O Paradoxo de Jevons e a questão da eficiência

A ecologia não é apenas a preocupação com as energias renováveis.
Ela propõe também mudança de mentalidade, de vida”.
Edgar Morin (FSP, 29/07/2011)

O Paradoxo de Jevons (ou efeito bumerangue – rebound effect) é uma expressão usada para descrever o fato de que o aperfeiçoamento tecnológico ao aumentar a eficiência com a qual se usa um recurso ou se produz um bem econômico, o mais provável é que aumente a demanda desse recurso ou produto. Este fenômeno foi observado pelo economista britânico William Stanley Jevons (1835-1882), que escreveu em 1865 o livro “O Problema do Carvão”, observando que os motores mais eficientes da Revolução Industrial ao invés de reduzir, aumentaram o uso total do carvão: “É um completo engano supor que um uso mais eficiente dos combustíveis implicará numa redução do seu consumo. A verdade é precisamente o oposto” (p. 123).

O Paradoxo de Jevons é útil para realçar o fato de que à medida que as novas tecnologias conseguem elevar a eficiência de um dado recurso natural, o seu uso total pode aumentar ao invés de diminuir. Um exemplo deste fenômeno está na maior eficiência dos motores a combustão da industria automobilistica, já que os carros do século XXI são muito mais econômicos no uso do combustível do que os modelos da década de 1970, mas o consumo global de gasolina não parou de aumentar. O mesmo pode acontecer com os carros elétricos – que serão mais eficientes e menos poluidores – mas que podem fazer a demanda total de energia aumentar, mesmo no caso de se conseguir um matriz energética baseada em fontes renováveis.

O Paradoxo de Jevons é também conhecido como Efeito Bumerangue (rebound effect), pois a maior eficiência energética estimula o crescimento econômico e as pessoas e as industrias passam a consumir mais energia.

Este é um grande problema a ser enfrentado na mudança da matriz energética mundial. Nas próximas décadas o mundo vai ter que fazer a transição do uso dos combustíveis fósseis para a energia renovável (solar, eólica, geotérmica, etc). Esta transição é fundamental para vencer a escassez do petróleo e para a redução da emissão dos gases de efeito estufa que provocam o aquecimento global do Planeta.

Porém, ao mesmo tempo que a chamada “Era do Sol/Vento” pode ser uma grande solução para os problemas energéticos do mundo, pode provocar outros danos ecológicos de graves consequências. Isto porque, na medida em que a eficiência energética reduz o preço da energia e, consequentemente, o preço dos bens e serviços em geral, provoca um aumento do consumo agregado, devido ao “efeito riqueza” gerado neste processo. Ou seja, energia renovável, limpa e barata possibilita maior produtividade do trabalho, maior produção econômica e redução dos preços das mercadorias.

Estas são as bases do crescimento econômico e da geração de riqueza. Isto quer dizer que, no nível microeconômico, se produz uma mesma unidade (output) com menos insumos (input), mas no nível macroeconômico o resultado é uma aumento da produção e do consumo, com crescimento do uso dos recursos naturais.

O Paradoxo de Jevons não se aplica apenas ao uso da energia, mas aparece toda vez que há aumento da eficiência econômica. Entretanto, a distribuição dos ganhos da eficiência depende do nível de controle social sobre o processo produtivo e do arcabouço institucional de defesa do meio ambiente.

Desta forma, há de se questionar: eficiência para que e para quem?

Os avanços tecnológicos podem ser um grande instrumento de libertação e bem-estar, mas também podem se tornar fontes de exploração e alienação, especialmente quando reforçam o monopólio da ciência e tecnologia nas mãos de poucos atores econômicos. Aumentos na eficiência energética e produtiva só contribuem para o avanço do processo civilizatório quando estiverem a serviço do conjunto da população, dos demais seres vivos do Planeta e da melhoria da qualidade de vida da Terra.

Houaiss: o fundo do poço é sempre mais embaixo!

Causa espanto, para não dizer outra coisa, em todos os seres minimamente dotados de certa racionalidade, a notícia de que o procurador da República de Uberlândia/MG, Cléber Eustáquio Neves, tenha entrado com “uma ação contra a Editora Objetiva e o Instituto Antônio Houaiss para a imediata retirada de circulação, suspensão de tiragem, venda e distribuição das edições do Dicionário Houaiss, que contêm expressões pejorativas e preconceituosas relativas aos ciganos.” (Portal Terra).

É sabido que membros do Ministério Público, diante de reclamações/queixas de cidadãos, podem indeferir, de plano, a instauração de procedimento investigatório. Claro que de forma fundamentada, de tal sorte que permita ao cidadão recorrer da decisão ao Cosnelho Superior. Tudo depende do conteúdo da narrativa do fato e do quanto esta narrativa está acompanhada de elementos que a tornem, ao menos, verossímel. É do juízo do membro do MP decidir se há elementos suficientes na narrativa do fato para que proceda as diligências iniciais e, convicto, dê as sequências previstas em lei ou normativa interna do MP.

No caso, as diligências iniciais seriam nada mais nada menos que a simples leitura do verbete apontado pelo cidadão. Tudo o que ocorreu após entrou na seara dos “juízos de valores”. Concordou o procurador, com sinceridade ou não, que um dicionário poderia significar que “Ninguém duvida da veracidade do que ali encontra. Sequer questiona. Pelo contrário. Aquele sentido, extremamente pejorativo, será internalizado, levando à formação de uma postura interna pré-concebida em relação a uma etnia que deveria, por força de lei, ser respeitada” (Portal Terra, link anterior).

(Um parênteses: é possível que esse procurador esteja expiando uma culpa por ter aprendido, desde sempre e nunca questionado, o tal “preconceito” que ele mesmo acusa e que até hoje nada havia feito contra. Ou será que ele aprendeu a língua pátria socorrendo-se de dicionários de javanês?)

Gostei do parênteses. Esse cidadão, elevado por méritos próprios à categoria de “agente político” da nação brasileira, resolveu desnudar-se em público (figurativamente falando, claro, que não quero ser processado por dizer que um procurador da República ficou pelado em público. Vá que ele, dessa vez, resolva pegar o significado literal de desnudar-se no Houaiss) e mostrar para a nação o quanto ele é um cidadão preconceituoso.

Sim, pois quem escreve isso: “Ao se ler em um dicionário, por sinal extremamente bem conceituado, que a nomenclatura “cigano” significa aquele que trapaceia, velhaco, entre outras coisas do gênero, ainda que se deixe expresso que é uma linguagem pejorativa, ou, ainda, que se trata de acepções carregadas de preconceito ou xenofobia, fica claro o caráter discriminatório assumido pela publicação” (Portal Terra, link anterior.) nada mais faz do que expressar todos os preconceitos contidos em sua educação.

Ele comete aquilo a que se refere: internalizou conceitos e hoje vê-se, tão somente por força de lei (e somente por ter sido demandado, pois por conta própria jamais o teria feito, como não havia feito até então) obrigado a expiar a culpa com a qual convive até hoje.

Há uma segunda hipótese, mas como diz o ditado, macaco velho não bota a mão em cumbuca. Mais ainda em tempos de procuradores da República que avocam julgar entradas de dicionários…

Nessa hora vejo-me obrigado a apelar a entidades tidas como superiores, até por falta de quem, aqui na Terra, consiga acabar com tamanha hipocrisia: valha-me Deus!

(texto sujeito a alterações conforme o grau de indignação do momento com a hipocrisia desse procurador da República. Mas com certeza, jamais para menos!)

Putz, e é procurador… parece que encontrou…

A máquina de Turing

Alan Mathison Turing, (1919-1954), matemático inglês, foi considerado o idealizador de um computador por ter definido os conceitos básicos de uma máquina destinada a operar em grande velocidade conjuntos numéricos finitos muito extensos. Esses conjuntos deviam ser elaborados em programas de acordo com a estrutura da máquina de modo a poderem entrar em um “estado passivo” onde todas as suas funções estariam prontas para serem acionadas em “estados ativos”. Portanto com Turing teve início a construção dos computadores eletrônicos, as máquinas do nosso tempo, que se tornam cada vez mais sofisticadas numa evolução irreversível. A propósito cito a opinião do físico e matemático Roger Penrose vemcedor com Sephen Hawking do Prémio Wolf, no seu livro “Emperor’s New Mind”, (traduzido para o português em 1993 pela editora Campus, Rio de Janeiro, sob o título “A Mente Nova do Rei”): ‘Há alguma coisa quase aterrorizadora nesse ritmo de desenvolvimento. Os computadores já são capazes de realizar numerosas tarefas que, antes, eram província exclusiva do pensamento humano, com velocidade e precisão que ultrapassam, muito, qualquer coisa que um ser humano possa realizar”. Partilho da mesma opinião e reconheço que os computadores, atualmente, comandam as nossas vidas e de certo modo tornamo-nos escravos dessas máquinas criadas por nós. Apenas como exemplo vejamos a última novidade dos computadores, o “touch screen” que integra sensores na tela e softwares para interpretar os comandos do usuário. O computador touch screen não tem teclado e os comandos são realizados tocando na tela com o dedo, os pontos do programa desejado ao objetivo do registro. Mas voltemos à máquina de Turing. Na Segunda Grande Guerra de 1939 a 1945, Turing trabalhava no serviço secreto britânico, encarregado da escuta das ordens do alto comando alemão aos comandantes dos submarinos para os ataques, no Atlântico, aos comboios de navios mercantes destinados ao abastecimento da Inglaterra. Essas informações obtidas pela aviação alemã das posições dos navios mercantes era fornecida pelo radio em código válido apenas por 24 horas através de um sistema sofisticado chamado “enigma”. Esse equipamento era semelhante a uma máquina de escrever com um teclado comandando quatro bobinas intercambiáveis. Todos os dias o comando alemão dava a posição das bobinas e emitia uma sequência finita de 0’s e 1’s que representavam, em números binários, as ordens do comando alemão. De fato se admitirmos que digitando um 0 o dígito avança ama “casa” e digitando 1 o dígito recua uma “casa” fazemos com que cada quantidade de 0’s e 1’s represente uma posição final do código binário, ou seja, uma letra diferente do alfabeto alemão. Os alemães tinham tanta confiança na inviolabilidade do seu código que não se importavam com a escuta que os ingleses realizavam. Mas estavam enganados pois o sistema tinha uma falha. Todas as vezes que iniciavam as ordens repetiam sempre a mesma saudação nazista dando chance a Turing de ir decifrando gradualmente, por tentativa e erro, o código alemão. Finalmente o código foi inteiramente decifrado representando uma grande vitória para os aliados pois os comboios dos navios mercantes passaram a navegar com segurança. Mas a história de Turing não acaba aqui. Ele era homossexual e teve um encontro com um homem que lhe roubou umas bugigangas que ele gostava muito. Queixou-se à polícia e o serviço secreto britânico ficou sabendo do caso. Temendo que os segredos militares fossem revelados demitiu-o do serviço secreto. Humilhado e ressentido Turing suicidou-se. Assim terminou de uma forma trágica um matemático de gênio a quem devemos os conceitos fundamentais dos computadores eletrônicos que tanto participam de nossas vidas.

Fico por aqui. Até à próxima.            
     

Pioneiras sufragistas brasileiras e a conquista do voto feminino

No dia 24 de fevereiro de 2012 o Brasil comemorou os 80 anos da conquista do direito de voto feminino. O direito de voto das mulheres foi assegurado pelo Decreto 21.076, de 24/02/1932, assinado por Getúlio Vargas, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. O artigo 2º dizia: “É eleitor o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo, alistado na forma deste Código”. Inicialmente o voto feminino não era obrigatório, conforme o artigo 121: “Os homens maiores de sessenta anos e as mulheres em qualquer idade podem isentar-se de qualquer obrigação ou serviço de natureza eleitoral”. A obrigatoriedade do voto das mulheres ocorreu a partir de 1946.

Muitas mulheres (e alguns homens) contribuiram para a conquista do voto feminino no Brasil. Neste artigo, pretendo destacar apenas quatro mulheres que foram fundamentais na luta sufragista: duas do Rio Grande do Norte (RN) e duas de Minas Gerais (MG).

Celina Guimarães Vianna (1890-1972), nasceu na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte e se tornou a primeira mulher eleitora do Brasil, ao dar entrada com uma petição requerendo a inclussão de seu nome na lista eleitoral da cidade de Mossoró, RN, com base em Lei Estadual, de 25 de outubro de 1927.

Luíza Alzira Soriano Teixeira (1897-1963) nasceu no município de Jardim dos Anjicos, RN, e foi eleita com 60% dos votos para a prefeitura de Lajes, também no Rio Grande do Norte, em 1928. Alzira Soriano tomou posse em 01 de janeiro de 1929 se tornando a primeira prefeita do Brasil e da América do Sul.

Maria Ernestina Carneiro Santiago Manso Pereira (1903-1995) era o nome completo de Mietta Santiago, nascida na cidade de Varginha, em Minas Gerais. Ela estudou advocacia na Europa – onde teve contatos com o movimento sufragista – e quando voltou para a capital mineira (Belo Horizonte) participou do movimento modernista e era amiga dos escritores mineiros Pedro Nava, Abgar Renault e Carlos Drummond de Andrade. Mietta Santiago percebeu que a Constituição Brasileira de 1928 não vetava o voto feminino (o artigo 70 dizia: “São eleitores os cidadãos maiores de 21 anos que se alistarem na forma da lei”). Em 1928, ela entrou com um Mandado de Segurança e, de forma inédita, conseguiu o direito de votar e concorrer ao cargo de deputada federal. Este fato teve grande repercussão em todo o Brasil.

Ivone Guimarães Batista Lopes (1908-1999) nasceu na cidade de Pitangui, MG. Ela também obteve por meio de uma decisão judicial, o direito ao voto se baseando no mesmo artigo 70 da Constituição Federal de 1891 no qual Mietta Santiago havia fundamentado seu direito de votar e de ser votada. No dia 28 de outubro de 1928, a edição de nº 1 do jornal do município de Pitangui publica uma página inteira sobre a decisão do direito de voto, exaltando a “jovem e inteligente professora”.

Carlos Drumond de Andrade, em um dos seus poemas, diz assim sobre a conquista das “duas mineirinhas”:

“… Já vejo as duas, legislativamente,
executivamente,
a sorte das mulheres resgatando.
As amadas-escravas se libertam
Do jogo imemorial,
Perdoam, confraternizam, viram gente
Igual a nós, no mundo-irmão”.

Em 2012 haverá eleições municipais em todo o país. Será um bom momento para se comemorar os 80 anos do voto feminino e para reduzir as desigualdades de gênero na política. Se os partidos políticos cumprirem a lei de cotas e lançarem um número razoável de mulheres candidatas a vereadoras e prefeitas – além de darem apoio financeiro e espaço na mídia – então o Brasil pode caminhar para uma situação de maior justiça social entre homens e mulheres.

 

A rouquidão do clichê

Considerando ou não estudos e teorias hegelianas, cartesianas e afins, é quase como um senso comum o assumir dois lados – maniqueístas – de uma situação, sociedade ou relação social. Os fracos e oprimidos diante dos inescrupulosos, usurpadores e maléficos não se prendem as fábulas, charges e histórias em quadrinho; são elementos incorporados, quase arquetipicamente, no inconsciente da sociedade ocidental.

Assim como a grande mídia ou as instituições tradicionais do capitalismo utilizam deste célebre artificio para defender seus interesses e até lucrar, o outro lado também acaba se valendo disso de uma forma bem interessante. Quando se estuda ou se observa assuntos delicados, polêmicos ou que envolvam relações desiguais – entre capitalistas e minorias, por exemplo – esta quiralidade entre os lados do maniqueísmo acaba se definindo. Muitas lutas, guerras ou julgamentos precoces se deram, e se dão, sob este prisma, mas é simples esquecer que o comportamento descarado é praticado em ambas as faces, o convexo e o côncavo da situação, ou bem e mal.

Se formos para um aspecto filosófico da coisa, em sentido mais moderno, nos esbarramos com o niilismo da terminologia bem e mal. Dentro deste encontro a noção da construção social dos termos se funde não só com a construção etimológica das palavras; mas também com a construção social baseada nos julgamentos e avaliações dos poderes. Neste ponto não se pode limitar a consideração do poder detido pelo clássico da propriedade, capital e meios de produção; mas é importante ir além, lembrar também do poder de convencimento, a retórica ou hipnose por diálogo.

É a partir desse poder que a quiralidade se faz, historicamente, entre a esquerda e a direita política. Discursos muitas vezes concisos, bem estruturados, repetidos há anos que remetem não só a valores, interesses e princípios morais, extrapolam para as necessidades, desejos e ensejos dos ouvintes, telespectadores ou leitores. São estas as efetivas formas de convencimento e diagramação do discurso chamado de conservador/revolucionário, dependendo de onde se vê.

Um exemplo disso é o envolvimento da esquerda com os movimentos sociais, em específico, no Brasil. Vemos manifestações, passeatas, cartas e eventos de apoio, falas, correntes e por aí vai. Ajudas esporádicas (de uma meia dúzia) e um uso fabuloso deste espaço para o conveniente e ‘esclarecedor’ discurso. Eis a variável mais fixa da comunicação capitalista: o discurso.

Tais ferramentas são sempre impactantes, emocionantes e imperativas: fatos distorcidos e verdades controversas, sempre embutidas de uma ausência, quase calada, do diálogo. São monólogos formadores, informativos e orientadores de rebanhos e rebanhos de pessoas, ou de um grupo que se orienta enquanto minoria em comportamentos bem padronizados de pregação da liberdade ou do que for sua essência ou razão de existir.

Frutos desta hipnose são as pessoas, espectadores, membros desses rebanhos; vítimas de seus valores descrevidos de forma tão habilidosa por um outrem. Os dois lados ocultados pelas fantasias das epopeias sociais. O sensacionalismo da esquerda se mistura com a censura e se parece cada vez mais com a ‘podridão’ criticada da direita. Será que vale a pena justificar assim, os meios pelos fins?

As causas sociais são muitas, mas não há ‘pobres coitados’ eternos nem unanimidade inteligente, da mesma forma como não há imparcialidade na informação. As desigualdades nos batem na face como as mentiras dos discursos dos dois lados. Cabe ao receptor da informação filtrar; já que, a censura real é distante do concreto, não do imaginativo destes célebres autores de discursos e textos; os denuncistas e propriamente sensacionalistas como aqueles telejornais que escorrem sangue da televisão.

Muito da credibilidade da causa real se perde neste imaginativo de guerra eterna entre bem e mal, e o diálogo entre as partes acaba se tornando impossível. Associado a isto estão os que realmente tentam mudar algo. No uso das ferramentas possíveis e quase impossíveis, lidam e aprendem como o jogo funciona e se tornam guerreiros quase solitários, dependendo do título que carregam. Para esses sobra a satisfação de tentar; e para os oradores, tão defensores de fracos e oprimidos, a ‘glória’ e a rouquidão. É clichê, previsível e hipócrita, mas há quem se contente com isso para justificar um assassinato, da única indefensável, a pobre coitada da verdade.

80 anos do direito de voto feminino no Brasil

No dia 24 de fevereiro de 2012 o Brasil comemora os 80 anos do direito de voto feminino. O direito de voto das mulheres foi assegurado pelo Decreto 21.076, de 24/02/1932, assinado por Getúlio Vargas, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. Mas esta conquista não foi gratuita.

A luta pelos direitos políticos das mulheres começou ainda no século XVIII. No início da Revolução Francesa, o Marquês de Condorcet – matemático, filósofo e iluminista – foi uma das primeiras vozes a defender o direito das mulheres. Nos debates da Assembléia Nacional, em 1790, ele protestou contra os políticos que excluiam as mulheres do direito ao voto universal, dizendo o seguinte: “Ou nenhum indivíduo da espécie humana tem verdadeiros direitos, ou todos têm os mesmos; e aquele que vota contra o direito do outro, seja qual for sua religião, cor ou sexo, desde logo abjurou os seus”.

As ondas revolucionárias francesas chegaram na Inglaterra e os escritores progressistas Mary Wollstonecraft – no livro “A Vindication of the Rights of Woman” (1792) e William Godwin – no livro “An Enquiry Concerning Political Justice” (1793), também defenderam os direitos das mulheres e a construção de uma sociedade democrática, justa, próspera e livre.

Mas a luta pelo direito de voto feminino só se tranformou no movimento sufragista após os escritos de Helen Taylor e John Stuart Mill. O grande economista inglês escreveu o livro  “The Subjection of Women” (1861, e publicado em 1869) onde mostra que a subjugação legal das mulheres é uma discriminação, devendo ser substituida pela igualdade total de direitos.

Com base no pensamento destes escritores pioneiros, o movimento sufragista nasceu para estender o direito de voto (sufrágio) às mulheres. Em 1893, a Nova Zelândia se tornou o primeiro país a garantir o sufrágio feminino, graças ao movimento liderado por Kate Sheppard. Outro marco neste processo foi a fundação, em 1897, da “União Nacional pelo Sufrágio Feminino” por Millicent Fawcett na Inglaterra. Após o fim da Primeira Guerrra Mundial, as mulheres conquistaram o direito de voto no Reino Unido, em 1918, e nos Estados Unidos, em 1919.

No Brasil, uma líder fundamental foi Bertha Maria Julia Lutz (1894-1976). Bertha Lutz conheceu os movimentos feministas da Europa e dos Estados Unidos nas primeiras décadas do século XX e foi uma das principais responsáveis pela organização do movimento sufragista no Brasil. Ajudou a criar, em 1919, a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher, que foi o embrião da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, criada em 1922 (centenário da Independência do Brasil). Representou o Brasil na assembléia geral da Liga das Mulheres Eleitoras, realizada nos EUA, onde foi eleita vice-presidente da Sociedade Pan-Americana. Após a Revolução de 1930 e dez anos depois da criação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, o movimento sufragista conseguiu a grande vitória no dia 24/02/1932.

A primeira mulher eleita deputada federal foi Carlota Pereira de Queirós (1892-1982), que tomou posse em 1934 e participou dos trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte. Com a implantação do Estado Novo, em novembro de 1937, houve o fechamento do Legislativo brasileiro e grande recuo das liberdades democráticas. Na retomada do processo de democratização, em 1946, nenhuma mulher foi eleita para a Câmara. Até 1982, o número de mulheres eleitas para o Legislativo brasileiro poderia se contado nos dedos da mão.

Somente com o processo de redemocratização, da Nova República, o número de mulheres começou a aumentar. Foram eleitas 26 deputadas federais em 1986, 32 em 1994, 42 em 2002 e 45 deputadas em 2006 e 2010. Mas este número representa apenas 9% dos 513 deputados da Câmara Federal. No ranking internacional da Inter-Parliamentary Union (IPU) o Brasil se encontra atualmente no 142º lugar. Em todo o continente americano, o Brasil perde na participação feminina no Parlamento para quase todos os países, empata com o Panamá e está à frente apenas do Haiti e Belize. No mundo, o Brasil perde até para países como Iraque e Afeganistão, além de estar a uma grande distância de outros países de lingua portuguesa como Angola, Moçambique e Timor Leste.

Portanto, as mulheres brasileiras conquistaram o direito de voto em 1932, mas ainda não conseguiram ser representadas adequadamente no Poder Legislativo. Até 1998 as mulheres eram minoria do eleitorado. A partir do ano 2000, passaram a ser maioria e nas últimas eleições, em 2010, já superavam os homens em 5 milhões de pessoas aptas a votar. Este superávit feminino tende a crescer nas próximas eleições. Contudo existem dúvidas sobre a possibilidade das mulheres conseguirem apoio dos partidos para disputar as eleições em igualdade de condições.

Nas eleições de 2010, a grande novidade foi a eleição da primeira mulher para a Chefia da República. Neste aspecto, o Brasil deu um grande salto na equidade de gênero, sendo uns dos 20 países do mundo que possui mulher na chefia do Poder Executivo. Com a alternância de gênero no Palácio do Planalto, o número de ministras cresceu e aumentou a presença de mulheres na presidência de empresas e órgãos públicos, como no IBGE e na Petrobrás.

Nos municípios, as mulheres são, atualmente, menos de 10% das chefias das prefeituras. Nas Câmaras Municipais as mulheres são cerca de 12% dos vereadores. Mas, em 2012, quando se comemora os 80 anos do direito de voto feminino, haverá eleicões municipais. A Lei de Cotas determina que os partidos inscrevam pelo menos 30% de candidatos de cada sexo e dê apoio financeiro e espaço no programa eleitoral gratuito para o sexo minoritário na disputa. Os estudos acadêmicos mostram que, se houver igualdade de condições na concorrência eleitoral, a desigualdade de gênero nas eleições municipais deste ano poderá ser reduzida.

As mulheres brasileiras já possuem nível de escolaridade maior do que a dos homens, possuem maior esperança de vida e são maioria da População Economicamente Ativa (PEA) com mais de 11 anos de estudo. Elas já avançaram muito em termos sociais e não merecem esperar mais 80 anos para conseguir igualdade na participação política.

Porque copiam os Beatles?

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Nelson Rodrigues disse que “toda unanimidade é burra” – isso significa que não necessariamente a maioria o seja. Os Beatles não são unanimidade, e nem nunca foram. Entretanto, é indiscutível a qualidade e a influência do grupo britânico não só no rock como na música pop do restante do século XX (a partir da década de 60) e do século XXI. Gente como o articulista do Yahoo Dafne Sampaio não vê valor algum nos Beatles – já pessoas como eu o consideramos o maior grupo musical da história. E como se mede isso? Não fiz nenhuma pesquisa universitária e nem fiz leituras ou consultei “especialistas” – usei apenas um pouco de dedução, imaginação e suposição para chegar a essa conclusão. A música feita pelos Beatles serve de parâmetro para quase tudo de 1965 para cá – exemplos: The Byrds, The Kinks, Oasis, Pulp, Jovem Guarda, etc. Além da quantidade de artistas que regravaram suas músicas, o número de tributos e homenagens feitas em estilos tão diferentes como Salsa, Guarânia, Eletrônica, Dub, Country, Jazz, etc. Os Beatles trouxeram renovação ao rock – pois romperam com o esquema tradicional dos anos 50, incorporando novos métodos de composição, arranjos mais sofisticados, efeitos de estúdio, álbuns conceituais, música indiana – misturando, confundindo e influenciando toda uma geração. Mesmo após 40 anos do fim da banda, os Beatles continuam gerando audiência, mídia e dinheiro. E por quê?

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Bom, primeiro pela qualidade indiscutível. Segundo porque é atemporal – ou seja, sua música comunica-se com qualquer geração, e não ficou apenas confinada aos saudosistas hippies dos anos 60. São canções que entraram no repertório popular – de “Lucy In The Sky With Diamonds” a “Yellow Submarine”, passando por “Across The Universe”, “Heres Come The Sun” e “Twisted And Shout”. São canções que serão ouvidas eternamente – porque transcendem o tempo por tratarem de temas universais. E de tanto cada geração falar delas (e ouvi-las), o interesse pelas gerações vindouras aumenta. As canções beatlenianas estão em tudo – comerciais de TV, festas, rádios, novelas, filmes, etc. E aí reside a diferença entre os Beatles e seus “concorrentes”. Elvis Presley com certeza é um ícone da música do século XX também, mas o interesse geral por sua música é sazonal (com isso estou descontando todo o culto que existe em torno de sua figura). Madonna é chamada de rainha do pop – mas não se fala mais tanto dela assim! Michael Jackson voltou às manchetes por sua morte, mas seu legado (importantíssimo por sinal) não pode ser comparado com a da banda britânica. E quanto aos Stones, Bob Dylan, Neil Young, The Doors, Pink Floyd, Lez Zeppelin, Jimi Hendrix, entre outros? Continuam cultuados? Claro que sim – tanto os vivos, quanto os mortos – mas eles não estão por aí a todo momento – pois sua influência não é tão nítida quanto a dos Beatles.

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Todos esses são grandes artistas – talvez até eternos como os Beatles – mas não são copiados como estes e muito menos entraram com tanta profundidade para a cultura pop. Sim, os Beatles transcenderam a música, pois influenciam a arte também. Por sinal outra inovação do Fab four. A capa do revolucionário Sgt. Peppers é com certeza uma obra-prima da pop art (por extensão). É um dos modelos de capas mais copiados de todos os tempos. E se enganam se pensam que só a capa do Sgt. Peppers é copiada – não, há toda uma sub-cultura que envolve as capas de “Let It Be” e principalmente “Abbey Road”.  Platão diz que as idéias existem independentemente de nós as pensarmos e que como já existem, um dia virão à tona porque serão pensadas por alguém. Então sob essa condição, eu penso que se essas capas não tivesse sido pensadas por eles, seriam pensadas por outros – mas a realidade desmente a teoria, porque então ninguém mais pensou em capas tão geniais que pudessem ser copiadas a exaustão? Porque só os Beatles são os Beatles! E se pensarmos bem, até que algumas são capas comuns, idéias simples – mas que levam a assinatura de serem dos Beatles. E que a partir daí trazem em si um legado, uma referência, uma qualidade quase dogmática. Só se torna um modelo, um parâmetro, aquilo que é bom, aquilo que vende – e por isso os Beatles são copiados até hoje. São como os grandes mestres do Renascimento, ou os compositores clássicos, ou os craques do futebol do passado – servem como “guias”, pois apontaram caminhos, foram por estradas inéditas, e sobretudo porque ousaram. Sim, os Beatles foram extremamente ousados. Romperam com seu tempo e como aponta o crítico Harold Bloom – os gênios se criam por ousarem romper e ultrapassar seus antecessores. Os Beach Boys até tentaram competir – lançando o genal “Pet Sounds” para rivalizar com Revolver. Mas não conseguiram realizar algo maior do que Sgt. Peppers e ficaram pelo caminho. Já os Beatles superam todos – incrivelmente todos os que vieram antes e depois deles, e assim está sendo a história da música pop e do rock há 40 anos – data do fim da banda. Veja – que outra banda conseguiu lançar em seqüência álbuns tão genais e importantes com eles (Rubber Soul, Revolver, Sgt. Peppers, Magical Mystery Tour, White Album, Yellow Submarine, Abbey Road e Let It Be)? O Nirvana e o Radiohead foram bandas que mexeram com as estruturas do pop – mas assim como Elvis são sazonais – vemos camisas deles por aí, mas não transformaram nada, não viraram parâmetro e a qualidade de ambos não é assim tão indiscutível. Resistir ao tempo é realmente para poucos, influenciar quase todos é ainda mais restrito, agora se tornar referência de arte de capa é feito só para os Beatles. “Beatles live forever!” 

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Einen roten Teppich für deutsche Weißweine

 

Wiedersehen mit den deutschen Weißweinen aus besten Lagen des Jahres 2010.

Hotel_ExcelsiorNach dem Inhalt der Einladung der Vereinigung der deutschen Prädikatsweingüter sollten wir uns an einem sehr kalten Januar-Sonntag im Hotel Excelsior-Ernst im Herzen von Köln einfinden. Der Weg dahin, besonders entlang der Domplatte, war ungemütlich und kalt. Das Angebot, die Entwicklung der Grossen Gewächse des Jahrgangs 2010 seit dem vergangenen Herbst weiterverfolgen zu können, wollten wir uns nicht entgehen lassen. Auch die durch meinen Geburtort in Brasilien begründete Abneigung gegen kaltes Wetter konnte mich nicht abschrecken.P10605612520252822529

Es war eine gute Entscheidung: Was auf uns wartete, sollte uns wärmen und entschädigen: Das Wiedersehen mit den Großen Gewächsen des Jahrgangs 2010. Die elegante Atmosphäre des Hotels Excelsior-Ernst gab den angebotenen Spezialitäten einen würdigen Rahmen.

Nach einem kleinen Orientierungsrundgang war klar, dass in der gut besuchten Veranstaltung die Vertreter aus dem Rheingau, aus Baden und aus Franken fehlten, was uns die Möglichkeit eröffnete, uns stärker den Gewächsen aus der Pfalz, aus Rheinhessen, von der Ahr, von der Mosel und von der Nahe widmen zu können.

Zur Eichung der Geschmacksnerven wurde zunächst Einkehr beim Schloßgut Diel gehalten, wo wir vom gut aufgelegten Armin Diel (Unter Rechts) mit seinem exzellenten 2010er “Pittermännchen” eingestimmt wurden. Danach entschlossen wir uns den Rundgang bei den Moselwinzern zu beginnen, was wir nicht bereuen sollten. Das Weingut Clemens Busch präsentierte mit dem Marienburger “Fahrley” ein erstes Highlight der Region. Ein meisterhaftes Zusammenspiel von kompakter Pfirsisch-Ananasfrucht, Alkohol und perfekt eingebundener Säure. Verblüffend eine unverkennbare feine saline Note im Abgang, die dem Gewächs exotische Ausstrahlung verschafft. Eine Aussage, ob sich diese Besonderheit auslebt oder der Wein auch in nächster Zeit beibehalten wird, war der freundlichen Vertreterin des Weinguts nicht zu entlocken.

P10605462520252822529Verkostungen bei den Erzeugern Reinhold Haart, Karthäuserhof und Grans-Fassian bestätigten unseren Eindruck, dass der Jahrgang 2010 den Mosel-Spitzenwinzern mehr als gut gelungen ist. In Erinnerung an die Verkostung des 2010er “Kartäuserhofberg” in Kloster Eberbach gelang mir eine Bestätigung der ersten sensorischen Wahrnehmung dieses kompakten und intensiven Erzeugnisses allerdings nicht, was die Theorie bestätigt, dass man einen Wein mehrfach und unter verschiedenen Bedingungen verkostet haben sollte, um über ihn eine sichere Aussage machen zu können.

Eine ähnliche Erfahrung musste ich auch nach dem Abstecher bei den rheinhessischen Erzeugern zum 2010er “Pettenthal” vom Weingut Gunterloch erleiden. Ich hatte den 2010er “Pettenthal” nach der Verkostung im Herbst in Kloster Eberbach als den bestgemachtesten und ausdrucksstärksten Wein des Jahrgangs 2010 empfunden und eingestuft. Bei der erneuten Probe in Köln wurden meine für den Wein gespeicherten Informationen nicht erneut bedient. Seine Dichte und Kompaktheit trat nicht inP10605282520252822529 jener Weise in den Vordergrund, wie ich es erhofft hatte. Es gelang ihm zwar, meine Erinnerung an ihn abzurufen, jedoch fehlte ihm nun diese intensive und markante Handschrift. War der außergewöhnliche Wein von mir derzeit überschätzt eingestuft worden? Zu dieser Frage erinnerte ich mich an den Zeitpunkt seiner Verkostung von mir während meines Rundganges auf Kloster Eberbach. Hier war ich während meines Rundganges sehr spät am Stand der Familie Gunderloch angekommen. Heute nun hatte ich ihn recht früh, vielleicht zu früh verkostet und meinen eigenen Beitrag zum abweichenden Verkostungsergebnis geleistet.

Besonders die Verkostungsergebnisse an den Plätzen der Weingüter Keller und Wittmann machten mir deutlich, dass das 2010er “Kirchenspiel”, bzw. die 2010er “Aulerde” und der 2010er “Morstein”, als gleichstarke Konkurrenten neben dem 2010er „Pettenthal“ auf den Verbraucher warten, weil sich hinter diesen Erzeugnissen ähnliche kompakte und perfekte Weine zeigen.

Spitzenerzeugnis im Handelshof-Müngersdorf

An dieser Stelle ist darauf hinzuweisen, dass realisiert werden konnte, den “Pettenthal 2010” von Gunderloch ins eigene Sortiment aufzunehmen. Ich freue mich, den Kunden in nächsten Zeit ein solches Spitzenerzeugnis im Handelshof in Müngersdorf anbieten zu können.

Auf unserem weiteren Rundgang durch die Pfälzer Ecke waren wir von den Verkostungsergebnissen beim Weingut Christmann und bei Knipser-Johannishof sehr angetan. Typische kraftvolle, und wie immer gutgemachte, Erzeugnisse, die den Verbraucher nicht enttäuschen werden.

Vielleicht war es eine schlechte Idee, während der Weißweinprobe einer Laune nachzugehen und beim Weingut Münzenberg einen 2007er Spätburgunder unter die Lupe zunehmen. Ich hoffe, bei anderer Gelegenheit noch einmal dieses Erzeugnis verkosten zu können.

P10605742520252822529Um es vorweg zu sagen, den Abschluss unserer kleinen Tour bei den Nahewinzern habe ich als Höhepunkt des Nachmittags wahrgenommen. Ob es die Weine vom Weingut Dönnhoff, vom Schloßgut Diel  oder vom Weingut Dr. Crusius (Links) waren, sie haben mich am meisten beeindruckt und überzeugt. Finessenreiche Weißweine, die ihr terroir, (Unter im Bild)  also ihre individuelle Rebbodenbeschaffenheit perfekt zum Ausdruck bringen. Besonderen Anteil an dieser Einschätzung ist dabei Dr. Crusius (Links) zuzuschreiben, der den Gästen gelungen anschaulich anhand der präsentierten Mineralienauswahl zur jeweiligen Reblage darlegen konnte, warum sich aus den Lagen Rothenfeld und Felsenburg so unverkennbar unterschiedliche, jedoch gleichermaßen hervorragende Erzeugnisse produzieren lassen. Ein Glückspilz, wer von den 2010er dieser Lagen ein paar Flaschen in seinen Keller bekommt.

Nicht zu spät für einen Spätburgunder

Das Wortspiel “nicht zu spät für einen Spätburgunder” kommt mir zum EndeP10605712520252822529 der Veranstaltung in den Sinn. Obwohl wir der Wahl unseres Scouts schnell zustimmten und uns zu Ende der Veranstaltung zur Ahrecke durchtankten, wurde dort schon abgeräumt.

Die falschen Weine probiert

Nur beim Weingut J.J. Adenheuer stand noch der Rest einer 2009er “Gärkammer” , einem 100%igen Spätburgunder,  zur Probe bereit. Eigentlich bin ich kein Freund des Spätburgunders. Kräftige Nebiolos aus Barolo oder markante Ereignisse aus Barbaresco sagen mir mehr zu.

Doch was uns dann zu guter Schluss ins Glas floss, traf bei uns allen nur auf Staunen und Anerkennung. Dieser Spätburgunder hatte nichts mit schlaffen und nichts sagenden Erzeugnissen aus gleicher Rebsorte zu tun, die ich aus Burgund kenne und verabscheue. In unseren Gläser begrüßte uns eine ungemein duftige, mit einer feinen Zedernnote behaftete Offenbarung, die uns unvermutet in die Lage versetzte, wahrhaftig aus einem Topf mit eingelegten Kirschen zu naschen. “Wahrscheinlich hast Du bisher die falschen Weine probiert”,spottete Oliver Scheer, nachdem er mein Erstaunen bemerkt hatte. Bei allen Ernst, ich brachte es nicht über mich, dieses wunderbare Erzeugnis, wie bei den Verkostungen zuvor, auszuspucken. Ich habe diesen Augenblick wahrlich genossen – ein wunderbarer Tropfen und eine Kampfansage an jene, die behaupten, in Deutschland könnten keine guten Roten produziert werden.

An dieser Stelle ist ganz besonders unserem Begleiter Oliver Scheer zu danken, der uns wieder einmal sicher und gekonnt durch das Geschmackslabyrinth führte. Bis zum nächsten Mal und vielleicht auf der Pro-Wein.

 Text: Franz Hecher und Solange Hecker geb. Ayres

Fotos: Solange Hecker

Competição econômica versus cooperação ambiental

A economia e o ambiente funcionam por meio de lógicas diferentes e contraditórias. A crescente disparidade na aplicação destas lógicas pode levar o mundo a situações catastróficas e de dificil solução no longo prazo.

A lei máxima da economia é a competição ou concorrência. As palavras-chaves são explorar, dominar, padronizar, maximizar, crescer, produzir, utilizar, consumir, avançar, desenvolver, etc. Já a lei máxima do meio ambiente é cooperar e as palavras-chaves são: proteger, conservar, minimizar os danos, recuperar, vivificar, reintegrar, diversificar, respeitar, manter fora do ciclo econômico, etc.

O capital busca maximizar os lucros investindo em maquinarias, em inovações tecnológicas, em lançamento de novos produtos, em design, em conquista de novos mercados, etc. Os grandes capitalistas são aqueles que produzem a baixo preço e em grande quantidade. O ganho por unidade é pequeno, mas a receita total é grande (o partido comunista chinês aprendeu bem esta lição).

Os trabalhadores – organizados em sindicados, associações e partidos – buscam maximizar seus salários, manter os direitos adquiridos e conquistar novos direitos e maior influência nas decisões nacionais. Desta forma, a lógica dos trabalhadores é atuar no sentido de elevar o seu padrão de vida, aumentando a sua participação no conjunto das riquezas geradas no país.

O lógica do Estado é aumentar suas receitas (geralmente impostos e taxas), expandir suas atividades e promover a grandeza e a segurança nacional. Algumas teorias dizem que o Estado é “o comitê executivo da classe dominante”. Outras teorias dizem que o Estado é o mediador de conflitos entre o capital e trabalho e entre estes dois e o meio ambiente. Há ainda aquelas teorias que dizem que o papel do Estado é mais institucional no sentido de cuidar das fronteiras,  evitar danos ao patrimônio nacional, realizar políticas públicas para o desenvolvimento econômico e humano, garantir a estabilidade política e jurídica e defender os interesses nacionais (dos cidadãos e empresas) em qualquer parte do mundo.

O fato é que os capitalistas (industriais, comerciais, agrários, financeiros, etc), os trabalhadores do campo e da cidade (ou da foice e do martelo) e a burocracia estatal – a despeito das divergências localizadas – tendem a se unir quando o assunto é crescimento econômico e a grandeza da Nação. Os chamados “projetos nacionais” são um feixe de ações que unem os interesses deste conjunto de forças para garantir uma “inserção soberana do país no concerto da comunidade internacional”.

Neste projeto, o meio ambiente é apenas um meio para se atingir os fins dos agentes econômicos. É claro que os mais inteligentes buscam conciliar o desenvolvimento econômico com a sustentabilidade ambiental. Ou seja, buscam garantir que a exploração e a dominação do meio ambiente continue a acontecer no longo prazo e não seja um entrave ao projeto de grandeza nacional e de conquistas econômicas do capital, do trabalho e do Estado.

Para dar um exemplo brasileiro: o Partido dos Trabalhadores e o Partido Comunista do Brasil se juntaram com os representantes do agro-negócio e centenas de políticos profissionais de diversas denominações partidárias (e que estão no poder desde a época da ditadura militar) para aprovar o “Novo” Código Florestal Brasileiro que reproduz a lógica de transformar o meio ambiente em meio de produção econômico a serviço da gula de alimento e de lucro do ser humano.

Se fosse um caso isolado poderia passar desapercebido. Acontece que esta é a lógica que prevalece no mundo e que desconsidera que o crescimento populacional e econômico infinito é impraticável em um Planeta finito. A soma das ambições nacionais é muito maior do que o conjunto do Planeta. Desta forma, os projetos nacionais estão entrando em choque com as condições ambientais em praticamente todos os países do globo. As disputas entre as classes, as nações, as religiões e as culturas já provocaram enormes danos ao meio ambiente, especialmente nos últimos 250 anos. Nas atuais condiçoes de produção, para manter o bem-estar da população mundial (ou de parte dela), as atividades antrópicas já ultrapassaram a capacidade de regeneração da Terra.

Enquanto a humanidade (mesmo que de forma diferenciada) enriquece, o meio ambiente, no geral, empobrece. As tentativas de conciliar a lógica do crescimento econômico com a lógica da cooperação ambiental são bem vindas. Mas crescem as evidências de que, no conjunto, estas duas lógicas são inconciliáveis e estão entrando em rota final de colisão.

O conflito intergeracional

O processo de desenvolvimento econômico aconteceu nos últimos 200 anos com base na mobilidade social ascendente. Isto foi possível porque enquanto a população passou de 1 bilhão de habitantes para 7 bilhões de habitantes em 2011 – crescimento de 7 vezes – a economia cresceu 60 vezes. Portanto, a despeito das desigualdades, houve um grande aumento da renda per capita.

Desta forma, cada nova geração, na média, conseguia um nível de bem-estar superior em relação à geração mais velha. É o processo do novo substituindo e avançando em relação ao velho. Em geral, cada nova geração conquistava melhores níveis de renda e educação, maior acesso aos bens de consumo e maior esperança de vida.

Porém duas grandes transformações estão mudando este quadro. Uma é a transição demográfica que mudou a estrutura etária da população e acelerou o processo de envelhecimento populacional. O percentual de idosos cresce muito em relação ao percentual de pessoas em idade ativa, alterando o cálculo atuarial que sustentava o regime de repartição simples da previdência. Isto quer dizer que as gerações mais novas vão ter que pagar mais para sustentar as aposentadorias e pensões e não terão os mesmo beneficios no futuro.

A outra grande transformação é a redução das taxas de crescimento econômico, especialmente nos países desenvolvidos e que possuem um sistema de proteção social (Welfare state) avançado e caro. Os Estados Unidos (EUA) é um exemplo de país que viveu o sonho da mobilidade social ascendente, mas que nos últimos anos perdeu competitividade econômica (especialmente para a China), elevou muito o nível de endividamento das famílias e do governo e aumentou a desigualdade social. O resultado é que existe um processo de mobilidade social descendente (downward mobility) nos EUA, com pessoas da classe média engrossando as fileiras da pobreza. Por conta disto, as taxas de fecundidade americanas caiu de 2008 para 2011 e a perspectiva é que continuem caindo por falta de oportunidades para os jovens.

A crise grega está deixando claro um alto nível de conflito intergeracional. No caso da Grécia toda a população está regredindo e empobrecendo. Mas este processo é mais acentuado entre os jovens que não vêem perspectiva pela frente e já enfretam taxas de desemprego de 50%. Ou seja, em cada dois jovens gregos, um está desempregado. E não há luz no fim do túnel. Nos protestos ocorridos em fevereiro, um rapaz, do lado de fora do Parlamento gritava para um senhor mais idoso do outro lado da cerca: “É a sua geração que nos trouxe a este ponto, mas é a minha que vai ter de pagar. Vocês têm que se responsabilizar pelo que está acontecendo”.   

Esta é uma clara situação de conflito intergeracional. Na mitologia grega, o Deus kronos, representado por um homem idoso e de longos cabelos, é famoso por ter devorado os seus próprios filhos. Em pleno século XXI a política e a economia estão devorando os sonhos da juventude da Grécia.

No Brasil, cresce o número de idosos que são arrimos de família e cresce a transferência de recursos das velhas para as jovens gerações. Esta mudança no fluxo intergeracional de riqueza é um dos motores da queda das taxas de fecundidade, que por sua vez, aumentam o processo de envelhecimento populacional. A transferência de recursos públicos para as pessoas idosas no Brasil, em comparação com o gasto per capita para a infância e a juventude, possibilitou que, em geral,  os mais velhos ajudem mais os filhos e netos com recursos da aposentadoria pública.

Mas se os idosos estão ajudando os jovens é porque os segundos estão em pior situação social do que os primeiros. Significa que os jovens estão tendo dificuldades de conseguir o mesmo padrão de vida dos seus pais e avós. Isto pode gerar um grande conflito intergeracional quando o Estado não mais conseguir manter os gastos previdenciários e da assistência social e não oferecer oportunidades adequadas de emprego para os jovens.

Mas o fato é que a mudança do fluxo intergeracional de riqueza, na definição de John Caldwell, deve pressionar ainda mais para baixo as taxas de fecundidade que, por sua vez, vai provocar o aumento do processo de envelhecimento populacional. Não vai ser fácil reverter novamente as relações intergeracionais e criar esperança e mobilidade ascendente para as jovens gerações.