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Teatro + música + dança = musical

Interrompendo um pouco o assunto sobre dança de salão, hoje eu quero falar – com certo atraso, admito – sobre um musical em cartaz aqui no Rio de Janeiro: A Noviça Rebelde.

É sabido por todos que o Brasil não tem lá grande tradição em musicais. Nem os criando nem os adaptando. Pouca gente, aliás, sabe que existem musicais em cartaz por aqui. Tenho que concordar que a divulgação também não é das mais eficientes. O que me deixa demasiadamente revoltada, visto que muitos possuem boa qualidade.

Pois bem, a maioria das pessoas conhecem A Noviça Rebelde apenas na película, afinal, é um dos grandes clássicos do cinema Hollywoodiano. Mas, antes disso, ela era um musical da Boadway, da dupla Rodgers & Hammerstein. Sua estreia foi em 1959 – velhinho, não é?.

E depois de ser encenado, no mínimo, umas 1.433 vezes no exterior, o tal musical chegou ao Brasil através da dupla Möeller e Botelho. Está em cartaz no Teatro Oi Casa Grande, RJ, desde maio desse ano, e é sucesso de público e crítica. Para quem não conheçe, sugiro que procure assistir ao musical ou procurar o filme na locadora mais próxima.

A história se passa na década de 30 e conta a saga de uma noviça austríaca, governanta de uma família da aristocracia, contrária aos nazistas que estão tomando o poder. Bom, caro leitor, desculpe-me, mas não vou fazer uma sinopse da história porque acho que isso tira um pouco a graça de querer vê-la.

Aqui no Brasil, o clássico está sendo encenado por Herson Capri e Kiara Sasso – esta fez, também, a Miss Daae em O Fantasma da Ópera -, nos papeis principais.

Assisti, certa vez, não me lembro quando, na televisão, uma entrevista da dupla que está dirigindo o musical e, segundo eles, todos os atores foram escolhidos por meio de testes rigorosíssimos. Acredito sim que tenha havido um teste de elenco bem exigente, afinal, a voz da protagonista é impecável. No entanto, devo confessar que Herson Capri é um bom ator, mas tem uma certa limitação vocal que deixa a desejar por diversas vezes. Não sei como foi a seleção, mas creio que deva ter existido alguém com melhor voz para o papel do rigoroso aristocrata. Infelizmente atores brasileiros têm essa séria deficiência: são bons atores, mas como dançarinos e cantores deixam muito a desejar. Mas esse fato não deixa a qualidade do musical ir por água abaixo. Decerto, os outros integrantes do elenco seguram as pontas de maneira maravilhosa.

Confesso, caro leitor, que sempre tive um certo "pré-conceito" com musicais traduzidos. Convenhamos, as músicas nunca ficam muito parecidas – que o diga Masquerade (título original), de O Fantasma da Ópera, que virou, por aqui, Carnaval (deprimente!), essa sim sofreu, coitada, foi um completo desastre, na minha opinião. Mas, voltando, fiquei impressionada com a qualidade da tradução de A Noviça Rebelde. Nunca é a mesma emoção, claro, mas, de fato, eles conseguiram deixar, nas musicas traduzidas, a sonoridade das canções originais. Para mim, o espetáculo ganha muitos pontos aí. Esse obstáculo, que há muito tempo vem prejudicando os musicais interpretados aqui foi superado com louvor.

Vale muito a pena conferir a montagem brasileira de A Noviça Rebelde. Acho que esse musical – mesmo não sendo o maior já apresentado por aqui – deu uma projeção importantíssima para a produção do gênero. E que venham mais musicais, então! (Com belas traduções, é claro.)

Au revoir.

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Sara Gobbi