crônicas”
Terceiro lugar: Vale-livros no valor de R$50,00 e um exemplar do livreto “Café dos Confrades – Crônicas”

O júri do Concurso será formado por 3 escritores:

Milton Ribeiro – blogueiro e escritor, editor do blog homônimo e colaborador do site Impedimento e co-fundador d’O Pensador Selvagem
Lilly Falcão – escritora e agitadora cultural, colunista do site Simplicíssimo
Rafael Reinehr – médico e escritor, membro da Associação Gaúcha de Escritores, editor do site literário Simplicíssimo e do site O Pensador Selvagem

Os minicontos serão julgados entre 15/02/2010 a 01/03/2010 e o resultado final será divulgado conjuntamente nos sítios Simplicíssimo e O Pensador Selvagem em 05/03/2010.