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São Paulo e o Pensamento Selvagem: ontem e hoje

___O genial Claude Lévi-Strauss, em sua obra La Pensée Sauvage (O Pensamento Selvagem), descartou a preconceituosa visão de que o modo de pensar da Civilização Ocidental era “mais evoluído” do que o “pensamento dos selvagens”. Ele colocou o modo de pensar de toda a Humanidade em pé de igualdade, sem se importar se quem abstrai é herdeiro da Antiguidade Clássica e do Iluminismo ou um indígena “não-civilizado”.
___A visão de mundo contra a qual Lévi-Strauss lutava foi exatamente o que levou os jesuítas Manoel da Nóbrega e José de Anchieta a fundarem, há exatos 456 anos, o colégio que deu início à vila de São Paulo de Piratininga. Os padres queriam catequizar os indígenas, queriam levá-los para “A Verdadeira Fé”. Em suas crenças e dogmas, os religiosos viam a mentalidade e os costumes indígenas como uma não-cultura, como um pensamento errado, algo afastado da via correta. Nada mais natural, portanto, que muito do conhecimento dos nativos tenha se perdido.
___Foi algo muito ruim? Provavelmente, sim. Foram perdas completamente irrecuperáveis. Mesmo assim, é bom ficar atento: julgar todas as atitudes dos jesuítas segundo nossa atual visão de mundo, é incorrer em um erro quase tão bizarro quanto o dos religiosos para com os nativos. Fazer isso aqui, sem grande reflexão, seria quase que desrespeitoso com as ótimas ideias do homem que inspirou o nome deste portal.
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P.S.: Ressalva feita no texto principal, indico, de fora do portal O Pensador Selvagem, o lindo “São Paulo, 456: uma longa história de exclusão”, do admirável Leonardo Sakamoto.
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M. Ulisses Adirt