Costner, Hurt, Moore, Brooks

Alguém – fã de Demi Moore – disse-me que haverá uma estréia que, na verdade, representará a reentrada da atriz no panteão. O filme, de título Um Plano Brilhante, transforma a ex-musa em ladra. É esperar para ver. Demi Moore é daquelas atrizes que conheceram Inferno e Paraíso e que passam mais temporadas num do que […]

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Alguém – fã de Demi Moore – disse-me que haverá uma estréia que, na verdade, representará a reentrada da atriz no panteão. O filme, de título Um Plano Brilhante, transforma a ex-musa em ladra. É esperar para ver. Demi Moore é daquelas atrizes que conheceram Inferno e Paraíso e que passam mais temporadas num do que noutro. Assisti, despretensiosamente, em devedê, neste último fim-de-semana que se estendeu a feriado, a Instinto Secreto, Mr. Brooks, no original.

Uma surpresa: Kevin Costner e William Hurt inspirados, como nos bons tempos. Demi Moore menos, mas seu papel – uma policial herdeira de uma sólida herança – era mais difícil, é preciso relevar. Mas ela, de fato, nunca foi grande atriz. Já Hurt e Costner, que interpretam o mesmo personagem (com nomes e rostos diferentes, entretanto) estão perfeitos. É um filme sobre destino, sobre inevitabilidade, ao mesmo tempo em que reforça que o mal existe em nós e é preciso refreá-lo, sob pena de que tudo desande. Mas como refrear aquilo que nos é natural? Ei-la: a questão. E que tal pensar em William Hurt como um anjo que, barroco ao extremo, antes de proteger, tenta aquele a quem acompanha?

A tríade Moore-Hurt-Costner faz parte, hoje, do segundo time de Hollywood. São atores anos-80, como se diz por aí, condenados a estrelar filmes de segunda e a viver da memória de blockbusters anteriores. Mas eis que ressurgem num filme bem armado como esse que, se não é obra-prima (e não é mesmo), é para ser observado (mais do que apenas visto) atentamente. Merece ser revisto para que os detalhes possam dizer mais do que dizem. E o que acontece? Assim como seus protagonistas, o filme é mantido na obscuridade, relegado ao plano do devedê. É, mais uma vez, o destino, a inevitabilidade.

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About the author

Francisco Grijó

Francisco Grijó, capixaba, escritor, professor de Literatura Brasileira, atual secretário de Cultura de Vitória (ES)