O lado bom da Copa

___Não gosto nem um pouco da imbecilidade anti-reflexiva que toma conta de quase todo mundo quando algum assunto – como hoje é o caso da Copa – praticamente mobiliza notícias e conversas, programas e comercias. Mesmo assim, fico contente com um dos seus efeitos: o momento de aprendizado que aquela catarse coletiva acaba proporcionando.
___Apesar de achar literatura de quinta, quando os livros do Dan Brown fizeram sucesso, a palavra “carmelengo” passou para o vocabulário de quem havia lido. Aquele afã todo trouxe uma palavra nova para o vocabulário de muita gente. O mesmo com o caso da gripe aviária ou do Grande Colisor de Hádrons. Palavras, conhecimentos científicos e assuntos incomuns, praticamente desconhecidos, chegaram às mãos de muita gente.
___É exatamente aí que meu desprezo pela Copa do Mundo acaba diminuindo.
___Ver as pessoas tratando a África como um continente, não como um país. Ouvir nomes de cidades da África do Sul, com se fossem famosas cidades brasileiras. Perceber que uma palavra em idioma zulu, “celebrar”, a famosa “jabulani”, é agora falada com a maior naturalidade.
___Tudo isso faz com que todo o ópio que é o futebol, faz com que as atitudes imbecis que estão relacionadas a ele fiquem um pouco mais bonitas. É pouco? Sim, é. Muito pouco. O preço que o futebol impõe ao mundo é alto. É bom tirar algo dele.
 
 

As eleições presidenciais de 2010 já estão decidas?

Faltam 3 meses para as eleições de outubro de 2010. Antigamente se dizia que: “urna e barriga de mulher só se conhece depois de abertas”. Contudo, o ultra-som, atualmente, permite conhecer o sexo e as condições de saúde dos fetos, assim como as pesquisas podem indicar quais são as principais preferências e tendências do eleitorado.

As últimas pesquisas de intenção de voto indicam que a ex-ministra Dilma Rousseff, que estava muito atrás no início do ano, ultrapassou o ex-governador paulista, José Serra. Relatórios divulgados pelos Institutos Vox Populi e Sensus, em maio, indicavam uma reversão na corrida presidencial. A pesquisa Ibope/CNI, divulgada 23 de junho, confirmou e apontou Dilma com 40% dos votos, Serra com 35% e Marina com 9% dos votos (havendo 16% de intenção de votos nulos, brancos ou indecisos). Havendo segundo turno, Dilma ganharia de 45% contra 38% de José Serra.

Existem duas tendências que têm se confirmado em todas as campanhas, pelo menos depois da retomada das eleicões, em 1989, na chamada Nova República:

1)    todos os candidatos que estavam à frente das pesquisas eleitorais 3 meses antes do primeiro turno, venceram as eleições;
2)    todo presidente eleito no Brasil saiu vitorioso em Minas Gerais.

Estas duas tendências estão presentes, em 2010, pois a candidata Dilma atingiu a liderança nacional e, também, mineira. Pesquisa Ibope, de 28 a 31 de maio, deu Dilma com 42% e Serra com 34%, em Minas Gerais. Pesquisa Sensus, realizada nas Alterosas, em 10 e 11 de junho de 2010, indicou Dilma com 37,3% das intenções de voto contra 32,1% de Serra. Na pesquisa Ibope/CNI, divulgada 23 de junho, a candidata Dilma passou à frente na região Sudeste, indicando que a candidata do PT está à frente em Minas.

De fato o presidente Lula conseguiu realizar uma proeza em terras mineiras, ao induzir o PT a abrir mão de uma candidatura própria ao governo estadual, para apoiar o candidato Hélio Costa do PMDB e ainda conseguir que o ex-ministro Patrus Ananias (do Bolsa Família) concordasse em concorrer como vice na chapa do PMDB, antigo desafeto do PT e dos setores progressistas do estado.

Com o forte palanque estadual e o fato da candidata Dilma ter nascido em Belo Horizonte, não é de se estranhar a virada em Minas, que é um Estado que representa uma síntese do Brasil, pois tem um pouco de São Paulo, no sul e no triângulo, um pouco do Rio, na Zona da Mata, um pouco do Nordeste do Brasil no Nordeste de Minas, um pouco de Brasilia e Centro-Oeste, na região de Paracatu. Como já disse o antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997): “Minas foi o nó que atou o Brasil e fez dele uma coisa só”.

Evidentemente, não é possível afirmar com certeza os resultados de outubro. Mas existem alguns fatores que favorecem à candidatura do PT e do Lulismo:

–    forte coalisão de partidos de vários espectros ideológicos;
–    bons palanques estaduais;
–    grande tempo na televisão e na Propaganda do Horário Eleitoral Gratuito;
–    grandes recursos financeiros;
–    forte presença do presidente Lula e sua alta popularidade;
–    economia crescendo a 7% em 2010;
–    redução do desemprego, crescimento da renda e do consumo, etc.
–    dificuldade da oposição em encontrar um discurso convincente;
–    novidade de alternância de gênero, com a possibilidade da primeira mulher presidenta do país;
–    expectativa favorável à continuidade do atual governo e suas políticas sociais; etc.

Por tudo isto, tem crescido a convicção de que a candidata Dilma Rousseff possa ganhar as eleições de outubro, se não acontecer nenhuma grande surpresa. Se assim for, resta saber se a vitória virá no primeiro ou no segundo turno.

Seria bom que, depois da alienação futebolistica e etílica da Copa do Mundo, o país aproveitasse os próximos 3 meses, antes da ida às urnas, para discutir um projeto de nação, especialmente propostas para melhorar a educação e garantir um ensino público de qualidade.

A dinastia comunista na China

O título deste artigo não é totalmente uma provocação, pois Dinastia é uma sequência de reis ou soberanos de uma mesma família que se sucedem no trono, sendo que o atual regime político da China tem uma sequência de dirigentes que se alternam, não pela descendência de parentesco, mas pela posição dentro da “família comunista”. De fato, na China, a sucessão dos dirigentes no poder ocorre dentro de um partido único e que já está no poder há 60 anos e se prepara para ficar muito tempo mais.

Maquiavel escreveu, em 1513, o livro “O Príncipe” que é um tratado de ciência política sobre a governança do Estado moderno, descrevendo as formas de atuação nas atividades públicas nacionais e internacionais e como gerenciar e manter um governo/principado. Antônio Gramsci disse que o partido político da atualidade é o “príncipe moderno”. Gramsci considerava que o partido é essencial para a hegemonia política e a formação de um “bloco hegemônico”. Neste sentido, o partido comunista chinês (PCC) tem se tornado um “Soberano” moderno. Como partido único, o PCC funciona com alguma semelhança a uma dinastia moderna.

Assim, o partido comunista chinês conquistou a hegemonia interna, substituindo os antigos imperadores e dando início a um novo período de desenvolvimento do país. Neste sentido, não seria exagero dizer que a “Dinastia comunista” é um regime que unificou o país e tem planejado e alimentado a ideologia de um futuro de grandeza e de grandes realizações que pretende superar as antigas Dinastias chinesas do passado.

A China possui uma das civilizações mais antigas e mais prósperas da história humana. O Imperador Amarelo, do século XIII a.C., é considerado o ancestral dos governantes do povo chinês. Os registros antigos já apontavam para a existência da Dinastia Shang (1045 – 256 a.C), que foi marcada por um ciclo de prosperidade e o surgimento de movimentos intelectuais e filosóficos impares, com a presença ilustre de Confúcio (confucionismo) e Lao Tsé (taoísmo).

Mas os estudiosos denominam de China Imperial o período entre o início da Dinastia Qin (século III a.C.) e o fim da Dinastia Qing (no começo do século XX). O Imperador Qin Shi Huang é famoso por ter iniciado a Grande Muralha da China (que foi posteriormente ampliada e aperfeiçoada durante a Dinastia Ming), além de proporcionar a unificação do país e o desenvolvimento da linguagem escrita e da moeda. A Dinastia Qin (221 – 206 a.C.) entrou em colapso com a morte do seu imperador, mas deixou como herança, além do nome do país, um estilo de regime político.

A Dinastia Han (206 a.C. – 220 d.C.) manteve grande parte da estrutura administrativa de Qin, mas sem a centralização excessiva. Houve o estabelecimento de uma meritocracia, que selecionada os funcionários públicos através de exames para o serviço civil, com base nos ensinamentos de Confúcio. Durante a Dinastia Han Oriental, a economia, a educação e a ciência prosperaram e o houve crescimento do comércio com os vizinhos do norte e com os países do Oriente Médio e Europa (através da famosa Rota da Seda). O povo chinês ainda se considera um povo Han.

Depois de um período de instabilidade, surgiu a primeira Dinastia Jin (265 — 317), que também foi seguida de um outro período de grerras internas. A Dinastia Sui (581 – 618) conseguiu reunificar o país, após um longo período de fragmentação política na qual o norte e o sul se desenvolveram independentemente. Os suis uniram o país e criaram diversas instituições que terminaram por ser adotadas por seus sucessores, a Dinastia Tang (618-907). Os tangs garantiram uma era de prosperidade e inovações nas artes e na tecnologia, especialmente com a introdução do budismo, que se havia instalado gradualmente na China a partir do século I, tornou-se a religião predominante e foi adotada pela família imperial e pelo povo.

Após o período conhecido como das Cinco Dinastias e dos Dez Reinos, formou-se a Dinastia Song (960-1279) que conseguir controlar a maior parte da China e estabeleceu a cidade de Kaifeng como capital, dando início a um outro período de prosperidade econômica. Em 1115, subiu ao poder a segunda Dinastia Jin (1115-1234), mas a China encontrava-se dividida entre a Dinastia Jin, ao norte, a Dinastia Song Meridional.

O Império Jin foi derrotado pelos mongóis, que em seguida subjugaram os sungs meridionais. Com isto, a China foi unificada novamente, mas agora como parte de um vasto Império Mongol. Neste período, Marco Polo visitou a corte imperial em Pequim. Kublai Kã, neto de Gêngis Kã e fundador da Dinastia Yuan (1271-1368, a primeira a governar a China a partir de Pequim), incentivou o comércio e as navegações.

Diversas rebeliões camponesas mandaram os mongóis de volta às estepes do norte. A Dinastia Ming (1368 – 1644), lançou as bases de um Estado mais agrícola. Tais políticas permitiram aliviar a pobreza e garantir uma certa segurança alimentar. A Dinastia Qing (1644 – 1911) foi fundada após a derrota dos mings, a última dinastia han chinesa, pelos manchus, que invadiram a China a partir do norte, mas adotaram as tradicões confucianas e terminaram por governar na mesma linha das dinastias nativas anteriores. Os manchus consolidaram o controle sobre o território, ampliando-o para incluir Xinjiang, o Tibete e a Mongólia.

Mas o século XIX trouxe o enfraquecimento das Dinastias e a concorrência ocidental levou ao declínio econômico e à humilhação das Guerras do Ópio, em 1840. O tesouro imperial chinês quebrou duas vezes, por conta do pagamento de indenizações devidas às guerras do ópio e à grande evasão de prata causada pelo tráfico de ópio. O povo chinês sofreu fomes extremas e a Dinastia Qing se mostrou incapaz de auxiliar a população, jogando o país no caos político e econômico. Os exércitos qings foram derrotados na Guerra Sino-Francesa (1883-1885) e na Guerra Sino-Japonesa (1894-1895). A incapacidade da Dinastia Qing em governar o país fez com funcionários, oficiais militares e estudantes – liderados por Sun Yat-sen – proclamassem a República.

Durante a República da China (1912 – 1949) o país ficou dividido entre as forças de Chiang Kai-shek, que assumiu o controle do Kuomintang (Partido Nacionalista, ou KMT) e as forças de Mao Tse-tung, líder do Partido Comunista da China (PCC), além de ter parte do território invadido pelo Japão. Mas, em 1949, o PCC assumiu o controle do país. O “grande timoneiro”, Mao Tse-tung, unificou a China e estabeleceu os princípios socialistas na vida e na economia, entre 1949 e 1976, isolando o pais da comunidade internacional. Porém, após um breve período de instabilidade, o chamado “bando dos 4” foi derrotado e Deng Xiaoping estabelece a política das Quatro Modernizações (indústria, defesa, agricultura, ciência e tecnologia) e propôs aplicar o princípio “um país, dois sistemas”, em que estabelece o sistema centralizado e comunista, no plano político, e o “livre” mercado, no plano econômico.

Assim, a gestão comunista na China não tem o mesmo caráter das Repúblicas Ocidentais. Trata-se de um regime centralizado e que pensa no longo prazo, como nas antigas dinastias. A China, a partir de 1980, apresentou as maiores taxas de crescimento econômico da história. Nunca antes um país se desenvolveu economicamente em tal rapidez e conseguiu ampliar de maneira substancial sua presença no cenário internacional. Esta forma de governo tem sido chamada de  “Consenso de Beijing” e tem colocado a China no caminho de conquistar uma hegemonia internacional, em um nivel superior do que o país já apresentou no passado.

Como a China é muito grande em termos territoriais e populacionais, o impacto do alto crescimento econômico sobre o mundo e o meio ambiente é enorme. Especialmente a partir do ano 2000, a China tem ampliado as suas exportações industriais e aumentado as suas importações de matérias-primas (commodities). A novidade é que a China tem conseguido ampliar suas exportações reduzindo os preços de suas manufaturas, enquanto os preços das comodities importadas tem crescido. Isto significa uma mudança nos termos de intercâmbio internacional, o que tem possibilitado que a China acumule reservas cambiais em seu comércio com os países desenvolvidos, garantido um alto crescimento dos países em desenvolvimento (Terceiro Mundo).

Ou seja, o mundo está passando por uma grande mudança econômica e por alteração no ritmo de crescimento entre os países e regiões do mundo. E tudo isto se deve ao enigma de uma “Dinastia comunista” que tem reconfigurado as relações políticas e econômicas da China e do mundo.

A desocidentalização do mundo?

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) é uma entidade que representa, grosso modo, os países ocidentais, tendo sido criada em 1960 com o objetivo de promover políticas de expansão sustentável da economia, do emprego e do progresso do nível de vida das populações dos países-membros. Atualmente 30 países fazem parte da OCDE: Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, República Tcheca, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Japão, Coréia, Luxemburgo, México, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Polônia, Portugal, República Eslovaca, Espanha, Suécia, Suíça, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos. O Chile se tornou o primeiro país da América do Sul a ser aceito na OCDE, devendo ser o 31° membro.

Segundo o relatório “Perspectivas sobre o Desenvolvimento Mundial 2010 – Deslocamento da Riqueza” (divulgado em 16/06/2010) estes 30 países da OCDE representavam 62% do PIB e 17% da população mundial, no ano 2000. Porém, os países subdesenvolvidos, ou emergentes (não pertencentes à OCDE) vem apresentando um crescimento mais acelerado no século XXI e passaram de 38% do PIB, em 2000, para 49%, em 2010, e devem atingir 57% do PIB mundial, em 2030.

Ou seja, após a década perdida (anos 1980) e a queda do Muro de Berlim, o centro de gravidade econômico do planeta tem caminhado em direção ao leste e ao sul do globo – isto é, dos países ricos que integram a OCDE para os países emergentes – fenômeno que o referido relatório chama de “deslocamento da riqueza”. Este processo de desocidentalização do mundo não significa que o Ocidente vai declinar em termos absolutos, mas significa uma perda relativa. Já os países não-ocidentais irão crescer em termos absolutos e relativos.

A China e a Índia – que possuem 37% da população mundial – são os dois países que mais contribuiram para o deslocamento do centro de gravidade econômico do mundo. Mas também o Brasil e a África do Sul são países que apresentam bom desempenho econômico nos últimos anos. De modo geral, a América do Sul e a África tem crescido acima da média mundial e apresentado taxas de crescimento do PIB bem superiores do que as economias da OCDE.

Evidentemente, o “deslocamento da riqueza” dos países “avançados” para os países “emergentes”. embora esteja longe da equidade, é uma boa noticia do ponto de vista da distribuição de renda e da força geopolítica dos países que não pertencem ao “Ocidente do Norte” (OCDE). A própria mudança da “governança global” do G-8 para o G-20 já reflete um certo peso das principais economias “emergentes”, como China, Índia,  Indonésia, Brasil, África do Sul, etc.

Porém, o crescimento econômico dos países mais populosos – que estão mimetizando o padrão de consumo dos países ocidentais – vão provocar um enorme stress sobre o meio ambiente. O grande desafio das próximas décadas será: garantir a capacidade de regeneração da Terra, mitigar o aquecimento global e garantir a sobrevivência da biodiversidade do Planeta.

Referencia:
Perspectives on Global Development: Shifting Wealth
http://www.oecd.org/document/12/0,3343,en_2649_33959_45467980_1_1_1_1,00.html

Cogito

Raciocinar é a mais nobre atividade da mente humana. Significa realizar um encadeamento de idéias em que os argumentos apresentados conduzem a uma conclusão objetiva. René Descartes, (1596-1650), filósofo e matemático francês, foi o autor da famosa frase “Cogito ergo sum”, (Penso, logo existo). O ser humano é um ser pensante, único na natureza. É por pensar que se tem consciência de estar no mundo e sentir-se capaz de desvendar os seus mistérios. Nicolau Copérnico, (1473-1543), astrônomo polonês, alijou-nos do centro do universo, em que todos os astros giravam em volta da Terra para maior glória de Deus. Com Copérnico ficamos pertencendo a um pequeno planeta de uma estrela secundária. Apesar de manter as órbitas circulares das esferas celestes, Copérnico teve o mérito de interpretar corretamente o movimento dos astros em relação à Terra. Não eram os astros que giravam em volta da Terra, mas a Terra que girava em volta do Sol. Estava implantado para sempre o heliocentrismo, mesmo com a oposição da Igreja Católica Romana. Foi a partir dessa constatação irrefutável que surgiram as idéias do Sistema Solar, com os movimentos de rotação e translação da Terra. Desta forma a ciência entrava em confronto com a Igreja Católica Romana, cabendo a Galileu Galilei, (1564-1642), matemático, astrônomo e físico italiano, enfrentar esse desafio. Para evitar ser condenado como herege, Galileu abjurou, em 1633, das suas idéias, retratando-se em audiência pública perante os representantes da Inquisição. Apesar disso passou os últimos oito anos da sua vida em prisão domiciliar, proibido de divulgar as suas teorias. Mas cerca de 32 anos após a condenação de Galileu, Isaac Newton, (1642-1727), matemático e físico inglês, publicou a sua obra “Philosophie Naturalis Principia Mathematica”, (Princípios Matemáticos da Filosofia Natural), onde apresentou a Lei da Gravitação Universal. Os corpos atraem-se mutuamente, na razão direta das suas massas e na razão inversa do quadrado das suas distâncias. Esta simples fórmula motivou uma das mais fantásticas histórias da astronomia. Levando em conta apenas as distâncias entre planetas, Adams, inglês, e Le Verrier, francês, independentemente um do outro, verificaram, em 1846, que a órbita do planeta Urano, último planeta conhecido mais longe do Sol, apresentava anomalias no seu traçado. Supondo que eram erros, repetiram as medições muitas vezes sem sucesso. Finalmente tiveram a idéia que talvez existisse um outro planeta e assim inventaram um e calcularam qual devia ser a sua posição no céu de forma a eliminar as distorções. Os dados foram encaminhados ao observatório de Berlim que descobriu na região indicada um novo planeta, o planeta Netuno. Newton criou também o cálculo diferencial e integral aplicável às funções contínuas, as leis da mecânica dos corpos em movimento e a lei da inércia. Mas apesar do seu sucesso, a mecânica e a lei da gravitação apresentam limites de aplicação. A mecânica falha quando os corpos se movimentam a velocidades próximas da velocidade da luz no vácuo de 300.000 km/seg, velocidade máxima do universo. É uma velocidade altíssima. A luz por exemplo, demora oito minutos para percorrer a distância do Sol á Terra. Por sua vez, a lei da gravitação falha quando se trata de corpos de grande massa. Estes casos foram resolvidos por Albert Einstein, (1879-1955), físico judeu alemão naturalizado norte-americano, com as teorias da relatividade especial e da relatividade geral. Na primeira, Einstein considerou que o espaço e o tempo se fundiam em uma única identidade o espaço-tempo. Na segunda, considerou os fótons, partículas da luz, cuja massa está sujeita à ação da gravidade tornando o espaço curvo no entorno dos corpos de grande massa. Newton e Einstein são considerados os maiores físicos da história.

Fico por aqui. Até à próxima.     

 

Probabilidades

O cético duvida das nossas certezas. A vida para ele é uma seqüência ininterrupta de incertezas. Probabilidade é a pretensão de quantificar a incerteza, a avaliação do grau de variação da possibilidade de que algo aconteça em um determinado período de tempo. A essência da probabilidade é a incerteza. Não existe a certeza da incerteza, pois se assim fosse, a incerteza desapareceria e com ela a probabilidade. O grau de probabilidade varia entre dois extremos de certezas, 0 e 100 %. Se for zero, o que se espera nunca irá acontecer, se for cem porcento, o que se espera sempre acontecerá. Os extremos não são probabilidades, são certezas. Mas na pesquisa da opinião pública sobre as chances dos candidatos a uma eleição, o pesquisadores após apresentarem os resultados, dizem sempre “a margem de erro é de 3 pontos para cima ou para baixo”. Vocês poderão dizer: “Com esta informação as incertezas viraram certezas”. Não é verdade. A estatística, ramo da matemática que estuda os  procedimentos de obtenção, organização e análise de dados de uma consulta a uma parcela da população, sobre os resultados de uma eleição, tem por objetivo tirar conclusões e fazer ilações que possam ser extrapolados para a totalidade da população de eleitores. O que a “margem de erro” quer predizer é que se a mesma pesquisa fosse realizada novamente, os resultados ficariam dentro da variação indicada de 6 pontos. São portanto as pequenas mudanças, de quem opinou na 1ª pesquisa e não na 2ª e vise-versa, de quem mudou de opinião, etc. etc. Ou seja, se dois candidatos estão, na pesquisa, com as suas pontuações dentro da margem de erro, podemos dizer que estão tecnicamente empatados. Evidentemente, na eleição, os dois candidatos, certamente não ficarão empatados, mas pela pesquisa não dá para se saber qual seja.
O princípio de causa e efeito – as mesmas causas produzem os mesmos efeitos – lida com certezas e é o apanágio da Física, a essência dos fenômenos repetitivos da natureza. O conceito de probabilidade não se aplica neste caso. No entanto às vezes isso não acontece,  as causas podem ter uma multiplicidade elevada, produzindo várias alternativas de resultados. É assim na meteorologia, que leva em conta fatores globais, regionais e locais,  um conjunto que revela a grande complexidade do nosso planeta. Neste caso é impositiva a quantificação das incertezas em probabilidades. É claro que, no clima, podem ocorrer certezas no meio das incertezas. Por exemplo, com exceção de poucos dias por ano, é possível afirmar que não vai nevar no Brasil. Aqui convém fazer uma observação. As probabilidades que nos interessam, referem-se à possibilidade de ocorrência de eventos e não à possibilidade de eles não acontecerem. O exemplo não vale, o certo seria colocar o oposto, ou seja, a probabilidade de nevar em algum ponto do Brasil. Para encerrar, vejamos um detalhe freqüente nos boletins meteorológicos: “O dia de hoje foi o mais frio dos últimos dez anos”. Trata-se de simples constatação, resultante da comparação do registro histórico das temperaturas do posto local no “período de recorrência” de 10 anos. É óbvio que o período de recorrência pode ser maior se existir o correspondente registro histórico.

Fico por aqui. Até a próxima.    

 

Sobre o roteiro cinematográfico – Parte Primeira: “Uma ideia e um coelho”

 

Para debatermos melhor o processo de produção de um roteiro cinematográfico, dividimos nosso texto em partes e temas específicos.

 

Segue a primeira parte:

 

Sobre o roteiro cinematográfico – Parte Primeira: “Uma ideia e um coelho”

 

Teoricamente, um bom filme deriva de um bom roteiro, nascido de uma boa ideia. Mas, porém, todavia, contudo, fazer cinema não é um processo matemático, é uma cadeia lógica, técnica, e seu resultado final não é previsível e, muito menos, calculável.

Escrever sem ter medo do que se é, ter o mundo como fonte inesgotável, como alimento para nossas produções diversas. De um ponto nasce uma ideia que se propaga em letras, palavras, sentenças. Agora, como estendê-las em imagens? Mais que sussurros do mundo, muitos roteiristas, especialmente alguns estreantes, esperam retirar da cartola um coelho grande e criativo, único e filmável. Manuais diversos se espalham pela internet, sítios (sites), textos, livros, palestras, debates, conferências refletem sobre este processo que é o nascedouro de um filme. Mas, para elaborar um roteiro, deve-se crer mais no conhecimento da técnica do que na magia pura e na ilusão.

Um aspirante a roteirista que procure um aspecto extremamente literal em suas obras, produzindo algo lindo, belo e romanceco, encontrará uma palavra simples, que pode barrar seu roteiro: inexecutável.

Uma ideia boa não faz um bom filme, ela sustenta todas obras de qualidade, porém não é seu único alicerce. O ponto inicial se recria através, e a partir, da ideia central, que, bem trabalhada, desenvolvida e desenhada, cria uma determinada história que será pensada, repensada e trilhada pelo roteirista, que conduzirá seu trabalho para a equipe responsável pela produção e pós produção do filme. Este, que dantes existia apenas no papel, prepara-se para envolver cada uma de suas amarras às tarefas da equipe de produção, aos olhos dos diretores, ao trabalho dos atores, aos detalhes do cinematógrafista, enfim, passará por diversas mãos, horários, escalas e prazos.

Para que seu conto sera realmente transcrito em imagens, deve ser visto como, além de um processo criativo, um trabalho técnico.

Desenhar e imaginar o encantamento imagético e sonoro, possuir o conhecimento de todo o processo cinematográfico, ter critérios e bom senso é que faz a magia acontecer.

Onde realmente vão parar aquelas páginas? Em que irão se transformar os detalhes descritos por mim?

Você observa o mundo, recolhe materiais de pesquisa, se tranca em universos diversos a cada escrita, revisa, repassa, transforma, passa sua produção textual-técnica para frente. Se o resultado é fidedigno ao que você pretendia, é outra história.

E, além do conhecimento do processo técnico, onde entra a poética inspiração? Ah, a inspiração é algo que vê como casável com a criatividade e o suor. Esquece-se de que, para tê-los a seu favor, deve-se sim compreender a significação de cada um desses termos. O que é inspiração? Como a encontro? Criatividade é um conceito palpável? Onde e com quem ela está? Suor se dá em que processo da pesquisa? Cada um terá uma resposta diversa, mas buscá-la é essencial.

Refletir sobre sua produção escrita, entendendo seu encadeamento lógico e executável, saber o que se faz e para quem, são os caminhos óbvios do “como?”.

Podemos um dia tirar o coelho da cartola, quem sabe, podemos contar até com a sorte, mas nenhuma delas se fará útil sem uma real compreensão de como o contexto da magia de faz e como o universo cinematográfico se dá.

Muitas são as obras escritas com uma elaboração crível e executável, casando com uma construção crítica da ideia inicial, compreendendo o processo de produção e construção da magia cinematográfica, prontas para serem retiradas da cartola e estregues para a filmagem. Porém, muitas faltam retornar devagar onde tudo começou, repensar onde e como aquilo foi parar onde está, repensar como aquilo se desenvolveu daquele modo, dominando para onde aponta e por que aponta em determinadas direções.

Mais que desenvolver uma história, deve-se trabalhá-la direcionada à execução, tenha esta palavra a conotação que tiver.

 

Na próxima, iremos conversar um pouco sobre como a memória entra no processo criativo e qual sua relação com o “fazer diferente”. Até lá.

 

 

Sexo, propaganda e moralidade

Cerveja, mulher e objetos

___Existe alguém que não conheça o bizarro apelo sexual das propagandas de cerveja? Toda a sociedade aprova um produto que causa danos à saúde, ao próximo e promove o machismo.
___Não só nas cervejas, o sexo é caminho fácil para a venda de qualquer coisa. Deem uma olhada nessa exposição do iPad, da Apple.

___Como muito bem disse o interessante Luli Radfahrer, “Lembrou um strip-tease? Sua mente é menos suja do que você imagina.”. A sociedade de consumo a tudo aceita. Nada para ela é minimamente errado. Certo?
___Tente, então, virar um professor. Vá ensinar seus alunos não a consumir, mas a questionar, criticar, pensar. Tente usar quadros com nus de outras épocas, contos do Marquês de Sade ou falar livremente sobre preservativos em sala de aula. A direção, os pais, a sociedade não vão aceitar e o professor, se não for demitido, ainda saí com o rótulo de imoral.
___Devo ter sorte por considerar “pervertido” um elogio.
 
 
 
 

Voto Dilmasia ou Serrosta: cristianização em Minas Gerais?

A candidata Dilma Rousseff (PT) vai concorrer à presidência da República, tendo como vice Michel Temer (PMDB). Para montar a inédita parceria nacional, o PMDB exigiu que o PT apoiasse os candidatos do PMDB, aos governos estaduais, nas Unidades da Federação onde o candidato pemedebista estivesse à frente.

Este é o caso de Minas Gerais. O senador e ex-ministro do governo Lula, Hélio Costa (PMDB) está à frente nas pesquisas de intenção de voto. Acontece que Hélio Costa já se candidatou ao governo do estado de Minas Gerais, em 1990, e perdeu para Hélio Garcia, por menos de 1% dos votos, no segundo turno. Candidatou-se novamente em 1994, e embora tenha ficado com 49% dos votos no primeiro turno, acabou perdendo para Eduardo Azeredo, no segundo turno. Ou seja, a despeito de sua força eleitoral, parece que Hélio Costa tem dificuldades estruturais para conseguir a maioria do eleitorado mineiro. O apoio do PT poderia ser o empurrãozinho que faltava para a vitória do jornalista, ex-apresentador da rede Globo.

Porém, o PT mineiro tinha dois candidatos ao governo do estado. O ex-ministro do MDS (responsável pelo Programa Bolsa Família), Patrus Ananias, e o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel. Nas prévias do PT, venceu Pimentel. Acontece que Pimentel faz parte do comando político da campanha de Dilma Rousseff e não pode colocar em risco a aliança PT-PMDB, como foi acertado pelo diretório nacional do PT. Assim, a alternativa seria garantir a candidatura de Hélio Costa, com Patrus Ananias para vice e Fernando Pimentel para o senado.

Contudo, seria muito difícil conquistar o apoio do eleitorado de Minas para uma tal chapa que não faz parte das tradições do estado e que junta inimigos políticos históricos. Em MG, PT e PMDB são como dois líquidos que não se misturam e que o eleitorado mineiro teria dificuldade de engolir.

De outro lado, o PSDB de Aécio Neves, tem como candidato o atual governador Antônio Anastasia, que não aparece muito bem nas pesquisas de intenção de voto, mas conta com o apoio do ex-governador Aécio, que além de candidato ao senado, tem forte apoio do eleitorado, além de uma boa relação pessoal e política com o presidente Lula e com o ex-prefeito Fernando Pimentel.

Na verdade, em Minas Gerais, as “afinidades eletivas” são maiores entre o PT e o PSDB do que entre PT e PMDB. Porém, não existe possibilidade alguma de aliança estadual destes partidos, já que, no plano nacional, o PT, com Dilma Rousseff, disputa a Presidência da República, com José Serra, do PSDB.

Todavia, para além das alianças formais, é possível haver algum acordo informal entre os políticos e uma opção não convencional por parte do eleitorado. É neste jogo que surge a possibilidade do voto DILMASIA, isto é, o voto em Dilma para a Presidência da República e Anastasia para o governo do estado de Minas Gerais. Parece que o presidente Lula conta com esta possibilidade para eleger a sua candidata (e ele conta com uma eleição decidida no primeiro turno).

Caso este arranjo seja concretizado, na prática, dois cabeças de chapa seriam abandonados, com os eleitores de Anastasia abandonando o barco de José Serra e os eleitores de Dilma abandonando o barco de Hélio Costa. Haveria uma dupla cristianização.

O termo cristianização surgiu em 1950, quando o candidato à Presidência da República, ex-deputado mineiro Cristiano Machado (PSD), foi abandonado pelo partido e pelo eleitorado, que apoiaram a volta de Getúlio Vargas (PTB/PSP) ao Palácio do Catete, contra o candidato Brigadeiro Eduardo Gomes, da UDN. Portanto, a cristianização não é uma prática nova na política de Minas e do Brasil.

José Serra e Hélio Costa serão cristianizados em Minas? Ou haverá o voto Serrosta? Parece que o mais provável é o voto Dilmasia, pois alguns partidos da aliança nacional do PT estão migrando para apoiar Antônio Anastasia em Minas. É o caso do PSB, do atual prefeito de BH, Márcio Lacerda, e do PR, do ex-vice-governador Clésio Andrade.

Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país. Em geral, os presidentes eleitos costumam ganhar no estado. Mas só o desenrolar da campanha poderá desvendar os rumos e o ritmo da anuviada política mineira. O fato é que, como dizia o ex-governador Magalhães Pinto, em Minas, a política é como nuvem: “Você olha e ela esta de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”.

Copa (ou caneco) do mundo?

O futebol é uma paixão nacional. O Brasil é considerado a pátria de chuteiras. Mas na verdade, enquanto os jogadores vão estar com a chuteiras em campo, o povo vai ser incentivado a assistir aos jogos com um caneco de cerveja na mão, conclamados a serem guereiros patrióticos. A associação entre seleção brasileira de futebol e cerveja é um péssimo exemplo para os jovens e toda a população brasileira.

Pode-se considerar criminoso o fato do comando da CBF vender a imagem da seleção brasileira de futebol para promover e valorizar uma marca de cerveja no Brasil. Na verdade as propagandas de cerveja deveriam ser tratadas sob a ótica da saúde pública, sendo insuficiente e cínica colocar a frase “beba com moderação”. Aliás, o Ministério da Saúde, por meio da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), tem tentado implementar propostas de restrições à publicidade deste bilionário mercado das cervejas, pois associa o consumo de álcool a acidentes de trânsito com vítimas, má-formação de bebês e até ao abuso sexual e episódios de violência de todo tipo. Cerveja e violencia no futebol, com as batalhas campais dentro e fora dos estádios é uma cena “familiar”. Os efeitos sobre o aumento da pobreza e das taxas de mortalidade e morbidade são evidentes. Sem dizer que cerveja e churasco são grandes emissores de gases de efeito estufa, sendo uma combinação deletéria para o meio ambiente.

Tem crescido as manifestações contra a venda da imagem da seleção de futebol pentacampeã do mudo. No dia 13 de maio, o desembargador aposentado, Aloísio de Toledo César, escrevu o artigo “A seleção a serviço da cerveja”, no jornal O Estado de São Paulo. Ele escreveu:

É desanimador, profundamente desanimador, assistir na televisão, várias vezes ao dia, às propagandas que mostram craques da seleção brasileira de futebol induzindo a população a ingerir bebida alcoólica. Realmente, o técnico Dunga e jogadores que integram ou já integraram a seleção ali estão, presumivelmente por dinheiro, a estimular aqueles que os admiram a esse vício, que representa drama dos mais sérios para milhões de pessoas neste país: o alcoolismo”.

Na edição de número 2165, de 19 de maio de 2010, da revista Veja, o colunista Roberto Pompeu de Toledo, escreveu o artigo “Talibãs de chuteiras”, dizendo:

A temporada de Copa do Mundo começa mal. Logo de saída, o técnico Dunga nos ameaça com patriotismo. Nada menos do que patriotismo! Um anúncio de cerveja na televisão, no ar faz algumas semanas, já batia na mesma infausta tecla. Um desesperado Dunga, esbravejando iracundas palavras de ordem e gesticulando como um possesso, num cenário cheio de sugestões de verde-amarelismo, pregava que para ganhar no futebol só sendo “guerreiro”,  no caso, “guerreiro” como os consumidores da cerveja em questão”.

No dia 17 de maio, o jornalista Ruy Castro, escreveu no jornal Folha de São Paulo, o artigo “A Copa dos goles”, com as seguintes denúncias”:

Um tradicional festival de jazz -música que só interessa a adultos, e, mesmo assim, a uma fração deles- deixou de existir no Brasil há alguns anos porque não podia ser patrocinado por uma marca de cigarros. Já a seleção brasileira, que estará onipresente nos lares brasileiros dentro de três semanas, pode ser patrocinada por uma bebida alcoólica. A dita bebida, uma cerveja, tomará o país em dimensões nunca vistas e por todas as mídias existentes, incluindo publicidade estática, indução subliminar e telepatia. Uma rima pobre -“brahmeiro”, “guerreiro”-, pespegada aos jogadores, será o mote de milhões de crianças enquanto durar a Copa do Mundo, enfatizando, inclusive para os pais, a “naturalidade” do consumo de cerveja desde tenra idade. Quinze por cento desses milhões desenvolverão alcoolismo dentro de dez anos. E, embora estejamos falando de futebol, isso não é um chute. É apenas a porcentagem de pessoas que desenvolvem a doença num universo humano com acesso livre a bebidas alcoólicas, o que sói ser o caso do Brasil. Não por acaso, esse é também o número estimado de alcoólatras no país: 28,5 milhões -15 % da população”.

Esperamos que estas manifestações de protesto contra o uso da imagem da seleção brasileira de futebol e contra este patriotismo e ufanismo infantil e atrasado se ampliem, e que o povo brasileiro não aceite ser feito de consumidor alienado de qualquer bebida alcoólica a serviço do lucro corporativo.