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Mulheres jogam as eleições para o segundo turno em 2010

Pela terceira eleição presidencial seguida as mulheres jogam as eleições para o segundo turno. Isto aconteceu em 2002 e 2006 e se repetiu em 2010. O eleitorado feminino tem exigido o aprofundamento da discussão política.

A pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha no dia 4/10/2002, dois dias antes da realização do primeiro turno das eleições presidenciais (6/10/2002), apresentou o seguinte resultado: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 48% dos votos válidos. No segundo, lugar empatados tecnicamente, José Serra (PSDB), com  21%, e Anthony Garotinho (PSB), com 19%, dos votos válidos. Ciro Gomes (PPS) com 12%. Os “nanicos”, Zé Maria (PSTU) e Rui Costa Pimenta (PCO), ficaram com menos de 1% dos votos.

A pesquisa Datafolha indicou que Ciro Gomes tinha o mesmo percentual de intenção de voto (12%) entre os dois sexos, Garotinho tinha 21% entre as mulheres e 17% entre os homens e José Serra 23% entre as mulheres e 18% entre os homens. Já o candidato Lula tinha uma intenção de voto de 53% entre os homens e apenas de 43% entre as mulheres. Cabe dizer que as intenções de voto no candidato Lula eram maiores do que nos outros candidatos, tanto entre os homens, quanto entre as mulheres. Mas, se a intenção de votos das mulheres fossem do mesmo nível da intenção de voto dos homens, a eleição teria sido decidida no primeiro turno.

Nas eleições seguintes, a pesquisa realizada pelo Datafolha nos dias 29 e 30/09/2006, pouco antes do primeiro turno das eleições presidenciais, (01/10/2006), apresentou o seguinte resultado: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 50% dos votos válidos. Em segundo lugar, Geraldo Alckmin, com 38% dos votos válidos. A candidata do PSOL, Heloísa Helena, ocupou a terceira colocação, com 9% dos votos válidos. Cristovam Buarque, do PDT, com 2%. Os “nanicos” Ana Maria Rangel (PRP), José Maria Eymael (PSDC), Luciano Bivar (PSL) e Rui Costa Pimenta (PCO) não chegam a atingir 1% dos votos válidos.

Em termos de diferenças do eleitorado, por sexo, a pesquisa Datafolha de 29 e 30/09/2006, indicou que entre os homens, 3% declararam que queriam votar “nulo/branco/nenhum” e 3% “não sabe”. Entre as mulheres, 4% declararam que queriam votar “nulo/branco/nenhum” e 7% “não sabe”. Também, para ter comparabilidade, redistribuimos as intenções de voto classificadas como “branco”, “nulo”, “nenhum” e “não sabe” entre os candidatos, segundo o sexo dos entrevistados, para ter uma aproximação da intenção de “voto válido”.

Feito este procedimeno, podemos notar, conforme mostra a tabela 2, que Cristovam Buarque tinha o mesmo percentual de intenção de voto (2%) entre os dois sexos, Heloísa Helena tinha 9% entre as mulheres e 7% entre os homens e Alckmin 39% entre as mulheres e 36% entre os homens. Já o candidato Lula tinha uma intenção de voto de 51% entre os homens e 47% entre as mulheres. Nota-se, que em relação à eleição anterior, Lula melhorou o seu desempenho entre as mulheres, pois a diferença apontada pela Datafolha, em 2002, foi de 10 pontos percentuais e de apenas 4 pontos percentuais, em 2006. Contudo, estes 4% foram suficientes para adiar o desenlace da disputa para o segundo turno.

Os dados acima mostram que, nas eleições presidenciais de 2002 e 2006, o candidato Lula teve, segundo as pesquisas do Instituto Datafolha, menor intenção de voto entre as mulheres do que entre os homens. A diferença se reduziu entre 2002 e 2006. Todavia, nas duas corridas presidenciais, a menor intenção de voto de Lula entre o eleitorado feminino foi de um montante suficiente para impedir uma vitória em primeiro turno. Lula ultrapassou os 50% dos votos válidos entre os eleitorado masculino nas duas últimas eleições. Mas, teve que prosseguir na disputa ao não obter o mesmo desempenho entre o eleitorado feminino.

Em 2010, era de se esperar que a candidata Dilma Rousseff (PT), por ser mulher, conseguisse ganhar o eleitorado feminino e vencer no primeiro turno. Na pesquisa eleitoral do IBOPE, que terminou o campo no dia 27/09, indicou que Dilma tinha 52% das intenções de voto entre os homens e 49% entre as mulheres. Na pesquisa Datafolha, que terminou o campo em 29/09, indicou que Dilma tinha também 52% das intenções dos homens e apenas 43% entre as mulheres. Portanto, as duas pesquisas indicavam que Dilma ganharia entre os homens e perderia não obteria a maioria absoluta entre as mulheres.

No dia 03/10, a grande surpresa foi a grande votação da candidata Marina Silva. Tudo indica que a onda verde foi também uma onda feminina. Marina cresceu impulsionada pela força das mulheres que, parece, estavam insatisfeitas com o nível das discussões políticas e exigiram mais tempo para o debate.

Agora teremos quase um mês para o segundo turno no dia 31 de outubro. Sem dúvida as questões do meio ambiente e de gênero vão ter um grande peso. Marina Silva se transformou na terceira via e vai pautar grande parte do debate em outubro. Mas, principalmente, o Brasil vai ter mais tempo para discutir um projeto de nação. A democracia brasileira é um processo em construção…

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José Eustáquio Diniz Alves