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Aumento da longevidade, eutanásia e maus tratos aos idosos

Por séculos o ser humano busca o elixir da juventude. Mas só nos últimos 200 anos a esperança de vida da humanidade vem crescendo de maneiro consistente. A esperança de vida média do mundo estava por volta de 30 anos em 1900. Em 1950 chegou a 47 anos e atingiu 68 anos em 2010. Foi um ganho de 28 anos na esperança de vida em 110 anos. Ou seja, houve em média, um ganho de um ano na esperança de vida a cada 3 anos no calendário. Ou seja, entre 1900 e 2010 houve um ganho de 3,4 anos na esperança de vida a cada década.

Porém, os ganhos na esperança de vida ocorreram devido à diminuição da mortalidade infantil e ao aumeno da longevidade devido à redução da mortalidade em idades adultas. Os ganhos de mortaliade infantil tendem a ser cada vez menores, pois as taxas já estão baixas na maior parte dos países de renda média e alta. Nestes países, os ganhos na esperança de vida só podem ocorrer predominantemente nas idades mais avançadas. As apostas são na evolução da medicina.

Estudo publicado por cientistas dos Estados Unidos na revista Nature Cell Biology, em 2013, sugere que uma proteína originalmente associada à divisão celular pode estender a longevidade em mamíferos. Durante a divisão de uma célula, o material genético compactado sob a forma de cromossomos precisa ser duplicado e distribuído em partes iguais entre as duas células que estão sendo geradas. Para que a distribuição dos cromossomos ocorra sem erros, os mamíferos desenvolveram um mecanismo de vigilância, chamado de ‘checkpoint mitótico’. BubR1 é um dos componentes desse ponto de checagem e ajuda a orquestrar a separação dos cromossomos durante a mitose. A partir destes estudos, levantou-se a hipótese de que a ausência de BubR1 poderia contribuir para o envelhecimento biológico. Desta forma, o estudo sugere que a alta presença de BubR1 protege contra o câncer, atenua a deterioração relacionada com a idade de tecidos específicos e prolonga a vida, muito provavelmente por atenuar a instabilidade cromossômica.

Esta foi a lógica que prevaleceu durante os séculos XIX e XX, pois o desenvolvimento econômico e os avanços médicos garantiram uma grande redução da mortalidade infantil e um grande aumento da esperança de vida. O aumento da longevidade das pessoas é fundamental para o aumento da produtividade econômica, pois o aumento da experiência e o retorno dos níveis mais elevados de educação só acontecem com a elevação do tempo de vida dedicado ao trabalho e ao avanço social.

Porém, os avanços da longevidade no século XXI tem ocorrido em idades muito avançadas, por exemplo, acima de 80 anos. São avanços em uma população já aposentada e que não vai se traduzir necessariamente em retornos sociais. O aumento do custo dos tratamentos de saúde da população idosa já tem se traduzido em situações constrangedoras.

Em janeiro de 2013 o ministro das finanças do Japão, Taro Aso, disse que: “os idosos deveriam morrer mais cedo, para reduzir os custos que o Estado têm para que cuidar deles”. Evidentemente, depois da repercussão negativa, teve que pedir desculpas.

No Brasil, ganhou grande repercussão o caso da médica Virginia Soares, que foi presa e acusada de homicídio qualificado enquanto trabalhava na UTI do Hospital Evangélico de Curitiba. A ordem era esvaziar os leitos da UTI e acelerar a morte dos pacientes. Parece que este caso está associado com a obtenção de lucro em hospitais que funcionam com máquinas geradoras de receitas financeiras e não de cuidado dos pacientes.

Além deste caso, existem diversas matérias divulgadas na mídia mostrando casos de violência contra os idosos por parte de filhos e de cuidadores. Sem falar, da falta de boas instituições de permanência de longo prazo para os idosos. O número de domicílios coletivos para idosos é muito pequeno no Brasil.

Evidentemente, existem casos de pacientes crônicos em que se justifica o desligamento dos aparelhos e a adoção da eutanásia. Mas isto precisa ser bem regulamentado e discutido na sociedade e nas famílias, sendo uma questão delicada na relação entre as gerações.

Todavia, o envelhecimento populacional e o aumento da razão de dependência de idosos coloca a questão de como cuidar das velhas gerações e de como lidar com os impactos econômicos de uma população cada vez mais idosa, mas fora das atividades econômicas mais produtivas.

O fato concreto é que os ganhos da esperança de vida estão diminuindo e o custo social do envelhecimento populacional está aumentando. O futuro pode estar apontando para uma estagnação da esperança de vida e para uma redução do crescimento econômico e até mesmo da qualidade de vida em uma sociedade com dificuldades de incrementar a produtividade do trabalho.

 

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José Eustáquio Diniz Alves