2013: Próspero Ano Novo para Todos os Seres Vivos

Ano novo vida nova.

A mudança de ano é um momento de superação dos problemas passados e  de renovação das esperanças em uma vida melhor e um mundo melhor.

Em termos pessoais é um momento de fazer autocrítica das ações e pensamentos equivocados e uma oportunidade de reafirmar o compromisso com uma vida justa, livre, equilibrada e altruísta. Mas jamais haverá um ano realmente novo se houver continuidade dos erros ocorridos nos anos velhos.

Do ponto de vista da saúde do Planeta os velhos erros estão não somente sendo repetidos como acumulados e agravados. Em 2013 é hora de reverter a marcha rumo ao precipício da destruição ecológica. É preciso interromper a destruição da florestas e erradicar as queimadas e os desmatamentos. É preciso cuidar da água e eliminar a poluição dos rios, lagos, mares e oceanos. É preciso reduzir a emissão dos gases de efeito estufa. É preciso reduzir a matança dos seres de outras espécies e eliminar o mal trato aos animais.  É preciso reduzir a exploração predatória dos recursos naturais e garantir a sobrevivência dos ecosistemas.

Mais um ano termina e é hora de renovar os votos para que a prosperidade desejada para 2013 vá para todos os seres humanos, sem distinção de classe, raça ou ideologia e que a prosperidade seja estentida a todos os seres vivos da Terra, incluindo a saúde do Planeta Azul.

Onde vivem os monstros contemporâneos?

“Me alimente mulher! Desça daí Max, não me envergonhe, saí já daí, agora! Grraaauuurrr! Vou te devorar…Ah! Você me mordeu! Está descontrolado! Não… Não é minha culpa (…)” (Trecho em que Max veste a sua fantasia de lobo no quarto e sai uivando junto a sua mãe no filme “Onde vivem os monstros”).

Fazer uma análise contemporânea sobre a monstruosidade é pretensão para qualquer um que já viveu os dois lados da maldade humana. Não quero discutir a fatalidade das fábulas infantis ou do bandido que se faz querido como o mocinho, mas a maldade que se faz notória, freqüente, motivada, com adorno platônico, justificada e cheia de excelentes motivos. Diria a maldade “além do bem e do mal” ou aquela que precisa achar o caminho de volta, mas acompanhada.

Assim, penso que toda monstruosidade é uma confissão que fere a própria imagem, de forma dominadora e, talvez, até masculina. Penaliza até quem mais se ama, pois poderia ser uma acepção do equívoco de que para sobreviver temos que ser fortes. Sem divagações, mas  poderia resignar-se e se tornar cúmplice passivo por meio dos nossos desejos, dos nossos vícios, das nossas vaidades, dos nossos ciúmes ou dos nossos medos. Ou poderia ser como Ana Carolina canta: (…) Há quem acredite em milagres. Há quem cometa maldades. Há quem não saiba dizer a verdade (…)”.
Vejo que os nossos monstros tornam-se cada vez mais presentes e vivos. Consigo enxergá-los na estadia dos meus sentimentos. Diria que sinto esses monstros me engolirem  e, claro que, as vezes discordo dos seus agravos e facetas, mas não tenho como  expulsá-los.
Esse mostro não precisa ser Frankenstein, Hitler, Stalin, Mussolini, Pinochet, Mao Tsé-Tung,  Saddam Hussein, Jack o Estripador, Jason do Sexta-Feira 13 ou o ex-goleiro Bruno,  mas pode ser aquele vizinho que dorme pensando sobre o que vai falar para o síndico, aquele colega de trabalho que sonha com o cargo de terceiro, aquele cunhado que ridiculariza as piadas, o colega da academia que representa  a malícia do esforço repetitivo  ou o silêncio desaprovador de quem deveria opinar, mas se cala para não se comprometer. Talvez seja apenas o contraponto do Dr. House.
Aliás, vejo os monstros na frieza dos veredictos, no juízo de valor das iniciativas que são desacreditadas e morrem antes de serem intentadas, na preparação para ridicularizar a proposta alheia ou quem sabe no olhar obstruído frente às conquistas pessoais.  Vejo-os na ausência de explicação ou nas mentiras para suportar a convivência. Talvez no olhar distante quando a conversa não agrada ou nas poucas palavras quando existe a emergência na despedida.  Vejo os seus sinais nos desfechos a porta fechada e na ironia  das usurpação do sucesso alheio. Vejo-os até na saída sem despedida.

Quando penso nos monstros modernos,  percebo não a intensidade da maldade, mas a sua banalização ou métodos adequados para o fracasso dos laços afetivos. Penso no próprio veneno que validou a serpente de Adão como o fruto desde o princípio.  Nem incito pensar que sempre as coisas foram dessa forma, mas acredito que o Código de Hamurabi se faz valer quando o monstro passou agora ser qualquer um, afinal não é desumano ser insensível ou conviver com a ausência de humanidade ou frieza. Prefere-se o fim, o ultimato à vitória das diferenças.

Não tenho medo da maldade patológica ou mesmo da agressão verbal. Mas tenho medo da mentira, da indiferença, da amargura, da falta de perdão ou da intenção amoral. Tenho medo do blefe, do jogo, da política, do acordo ou da expectativa do sopro. Não tenho medo do veneno da cobra ou do escorpião, pois esse nunca disfarçou a sua intenção, mas tenho receio do veneno  humano de forma disfarçada. Tenho medo do mostro moderno.
Quem sabe na angústia de matar esse mostro que mora ao lado, seja necessário perder: a compaixão, a disposição no entendimento, a afabilidade, a paciência, a diligência e a humildade. Às vezes o enfrentamento de monstros diários nos leva ao sofrimento, ao desgosto, a frustração e ao desassossego, mas só, assim conseguimos representar o nosso obituário diário com um respeito ecumênico de que tudo deve ser assim como é.
Acredito que ninguém se torna ruim com o tempo, mas aperfeiçoa o que se é. Penso nessa questão como Veríssimo na crônica os Venenosos: “Pura maldade, só o veneno explica.” Logo, maldade não tem remédio e talvez nunca se cure, pois é amante dos sintomas e se fortalece com as alianças, diria que é como um bolo descoberto que não se incomoda com a chegada de novas formigas.
Nem sempre uma maldade pode ser apagada, mas sempre pode ser fortalecida. Maldade não depende de alfabetização e já é Nobel antecipado. Acredito que a mágoa, o rancor, a tristeza são nobres e compreensíveis, mas a maldade é indecifrável. Penso nela como aquela peça do quebra-cabeça que ninguém sabe onde vai dar.
Um dia ouvi uma frase sobre cachorros e nela se computava  que quando os cachorros amam eles amam até o fim, se odeiam, odeiam até o fim. Nessa relação não sobra espaço para a montanha russa de sentimentos e foi aí que aprendi separar os predadores dos que usavam apenas os mecanismos de defesa.
Penso agora que os animais não são monstros e corroboro  o trecho final do livro “A Menina que roubava livros”:  “Os seres humanos me assombram.” Hoje os monstros contemporâneos são muito mais inteligentes, muito mais reflexivos, muito menos indulgentes porque não se pode confiar na aparência e talvez exista um fundo falso, diferente dos leões, ursos e outros monstros. Não há incredulidade no reino animal, não há o enxergar pelas bordas e sua aproximação não traz excesso de esperança como os monstros modernos.
Quando penso nesses monstros, percebo que o duro não  é criar expectativa, o duro é não ver o fim da expectativa, é não conseguir lidar com o sonho desfeito, é findar um desejo.  O duro é tentar sobreviver com o fim do que nem era nascido. O duro é ver que a confiança não se fez verdade e que o mundo não é como a Aquarela de Toquinho. O duro é saber a que a verdade esteve sempre lá. E que qualquer desatenção, não precisa  ser a gota d’água.

Saber destruir a expectativa é algo difícil, mas para não virar um monstro moderno é necessário ser Peter Pan, olhando para a terra do nunca, como naquele tipo de brincadeira cujo propósito seja chegar a um  lugar onde não  se possa mais ser visto. E posso argumentar  que seja confortável lembrar Friedrich Nietzsche em “Além do Bem e do Mal”: “Quem combate monstruosidades deve cuidar para que não se torne um monstro. E se você olhar longamente para um abismo, o abismo também olha para dentro de você”.

Decrescimento com prosperidade

A humanidade já ultrapassou os limites planetários sustentáveis e a pegada ecológica antrópica esta 50% acima da biocapacidade da Terra. Por conta disto, o ser humano precisa se adequar aos espaços cabíveis do Planeta, necessitando  aprender a conviver com as demais espécies vivas do mundo na única casa existente e conhecida do Universo.

O mundo moderno ficou viciado em crescimento. Em 250 anos, desde o início da Revolução Industrial e do começo do uso maciço dos combustíveis fósseis as fronteiras planetárias sustentáveis foram ultrapassadas. Desta forma, nos dias atuais, o DECRESCIMENTO passou a ser uma palavra chave e cada vez mais utilizada, pois está se constatando que não há saida para a continuidade ou mesmo a manutenção indefinida do atual modelo de produção poluidor e que visa principalmente o lucro e só sobrevive com base em um consumismo desregrado.

Tem aumentado a consciência de que a humanidade precisa urgentemente mudar a maneira como está tocando sua economia. Para evitar um desastre ecológico, o ser humano precisa reduzir a emissão de gás carbônico derivado da queima de combustíveis fósseis. Precisa reduzir a emissão de gás metano derivado da criação dos 60 bilhões de animais terrestres que vão todos os anos para os abatedouros para saciar o apetite humano. Precisa interromper a curva ascendente do aquecimento global. Precisa reduzir a exploração de metais e outros recursos naturais que sugam as entranhas da Terra e deixam cicatrizes cada vez mais profundas.

A humanidade precisa parar de poluir e superexplorar as fontes limpas de água doce,  parar de usar as reservas de água subterrâneas mais rapidamente do que elas podem ser repostas e parar de matar os corais e sujar e acidificar os oceanos. Precisa parar de desmatar e destruir as florestas. Parar de ameaçar a vida marinha e danificar os ecosistemas. Precisa eliminar o crime do ecocídio. Precisa parar de produzir tanto luxo e tanto lixo.

Portanto, o ser humano precisa interromper sua corrida em direção ao precipício e dar uma marcha à ré no ritmo frenético do crescimento econômico. Tem aumentado o número de pessoas que acredita que o decrescimento econômico e populacional pode ser uma maneira de interromper o desastre. Já existem vários países que estão experimentando redução da população, tais como Rússia, Ucrânia, Japão, Cuba, etc.

Mas o crescimento econômico ainda é um mito e uma meta muito desejada pelas pessoas, pelos sindicatos, pelas empresas e principalmente pelos políticos e pelos governos populistas. Isto porque o crescimento econômico do passado estava relacionado com prosperidade, redução da pobreza e avanços da qualidade de vida, enquanto recessão estava e está relacionado com desemprego, fome e sofrimento.

Porém, o progresso humano tem se dado às custas do regresso ambiental. Neste sentido, cada vez mais pessoas passam a defender a ideia de que é possível haver decrescimento com prosperidade. Para tanto seria necessário implantar mudanças de concepção e uma verdadeira revolução nos paradigmas, tais como os óctuplos exemplos abaixo:

1)    Desmaterializar a economia aprofundando a sociedade do conhecimento e da informação sustentada por fontes de energia renováveis, ao invés de investir na energia fóssil e na sociedade do consumo material, conspícuo e descartável;

2)    Interromper o processo de destruição ambiental e aumentar a biodiversidade do Planeta;

3)    Reduzir as desigualdades sociais e erradicar a fome e a pobreza, além de reduzir a obesidade e incentivar uma dieta vegetariana;

4)    Investir mais na  qualidade de vida saudável, incentivar a virtude e a autonomia e valorizar mais os prazeres intelectuais e menos a posse de bens materiais;

5)    Erradicar o classismo, o escravismo, o racismo, o sexismo, o homofobismo o xenofobismo e o especismo;

6)    Eliminar os gastos militares, reduzir as atividades improdutivas e poluidoras, acabar com as guerras e implementar o pacifismo mundial;

7)    Educar as pessoas para ter um meio de vida correto, evitando as más ações e avançando na construção de uma sociedade convivial que incentive a solidariedade interpessoal e ecocêntrica;

8)    Incentivar a polidez, a prudência, a temperança, a coragem, a justiça, a generosidade, a compaixão, a gratidão, a simplicidade, a tolerância, o humor e o amor desprendido e confluente.

 

It´s Too Late: A Oportunidade perdida de Johnny Rivers.

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“No transcorrer do tempo, uma oportunidade perdida, estará perdida para sempre”.

Heráclito de Éfeso.

 

Geralmente as músicas que falam sobre rompimentos ou separações, são tristes e mórbidas, recriando aquele clima de desilusão da perda de um grande amor. Alguns como Nick Cave até compuseram álbuns inteiros sobre o tema [The Boatman’s Call – 1997], mas nem sempre deve-se ser assim, e “It´s too late” prova isso. Essa é uma canção linda e alegre, parece meio disco, meio festiva e em nada lembra o sentimento de perda. Começa-se com um órgãozinho em profusão a lá jovem guarda, enquanto esse siguezagueia, um violão e uma bateria abafada dão a levada da música, que é de certa forma simples, porém cativante. A letra mostra um rapaz que acaba de perder a pessoa amada, mas que de início ainda está disposto a pelo menos tentar reatar, na verdade ele está contando isso a alguém, e deve ser num bar ou numa festa pelo clima de descontração. Acho que as grandes ironias da vida com o passar do tempo devem com certeza causar mais escárnio do que indignação, não deve ser fácil ouvir de quem se ama com ar de riso nos lábios que encontrou um outro amor e que a partir de agora vai esquecê-lo. O narrador não fala o que exatamente aconteceu, já parte do fato, mas da pra supor que não tenha sido nada grave pelo menos para a garota, porque depois de algum tempo ela confessa sua decepção e arrependimento e decide voltar:

 “And now you tell me, Thar your new love isn´t true, Like he shouldbe, You say you´re gonna forget him, And you´re gonna come back to me.”

 

It´s too late

It´s too late (chorus).

 

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Surge daí uma pergunta, o amor tem direito de acabar, ou amor que é amor nuca acaba? O narrador prossegue dizendo que as coisas mudaram, oras, você não quis ir embora quando eu quis reconciliar, agora eu também arrumei um novo alguém e agora é muito tarde [It’s Too Late]. Ele aproveita a ocasião pra dizer talvez o que estava preso em seu coração há muito tempo, das suas tentativas em chama-la, das suas noites de solidão e de como todos foram testemunhas de seu amor, e implicitamente ela também o sabia. Ela esperava encontra-lo de braços abertos esperando a sua volta, na vã esperança de que o sentimento não tivesse morrido, porém ele alega não ser o mesmo tolo que foi usado e humilhado, e que ela não tem o direito de voltar. Alguns seres humanos acreditam ter a posse do outro e se esquecem que um relacionamento é bilateral, é uma relação entre duas pessoas com direitos e deveres, e escolhas também, certas ou erradas, e que não se pode brincar de tiro ao alvo com o coração alheio. 

Acredito que o amor pode acabar porque ele tem sempre um começo, e ainda mais quando há um trauma envolvido, o ser ferido e zombado pela outra parte tende a projetar sua pulsão de morte contra esse outro, invertendo o sentimento, do amor ao ódio, como nos extremos de uma fita de cetim que se desfaz no ar como um laço quando desatado.

 

That it´s too late

To say you´re sorry

It´s too late

To say you´re mine

I have found myself a new love

And I´m gonna make her mine

It´s too late

It´s too late.

 

Vencerá a hipocrisia à verdade? O caso Fux.

Inúmeras têm sido as críticas lançadas ao Ministro do STF Luiz Fux, por ter declarado o que todo mundo sabe: como são escolhidos os ministros do Supremo.

A bem da verdade, não sei por que cargas d’água as pessoas resolveram se indignar com uma campanha para um cargo eletivo. Tal como foi desenhado há mais de 260 anos (1748), o sistema adotado nas chamadas democracias modernas prevê que membros de poderes não eleitos diretamente pelo real dono do poder sejam escolhidos, por meio de listas, pelo chefe de outro poder. Em alguns casos sabatinados, em outros não.

É assim com ministros do Poder Judiciário e é assim com os chefes do Ministério Público, todos eles, da União aos Estados. O fenômeno da campanha é, pois, comum. E como toda campanha, envolve uma peregrinação, senão ao povo, aos que podem influenciar a decisão tanto do Presidente da República, quanto dos governadores.

E sabemos que o jogo é “da pesada”. É um jogo político, afinal. Mas, de uma hora para outra, os “puros de alma política” ficam indignados. Como se diz na gíria: “poupem-nos”!

Talvez menos transparente, mas também é assim com os chefes da Defensoria Pública, escolhidos que são, embora por ato direto, dentre os seus membros. E como são escolhidos diretores de empresas e tantas outras escolhas: um mix de competências: técnicas e relacionais. Sem falar nas “emocionais”.

Por que reclamar, agora, quando um ministro apenas publiciza uma verdade que todos conhecem? É o método de escolha que está errado? E somente agora ele “virou” errado”? Pois que a crítica seja feita aos Constittuintes e não a quem apenas fez o que todos fazemos.

Criticas ao ministro soam mais como hipocrisia da hora. E me pergunto: vencerá a hipocrisia à verdade?

Natal de paz

O mundo pode resolver o problema da fome e da insegurança alimentar se parar de gastar em armas de destruição em massa e em guerras que causam mortes de pessoas e de seres de outras espécies vivas da Terra. Reduzir e eliminar os gastos militares pode ser uma solução para evitar a disparada do aquecimento global antrópico, com todas as suas consequências negativas, como o furacão Sandy que devastou partes do Caribe e da Costa Leste dos Estados Unidos.

Em setembro de 2012, segundo reportagem da Rádio ONU, a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, pediu à comunidade internacional que as armas de destruição em massa sejam transformadas em recursos para beneficiar as vítimas da fome no mundo. No discurso da UNGA, em Nova York, a presidente disse que, a nível regional, o Brasil está envolvido em ações para deter os armamentos:

“Quero lembrar a existência de imensos de arsenais que além de ameaçar toda a humanidade, agravam tensões e prejudicam os esforços de paz. O mundo pede, em lugar de armas, alimentos para bilhões de homens que padecem do mais cruel castigo que se abate sobre a humanidade, a fome”.

Mas o governo brasileiro precisa prestar mais atenção às mais de  120 mil mortes por causas externas (homicídios e acidentes de trânsito) que ocorrem todos os anos no Brasil. Isto representa mais do que duas Guerras do Vietnãn (quando morreram 46 mil soldados americanos em 15 anos) que ocorre anualmente no Brasil. A violência que tem aumentado em São Paulo nos últimos meses é mais um capítulo nesta triste novela.

Todavia, não basta falar do fim das guerras, dos gastos militares e reduzir a violência interna. É preciso também eliminar as armas da cultura consumista. Especialmente na época do Natal há um frenesi de compras de bens e comida. Há uma torrente de dinheiro (e dívidas no cartão de crédito) fluindo para gastos em listas intermináveis de presentes. O consumo doentio envolve uma grande quantidade de recursos – com enorme quantidade de embalagens e papeis de embrulho – gerando lixo com enorme impacto sobre o meio ambiente.

Mas o Natal pode, além de ser uma festa de paz e amor, ser um momento de confraternização e de solidariedade entre as pessoas e as comunidades. Uma festa que pode ser menos materializada e mais espiritualizada e idealizada. Um momento de integração entre as pessoas, as demais espécies e o meio ambiente.

As pessoas e as famílias poderiam se reunir visando a integração social em nome da solidariedade local, nacional e internacional. O Natal pode ser uma festa para desarmar as mentes, com todas as pessoas sendo menos destrutivas e mais criativas.

 

Mudanças climáticas, seca no Nordeste e seus impactos econômicos e sociais

As mudanças climáticas já estão provocando muitos prejuizos econômicos em todo o mundo, como aconteceu nos furacões Sandy no Caribe e América do Norte e Bopha nas Filipinas. Mas também no Brasil, como demonstra a seca do Nordeste.

A estiagem secou os reservatórios em São Bento do Una e o colapso no abastecimento de água provocou uma crise sem precedentes no município que mais produz ovos e carne de frango no Nordeste, segundo reportagem do Jornal Nacional, de 20 de dezembro de 2012. O colapso no abastecimento provocou uma crise sem precedentes no município que mais produz ovos e carne de frango no Nordeste. As granjas desativadas se multiplicam, levando prejuízo a uma região que chegou a produzir dois 2,7 milhões de ovos por dia e 350 mil frangos por semana: “Em outros temos, a matéria-prima encarecia, mas tínhamos água”, disse o avicultor Fernando Vilela Sobral.

Sem condições de manter as aves, pequenos e médios produtores estão vendendo as galinhas para o abate 30 semanas antes do tempo, justamente quando elas estão mais produtivas, botam ovos maiores e poderiam dar mais lucro. O prejuízo é maior para os criadores de frango para o abate. Ao todo, 40% das duzentas e 12 granjas pararam a produção. A crise na avicultura parou o comércio da cidade, situação que se agrava a cada dia sem chuva, com aumento do desemprego e crescimento do número de pessoas e famílias que precisam do apoio dos programas de transferência de renda do Governo Federal.

Portanto, a falta de água, assim como o uso e o abuso dos recursos hídricos estão levando determinadas regiões do Nordeste a uma situação nunca vista antes, embora o problema da seca nordestina seja antigo. Mas municípios como São Bento do Una conseguiam manter alta produção até recentemente (não estamos falando da qualidade da produção de frangos e ovos – que é um outro debate). Ou seja, a situação da seca está se agravando embora o governo tenha gasto bilhões com a transposição das águas do rio São Francisco – para nada até agora.

Os problemas de enchentes em algumas regiões e secas em outras tem agravado os problemas da produção econômica do Brasil, reduzindo as receitas do governo e aumentando os gastos. O Brasil pode ter grandes problemas sociais com as perspectivas de baixo crescimento do PIB, de um lado, e crise fiscal, de outro. Não será fácil enfrentar, concomitantemente, a crise econômica e a crise ambiental.

O mundo não acabou, por enquanto…

Algumas interpretações do calendário Maia dizem que o mundo vai acabar no dia 21/12/2012, uma sexta-feira. Estou escrevendo na véspera e não sei o que vai acontecer. Mas não existem sinais evidentes de que haja algum meteóro ou alguma atividade solar extrema que vá destruir a Terra, de supetão.

Provavelmente, o mundo vai acordar no mesmo ritmo atual, no dia 22/12/2012. Mas isto não quer dizer que o mundo, tal como conhecemos, não vá acabar, pois, se depender do ser humano, a natureza e os ecosistemas estão com os “dias contados”. As ameaças ao Planeta não devem vir do espaço ou da invasão de alieníginas, mas sim das atividades endógenas de um “cancer” que consome e destrói a diversidade da vida na Terra.

O prêmio Nobel de Química de 1995, o holandês Paul Crutzen, avaliando o grau do impacto ambientalmente destruidor das atividades humanas afirmou que o mundo entrou em uma nova era geológica: a do ANTROPOCENO. Este termo, que tem antigas raízes etimológicas gregas significa “época da dominação humana” e representa um novo período da história da Terra em que o ser humano se tornou a causa da escalada global da mudança ambiental.

A humanidade tem afetado não só o clima da Terra, mas também química dos oceanos, os habitats terrestres e marinhos, a qualidade do ar e da água, os ciclos de água, nitrogênio e fósforo, alterando os diversos componentes essenciais que sustentam a vida no planeta. Cerca de 30 mil espécies são extintas a cada ano. A humanidade está provacando a redução da biodiversidade da Terra.

O biólogo E. Wilson considera que a humanidade é a primeira espécie na história da vida na Terra a se tornar numa força geofísica destruidora. Nas últimas seis décadas, na medida em que o PIB mundial crescia e os recursos naturais eram canalizados para o desfrute do consumo e do bem-estar humanos, houve uma investida exponencial sobre todos os ecossistemas do Planeta. O progresso humano tem significado regresso ambiental e extinção de inúmeras espécies.

Portanto, talvez o Antropoceno seja a última Era geológica/antropológica do Planeta Azul. Mesmo acordando felizes em 22/12/2012, com os nossos direitos humanos mais ou menos respeitados, os rumos da economia, provavelmente, vão continuar entrando em choque com a biodiversidade, ao mesmo tempo em que provocam a redução ou a extinção de várias espécies, vítimas da fúria antropocêntrica, como mostram as reportagens a seguir:

Morre ‘George solitário’, última tartaruga gigante de seu tipo
http://oglobo.globo.com/ciencia/morre-george-solitario-ultima-tartaruga-gigante-de-seu-tipo-5308054

African savannah loses two-thirds of its lions in 50 years
http://www.independent.co.uk/environment/nature/african-savannah-loses-twothirds-of-its-lions-in-50-years-8395860.html

The Dirty War Against Africa’s Remaining Rhinos
http://e360.yale.edu/feature/the_dirty_war_against_africas_remaining_rhinos/2595/

Will elephants still roam earth in 20 years?
http://edition.cnn.com/2012/06/15/world/africa/elephants-extinction-africa/index.html

Gorila como especie en peligro crítico de extinción
http://www.solociencia.com/ecologia/07102301.htm

Corais de recife ameaçados de extinção
http://www.canalazultv.com.br/redeambiente/novidade.asp?id_CON=311

As Many As 100 Million Sharks Killed Every Year for Soup
http://www.motherjones.com/environment/2012/07/hong-kong-imported-22-million-pounds-shark-fins

Tráfico de animais movimenta R$ 39 bilhões por ano no mundo, diz ONG
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/12/trafico-de-animais-movimenta-r-39-bilhoes-por-ano-no-mundo-diz-ong.html

Amazônia, uma floresta em extinção
http://360graus.terra.com.br/ecologia/default.asp?did=13479&action=reportagem

A humanidade está no rumo da destruição
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/?p=18320  

Boas Festas e Feliz 2013!

As paredes imaginárias do labirinto

“Oh, rei do tempo e substância e símbolo do século, na Babilônia quiseste-me perder num labirinto de bronze com muitas escadas, portas e muros; agora o Poderoso (Alá) achou por bem que eu te mostre o meu (labirinto), onde não há escadas a subir, nem portas a forçar, nem cansativas galerias a percorrer, nem muros que te impeçam os passos” (Trecho do conto “Os dois reis e os dois labirintos” de Jorge Luís Borges)

No contexto do conto, o rei da Arábia após  ser preso pelo rei da Babilônia, perambulou confuso até o cair da tarde no labirinto quando implorou socorro divino e encontrou a porta de saída. E sem que os seus lábios proferissem nenhuma queixa, voltou à Arábia, agrupou seus capitães e acabou com os reinos da Babilônia. Em seguida, amarrou o rei da Babilônia em cima de um camelo veloz e o levou para o deserto quando o desamarrou e abandonou-o no meio do deserto, deixando-o morrer de fome e de sede.

Sempre que me sinto em estágio de letargia, penso nas paredes imaginárias do labirinto do conto de Borges. Costumo definir essas paredes como aquelas sensações que acontecem durante o dia que representam uma busca perigosa que fazemos em alta velocidade de nós mesmos.  Só que continuamos parados.

Penso que assumir as paredes imaginárias do labirinto pode ser um grande aprisionamento pela banalidade dos medos contemporâneos ou insegurança externa. E quando não, pelas mediocridades das relações, da rejeição do cotidiano ou da falta de providências que o dia exige.

O fato do labirinto sem paredes não ser o único meio de partida, não me impede de vê-lo como predatório ou antidemocrático, mesmo no momento de dúvidas sobre o caminho, pois não há liberdade quando se tenta escapar da liberdade da ausência de muros.

Talvez se as paredes existissem, a proteção poderia ser real à medida que mundo de fora e também o de dentro conheceriam o perigo do monstro e a certeza de que Teseu encontraria a saída. Aliás, o Minotauro que habita em nós tentaria impedir a despropositada invasão. No final apelaria para golpes baixos  do tipo ser o amor para seduzir.

Diria que há paredes imaginárias no labirinto quando as sequências do agora são mais temidas que o pânico dos muros e o que nos espera à frente nos imobiliza. E quando a fragilidade e a dúvida ocupam espaços cada vez mais largos, percebe-se que não há amenidade ao se considerar a falta de liberdade que não está dentro dos muros do labirinto, mas dentro de nós mesmos.

Por um lado, as paredes imaginárias do labirinto têm as suas leis e nunca se tornam involuntárias; talvez passageiras, mas, ainda, continuamos perdidos no tempo. Diria que é lá que encontramos as representações insanas de significados únicos do lugar sem lugar.

Por outro, o labirinto nos sufoca quando tentamos acertar o lado e só nos deparamos com o oásis sem significado. Talvez existam labirintos dentro de outros labirintos e as paredes simbolizem a insolubilidade do cotidiano atual quando o labirinto é o próprio mundo.

E, mesmo com a ausência de paredes, há necessidade de linhas para caminhar na realidade do conhecido labirinto. Todavia, percebe-se que há o medo da dominação do desconhecido, da paranoia interminável que nos afugenta, da falta de segurança em terminar o dia, das relações mais estáveis ou do meio-termo que resultam na falta de sintonia, diálogo ou da tolerância.

Difícil encontrar o caminho na insegurança do que somos ou na relação que vem pela metade quando viramos ao mesmo tempo Minotauro e Teseu em um campo de desmemoriado, cegos pela luz e nenhum de nossos sentidos nos vale. Quando os caminhos criam mecanismos de defesa para a memória e acabam nos conduzindo a um só lugar.

E quanto mais tentamos sair do deserto, que não tem paredes, nem portas a forçar, nem cansativas galerias a percorrer, nem muros que nos impeçam os passos, àquela claridade nos desnorteia mais do que a escuridão da noite.

E o passado por mais longínquo, se revela como se tivesse acontecido em segundos e qualquer direção se torna a mesma rota vazia e iluminada que conduz a um caminho que não sabemos se significa, o avanço ou retrocesso. Diria que seria o começo apenas arbitrário de um caminho.

Acredito que não existe realidade quando se pensa que a liberdade cura tudo, inclusive, a perda do caminho. Atribuí-la a responsabilidade, é fugir do próprio domínio da vida. O que cura é a decisão, é o querer sobreviver no deserto. É tomar as rédeas e começar tudo de novo.

Por menor que seja à abstração ou expectativa em achar o caminho do labirinto imaginário, o fim poderá dá medo. E quem sabe a falta de paredes não seja sinônimo de fuga ou de solidão, mas da aceitação de mudança arbórea.

E no fim, o movimento teria que se outro e teria que conceder beleza ao significado da vida, agindo como Mario Quintana: “Não tenho paredes, só horizonte”.

A população do Paquistão em 2100

O Paquistão fazia parte, junto com Bangladesh da grande civilização da Índia. Em 15 de agosto de 1947, a Índia conseguiu sua independência do domínio britânico, sendo que as zonas de maioria muçulmana se separam para formar um novo país com duas áreas separadas, o Paquistão Ocidental e Oriental. De 1947 a 1971 Bangladesh (parte oriental) e Paquistão (parte ocidental) faziam parte de um só país. Em 1971, depois de uma guerra civil de nove meses, houve separação das duas partes.

O Paquistão tinha uma população de 37,5 milhões de habitantes em 1950, passando para 173,6 milhões em 2010, mais do quadruplicando de tamanho em 60 anos. A divisão de população da ONU estima, para o ano de 2050, uma população de 314,3 milhões na hipótese alta, de 274,9 milhões na hipótese média e de 238,5 milhões, na hipótese baixa. Para o final do século as hipóteses são: 417,5 milhões de habitantes, na hipótese alta, de 261,3 milhões, na média, e 153,4 milhões na hipótese baixa. Ou seja, o Paquistão apresentou um grande crescimento populacional na segunda metade do século XX e ainda vai crescer na primeira metade do século XXI (mesmo na hipótes baixa).

A densidade demográfica do Paquistão era de somente 47 habitantes por km2, em 1950, mas passou para 218 hab/km2, em 2010, e deve ultrapassar a densidade demográfica do Japão antes de 2050. Atualmente, o Paquistão é o 6º país do mundo em termos de tamanho populacional, mas deve ultrapassar o 5º lugar do Brasil até 2020, pois enquanto no Brasil, no quinquênio 2010-15, devem nascer 3 milhões de bebês ao ano, no Paquistão este número é de 4,8 milhões de bebês por ano.

A taxa de fecundidade total (TFT) estava em 6,6 filhos por mulher no quinquênio 1950-55 e se manteve alta, em 6,3 filhos até 1985-90. Mas caiu para 3,7 filhos por mulher no quinquênio 2005-10. A divisão de população da ONU acredita que as taxas de fecundidade vão cair para abaixo do nível de reposição no quinquênio 2045-50, devendo ficar em 1,9 filhos por mulher. Mas atualmente as taxas de fecundidade do Paquistão ainda continuam altas, superiores às taxas da Índia e de Bangladesh.

As taxas de mortalidade infantil estavam em 177 por mil no quinquênio 1950-55, passou para 71 por mil no quinquênio 2005-10 e deve atingir 42 por mil no quinquênio 2045-50. Já a esperança de vida subiu de 41,2 anos, para 64,6 anos e deve atingir 72 anos, nos mesmos quinquênios. Nestes quesitos o Paquistão também está pior do que a Índia e Bangladesh.

Além da pobreza e da desigualdade social, uma coisa que pode comprometer o futuro da população são as consequências do aquecimento global. O Paquistão depende das águas provenientes das geleiras do Himalaia, que são responsáveis por 75% a 80% dos recursos hídricos do país. O derretimento das geleiras é a fonte principal da rede de irrigação no Paquistão, que alimenta 90% das terras agrícolas. Uma alteração no fluxo da água terá graves consequências para a produção agrícola paquistanesa. Além disto, a China tem construido repressas e diminuido a disponibilidade de água para o Paquistão e a Índia.

Embora cada cidadão do Paquistão tenha uma pegada ecológica 10 vezes menor do que os moradores dos Estados Unidos da América, o país possui grande déficit ambiental. A pegada ecológica do país era de 0,75 hectares globais (gha) per capita, em 2008, de acordo com o relatório Planeta Vivo, da WWF. Porém, a biocapacidade per capita era ainda menor: de apenas 0,40 gha. Desta forma, o Paquistão terá um grande desafio nas próximas décadas para promover o crescimento econômico, com aumento da qualidade de vida da população e com a defesa e a recuperação do meio ambiente.

O desenvolvimento sustentável do Paquistão não será alcançado facilmente, pois haverá dificuldade para alimentar e melhorar o padrão de vida da população que tinha um Índice de Desenvolvimento Humano de 0,5 em 2011, menor do que o IDH da Índia, de 0,55. Tudo isto dificulta a saida da armadilha da pobreza. Os conflitos internos e a violência são outros elementos que dificultam a melhoria das condições de vida da população. Somente com o esforço interno e a cooperação internacional as condições atuais do país poderão ser revertidas.