Os Irmãos Blues (1980)

Não me lembro de ter visto um filme de John Landis que fosse realmente ruim. Nem Oscar, com Silvester Stallone fazendo biquinho e levando uns tapões de Kirk Douglas. Esse filme, aliás, tem em seu plantel Ornella Muti e Marisa Tomei, mãe e filha (na tela), duas belezuras capazes de fazer crescer pêlo em mão […]

 

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Não me lembro de ter visto um filme de John Landis que fosse realmente ruim. Nem Oscar, com Silvester Stallone fazendo biquinho e levando uns tapões de Kirk Douglas. Esse filme, aliás, tem em seu plantel Ornella Muti e Marisa Tomei, mãe e filha (na tela), duas belezuras capazes de fazer crescer pêlo em mão de garoto. Postei sobre Clube dos Cafajestes, com o contracultural John Belushi fazendo misérias e falando pouco. É o perfeito espécime do título original: National Lampoon’s Animal House.

Revi, neste fim-de-semana, The Blues Brothers, cujo título, em português, resume a infâmia: Os Irmãos Cara de Pau. Sim, é uma piada de mau gosto. Aproveitei o embalo musical e revi também The Blues Brothers 2000 (do qual falarei em outra oportunidade). São filmes com a mesma premissa: o amor à música tem algo de religioso, de epifânico. No fundo é coisa do Altíssimo, que deve se divertir ouvindo, in loco, Mozart, Bach, John Coltrane e Jimi Hendrix.

O primeiro Blues Brothers traz John Belushi como o irmão alucinado que sai da cadeia e, ao som do não menos alucinado James Brown, é tomado pela luz divina, que o envolve como num casulo. É preciso reunir a banda: não se chega a Deus senão pelo amor – e o amor, no caso, é sinônimo de rhythm & blues. A banda é excepcional: Steve “The Colonel” Cropper (guitarra); Lou “Blue Lou” Marini (saxofone); Alan “Mr. Fabulous” Rubin (trompete) “Smokin” John Tropea (guitarra); Anthony “Rusty” Cloud (teclados); Eric “The Red” Udel (baixo); Lee “Funkytime” Finklestein (bateria); Rob “Honeydripper” Paparozzi (voz e harmonica) e Larry “Dogbone” Farrell (trombone). Se quiser saber sobre eles, clique aqui.

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E, claro, o grande trunfo do filme – além do trio principal, Dan Aykroyd, John Belushi e o bluesmobile, o ex-carro de polícia que chega a voar – são as participações especiais: James Brown, Aretha Franklin, Cab Calloway, John Lee Hooker e Ray Charles. Se há uma comédia que resuma melhor o amor à música, ou que enfatize a idéia de que a música é uma religião a ser seguida, eu desconheço. Não importa o que aconteça depois porque o que vale é estar num palco e mandar ver. Acho que é assim no Céu. E Belushi – que morreu em 1982 – certamente está lá, falando pouco e fazendo misérias.

Clicando aqui você vê (e ouve) Shake Your Tail Feather, com Ray Charles & The Blues Brothers.

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About the author

Francisco Grijó

Francisco Grijó, capixaba, escritor, professor de Literatura Brasileira, atual secretário de Cultura de Vitória (ES)