Altman em pedaços: na tevê

Robert Altman na tevê, nesta terça, canal pago: M.A.S.H. e Três Mulheres – ambos ótimos, mas o primeiro é algo mitológico para a minha geração, que só foi consumi-lo, à vera, em fins os 70. Anteontem, o melhor de seus filmes, Nashville, um filmão à base de pequenas histórias, mais ou menos o que o […]

 

Robert Altman na tevê, nesta terça, canal pago: M.A.S.H. e Três Mulheres – ambos ótimos, mas o primeiro é algo mitológico para a minha geração, que só foi consumi-lo, à vera, em fins os 70. Anteontem, o melhor de seus filmes, Nashville, um filmão à base de pequenas histórias, mais ou menos o que o próprio Altman repetiria em Short Cuts – cujos protagonistas (políticos, músicos, gente comum, fãs, produtores) se vêem diante do hipócrita espetáculo que são as eleições para presidente. E música country embalando as duas horas e meia de filme.

Se existe uma comédia militar mais hilária que M.A.S.H. eu desconheço. Donald Sutherland e Elliot Gould, à vontade nos papéis, protagonizam esse filme também picotado, feito em episódios, sobre o fictício (e alucinadamente bagunçado) Mobile Army Surgical Hospital.

A tevê promove uma espécie de festival, que traz à superfície alguns filmes um tanto desconhecidos – a mim, ao menos – do diretor. Hoje, quarta-feira, apresentam Um Casal Perfeito – que não conheço – e prometem, para os próximos dias, Louco de Amor, Short Cuts e A Última Noite. Bem que podiam se esforçar e passar A Fortuna de Cookie e Ladrões como Nós. Talvez seja pedir muito. Altman não tem muito apelo, faz filmes irregulares e concebe obras-primas que são vistas por poucos que reconhecem nele um cineasta que nada para a outra margem, sem medo do naufrágio durante o percurso. Às vezes naufraga, sim, mas sempre é capaz de emergir – ou era, já que morreu em 2006? Não. É, ainda.

 

20061121altman

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Francisco Grijó

Francisco Grijó, capixaba, escritor, professor de Literatura Brasileira, atual secretário de Cultura de Vitória (ES)