Uma mulher na direção do FMI

Não deixa de ser irônico que uma mulher chegue ao posto máximo do Fundo Monetário Internacional (FMI), depois da prisão do seu ex-Diretor Presidente, Dominique Strauss-Kahn, por tentativa de estupro contra uma camareira afro-descendente, em Nova York.
Mas a chegada de Christine Lagarde à direção do FMI reflete uma nova realidade da economia mundial e da situação da mulher no mundo.

O FMI, desde que foi criado em 1944, sempre foi dirigido por homens europeus, enquanto o Banco Mundial era dirigido por homens dos Estados Unidos (EUA). A união dos EUA com a Europa garantia a hegemonia dos “países avançados” (na terminologia do FMI) no controle das instituições multilaterais do mundo. Ao mesmo tempo, os requícios do patriarcalismo garantia a hegemonia dos homens no topo da hierarquia dos cargos.

Mas esta história tende a mudar no século XXI. Por um lado os países em desenvolvimento (ou países emergentes) tem crescido economicamente a um ritmo superior ao dos países avançados. Por exemplo, o G-7 (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) produzia mais da metade do PIB mundial até o ano 2000, caiu para 40% em 2010 e deve ficar em torno de 36% até 2015. Enquanto isto, os demais 12 países que compõem o G-20 produziam apenas 25% do PIB mundial em 2000, mas devem ultrapassar o G-7 já em 2014. Portanto, os países emergentes (liderados pela China e Índia) passaram à frente na economia internacional, mas ainda não possuem a mesma representatividade no poder de voto no FMI.

Do ponto de vista das questões de gênero, o mundo passa por um processo de despatriarcalização e cresce a presença das mulheres no mercado de trabalho e na política. Em muitos países as mulheres já possuem níveis educacionais superiores aos dos homens. Cresce o movimento pela paridade de gênero nos postos de direção das empresas e do setor público. Portanto, a exclusão das mulheres do topo da hierarquia dos organismos multilaterais não encontra mais base de apoio na nova realidade de gênero na maioria dos países do mundo.

Desta forma, a disputa ocorrida entre uma mulher (européia) e um homem do “terceiro mundo” (Agustín Carstens -presidente do banco central mexicano) já reflete a nova situação econômica e de gênero no cenário internacional.

Duas novidades: Christine Lagarde não é economista. Mas sim uma advogada que lida com a macroeconomia. Isto é uma novidade, pois, em geral, as mulheres são associadas à microeconomia, especialmente à microeconomia da família ou de localidades. A ausência de mulheres no trato das questões macroeconômicas é uma das desigualdades de gênero mais persistentes em todo o mundo.

Evidentemente, a gestão de Christine Lagarde não será boa simplesmente pelo fato de ela ser mulher. Nem uma gestão de Agustín Carstens seria boa pelo fato de ele ser de país emergente. Mas, sem dúvida, o FMI precisa se renovar e se colocar à altura dos desafios mundiais do século XXI. Além da reforma da estrutura de poder interna ao FMI, serão muitos os desafios econômicos de Christine Lagarde, como as mobilizações de rua da Grécia têm demonstrado.

A revolução social dos celulares

O número de subscrições de telefones celulares no Brasil, em meados de 2011, atingiu o número de 215 milhões, para uma população estimada em 193 milhões de habitantes. Portanto, existem mais celulares do que habitantes no Brasil, embora “apenas” 80% dos domícilios tenham pessoas com acesso ao celular. Existem mais domicílios com acesso ao celular do que ao esgotamento sanitário adequado.

No mundo, existiam 719 milhões de subscrições de celulares no ano 2000, passando para 5,3 bilhões em 2010. Estima-se que, em 2015, haverá mais celulares do que habitantes no globo.  Até 2020, o acesso universal ao telefone celular deixará de ser uma utopia.

O telefone celular deverá ser o primeiro aparelho – fruto da revolução industrial e científica e tecnológica – com uso universal, especialmente se houver políticas para reduzir as tarifas e garantir a conecção e a inclusão digital.

Alguns estudiosos consideram que haverá uma revolução social no mundo se todos os cidadãos do mundo estiverem conectados via celular e Internet, pois além de eliminar o isolamento das pessoas, a inclusão digital possibilitará que as pessoas tenham acesso a serviços e informações como nunca antes imaginado.

Os celulares são aparelhos que sintetizam e disponibilizam diversas invenções que ocorreram nos últimos 150 anos. Os aparelhos celulares incorporam relógio, calculadora, máquina de fotografia, filmadora, despertador, GPS, etc. Pelo celular pode-se ouvir rádio, assistir televisão, ver filmes e ter acesso a livros, jornais e sites de notícias, etc. O celular com acesso a Internet pode funcionar como um roteador e ligado a um i-Pad as pessoas podem ter acesso a educação à distância, podem consultar informações sobre saúde, meio ambiente, etc. Além disto, podem se ligar às redes sociais e aos mecanismos de democracia direta, participando de enquetes, plebiscitos, enviando e trocando opiniões sobre a vida social, global e local.

Assim como a revolução dos tipos móveis de Gutemberg possibilitou a impressão de livros, jornais e panfletos – antecipando o surgimento do Renascimento e do Iluminismo – os celulares e a Internet estão possibitando o acesso às informações, o contato entre as pessoas e as manifestações espontâneas (independentemente do Estado, dos partidos, sindicatos, etc.).

A primavera Árabe que começou na Tunísia, em 2010 e se espalhou pelo Egito e outros países do Oriente Médio, em 2011, teve o celular e a Internet como instrumentos potencializadores. Em vários países do mundo, a conectividade tem contribuido para o aumento da participação democrática, especialmente dos jovens. A revolução social social dos celulares teria implicações na economia, na democracia e no aprofundamento da transição demográfica, na medida em que coloque as pessoas em contato e reduza o isolamento individual e anti-social.

Evidentemente nenhuma revolução vai  acontecer puramente com base em inovações tecnológicas. Mas o celular pode ser um aparelho que possibilite uma revolução social, desde que os cidadãos e cidadãs do mundo, tenham controle sobre este aparelho e sobre a transmissão de dados e queiram mudar o estado atual da governança local e global e dos rumos do modelo de desenvolvimento hegemônico.

nem esquerda, nem direita, nem fora do eixo! Ivana Bentes e o artigo do Passa Palavra

Contexto:

O projeto/coletivo Passa Palavra publicou um artigo intitulado “A esquerda fora do eixo”, abordando as “últimas mobilizações em São Paulo e apontando a fragilidade prática e teórica da esquerda num cenário de ascensão e transformação econômica”.

Inicialmente o texto faz uma resenha política, por assim dizer, dos movimentos livres que aconteceram em São Paulo, incluindo a Marcha da Liberdade, que ampliou-se para uma mobilização nacional, realizada no dia 18 de junho, envolvendo pelo menos 40 cidades em todo o Brasil. Em seguida apresenta a sua visão do Coletivo Fora do Eixo (um dos núcleos articuladores da Marcha), analisa as relações do Coletivo com a esfera pública cultural e política e também com o mercado da cultura. Por fim, acusa fragilidade política e social nos movimentos por eles não apresentarem um conteúdo político efetivamente e estruturalmente transformador, e acusa o Coletivo Fora do Eixo de vislumbrar, através de certa apropriação simbólica dos movimentos, a ampliação de sua representatividade perante possíveis públicos de suas ações culturais e de negócios alternativos.

Como resposta a este artigo, a pesquisadora Ivana Bentes publicou no blogue trezentos o texto “A Esquerda nos Eixos e o novo ativismo”, no qual defende os movimentos em questão como uma forma de participação social, cultural e política que reflete as novas conjunturas do capitalismo cognitivo e das novas ferramentas tecnológicas que propiciam articulações em rede, descentralizadas, que embora não proponham um novo sistema como alternativa ao capitalismo, criam novas dinâmicas e reinventam processos dentro do próprio sistema, renovando-o, hackeando-o, através de novas estratégias e modelos de ação coletiva autônomos e inovadores. Para reforçar a sua posição, Ivana Bentes faz uma defesa conceitual da importância do Coletivo Fora do Eixo e tacha o artigo do Passa Palavra de velha esquerda incapaz de lidar com as novas formas de mobilização e de compreender os novos cenários, novos agentes e incertas possibilidades do capitalismo cognitivo.

Comentário

A minha análise, bem simples é verdade, conclui que Ivana Bentes acerta, confirmando seu profundo e amplo conhecimento sobre os temas em pauta, em todos os argumentos aos quais recorre para oferecer um panorama conceitual dos atuais processos sócio-políticos e culturais, que se baseiam e se alimentam de movimentos transversais e heterogêneos. Mas erra ao aplicar todos esses argumentos também às ações e escopos do Coletivo Fora do Eixo, como se o Coletivo fosse um exemplo suficiente desses novos processos.

Eu creio que o Fora do Eixo ocupa um lugar importante no cenário cultural e sobretudo no mercado criativo do Brasil de agora, mas essa defesa entusiasmada de Ivana Bentes falha ao corroborar o artigo do Passa Palavra ao mesmo tempo em que quer negá-lo: afinal, acaba por centralizar e personificar todos os potenciais dos movimentos livres no modelo de atuação do Fora do Eixo, tornando-o protagonista de um processo em que ele é apenas coadjuvante! O afã de defender as estimulantes e múltiplas possibilidades de um novo capitalismo acabou por resultar numa defesa desnecessária e sobretudo superestimada do Coletivo Fora do Eixo!

Vejo com clareza que o Coletivo Fora do Eixo não é de esquerda nem de direita, mas uma rede de entidades (inclusive empresariais) que realiza e participa de ações que mantêm escopos relacionados ao mercado da cultura e acabam por percorrer esferas diversas da participação política, seja colaborando com o Governo na elaboração dos editais em que eles mesmos concorrem, seja centralizando a articulação de movimentos livres, de classes médias, com bandeiras ativistas amplas (ainda que resumidas na ideia central de Liberdade).

Romantizar o Coletivo Fora do Eixo também não é caminho pertinente. Se Pablo Capilé queria o patrocínio da Coca-Cola para realizar a marcha da Liberdade, eu não vejo motivo para discussão (embora eu considere isso lastimável). Mas para quem acompanha minimamente as ações do coletivo no que se refere às articulações ativistas nas redes, fica patente a posição hierárquica de liderança assumida por Pablo Capilé, demonstrando, pelo menos na dimensão prática, uma estrutura hierárquica bem definida (e legítima, sem dúvida). Logo, o Coletivo constitui um exemplo de inovação e de exploração de novas potencialidades de mercado cultural dentro do sistema, mas não vai muito além disso – muito menos alcança um patamar de vetor político dos jovens que usam Twitter e Facebook.

Por fim, acho que o artigo do Passa Palavra não merece a desqualificação conjuntural que Ivana Bentes tentou justificar apontando, inclusive, a falta de um arsenal teórico e afirmando que o artigo reflete medo e ressentimento de uma esquerda ultrapassada diante das mudanças estruturais. Ressentimento, sinceramente, percebi em ambos os artigos (cada um a sua maneira e por razões diversas), mas o artigo do Passa Palavra traz sim reflexões pertinentes que exigiriam não uma refutação apressada, mas sim um debate mais cauteloso.

Por exemplo:

As Marchas da Liberdade trazem em si – para além do seus significantes simbólicos – um efetivo poder de transformação política e social das atuais estruturas de poder? Claro que a marcha e as suas dinâmicas de articulação (que envolvem diretamente ferramentas da web) contribui para, quem sabe, o fortalecimento de novos processos de participação – mas não acho justo argumentar que as classes médias conectadas, interessadas em consolidar estilos de vida consumistas/sustentáveis – sem objetivar uma mudança estrutural nos modelos de produção hegemônicos – são o novo vetor da ação política verdadeiramente transformadora. (Ivana Bentes até argumenta que esse modelo de organização da Marcha da Liberdade pode vir a envolver “os pobres e precários das periferias e favelas” – esse argumento merecia mais do que uma linha! :( ).

O Coletivo Fora do Eixo é mesmo o melhor emblema desses novos movimentos e possibilidades que estão surgindo dentro do capitalismo chamado cognitivo? O Coletivo tem como base a autonomia, liberdade e um novo “comunismo”, como afirmou Ivana Bentes? (e o fez, aliás, num trecho de sua resposta que é obscuro e cheio de talvezes, que é o item 4 dos problemas que a autora enumera).

Há, na abordagem de Ivana Bentes, contradições importantes dos movimentos em questão que foram ignoradas. O objetivo deste pequeno texto, portanto, é unicamente ampliar o debate para que os movimentos livres nascentes cresçam em potência e em alcance e, sobretudo, consigam o êxito de se inserirem, com algum grau de efetividade, nos reais processos de transformação social que são, pensando nas novas tendências, autenticamente autônomos, independentes e inevitáveis!

A pior censura

___Novo colunista contratado do Papo de Homem, Alex Castro, espertamente, fez uma brincadeira com os leitores: apresentou dois casos de censura – A Centopeia Humana 2, no Reino Unido, e o curta brasileiro “Eu não quero voltar sozinho”, censurado no Acre – e perguntou qual deles é pior. O filme é temática fortemente escatológica, enquanto o curta (que eu aconselho que vocês vejam AGORA, antes de terminar de ler este parênteses) é uma linda reflexão sobre preconceito e tolerância.
___O resultado dos comentários foi bastante simples. Excetuando os tradicionais homofóbicos-idiotas, muita gente, com asco do filme, achou a censura d’A Centopeia Humana 2 aceitável e a do curta, absurda. Todos esses, caíram na brincadeira.
___Censurar já é ruim por si só. Como, hoje, as pessoas mais esclarecidas não costumam ser homofóbicas, censurar um curta lindo e que prega a tolerância parece pior do que proibir um filme escatológico (se quiserem saber mais, procurem o trailer do filme). Todavia, fosse a nossa sociedade versada em aceitar a coprofagia e rejeitar o homossexualismo, veríamos os leitores reclamarem da censura do filme e aceitar a do curta.
___Proibir alguém de expressar algo é horrível por si só. Permitir que um governo decida isso, então, é absurdamente problemático. Não importa quais sejam as ideias aceitas em cada época (expressar opinião contrária à escravidão era problemático em algumas épocas), é importante que todos possam escolher mostrar o que pensam. Mesmo que seja me proibir de dizer o que quero.
___Conhecem aquela famosa frase do Voltaire, não?

###

P.S.: Para refletir mais sobre o assunto, creio que pode valer a pena dar uma lida em um artigo que eu publiquei, no meu blog, no ano passado, e em uma coluna daqui, publicada pela Beauvoiriana.

 

Por que ser feminista? E quem pode ser feminista?

“Feminista” é quase uma palavra-tabu. Entre a maior parte dos homens, é quase um sinal vermelho: se eles dizem que uma mulher é “feminista” querem dizer que ela é um problema. Entre a maioria das mulheres, ainda é uma desqualificação. Muitas mulheres que se identificam com alguns questionamentos feministas em relação à sociedade – por exemplo, a igualdade salarial –, dizem sempre: “defendo isso, mas não sou feminista.

Essas três letrinhas juntas – mas – carregam consigo uma oposição ou restrição ao feminismo, e as escutamos todos os dias. Em certa medida, até entendo: a palavra “feminista” foi tão bombardeada de conteúdo ideológico machista e conservador, é tão descaracterizada e caricaturada pela mídia, por alguns intelectuais e por grupos dominantes que se uma pessoa se assume “feminista” precisa estar preparada para colher preconceito. “Feministas não gostam de homens”, “feministas são mal-amadas”, “feministas querem tomar o lugar dos homens” e sei lá mais quantas outras bobagens dizem sobre AS feministas. Se a pessoa que se declara feminista for um homem, então, haja explicações…

Feministas, homens ou mulheres, precisam quase sempre fazer uma “legítima defesa antecipada” de sua escolha diante de toda a carga negativa que a palavra carrega. São mais de dois séculos – isso, séculos! – de lutas. E ao longo desse tempo, o feminismo tem sido pintado, em primeiro lugar, como um movimento “apenas” feminino. Como se as mulheres não representassem metade da população mundial. Ao mesmo tempo, o feminismo tem sido descrito como um movimento “apenas” reivindicatório, como se as reivindicações não fossem baseadas em uma experiência concreta das condições sociais e, por isso mesmo, fruto de reflexão, de pensamento, de ação.

O feminismo não é meramente um movimento reivindicatório, é um movimento político e social que se construiu com base em intensos debates sobre as condições de poder. E nesses debates, houve muito aprendizado, e uma contribuição real para as formas de refletir sobre o mundo e a igualdade de gênero, de classes, de etnias. Grande parte do preconceito em torno do feminismo e de feministas se deve particularmente ao fato de que as pessoas desconhecem que esse movimento que toma as ruas, que faz marchas de vadias mundo afora, que se organiza para ampliar a representação das mulheres em todas as esferas hierárquicas (e que, diga-se, enfrenta muitas barreiras) se baseia também em uma percepção filosófica do mundo.

Essa percepção filosófica é uma porta aberta às possibilidades e à mudança. Feministas sempre têm em mente perguntas sobre o mundo tal como é e sobre como pode ser. Perguntas que podem ser expressas com um simples “e se fosse diferente e as mulheres também…?”.

São inúmeras situações em que essa pergunta pode ser feita. Só para ilustrar, farei uma delas: “E se fosse diferente e as mulheres também ganhassem os mesmos salários que os homens para as mesmas funções?” Em sociedades contemporâneas em que a configuração familiar está em transformação, entre outros impactos, haveria muito mais segurança social. Isso porque hoje, em uma sociedade como a brasileira, em que 35% das famílias são chefiadas por mulheres, as condições econômicas dessas famílias seriam mais estáveis. Segundo dados de 2009 da Confederação Internacional dos Sindicatos (ICFTU, em inglês), as mulheres ganham, no Brasil, 34% menos do que os homens, em média. Esses recursos, que hoje são negados às mulheres, seriam aplicados em educação dos pais, das mães e dos filhos e no bem-estar de famílias inteiras, ou seriam poupados. Filhos mais bem educados teriam mais oportunidades. Pais e mães mais bem educados, idem. Além disso, as mulheres vivem mais do que os homens e, ganhando menos, não conseguem poupar tanto para sua velhice, quando não serão mais produtivas. Ficam empobrecidas nos anos em que mais precisam de recursos e representam gastos extras para familiares ou para o Estado. Tornam-se um peso e esse peso se converte em preconceito contra elas.

Poupança, educação, bem-estar, saúde são fundamentais para que as pessoas possam enfrentar situações de insegurança como desemprego ou a morte de um de seus provedores. Se as mulheres também ganhassem X para realizar a função Y, teríamos uma sociedade mais justa, menos insegura, e mais inclusiva.

Esse é só um exemplo. E o exercício da pergunta “e se as mulheres também…?” pode ser feito com qualquer situação social em que se apresenta uma desigualdade.

Por isso, quando me perguntam “por que ser feminista?” sempre imagino que a resposta mais simples é: “porque representa trocar um ‘mas’ restritivo por um ‘também’ inclusivo; e o que eu quero é uma sociedade que inclua, não que restrinja.” Assim, acho que todas as pessoas que querem essa mesma sociedade podem (e até deveriam, ouso dizer) ser feministas. Quem pode ser feminista? Homens e mulheres que acreditam que todos têm direito a mais oportunidades, a realizarem seus potenciais. Isso não inclui todas as pessoas do mundo, é claro. Entretanto, inclui muito mais mulheres e homens do que aqueles que ousam assumir. Querer combater e reduzir a desigualdade não é motivo de culpa muito menos de vergonha, como às vezes algumas correntes de pensamento parecem pregar. Se cada vez mais pessoas disserem que são feministas, assumirem que apoiam as causas feministas e deixarem de se defender dessa escolha, também estarão agindo por condições mais equilibradas de vida para todos. Quando a palavra “feminista” e o feminismo deixarem de ser alvo de tanto preconceito, isso significará que estamos vivendo em um mundo mais igualitário.

 

A Álgebra

A álgebra representa a generalização da aritmética, o passo seguinte da evolução da matemática. No último trabalho disse que René Descartes (1596-1650) criou o plano cartesiano, em que a idéia fundamental foi a de substituir os pontos geométricos por números. Pois bem, a idéia fundamental da álgebra consistiu em substituir os números por letras. Além disso, a álgebra também abriu caminho para a formação da linguagem matemática. Vejamos como. Comecemos pelo termo “equação”. Equação significa que duas expressões numéricas têm o mesmo valor, isto é, estão interligadas pelo sinal igual “=”. As duas expressões são dotadas das quatro operações somar, subtrair, multiplicar e dividir, onde as primeiras letras do alfabeto “a”, “b”, “c” …  representam números constantes de valores conhecidos e as últimas letras  do alfabeto “x”, “y” … números de valores desconhecidos, Mas para que a igualdade contendo valores desconhecidos seja válida é preciso demonstrar que existe um valor numérico que iguale os dois membros da equação. Por exemplo consideremos a equação: 5–x2=3x–(2x+1). Será que existe um valor numérico que iguale as duas expressões? Primeiro eliminemos o parentese curvo e com isso temos portanto 5–x2=3x–2x– 1, ou seja, 5–x2=x–1. Se fizermos x=2 temos 5–4=2–1. ou 1=1.. Quer dizer o número 2 é a “solução” da equação dada, a sua “raiz”, já que iguala os dois membros da equação dando validade ao sinal “=”. A solução da equação transformou a igualdade em uma identidade. As parcelas das expressões algébricas são chamadas de “termos”. Como dissemos no início, a álgebra baseia-se na substituição dos números por letras.  Assim sendo as letras têm de ser convencionalmente diferentes conforme os seus significados. Consideremos o caso mais simples, somente os números racionais. Um número racional é o quociente de dois números inteiros, de divisor não nulo. Uma função algébrica racional completa corresponde a uma soma de parcelas de todas as potências da variável “x” desde o expoente  de grau 0 até o expoente de grau “n”em números inteiros positivos. Essa sequência de parcelas apresenta a variável “x” , que é a “incógnita”, munida de fatores numéricos chamados “coeficientes”.. O termo que não tem variável é chamado de “termo constante”. O exemplo acima pode servir para apresentarmos o teorema fundamental da álgebra que diz: “toda a função racional completa pode ser expressa pelo produto de tantos fatores do 1º grau quantos os que a função racional apresenta”. No nosso caso por se tratar de uma função racional do 2º grau temos dois fatores (5–x2).(x–1).  Substituindo “x” por 2 temos 1.1=1, que é uma identidade, ou seja, o que o teorema fundamental da álgebra determina. Um exemplo bastante elucidativo de equação algébrica é a função racional contínua do 2º grau, em que y=f (x2),  da figura geométrica da parábola no plano cartesiano: y=ax2+bx+c. Esta equação representa uma curva parabólica em que os seus dois ramos são simétricos em relação ao eixo dos yy’s Para cada valor do eixo dos yy’s corresponde dois valores iguais e de sinais contrários do eixo dos xx’s. Por isso a fórmula que nos dá as raízes da equação apresenta uma raíz quadrada munida dos sinais + e  –1. De fato esses dois valores iguais e de sinais contrários resultam da regra dos sinais. Assim vejamos. Raíz quadrada de 4, ou seja, 22, é 2. Certo? Não, errado. A raíz quadrada de 4 tem dois valores iguais e de sinais contrarios +2 e –2 pois pela regra dos sinais mais por mais dá mais, mas menos por menos também dá mais. Daí os dois valores simétricos do exemplo. Na minha exposição acima só considerei os números racionais. Evidentemente a álgebra também engloba os números reais e os números complexos. Também só tratei de equações do segundo grau, enquanto que a álgebra trata de equações contínuas de qualquer grau. Mas para apresentar essas matérias teria que começar pelas “séries aritméticas” o que tornaria este trabalho extenso demais. Fica para outra oportunidade.

Fico por aqui. Até à próxima.                       
 

Vou de Táxi – infância, erotização e o que podemos ver.

 alt

 

Quando uso minha memória para lembrar de Angélica, a primeiro associação que faço é com programas infantis. Durante muito tempo Angélica foi uma espécie de Xuxa dos canais rivais da Globo – seja a extinta rede Manchete ou do SBT, algo parecido com o Datena hoje, todas as emissoras querem o seu Datena. Logo, por associação, o público de Angélica nesse período – que compreende parte dos anos 80 e dos anos 90, era o infanto-juvenil. Há várias maneiras de definir as fases da vida, quando começam e quando terminam – desde historiadores da infância como Colin Heywood, passando pelo célebre Phillippe Ariés e pele excelente Jean Piaget. Mas o certo mesmo é dizer que independente da idade estabelecida, o capitalismo com seu toque de Midas transforma tudo em filão de mercado. Então, se essas fases da vida não são criações diretas do capitalismo, são pelo menos indiretas. As crianças podem não ter condições financeiras para consumirem, mas possuem o principal, o desejo. Então elas formam um segmento de mercado, assim como os adolescente, os jovens, a terceira idade, etc. Cada um com seus signos, produtos e estratégias de marketing próprias. Dito isso, concluo que, se Angélica nesse período supracitado tinha como público as crianças, logo qualquer ação mercadológica que usasse seu nome como marca seria destinada a esse público. Se pensarmos em Angélica como cantora, a enquadrare-mos como cantora infantil. O primeiro hit de Angélica como cantora infantil foi “Vou de Táxi” de 1988 – ela com então 15 anos. Fazendo um exame mais cauteloso sobre a letra dessa música, a primeira pergunta que se impõe é: será que é realmente uma música para crianças? Antes de ingressarmos nessa análise é bom apresentar um fato recente – o Reino Unido acaba de votar um projeto de lei que proíbe as crianças de usarem roupas de adultos. Ou seja, cada público com sua característica. Não é a toa que cada vez mais a idade sexual tem sido reduzida, e não apenas isso, o acesso a todo tipo de informação, o ingresso no mundo do álcool, drogas e cigarro, entre outras coisas. Imaginemos que a situação representada na letra seja vivida por uma adolescente de 15 anos – isso delimita o processo analítico e as conclusões que iremos tirar. 

alt

 

“Pela janela do meu quarto, ouço a buzina, me chamando, quem será que vem me acordar” – como assim “quem será que vem me acordar”? Ou seja, se ela não sabe quem, isso significa que pode ser qualquer pessoal, e isso significa que pode ser mais de uma pessoa a ser esperada. Pense em você em casa e toca o seu telefone. Quantas pessoas você conhece e que possuem seu telefone? Certamente mais de uma! Com a personagem não é muito diferente, o que demonstra (forçosamente ou não) que se relaciona com qualquer um. Veja se isso é música infantil: “Mas no banho, foi só me tocar, de repente lembrei do teu olhar” – uma criança ou adolescente (lembre-se da época) podem não saber o significado desse “tocar”, mas podem querer ir atrás de saber. Não é puritanismo, mas apenas cautela. É importante que se descubram as coisas, e não que haja uma hora certa, mas certamente há uma idade imprópria para isso (sei lá, 6 anos idade não considero uma idade adequada para se “tocar” por exemplo). Se com esse verso “Vou de Táxi” ainda pode ser considerada uma música para crianças, “I Touch Myself” da banda Divinyls também pode ser: “Quando eu penso em você, eu mesma me toco” – e não é. O refrão da música de Angélica diz: “Vou de táxi cê sabe, tava morrendo de saudade, mas não lembro, do teu nome” – esse não lembrar do nome, pode evidenciar para alguns o fato da personagem se envolver com várias pessoas. Ou também o fato de que o nome da pessoa não importar, assim como qualquer outra coisa. E outra, como uma garota de 15 anos (hipoteticamente) sai com um desconhecido? A letra esconde o descaso dos pais ou uma garota exercendo sua liberdade? Muitos irão ver a questão pelo seu viés ideológico (que eu considero um tanto ultrapassado). A visão do descaso dos pais, seria identificada com a direita. Ou seja, o controle dos pais sobre os filhos, o conservadorismo, a autoridade, etc. A visão da liberdade da garota seria identificada com a esquerda. Luta contra a sociedade impositora, quebra de tabus, enfrentamento frente a alienação dos pais, etc. Mas será? – Para os dois casos. O coro das feminista irá dizer que se no lugar dela fosse um homem não teria problemas, mesmo que o homem em questão fosse um garoto de 15 anos. Pois a sociedade vê com olhos diferentes homens e mulheres – meninos e meninas, compare com a música “Puteiro em João Pessoa” do Raimundos. “Não tem pressa, teu jeito de olhar pra mim me arrepia, me leva, me faz viajar…” – isso é apologia ao sexo e a promiscuidade, ou só o funk carioca é que faz isso? Ou apenas querem enxergar isso no funk porque é uma música feita por uma maioria negra e periférica? Será que pegaria bem uma garota branca, loira, estrela de tevê, classe média alta ser rotulada de apologista do sexo (e para menores ainda)? Que diferença há entre “teu jeito de olhar pra mim me arrepia (…), me faz viajar…” e “só pra te enlouquece, só pra te enlouquecer” do grupo Avassaladores? Olhando bem nenhuma – exceto as estruturais (questões de fundo).

alt

 

No fim dessa mesma estrofe lê-se: “a escola pode esperar” – o que sentencia: ela é mesmo uma adolescente (está em idade escolar). Se a escola pode esperar, significa que está em segundo plano. Que belo exemplo para as crianças não? Trocar a escola por sexo, primeiro passo. Segundo passo, a escola não garante o futuro de ninguém. Terceiro e último passo, trocar o sexo por dinheiro = prostituição. Não posso dizer que isso é algum tipo de mensagem oculta da música (como Charles Manson via nas canções dos Beatles e em “Helter Skelter” em especial), mas certamente é uma leitura possível. Confesso que sempre ouvi essa música mas nunca havia parada para vê-la por esse ponto de vista, e foi justamente numa conversa sobre hits dos anos 80 que eu me lembrei. Aí então pensando melhor sobre a letra me questionei sobre ser ou não mesmo uma canção infantil ou adolescente. É claro que podemos fazer a leitura que quisermos de qualquer música, ou de qualquer coisa (propagandas, filmes, discos, livros, quadros) – porém sempre será uma visão pessoa e subjetiva, nunca totalizadora ou definitiva. Não cabe aqui estabelecer coisas, mas sim questionar aspectos e fazer com que cada um traga seus pontos convergentes ou divergentes como esses ou não. As análises são como festas: se só uma pessoa traz comida e as outras só trazem as bocas, todos comem pouco – mas se todos trazem comida, todos comem um pouco mais. Então num debate, conversa, análise, crítica – se todos trouxerem idéias, ao invés de só uma forma de ver a questão, teremos várias, é a boa e velha lição que a dialética nos deu.

 

 

 

alt

A cota é o mínimo e a paridade é o máximo

No dia 10 de maio de 2011, homens e mulheres  dos partidos progressistas (considerados de esquerda) e de movimentos sociais estiveram reunidas, em Brasília, no auditório Petrônio Portella, no Senado, para debater e definir uma pauta conjunta sobre a reforma política, numa perspectiva de gênero.

O seminário “As mulheres e a reforma política” foi promovido pelos coletivos de mulheres do PT, PSB, PCdoB, PDT, PSOL, as fundações partidárias Perseu Abramo, João Mangabeira, Mauricio Grabois, Lauro Campos, as centrais sindicais CUT e CTB e a Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma Política com Participação Popular.

O seminário tinha aproximadamente 300 pessoas (a grande maioria mulheres militantes dos partidos acima). Diversas deputadas e senadoras participaram e todas as pessoas mostraram uma grande unidade na defesa da “Lista fechada com paridade e alternância de sexo na lista pré-ordenada, com as mulheres encabeçando a lista”.

A deputada Janete Pietá (PT/SP) que é presidente da Frente Parlamentar de Mulheres do Congresso Nacional também fez uma firme defesa da equidade de gênero e reconheceu que os próprios partidos de esquerda dão pouco espaço às mulheres. Com base em sua experiência no PT, mas que é a norma em todos os partidos, ela considera que a mudança de gênero deve começar dentro dos partidos. Ela disse uma frase que é uma verdadeira bandeira de luta: “AS MULHERES PRECISAM TOMAR OS PARTIDOS DE ASSALTO”.

Outra frase de impacto foi dita por uma participante do seminário que disse a frase que dá nome a este artigo: “A COTA É O MÍNIMO E A PARIDADE É O MÁXIMO”. Ou seja, a política de cotas para aumentar a participação feminina no Poder Legislativo tem várias limitações e deve ser considerada como um consenso mínimo que foi atingido 15 anos atrás, mas agora é preciso dar um passo à frente e adotar a paridade: “LISTA FECHADA COM PARIDADE E ALTERNÂNCIA DE SEXO NA LISTA PRÉ-ORDENADA, COM AS MULHERES ENCABEÇANDO A LISTA”.

Além da mobilização feminina nos partidos, a presença de um núcleo forte de mulheres no Palácio do Planalto pode ajudar na luta pela paridade de gênero na política e  reduzir o déficit democrático de gênero existente no Legislativo brasileiro. Dilma Rousseff na Presidência da República, Gleisi Hoffmann na Casa Civil e Ideli Salvatti no ministério das Relações Institucionais podem ser decisivas para mudar o vergonhoso lugar que o Brasil ocupa no ranking internacional de representação parlamentar.

Abaixo a Resolução aprovada no seminário As mulheres e a reforma política – Brasília 10/05/2011:

O ano de 2011 marca o inicio do governo da primeira mulher presidenta do Brasil. Este fato coloca muitas e novas contradições na esfera pública, entre elas, a questão da sub-representação das mulheres na política.

A participação política das mulheres em nosso país é intensa e contributiva. Estivemos e estamos na liderança de muitas das lutas sociais. Somos a maioria do eleitorado e estamos em grande número na base social de todos os partidos. Estamos nas assessorias e coordenação de campanhas e mandatos parlamentares. Estamos nas equipes de governos executivos. Mas, sempre sub-representadas em relação ao potencial de nossa atuação política.

A presença de mulheres no poder legislativo no Brasil nos coloca entre os países com menor participação mesmo na América Latina.

Até quando o Brasil vai conviver com alta participação das mulheres no eleitorado e nas lutas sociais e baixa inserção das mulheres nos espaços de poder?

É preciso romper todos os mecanismos que bloqueiam o direito a participação de amplos setores populacionais, entre eles, nós, mulheres, e a população afro-descendente, também sub-representada e ausência dos povos indígenas.
No contexto dos debates da Reforma Política, as secretarias de mulheres do PT, PCdoB, PSB, PSOL, PDT  e PSTU apresentam as prioridades apontadas no Seminário As mulheres e a Reforma Política.

1.    A reforma política deve corrigir as distorções da democracia representativa e ampliar a democracia participativa, e ampliar a democracia interna nos partidos.
2.    O financiamento público de campanha exclusivo é a alternativa para coibir a influência do poder econômico sobre os resultados eleitorais, acabar com os altos custos dos processos eleitorais.
3.    Financiamento público exclusivo também deve ser garantido para referendos e plebiscitos.
4.    Para fortalecer os partidos é preciso instituir a fidelidade partidária programática.
5.    Igualmente é preciso que um novo sistema de votação seja instituído. Defendemos a votação em lista fechada e com alternância de sexo, construídas de forma participativa pelos partidos e assegurando a paridade entre mulheres e homens.
6.    Para promover ampla participação das mulheres é preciso ainda aprimorar os mecanismos da democracia direta: simplificando o processo de Iniciativa Popular.
7.    Consolidação legal dos conselhos e conferencias de políticas públicas criando um sistema integrado de participação ao processo de planejamento governamental.
8.    Contra a cláusula de barreira na legislação.
9.    Para fortalecer a democracia defendemos o voto proporcional e somos contrárias a qualquer forma de voto distrital.

Não era para escrever sobre o Brooklyn

  


Eu lembro de nós dois fazendo amor num domingo,
Eu lembro para sempre do cheiro da sua pele,
Eu amo nós dois sendo bobos juntos…
Você está presa na minha mente o tempo inteiro
 
Eu lembro das segundas-feiras deixando nossas vidas mais cinzas
Eu lembro de ter pensado que isso nunca iria acabar,
Mesmo quando você fosse embora,
Seus olhos correndo através da minha cabeça
Você está presa na minha mente o tempo inteiro
A letra da música “I remember” do Yeasayer fala de um amor quase obsessivo, algo que não sai da cabeça, que não dá para esquecer, e que talvez nem mesmo se queira esquecer.
Foi exatamente este o efeito que a própria canção despertou na minha cabeça após ouvi-la. Tocou no rádio umas duas vezes na semana passada (a excelente rádio da Unisinos, aqui na região), e aquela voz enigmática logo entrou no cérebro, que começou a percorrer os arquivos buscando encontrar: Quem é esse cantor?
Yeasayer é uma banda do Brooklyn em New York, que produz um som cheio de experimentalismo, com influências psicodélicas, e do oriente, cheio de climas densos e pouco comuns nas ondas do rádio.
Este som aí, “I remember” na verdade tem uns efeitos eletrônicos que devem ter sido gerados em algum sintetizador daqueles dos anos 70, pois é totalmente retrô.
Acho que me identifiquei com esta música porque na verdade me lembrou o “Jon & Vangelis” quando faziam parceria nos anos 70, aqueles climas eletrônicos combinados com a voz suave e aguda de Jon Anderson.
Quanto ao Brooklyn? Bem, o Brooklyn,  é o mesmo bairro onde surgiram diversas bandas influentes nos últimos anos como o Beirut, MGMT, LCD soundsystem, Grizzly bear, Vampire weekend e Strokes. 
Quer mais? Tá bem, Mr. Lou Reed, o criador do “Velvet Underground”, e pai de tudo o que aconteceu de alternativo desde os anos 60, vive no Brooklyn, e já fez até um  depoimento sobre isso no filme-documento “Blue in the face (Sem Fôlego)”de Paul Auster (imperdível para quem gosta de filmes poéticos).
O fato dessas bandas como o Beirut, MGMT e Yeasayer terem tomado meus ouvidos de assalto praticamente juntas nos  últimos meses, introduzindo elementos tão diferentes na música Pop torna o Brooklyn um lugar muito especial para mim em termos musicais.
Eu não sei realmente se existe algum outro bairro no mundo que seja tão influente …
Em Londres talvez…
Falam Jim Jarmusch e Lou Reed
Um interessante artigo de Bem Sisario no NYT, sobre a música do Brooklyn (2008)

 

http://www.nytimes.com/2008/03/09/arts/music/09sisa.html

 

Compras na Internet têm fraudes cada vez mais frequentes

As compras pela Internet estão cada dia mais comuns. A diversidade de produtos oferecidos na rede, a comodidade de fazer compras sem precisar sair de casa e as facilidades para pagamento, são fatores que atraem cada vez mais os chamados “consumidores virtuais”. No entanto, é preciso tomar muito cuidado, afinal, junto com as compras, o consumidor também pode levar para casa uma série de problemas. 

 
As fraudes com cartão de crédito estão cada dia mais comuns e, apesar de envolverem – na maioria das vezes – pequenas quantias de dinheiro, podem representar uma grande dor de cabeça no futuro. 
 
De acordo com o advogado especialista em direito digital e segurança da informação, Guilherme Guimarães Rocha Pereira dos Santos, a primeira regra é saber se o sistema de pagamento online do saite é confiável. “Sempre orientamos os consumidores sobre a importância de conferir se no endereço da página – onde os dados do cartão de crédito serão digitados e posteriormente transmitidos – se o protocolo httpS está presente. Em todos estes saites as operações bancárias são sempre em tempo real e o consumidor corre o risco de estar na mira de criminosos”, alerta o advogado. 
 
Entre as fraudes mais comuns na Internet está o chamado “phishing”, que é um tipo de fraude praticada com o envio de mensagem eletrônica não solicitada que aparenta ter sido encaminhada por uma instituição conhecida, como um banco, empresa ou saite popular, com o objetivo de induzir o usuário a acessar uma página falsa, especialmente projetada para capturar dados pessoais e financeiros de usuários. 
 
Existem muitos programas que são utilizados por estelionatários para captar informações como senhas de acesso, número do cartão, data de validade e o código de segurança de três dígitos dos consumidores para que depois sejam utilizadas em compras pela Internet. É recomendável que o usuário do cartão acompanhe a movimentação da fatura a cada nova compra.
 
O que fazer em casos de fraudes? 
 
A primeira atitude que o consumidor deve tomar após descobrir a inclusão de compora não efetuada na fatura de seu cartão de crédito é realizar o bloqueio ou cancelamento do mesmo junto ao banco ou centrais de atendimento responsáveis. Sempre anotar o protocolo de atendimento da solicitação bem como nome do atendente responsável pela operação junto ao banco. Depois, é aconselhável fazer um boletim de ocorrência e se o problema não for resolvido junto à administradora do cartão, é importante que os consumidores procurem um advogado para movimentar uma ação e correr atrás dos seus direitos.
 
As compras por meio de um cartão de crédito clonado podem ser cobradas do consumidor?
 
Caso o consumidor venha a ter seu CPF inserido nos cadastros de restrição ao crédito, como SPC e Serasa, deve entrar com pedido de indenização contra todas as empresas da cadeia de fornecedores que enxovalharam seu bom nome.
 
Quais as responsabilidades do fornecedor?
 
O fornecedor de produtos e serviços deve empregar maior diligência e tomar cuidados necessários e básicos para garantir a cordialidade dos contratos firmados ou, pelo menos, manter aparato técnico suficiente para garantir a responsabilização da pessoa certa pela utilização de seus serviços e produtos. Agindo desta forma evitará causar prejuízos aos consumidores de boa-fé. É importante lembrar ainda que o fornecedor responde pelos riscos do negócio.