População: uma comparação África e Américas

africa e americas

As evidências arqueológicas mostram que o ser humano – homo sapiens – surgiu na África há cerca de 200 mil anos. De lá se espalhou pelo mundo. A África foi o primeiro continente ocupado pela humanidade e as Américas o último. Mas em 1950, as Américas com 340 milhões de habitantes (sendo 168 milhões na América Latina e 172 milhões na América do Norte) tinham uma população superior à da África que era de 230 milhões de habitantes.

A área total das Américas é de 42,2 milhões de km² e da África de 30,2 milhões de km². Assim, a África tinha uma densidade demográfica de 7,6 habitantes por km² e as Américas tinham 8 habitantes por km².

Ao longo da segunda metade do século XX houve um grande crescimento populacional em ambos os continentes. A população da África chegou a 811 milhões de pessoas, com densidade demográfica de 27 habitantes por km², no ano 2000. A população das Américas, ainda maior, chegou a 835 milhões, com densidade de 20 habitantes por km² (sendo 522 milhões de habitantes na América Latina e 313 milhões na América do Norte). Em 50 anos, a população da África multiplicou-se por 3,5 vezes, da América Latina por 3,1 vezes e da América do Norte por 1,8 vezes (no continente americano o crescimento foi de 2,5 vezes).

No ano de 2003, a população da África, de 870 milhões de habitantes, ultapassou a população das Américas, de 866 milhões de habitantes. Em 2012, estima-se a população da África em 1,07 bilhão de habitantes e das Américas em 954 milhões de habitantes (sendo 603 milhões da América Latina e de 351 milhões de habitantes da América do Norte).

As projeções da divisão de população da ONU indicam que, em 2050, o continente africano terá uma população de 2,2 bilhões de habitantes e o continente americano terá 1,2 bilhão de habitantes (751 milhões da América Latina e 449 milhões da América do Norte). A densidade demográfica será de 73 habitantes por km² na África e de 28 habitantes por km² nas Américas. Portanto, em meados do século XXI, a África terá cerca de 1 bilhão de habitantes a mais do que as Américas e terá uma densidade demográfica cerca de 2,5 vezes maior.

Para 2100, as projeções médias da ONU indicam uma população de 3,57 bilhões de habitantes na África e de 1,21 bilhão de habitantes nas Américas, com densidades demográficas de 118 e 29 habitantes por km², respectivamente. Ou seja, o continente africano deverá ter uma população de 2,36 bilhões de habitantes a mais do que as Américas e uma densidade demográfica 4 vezes maior. A população das Américas deverá crescer em torno de 370 milhões de habitantes na primeira metade do século XXI e depois se estabilizar, enquanto a população da África deverá passar de 811 milhões de habitantes em 2000 para 3,57 bilhões em 2100, ficando, demograficamente, 3 vezes maior do que as Américas.

O grande crescimento populacional da África acontece devido às altas taxas de fecundidade e ao elevado número de nascimentos anuais.

Ná década de 1950 a Taxa de Fecundidade Total (TFT) era de 6,6 filhos por mulher na África, em torno de 6 filhos na América Latina e de 3,5 filhos na América do Norte. No quinquênio 1995-2000 as TFT tinham caido para 5,2 filhos na África, 2,7 filhos na América Latina e 1,9 filhos na América do Norte. No quinquênio 2010-15 estima-se a TFT em 4,4 filhos na África, 2,1 filhos na América Latina e 2 filhos na América do Norte. As projeções da ONU indicam taxas de fecundidade, no quinquênio 2045-50, de 2,9 filhos por mulher na África, de 1,8 filhos na América Latina e de 2 filhos na América do Norte. Portanto, a fecundidade deve cair bastante na África, mas vai continuar acima do nível de reposição (ao contrário da América Latina) e, portanto, isto vai possibilitar a continuidade do crescimento populacional.

O número absoluto de nascimentos vai aumentar muito na África, pois o continente tem estrutura etária jovem e fecundidade mais elevada (mesmo que em declínio). Os dados da divisão de população da ONU mostram que em 1950 nasceram 11,6 milhões de crianças na África e 12,1 milhões nas Américas. No ano 2000, os nascimentos da África passaram para 32 milhões contra apenas 16 milhões nas Américas. Em 2012, estima-se que houve uma queda dos nascimentos anuais nas Américas para 15,5 milhões de crianças e um aumento na África para 37 milhões. Para o ano de 2050, as projeções são de 49 milhões de nascimentos na África e de 14 milhões nas Américas. Ou seja, em 1950 nasciam mais crianças nas Américas e em 2050 estarão nascendo cerca de 3,5 vezes mais crianças na África.

Os números mostram que a América Latina ultrapassou a América do Norte na segunda metade do século XX, mas já atingiu uma fecundidade ao nível de reposição e deve apresentar um decrescimento populacional na segunda metade do século XXI. A América do Norte vai continuar crescendo, principalmente pele efeito da imigração, mas deve apresentar uma estabilização da população após 2050.

Já a África vai ser o continente com maior crescimento do atual século, podendo ter um aumento de 4 vezes no volume da população (de 811 milhões, em 2000, para 3,5 bilhões, em 2100). Mesmo que o número de nascimentos no continente africano estabilize em 50 milhões de crianças ao ano, em 2050, isto daria uma população de 3,0 bilhões de habitantes, se a esperança de vida ao nascer ficar em 60 anos (50 milhões vezes 60 = 3,0 bilhões de pessoas) ou 3,5 bilhões de habitantes se a esperança de vida chegar a 70 anos (50 milhões vezes 70 = 3,5 bilhões).

Portanto, mesmo com a queda das taxas de fecundidade, a população da África vai continuar crescendo e pode atingir um volume 3 vezes maior do que a população das Américas até o final do corrente século. Mas o continente americano possui 45% do total mundial de disponibilidade de água doce, enquanto a África possui apenas 9% (segundo dados da FAO). Neste ritmo, não será fácil reduzir a pobreza, melhorar o bem-estar da população, proteger a biodiversidade e evitar uma maior degradação ambiental.

Por tudo isto, a África vai ter que enfrentar um grande problema político e econômico para lidar com o grande crescimento demográfico. Mas não se trata de repetir nem o discurso colonialista e nem a velha fórmula do controle da natalidade impositivo. Ao contrário, trata-se de empoderar as mulheres e universalizar os direitos de cidadania, para que a autodeterminação reprodutiva de homens e mulheres, especialmente dos jovens, possa ser colocada em prática.

Depois de décadas de aumento da pobreza absoluta e relativa, pela primeira vez, o relatório do Banco Mundial (de 2012) mostrou que o número de pessoas vivendo na pobreza extrema (abaixo de US$ 1,25 por dia) se reduziu entre 2003 e 2010. A pequena queda nas taxas de fecundidade já permitem o início do bônus demográfico no continente. Trata-se, pois, de saber administrar um círculo virtuoso que permita que a África siga os caminhos demográficos das Américas, mas com especial atenção à implantação dos direitos humanos e ambientais: inalienáveis, indivisíveis e universais.

 

Não é algo para amar…

 Ah, a ciência!

 Uma das mais antigas ferramentas criadas pelo homem, permite-nos entendermos a nós que somos natureza e, enfim, transformarmo-nos no que somos hoje. Se devemos à alguém o que somos hoje, é a nós mesmos e à nossa capacidade de inventá-la (a ciência).

 Mas nem todos pensam assim…
 
 A ciência é, para muitos, vista como uma destruidora da humanidade (humanidade que só existe por causa da ciência), cimentando florestas, transformando o colorido em cidades cinzentas e mortas. Essas pessoas se esquecem das cores que sabemos existir através do uso da ciência e que sem ela nunca reconheceríamos, esquecem dos mundos que podemos vislumbrar, ainda que com os olhos de máquinas e que nunca poderíamos fazer, se um dia tivéssemos desistido da ideia de questionar…
 
 Ciência é questionar para entender e é entendendo como funciona a natureza que podemos alcançar nossos objetivos com maior facilidade.
 
 Mas para outros não é o concreto o problema, mas sim o chamado positivismo, o agir como se só o observável valesse, apenas as leis quadradas como no papel significam e importam para alguma coisa. Para essas pessoas eu digo: se as leis do positivismo estiverem erradas, então a ciência às deixará de lado, como vem deixando.
 
 Não há o que fique , na verdadeira ciência, que não esteja se comprovando funcional até o momento. Se a ciência fosse uma ferramenta ineficiente, leitor, você não estaria lendo isso agora, pois foi com ela que criamos os computadores, a internet…
 
 Pessoas cometem erros, mesmo quando usando a ciência, mas se este erro tornar-se exposto, será revisado e o necessário para se concertar os problemas causados será feito, sem apego, sem ego.
 
 A ciência ou melhor, nós, usando a ciência, entendemos o ser humano como sendo parte da natureza, entendemos melhor a consequência de nossos atos, a responsabilidade de cada um, o potencial de superação da espécie como um todo! E quando digo nós, digo você também!!! A ciência é uma ferramenta humana, todos podem questionar, observar e entender a natureza e como chegar a um resultado, está intrínseco no significado da expressão “ser humano”.
 
 A ciência serve para entender o que funciona em certa situação. Mas e a política? E a religião? Quando elas nos dizem que temos poder e responsabilidade de zelar por toda criatura viva, por todo ser humano deste planeta, não importando o local de nascimento, crenças, opções subjetivas, afinal, trata-se de parte minha também!
 
 Sério. Como você pode ter certeza que a casca do abacate que colocarei na composteira hoje não tinha átomos que, um dia, passaram pelos seus olhos, tipo, sendo parte deles?
 
 Vale comentar que, a cada dois anos, praticamente toda célula do seu corpo deu lugar a uma outra, o que nos faz saber que, há dois anos atrás, em termos de matéria, nós éramos uma pessoa totalmente diferente de quem somos hoje, ou seja, não éramos nós…em termos de matéria…
 
 No colégio decoramos e repetimos incessantemente as mesmas coisas, isso não é ciência, é um estudo das tecnologias ou dos conhecimentos, o que, por sua vez, é o resultado da ciência, não ela própria.
 
 Ciência é questionar e descobrir para poder criar, criar esta tecnologia…
 
 No comércio, é usada para descobrir…descobrir como ferrar os outros e aumentar os lucros. Não é bela como a ciência humanizada, é feia e suja.
 
 A ciência dos cientistas de verdade (por não achar palavra melhor, talvez, a ciência dos humanos humanizados…), essa é bela! Podemos usá-la diariamente! Experimente, se quiser! Sem medo da matemática, descobrirás a diferença dela pro que a gente vê em aula. Ela é como um martelo: eu o pego quando preciso usar, não preciso mantê-lo na mão o tempo todo.
 
 Não é decorando fórmulas que se usa essa tecnologia que é a matemática e que nos serve de ferramenta. Aprenda a usar, as fórmulas ficam escritas em qualquer lugar e pode-se lê-las sempre que precisar.
 
 Quer uma dica? Comece pela física mecânica e geometria, estudo o mundo ao seu redor e veja como as coisas se relacionam no plano visível. É excitante!!! A química daquilo que comemos, bebemos e respiramos também pode ser interessante de se dar atenção.
 
 Trazer a ciência para nosso dia-a-dia nos torna mais humanos do que se pode imaginar, pois, hoje, ela nos mostra o que somos com mais exatidão e quão dentro da natureza nós estamos, nós somos natureza e, se isso não for motivo para amar ao próximo e proteger a todas as coisas, eu não sei mais o que é…
 
 Ciência não é algo para ser amado, mas usado com amor. Vida sim é algo para ser amada, não para se usar.

Sociedade Ego-hierárquica versus Globo Eco-cêntrico

ego eco

Antes de escrever sua obra seminal – que o tornou super-famoso e o transformou em “pai da economia moderna” –  Adam Smith (1723-1790), que era professor de ética, escreveu o livro “Teoria dos Sentimentos Morais” (1759). Neste livro ele estava preocupado com a ética e o processo de surgimento dos juizos morais, em contraposição ao auto-interesse e ao egoísmo.

Não se sabe se Adam Smith ficou desiludido com a capacidade ética do ser humano, mas o fato é que, no livro “A Riqueza das Nações” (1776), ele se rendeu a realidade e mostrou que a economia (o mais correto seria chamar de egonomia) funciona a base de princípios egoísticos. Ele deu o seguinte exemplo de como funciona as forças de oferta e procura do mercado: “Não é da benevolência do padeiro, do açougueiro ou do cervejeiro que eu espero que saia o meu jantar, mas sim do empenho deles em promover seu auto-interesse”.

Ou seja, o padeiro, o açougueiro e o cervejeiro vendem pão, carne e cerveja não só para satisfazer a fome e a sede dos seus clientes, mas para gerar o lucro necessário para as suas próprias sobrevivências. Num ambiente de livre competição, os clientes vão procurar os melhores produtos com os menores preços e os produtores e comerciantes vão buscar conquistar o maior número de clientes – atendendo suas necessidades, preferências e menor preço – pois o lucro unitário pode cair, mas o lucro total aumenta com o aumento das vendas. Smith mostrou que o trabalho é a fonte da riqueza e a maior eficiência provocada pela divisão e extensão do mercado seriam uma enorme fonte de riqueza, para qualquer nação que adotasse os princípios da livre competição.

Evidentemente, este sistema que tem como referência o livre-mercado, por todos os locais por onde foi adotado, se tornou muito mais eficiente do que o sistema feudal e mercantilista. O argumento central é que, por meio de uma mão invisível, a busca individual e egoística pelo auto-interesse possibilita o enriquecimento e o bem-estar de toda a sociedade. Na medida em que, por meio de uma maior divisão do trabalho, todos buscam produzir bens e serviços de melhor qualidade e de menor preço – incorporando a educação ao capital humano e incorporando ciência e tecnologia ao capital fixo – o resultado é um padrão de vida mais elevado e um maior bem-estar material da sociedade.

Desde a morte de Adam Smith, no final do século XVIII, até hoje, a população mundial cresceu cerca de 7 vezes e a economia cresceu cerca de 90 vezes. A renda per capita subiu algo em torno de 13 vezes. Duzentos e trinta anos depois da publicação do livro “A Riqueza das nações”, na média, as pessoas vivem mais e com mais conforto (mais consumo). A esperança de vida ao nascer da população mundial que estava abaixo de 30 anos passou para 70 anos. Naquela época, nem o mais rico Rei possuia luz elétrica ou telefone, hoje em dia são quase 6 bilhões de habitantes com acesso a estas modernidades. Os açougueiros atualmente possuem à disposição 1,4 bilhão de vacas e bois (com suas pastagens e desmatamentos) para satisfazer a alimentação humana. Nos dias atuais, existem mais carros em circulação no mundo do que o número de habitantes em 1800. Gostando ou não, o princípio do egoísmo na lógica do mercado venceu.

A economia do lucro e do crescimento pelo crescimento, tem sido um sucesso de eficiência. Nunca o interesse da humanidade foi tão satisfeito, embora ainda haja bilhões de pessoas que anseiam ter o mesmo padrão de consumo das camadas mais privilegiadas. Jogando na loteria os pobres alimentam o sonho das suas expectativas de consumo. Pelo efeito comparação, o auto-interesse de um tem que ser parecido com o auto-interesse do outro. Neste processo, o ser humano se coloca no topo da pirâmide hierárquica dos seres vivos. Afinal uma vaca só sabe pastar, enquanto o homo economicus sabe acumular bens e ativos financeiros. No espírito do capitalismo: “tempo é dinheiro”, “dinheiro gera dinheiro” e mesmo que o dinheiro não compre a felicidade, ele compra muitos objetos de consumo que são considerados sinônimos de felicidade. Desta forma, para o dinheiro não existe tempo ruim e nem ambiente desfavorável.

Mas a economia egonômica é apenas um subsistema do ecossistema. O finito ecossistema a cada dia perde mais espaço para a egonomia consumista e espaçosa. Desejando o luxo, a humanidade suga riqueza da natureza e devolve em forma de lixo. Desta forma, como mostra a economia ecológica, o desenvolvimento se tornou deseconômico e passou a custar mais do que vale, especialmente para a biodiversidade e a natureza.

Existem autores que consideram que até Adam Smith ficaria triste com o resultado de toda a prosperidade humana, pois, em termos pessoais, ele era um cientísta ético. A sociedade atual virou um “Frankenstein”, acirrando os instintos mais mostruosos do egoísmo. Isto porque, as leis do mercado estimulam uma luta direta de Egos individuais pela conquista de fama, sucesso e dinheiro, de Egos de classe (e raça) pelos privilégios de grupos específicos, uma luta de Egos nacionais pelo poderio das Nações Ricas e de Egos humanos contra todas as demais espécies e contra as riquezas naturais da Terra. E para piorar, os monopólios e os oligopólios concentraram a riqueza nas mãos de poucos “super Egos”.

A luta pelo auto-interesse tornou a sociedade extremamente Ego-cêntrica. A sociedade humana se desenvolveu de maneira hierarquizada, com o homem no vértice superior do triangulo. É também uma sociedade com forte viés patriarcal, pois as desigualdades de gênero tornam as mulheres cidadãs de segunda classe. Já as demais espécies e a natureza formam a base da pirâmide e são usadas de maneira instrumental pelos interesses antropocêntricos. Evidentemente, esta estrutura hierárquica e piramidal só serve aos interesses egoísticos de uma só espécie, sendo incapaz de manter um equilíbrio ambiental. Quanto mais a humanidade buscar avançar com o padrão de vida material mais insustentável ficará o Planeta e maiores serão os riscos de colapso.

A alternativa seria romper com o antropocentrismo e o egocentrismo e construir um Planeta não- hierarquizado, não-piramidal, não egoístico e sem maus tratos aos animais. Sem luxo e sem lixo. Onde haja uma distribuição equidistante de todas as formas de vida, em um círculo harmônico de convivência. Um globo onde os direitos humanos não sejam somente humanos, mas sejam expandidos para todas as espécies e para o planeta Terra. Ou seja, para evitar a rota do precipício seria preciso reorganizar a sociedade de forma equilibrada e sem privilégios de espécie. Trocando o egoísmo pelo juizo ético. Numa sociedade ecocêntrica, os direitos serão de fato inalienáveis, universais, indivisíveis, equidistantes e inter-dependentes, abarcando todos os seres vivos da Terra.

 

Cooperação ou Competição

 Tenho a intenção de escrever alguns textos sobre o diálogo dos dois paradigmas acima. A discussão me atrai, da mesma forma que a entre o global e o local, entre o individual e o social. Mas em especial estes dois me atraem.

Entendo que o diálogo neste caso é essencial, uma vez que o choque sempre favorecerá o paradigma da competição. Raciocionado de forma simples creio que poder afirmar que quando as pessoas que entendem que necessitamos de um mundo mais cooperativo tentam competir com as adeptas da competição livre, escancarada e por vezes selvagem, esta última está em seu terreno de atuação e ganhará sempre, Pois se o caso é ganhar ou perder, nada como uma boa competição.  

Os defensores e incentivadores da competição como a grande mola propulsora da humaninada sabem usar bem a cooperação como ferramente de batalha. Unem-se temporariamente, fazem conchavos e os desfazem, dão a alguns até o nome de alianças estratégicas. Tudo para poder melhor competir. Já os partidários da cooperação nem sempre sabem usar a competição a seu favor. Isto porque talvez a rejeitem. Acham talvez que competição é sempe ruim, descabida. Vou então aqui me dedicar a algumas reflexões sobre o tema.

Competição é absolutamente normal. Você nasceu de uma competição. Um só óvulo e milhões de espermatozóides. Cresceu competindo com outras crianças, a não ser que você não tenha instintos e não fosse aquele que quer primeiro chegar a algum lugar, ganhar o brinquedo mais bonito etc. Se o sistema incentiva estas coisas ou não é um outro assunto. Eu estou falando por mim. Sistema nenhum precisou me convencer a ser o mais rápido de bicicleta, a me dedicar muito para que meu time de futebol de esquina ganhasse dos outros ou a competir com outros adolescentes pelos beijos de alguma princesa. 

Há algo competitivo em muitos de nós e na sociedade criativa. Quando o criador deste site decide se vai usar joomla ou ning ou sei lá o que, escolhe entre tecnologias. Se todos os criadores de sites selvagens escolherem uma tecnologia e deixarem de escolher outras, estas outras acabam, morrem. Escolhas deste tipo são competitivas. Quando se decide Ocupar Wall Street, deixou-se de ocupar Fifth Avenue. Metas competem, decisões competem entre si.

Aqui caberia talvez já começar a escrever sobre a diferença entre a competição saudável e a rivalização violenta e mórbida. Deixo no entanto apenas as ideias acima para dar início ao debate. Deixo claro meu lado. Acho mais interessante trabalhar e crescer cooperativamente, criar um planeta em que menos gente jogue o jogo do “quem morre com mais”. Para isso no entanto preciso aceitar meu lado competitivo, entender quando a competição é natural e saudável e não querer matar o leão dentro de mim.

P.S Deixo aqui um lindo exemplo de competição e cooperação andando de mãos dadas. Duelo do bem:  http://www.youtube.com/watch?v=v35YhhzCrYk&feature=related

O tsunami grisalho

tsunami grisalho

A população mundial atingiu a maior taxa de crescimento da história da humanidade na década de 1960, cerca de 2,1% ao ano. Foi nesta época que se começou a se difundir a visão catastrófica da “bomba populacional”. De lá para cá, o ritmo de crescimento demográfico tem diminuído, estando em torno de 1,1% ao ano, no quinquênio 2010-15. Ou seja, a chamada “bomba populacional” está sendo desarmada. A população mundial está crescendo menos e vivendo mais. A esperança de vida ao nascer era de 48 anos em 1950-55 e subiu para 68 anos no quinquênio 2005-10.

Mas enquanto a população como um todo cresce em ritmo mais lento, a população idosa cresce num ritmo mais veloz, pois a grande onda de nascimentos e de filhos sobreviventes depois da Segunda Guerra Mundial, especialmente das décadas de 1950 e 1960, está se transfomando em uma grande onda de idosos que chegam à “terceira idade” agora no século XXI. Alguns autores estão chamando este fenômeno de tsunami grisalho (grey tsunami).

De fato, existiam no mundo 204 milhões de pessoas com 60 anos e mais de idade, em 1950. Este número passou para 610 milhões em 2000, para 760 milhões em 2010 e deve atingir 1.378.945.000 (um bilhão e trezentos e setenta e oito milhões e 945 mil) idosos em 2030. Enquanto a população total deverá apresentar um crescimento de pouco mais de 3 vezes entre 1950 e 2030, a população idosa (60 anos e +) deverá apresentar um crescimento de quase 8 vezes, no mesmo período. Ou seja, esta onda de tamanho quase 8 vezes maior está sendo chamada de tsunami grisalho.

Em 1950 o total da população mundial era de 2,532 bilhões de habitantes. Em 2075, a divisão de população da ONU projeta que o mundo terá 2,539 bilhões de pessoas com 60 anos e mais de idade. Ou seja, haverá mais idosos no mundo em 2075 do que toda a população mundial de 1950.

Nos países desenvolvidos a população de 60 anos e mais era de 95 milhões em 1950, passando para 269 milhões em 2010, devendo chegar a 370 milhões em 2030. Nos países em desenvolvimento a população idosa era de 109 milhões de habitantes em 1950, passou para 491 milhões em 2010 e deve chegar a 1 (um) bilhão de pessoas em 2030. Portanto, a grande maioria dos idosos (60 anos e +) do mundo estarão localizados nos países em desenvolvimento.

Paralelamente ao tsunami grisalho houve uma queda das taxas de fecundidade no mundo. Isto significa que além da redução do ritmo de crescimento demográfico passa a haver uma mudança da estrutura etária da população, com o progressivo estreitamento da base e o alargamento do topo da pirâmide populacional. Ou dito em outros termos, a queda da fecundidade acelera o processo de envelhecimento populacional. Portanto, o desafio não é apenas o fato de haver mais idosos na população, mas também o fato de haver menos jovens e adultos para cuidar e contribuir com a manutenção do padrão de vida desta população idosa.

Em 1950, as pessoas com 60 anos e mais de idade representavam apenas 8% da população mundial este número passou para 11% em 2010 e deve chegar a 17% em 2030. Nos países desenvolvidos, as pessoas com 60 anos e mais de idade representavam 12% da população total em 1950, passando para 22% em 2010 e devendo chegar a 29% em 2030. Nos países em desenvolvidos, as pessoas com 60 anos e mais de idade representavam apenas 6,3% da população total em 1959, passando para 9% em 2010 e devendo chegar a 14,4% em 2030.

Portanto, os países em desenvolvimento vão ter o maior volume de pessoas idosas, mas são os países desenvolvidos que já apresentam o maior percentual de idosos na população. Isto é, o processo de envelhecimento populacional é universal, mas os países desenvolvidos vão ter uma carga de dependência demográfica mais pesada de idosos nas próximas décadas. O tsunami grisalho vai atingir primeiro os países desenvolvidos e, algumas décadas mais à frente, os países em desenvolvimento.

O tamanho da onda do envelhecimento vai variar conforme os países e as regiões. Mas ninguém vai ficar imune ao tsunami grisalho, pois esta onda vai afetar a dinâmica econômica e demográfica de todo o mundo, que precisa, desde já, se preparar para lidar com este fenômeno inevitável.

 

A tecnologia e o Frankenstein

O Iluminismo foi um movimento que mudou o mundo. O Marquês de Condorcet (1743-1794), na França, William Godwin (1756-1836) e Mary Wollstonecraft (1759-1997), na Inglaterra, foram pensadores iluministas que defendiam a justiça social e de gênero, o progresso econômico e consideravam que a racionalidade humana poderia resolver os principais desafios da sociedade. Eles acreditavam na “perfectibilidade humana” e na força da inteligência para resolver os problemas de pobreza, avançar com a ciência e a tecnologia, construir um mundo justo e pacifico e chegar a um estado de bem-estar e de felicidade para todos. Eles sonhavam com o aperfeiçoamento permanente da humanidade.

De fato, a ciência e a tecnologia possibilitaram grandes transformações sociais e econômicas nos últimos 220 anos. Mas se houve ganhos, também houve grandes danos. A depleção da natureza, a poluição das fábricas, o envenenamento por meio dos agrotóxicos e as mudanças climáticas são alguns dos resultados do “sucesso” civilizatório. Par quem demoniza a tecnologia, o Planeta pode caminhar para o colapso se os rumos atuais não forem alterados.

Mas cabe a pergunta: a  tecnologia pode ser a salvação ou a danação do mundo?

Uma das primeiras pessoas a questionar a glorificação da ciência e da tecnologia por parte dos iluministas foi Mary Shelley, nada menos que a filha de William Godwin e Mary Wollstonecraft, considerada a primeira feminista moderna e que escreveu, em 1790, o livro A Vindication of the Rights of Woman (Uma Defesa dos Direitos da Mulher). Por ironia histórica, a feminista Mary Wollstonecraft morreu de morte materna após o parto da sua filha, em 1797. Mary Wollstonecraft Godwin se casou com o poeta romântico idealista inglês Percy Shelley (1792-1822), e passou a assinar o sobrenome do marido.

Mary Shelley tinha apenas 19 anos quando escreveu o livro: Frankenstein, o Prometeu Moderno, publicado em 1818. Parece que ela quis mostrar aos pais e ao marido que a tecnologia, ao invés de criar o “homem novo”, poderia criar um monstro. Assim como, na mitologia grega, onde Prometeu roubou o fogo (da sabedoria) dos Deuses para iluminar o caminho da humanidade, o Dr. Victor Frankenstein utilizou da ciência e da tecnologia para “brincar de Deus” e dar à luz uma criatura inteiramente nova.

No ramance, o médico e químico Victor Frankenstein, depois de estudar galvanismo, desenvolve uma técnica secreta para imbuir corpos inanimados com vida. Ele sonhava produzir uma bela Criatura, mas produziu um ser com aparência de monstro. Victor renega a Criatura e foge na tentativa de esquecer sua criação. Isto deixa a Criatura confusa, com raiva e com sentimento de rejeição. Porém, a despeito do horror que provoca nas pessoas, a Criatura sobrevive e se educa sozinha e, depois de vários desencontros e várias tragédias, encontra-se novamente com Victor Frankenstein e exige que ele crie uma companheira, com as mesmas características, para que o novo casal pudesse viver longe da civilização. A princípio Victor concorda, mas depois se nega a fazer a Criatura feminina, com medo de estar dando início a uma nova “raça de monstros”. Neste ponto, Criador e Criatura já estão totalmente conflagrados e em guerra aberta, cada um tentando aniquilar a vida do outro.

Desta forma, a mensagem do livro Frankenstein é sobre os efeitos não antecipados da ciência e da tecnologia. A autora trata a tecnologia como uma força autônoma que, ao invés de gerar progresso e bem-estar, pode gerar aberração e monstruosidade, voltando-se contra o próprio criador e atuando em oposição aos interesses da sociedade. Em vez de ser uma solução, a tecnologia vira um problema. Portanto, Mary Shelley antecipou a crítica moderna e sugere que a tecnologia que gerou progresso, também gerou poluição das cidades, eliminou empregos, modificou a vida das pequenas comunidades, provocou acidentes (radiação atômica, vazamentos de petróleo, etc.), assoreou os rios, esvaziou aquíferos, desmatou florestas, acidificou os oceanos, aqueceu a atmosfera e provocou mudanças climáticas.

Alguns estudiosos consideram que o livro Frankenstein, o Prometeu moderno reproduz um discurso moralista, rousseauniano, conservador e que demonizou a ciência e a tecnologia. Outros consideram que Mary Shelley apenas alertou sobre os efeitos não antecipados da racionalidade e da criatividade humana. Neste segundo sentido, ela se antecipou a pensadores como Marx, que mostrou como o capitalismo utiliza a ciência e a tecnologia para seus objetivos de maximizar o lucro; a Max Weber que mostrou os efeitos da razão instrumental que ajusta os meios aos fins não valorativos; a Adorno e a Escola de Frankfurt que denunciaram o lado repressivo da razão; e a Foucault que mostrou o entrelaçamento entre saber e poder.

O debate continua aberto. Por exemplo, em relação ao aquecimento global, as novas tecnologias podem ter efeitos muito diferenciados. A industria do petróleo busca novas tecnologias para explorar o óleo em águas profundas e utilizar outras fontes de combustíveis como as tar sands (areias betuminosas) e o gás de xisto. Com isto adiam o fim do uso dos combustíveis fósseis e continuam a emitir gases de efeito estufa aumentando o aquecimento global.

Outros cientístas buscam técnicas de geoengenharia para capturar o CO2 (gás carbônico) e reduzir o efeito estufa. A intenção pode ser boa, mas apenas buscar mitigar os efeitos das tecnologias exploradoras da energia fóssil não vai resolver o problema da emissão provocada pelos combustíveis que emitem CO2.

Porém, existem cientistas e empresas investindo em tecnologias para aperfeiçoar a produção de energia solar e eólica, que são fontes limpas e renováveis e que não provocam o efeito estufa. Se as energias renováveis chegarem a toda a população mundial de maneira democrática e não ficarem controladas por poucos grupos monopolistas, então o avanço científico e tecnológico nesta área vai representar um avanço para todos.

Portanto, a tecnologia pode ser uma solução ou um problema. Mas, com certeza, ela nunca será uma panacéia para resolver a voracidade e a doença egoístia da ganância humana.

“Pinicão” da Guanabara

polu pinicao gua
“Cristo Redentor,
Braços abertos sobre a Guanabara”
Tom Jobim

A Baia da Guanabara já foi muito cantada em prosa e verso e é parte constitutiva da “Cidade Maravilhosa”. Contudo, a baia tem sofrido com o lixo a poluição que recebe dos rios/esgotos e se tornou um grande penico, uma área de descarte de toda a região metropolitana do Rio de Janeiro. Desta forma, a baia está se tornando um organismo semimorto.

Depois de séculos de maltratos, foi anunciado durante a Eco-92, o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara, que começou a ser executado em 1995, mas foi prorrogado diversas vezes e, depois de gastar mais de US$ 1 bilhão, continua sem apresentar resultados palpáveis.

Das quatro estações previstas no projeto (conhecido como PDBG) nenhuma está operando plenamente. O programa, assinado em 1994, contou com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), passou por seis governos, mas previa a conclusão da primeira fase de obras em cinco anos. Porém, até hoje, apenas 36% de todo o esgoto gerado nos 15 municípios do entorno da baia é tratado. O “Pinicão” recebe em média 10 mil litros por segundo de esgoto sem tratamento. Isto destrói a vida marinha e espalha o odor fétido por toda a região.

O dinheiro das obras cai no “ralo” e o esgoto não chega às estações de tratamento. As redes coletoras de esgoto não foram construídas. Algumas estações foram inauguradas diversas vezes, mas até hoje não funcionam. Os lixões no entorno da baía só agravam a situação, com a liberação do chorume. Segundo depoimento de antigos pescadores, o volume de pescado se reduziu em 80% e diversas espécies de peixes e crustáceos desapareceram.

Por isto, há gente que, ao contrário dos belos versos dos poetas, chamam a baia de  “Pinicão” da Guanabara. Esta é a realidade que os participantes da Rio + 20 vão encontrar em junho de 2012. Ou seja, pela segunda vez o mundo vai se reunir na cidade do Rio de Janeiro para discutir o meio ambiente e vai poder comprovar que em 20 anos quase nada foi feito para despoluir a Baia da Guanabara e nem para recuperar os rios que foram fundamentais para o crescimento da cidade.

Pela segunda vez o Rio de Janeiro vai aprovar documentos falando de desenvolvimento sustentável. Mas a cidade vai continuar insustentável, pois precisa continuar importanto água e peixes de longe, enquanto os rios são destruídos, a poluição se espalhada e se aprofunda na Baia da Guanabara e a biodiversidade é dramaticamente eliminada.

 

O perigo do colapso ambiental

Os ambientalistas estão alertando há anos sobre os perigos do colapso ambiental provocado pelo crescimento populacional e econômico. O atual padrão de produção e consumo da humanidade já é insustentável. A continuidade do crescimento só torna as coisas piores.

Mas o alerta mais recente não foi dado por ativistas radicais, mas pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico – OCDE. O relatório “Previsões ambientais para 2050: as consequências da inação”, divulgado em meados de março de 2012, mostra que o mundo caminha para um colapso ambiental, caso não haja mudança de rota. Os custos da inação podem ser incalculáveis para as economias, o ser humano e a biodiversidade. Os dados são alarmantes sobre as tendências das mudanças climáticas, da degradação ambiental, da demanda por água e sobre os impactos da poluição na saúde humana.

Segundo o estudo a demanda mundial por energia deve crescer 80%, até 2050, sendo que 85% dessa energia deve continuar sendo ofertada por combustíveis fósseis. Desta forma, as emissões de CO2 vão aumentar 50%, incrementando o efeito estufa e podendo elevar o aquecimento global a uma temperatura entre 3°C e 6°C, números bem acima dos 2º C estimados como toleráveis pelo Painel de Mudanças Climáticas da ONU.

A poluição do ar agravará os problemas de saúde pública, se somando à falta de acesso ao saneamento básico. O número de mortes prematuras relacionadas a males causados pela poluição do ar deverá mais do que dobrar, especialmente em países como China e Índia (que são os que apresentam maior crescimento econômico). Atualmente, as doenças respiratórias associadas à poluição matam milhões de indivíduos por ano.

O crescimento da demanda por água potável irá se agravar e aumentar o stress já existente. A OCDE estima que a demanda deverá crescer 55%, especialmente para uso na indústria (+ 400%), usinas termelétricas (+140%) e uso domiciliar (+130%). O aumento na demanda deve elevar a escassez hídrica e aumentar os riscos de conflitos e guerra pela água.

As florestas, que são fundamentais para os ciclos hídricos, devem perder espaço até 2050, devendo haver um encolhimento de 13% da cobertura vegetal, com enorme perda da biodiversidade e a extinção de espécies vegetais e animais.

A OCDE considera que a solução para minimizar o colapso ambiental passa pela implementação da economia verde, para tornar mais sustentáveis a agricultura, a indústria e a matriz energética mundial. Porém, uma economia verde nos padrões predatórios do consumismo global não vai resolver o problema.

Para evitar o colapso será preciso soluções bem mais radicais. Todavia, pelo andar da carruagem, o caminho que a Rio + 20 está trilhando segue a mesma via que leva ao precipicio e nada indica que haverá uma mudança de rota para evitar o colapso ambiental.

Referência:
OECD. Environmental Outlook to 2050: The Consequences of Inaction
http://www.oecd.org/document/11/0,3746,en_2649_37465_49036555_1_1_1_37465,00.html

Planeta vivo e planeta morto

Muita gente acha estranho quando se diz que a humanidade já está consumindo 1,5 planeta (um planeta e meio), sendo que, segundo a metodologia da pegada ecológica, o mundo deverá atingir -dependendo da continuidade do ritmo de loucuras do modelo atual – o consumo equivalente a 2 planetas entre 2030 e 2050

Mas como é possível consumir mais de um globo terrestre?

A resposta é simples: não existe apenas um planeta Terra, mas sim dois, um planeta vivo e um planeta morto. O planeta vivo está na superfície e o planeta morto está no subsolo.

O planeta morto é composto por material orgânico decomposto e que foi fossilizado em decorrência dos efeitos da pressão e da temperatura elevadas atuando durante milhões de anos junto ao processo de soterramento. A matéria orgânica é constituída por substâncias contendo carbono na sua estrutura molecular. A queima deste carbono transforma este material em combustíveis fósseis. O carvão mineral, o petróleo e o gás natural são os combustíveis fósseis mais utilizados, servindo para colocar em movimento as locomotivas, trens, carros, caminhões, navios, além de gerar eletricidade para toda a cadeia produtiva da economia (inclusive hospitais e escolas) e para o consumo particular das famílias.

Os combustíveis fósseis, além de serem finitos, provocam grande poluição (como a liberação de mercúrio que polui as águas) e são um dos principais responsáveis pelo efeito estufa que aquece a atmosfera da Terra e provoca mudanças climáticas. A utilização dos combustíveis fósseis possibilitou que a população humana e a economia apresentassem um crescimento sem precedêntes nos últimos 200 anos. A humanidade se espalhou por todo o planeta, destruindo biomas e comprometendo a qualidade das águas, ao mesmo tempo que vai reduzindo a capacidade de regeneração da Terra. Num processo de crescimento permanente da pegada ecológica, o ser humano ultrapassou as fronteiras planetárias.

Porém, cabe a pergunta: é possível consumir mais de um planeta?

Sim, no curto e médio prazo, da mesma forma como é possível uma pessoa gastar mais do que recebe. Tudo depende das condições herdadas. Suponha que uma pessoa herdou uma empresa LTDA que tenha um capital de R$ 10 milhões de reais e forneça uma receita líquida mensal de R$ 20 mil para o herdeiro proprietário. Mas suponha que este felizardo proprietário resolva gastar em média R$ 30 mil por mês. Provavelmente este esbanjador conseguirá viver nesta situação por 20 ou 30 anos. Todavia, irá certamente à falência depois de destruir o patrimônio herdado. Isto acontece com frequência e está explícito naquele velho provérbio: “Pai rico, filho nobre, neto pobre”.

Jorginho Guinle é um “bom” exemplo (a ser evitado) de pessoa que passou toda a vida torrando os recursos herdados e prisioneiro de um consumismo fútil e exibicionista. Segundo a Wikipedia: “Jorge Guinle (1916-2004) foi um socialite, playboy e herdeiro milionário brasileiro. Viveu a época áurea do Rio de Janeiro entre a década de 1930 e 50, onde conheceu e acredita-se que tenha tido relações amorosas com diversas atrizes de Hollywood. Residiu no hotel Copacabana Palace (fundado por seu tio, Octávio Guinle) até a sua morte, gabando-se de nunca ter trabalhado na vida. Jorge se orgulhava de ter gasto a fortuna de quase cem milhões de reais que lhe foi deixada de herança”.

De certa forma, a humanidade está seguindo o princípio de Jorginho Guinle de viver dos recursos da herança (“trabalho morto” apropriado e acumulado, como ocorrido com os antigos Guinles) e gastar mais do que a mãe Terra oferece. A humanidade está vivendo da riqueza deixada e acumulada durante milhões de anos em forma de combustível fóssil. A economia e a renda per capita mundial cresce na medida em que essa herança é, literalmente, queimada.

Ou seja, a humanidade está consumindo e torrando o planeta morto e transformando a matéria orgânica fóssil em CO2 que fica acumulado na atmosfera (provocando o aquecimento global). Concomitantemente, o ser humano está também destruindo ou danificando seriamente as matas, os rios, os lagos e os oceanos. Ou seja, a humanidade está montando uma máquina de consumo que está queimando o planeta morto e destruindo o planeta vivo.

A falta de compromissos sérios por parte dos governos e das Conferências da ONU indica que este processo deve continuar até 2050. Provavelmente, em meados do século XXI, os cerca de 9 billhões de habitantes do mundo estarão em situação semelhante àquela da senilidade de Jorginho Guinle (ou como o decadente idoso personagem central do romance Leite Derramado de Chico Buarque). Isto é, a humanidade vai estar com um passivo contábil muito grande, mas sem a contrapartida do ativo natural para sustentar o padrão de vida.

A continuidade deste processo vai tornar quase impossível a sobrevivência de todos os seres vivos depois que a humanidade queimar os restos do planeta morto e destruir o planeta vivo.

 

Leis e a importância da ação “individual”

  Em um artigo escrito por mim, nesta mesma coluna, sobre mudanças com base no lixo, surgiram algumas críticas e sugestões por parte de alguns dos leitores.

 Um amigo e companheiro de projeto sugeriu, por exemplo, atenção a legislação que envolve o assunto. Pois decidi ouví-lo e realizei uma pesquisa rápida.

 Achei um artigo na constituição sobre o meio amgiente. Detalhe para “Floresta Amazônica (…), são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á na forma de lei, dentro das condições que assegurem o meio ambiente”. Será entendido, implicitamente, o motivo de ter destacado isso. Posso adiantar algo sobre política subjetiva e achismos.

 Existe também o projeto de lei que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, ela fala bastante sobre política, nação e até mesmo comércio…é, ela fala sobre resíduos sólidos também.

 E temos a minha preferida, a ISO 14.000! Uma bela máquina de fazer dinheiro e eliminar do mapa pequenas empresas através da corrupção comercial que é capaz de destruir qualquer coisa honesta que pessoas com bom senso humanitário e consciência tentam colocar pra funcionar num sistema falido que, simplesmente, não serve para bom senso humanitário e consciência…

 Então serei mais claro: Qual é o real retorno destas leias ao ambiente e a nós mesmos (qual a diferença, né?)?

 Quem normalmente cria as leis é quem tem poder político em uma nação ou um estado, etc e, como vemos aqui, aqui e aqui, na parte 4 com mais detalhes, a real função de um político no nosso sistema de interrelação vigente é manter a vantagem de um determinado grupo sobre os demais indivíduos da espécie. Ainda assim, algumas reivindicações ganham voz e certas leis são exigidas pelo senso comum de populações com mais esclarecimento e mesmo pelo próprio limite de exploração por parte de qem está no poder. Um bom exemplo disso são tais leis voltadas ao cuidado com o meio ambiente.

 Leitor, leis subjetivas, nesse caso, originadas da opinião de quem tenta equilibrar bom senso com competitividade no mercado, não seguem as regras de funcionamento da natureza!

 A legislação subjetiva (e vigente),  não serve para manter a saúde da natureza e, logo, a nossa, ela serve para massagear nosso ego. É como uma instituição a nível nacional estipular um limite aceitável de ingestão de gordura trans diário. Simplesmente não há dose segura, esta tolerância existe por puro interesse comercial! Imagine supor que um dos ingredientes mais usados na indústria alimentícia é puro veneno!

 A única lei válida, a única regra ou, se preferir, a única verdade que interessa à nossa saúde, seja física, mental ou social, é a da natureza…o cojunto delas (regras). É o saber como ela funciona que interessa, não o que alguém acha ou o que o mercado está disposto a tolerar e a ciência é o método que mais se aproxima dessa “verdade natural”, pois essa é sua função original.

 Mas aqui eu quero abrir espaço para outro assunto: a ação individual.

 Parece não ter ficado claro no artigo que mencionei lá no início deste, o significado da ação individual que quis expor.

 Nossa sociedade precisa se entender como uma coisa só e agir em conjunto, se quisermos aproveitar o potencial humano.

 Sim! Eu sei disso! Sei que “uma andorinha sozinha não faz verão”…

 A sociedade toda precisa mudar, mas quem é a sociedade?

 Somos nós! Você, leitor e eu! E mais toda gente que vive e talvez que viveu até hoje, pois sua história permanece a nos influenciar como um todo!

 Exigir uma lei ambiental ou o passe livre de “representantes políticos” não é efetivo quando causas muito mais destruticas estão em ação. Quando se entende que essas reivindicações são pouco mais, são mais, mas bem pouco mais que uma massagem no ego, uma disputa de egos, uma guerra que não tem mais sentido sustentar, guarda-se tempo, inteligência e outros recursos para conquistas e ações mais importantes: em vez de exigir passe livre, crie e compartilhe um próprio meio de transporte, seja criativo, efetivo, seja humano! Assuma sua parcela de responsabilidade pela sociedade que compartilhamos hoje e novas oportunidades surgirão, você as criará!

 Desde quando erguer cartazes que jogam sua responsabilidade para “representantes” que nada representam acaba com a fome de forma maios eficiente que unir esforços para construir uma horta comunitária no seu bairro, com seus vizinhos e alimentar moradores de rua?

 Movimentos como os DIY, OSE e Zeitgeist, e outros, vêm para nos mostrar que não há eles, que a política não vai assumir sua responsabilidade e não deveria mesmo, você deve, se quiser ser realmente útil.

 A sociedade humana é feita de humanos e todos devem agiar em conjunto para que a sociedade aja de forma síncrona, como uma coisa só, isso significa também, cada um! Por isso, se queres mesmo um mundo melhor, construa-o, ajude e busque ajuda. Alguns não dão a vez no trânsito? Você quer ser solidário e educado e dar a vez, não quer? Então faça! Não reclame do que os outros fazem! Seja exemplo, ajude, ensine, aprenda, compartilhe este novo espírito social que está crescendo com força total!

 Ei, nada de “as pessoas deveriam” daqui pra frente…estamos combinados?

 Um grande abraço aos amigos humanos!