• Home  / 
  • R.P.G.
  •  /  O Dia do Juízo Final: Você Está Preparado? (Parte I)

O Dia do Juízo Final: Você Está Preparado? (Parte I)

Fome, doenças, guerras nucleares, meteoros gigantes, julgamento divino…O mundo pode acabar de várias formas. Você está preparado para este dia? A maioria de nós está preocupada em viver o hoje, o agora e nem pensa no assunto, afinal de contas, não vai acontecer comigo. Isso é coisa de nerd e fanático religioso. Mas, e se acontecer? Você quer correr o risco e continuar na ignorância?

 

Fome, doenças, guerras nucleares, meteoros gigantes, julgamento divino…O mundo pode acabar de várias formas. Você está preparado para este dia? A maioria de nós está preocupada em viver o hoje, o agora e nem pensa no assunto, afinal de contas, não vai acontecer comigo. Isso é coisa de nerd e fanático religioso. Mas, e se acontecer? Você quer correr o risco e continuar na ignorância?
Nesta série de artigos tratarei sobre vários cenários de fim do mundo para serem usados como inspiração nos seus jogos de R.P.G. (Jogo de interpretação de papéis). Neste primeiro artigo, farei um jogo interativo e também trarei dicas para vocês aumentarem as suas chances de sobrevivência no caso de uma insurreição de zumbis: O Dia Z!
Este artigo não é voltado exclusivamente para jogadores de R.P.G., então se você curte filmes de zumbis, ou só está curioso, está convidado a acompanhar esta série.

 

“Quando não houver mais espaço no inferno os mortos caminharão sobre a terra”
Madrugada dos Mortos

 
Qual o intuito desse artigo?
Vamos brincar de faz de conta, afinal, RPG (Role Playing Game) é um jogo de interpretação, um teatro onde não há vencedores, nem perdedores, simplesmente contamos uma estória juntos. Então, eu vou propor um jogo para vocês, sim…um jogo aqui mesmo, no Pensador Selvagem… é só postar sua resposta nos comentários lá embaixo. Façamos o seguinte, eu vou descrever os zumbis, o que são, como funciona a ameaça de invasão, o cenário e vocês deixam no comentário o que vocês fariam se caso ao acordar vissem zumbis atacando as pessoas, OK? Vou deixar um exemplo na forma de diário para vocês verem como é. Vai ser divertido falar e ouvir a estória inventada pelos outros. Comecemos então.
 
O que é um zumbi?
Para início de conversa, esqueça das aulas de história. Não estamos falando de Zumbi dos Palmares e sim dos mortos que por algum motivo são reanimados e voltam à vida, famintos por cérebros e carne humana fresca.
Trata-se de um mito antigo, mas o termo zumbi que conhecemos hoje (Nzambi, palavra que no Congo tem o significado de espírito de uma pessoa morta) provavelmente surgiu à partir do folclore do Haiti, aonde eles acreditam que feiticeiros podem animar os corpos dos mortos através do vodoo e torná-los seus escravos. Conceito que foi modificado e disseminado pelo mundo através de diversos filmes de horror.
Dessa forma, existem vários tipos de zumbis. Há os zumbis lerdos e burros (clássico), os animais-zumbis (Resident Evil) e até mesmo bizarrices como os zumbis muito ágeis (Madrugada dos Mortos), inteligentes e que podem aprender a utilizar armas de fogo (Terra dos Mortos).
Para efeitos desse artigo, vamos usar o conceito modificado dos zumbis clássicos (Noite dos Mortos Vivos) do George A. Romero, autor-ícone de diversos filmes do gênero, misturado com os zumbis do Max Brooks, tendo, os zumbis, então, as seguintes características:
  1. Seu surgimento pode ser explicado de diversas formas, dependendo do plot do filme/livro/jogo. As mais comuns são: radiação, maldição divina, vírus e magia. Neste caso, estou considerando a hipótese do vírus Solanum como causador da catástrofe.
  2. Não sentem dor e são capazes de continuar ativos mesmo recebendo uma grande quantidade de dano.
  3. Zumbis não regeneram.
  4. O vírus Solanum retarda o processo de decomposição, mas dependendo das condições climáticas esse processo pode ser acelerado/diminuído.
  5. Aparentemente, a única necessidade fisiológica que possuem é a de devorar carne humana. Mas, estranhamente, eles não devoram o corpo todo, porque senão eles não converteriam mais uma vítima e não haveria infestação de zumbis, portanto.
  6. Para que o zumbi tenha seu descanso eterno, é necessário destruir o cérebro dele. Decapitá-lo vai inutilizar o corpo, mas a cabeça continuará ativa.
  7. São fortes, incansáveis, mas não são ágeis nem coordenados. Por isso, são lerdos, andam cambaleando e não manuseiam ferramentas.
  8. Não possuem inteligência e consciência, mas respondem a estímulos auditivos, sendo atraídos pelo barulho ou por outros zumbis. A visão continua funcional, mas ele só percebe luminosidade e objetos em movimento. O olfato se especializa em captar cheiro de seres vivos.
  9. Um zumbi, misteriosamente, nunca ataca outro.
  10. Uma pessoa que for mordida, arranhada ou entrar em contato com os líquidos/mucosa de um zumbi, mesmo não estando morta, torna-se zumbi também num período de 24 horas. É o que chamamos de Reanimação. (considerando a hipótese do Solanum).
Ok, apresentei a idéia principal do tipo de zumbi que quero utilizar. Agora, vamos ao cenário.
Temos muitas obras que tratam, principalmente, de uma invasão nos Estados Unidos. Nada mais natural, não? Afinal de contas, de lá saíram muitas idéias que ajudaram a disseminar a cultura pop zombie.
Mas, como a maioria dos leitores do OPS é brasileira, vamos utilizar o Brasil como cenário. É isso mesmo, o Brasil, e coincidentemente a cidade onde você mora. E o personagem da estória é você. Levando em conta seus hábitos, grupo de amigos, parentes, onde mora, o que sabe fazer, considere que uma infestação zumbi está ocorrendo na sua cidade e você foi surpreendido por um deles. Como lidará com esse encontro inicial? O que vai fazer depois? Como explicará para os amigos e família sobre o ocorrido? E se a quantidade de zumbis na sua cidade for muito grande, como você irá sobreviver? Tem que pensar em comida, água, possível falta de energia elétrica, incêndios, como proteger a família, namorada(o), onde se abrigar…
Além disso, temos que considerar qual o tamanho e gravidade dessa insurgência:

 

Tipos de Insurgências

Max Brooks, em seu livro, classifica as insurgências de zumbis em três níveis, a saber:
Nível 1 (Level Easy)
Uma ocorrência menor, normalmente em local menos habitado e com até 20 zumbis. Notícias sobre o ocorrido serão tratadas como simples homicídios. Civis lidarão com a situação, eventualmente com apoio da polícia local.

Nível 2 (Level Normal)
Ocorrência em cidades pequenas, normalente com ocorrência entre 20 a 100 zumbis. A polícia lida com o problema, eventualmente com ajuda do exército. A ocorrência chama a atenção da mídia.

Nível 3 (Level Hard)
A típica crise da maioria dos filmes de zumbis. Metrópole infestada, pânico geral, milhares de infectados, numa grande área, enfim, um pandemônio. O país inteiro é mobilizado pela crise, cidades são declaradas em quarentena, o governo tem dificuldade para manter o controle. É impossível esconder o problema da mídia, muitas testemunhas. A crise pode se tornar mundial. Muitos morrem, mas os humanos ainda conseguem vencer.

e um nível criado por mim Level 4 (Level Nightmare)
é quase o mesmo que o Level 3, só que os zumbis são super ágeis, inteligentes e existem animais zumbis. Essas habilidades garantem que a infestação seja muito mais rápida e os humanos não tenham tempo para se defender adequadamente. Os zumbis podem extinguir a raça humana.

Outras coisas a serem consideradas
Não entre em pânico. Isso vai prejudicar suas chances de sobrevivência.
Com os pensamentos em ordem, comece a planejar seus próximos passos (o ideal seria que você se preparasse antes, mas quem vai acreditar nessa estória absurda de zumbis?). Sairei da cidade para um lugar ermo com pouca gente ou fico entocado num abrigo esperando que o exército lide com a situação?
Se a alternativa de fugir para a cidade vizinha for mais favorável, procure ir de moto/bicicleta, pois as estradas podem estar congestionadas (aqui em SP é assim) e você ficará preso na estrada se for de carro. Considere, também, a hipótese de arrumar um barco e fugir para alguma ilha bem longe, ou tentar sobreviver no barco mesmo. Helicópteros são uma boa pedida, mas menos acessíveis para um cidadão comum.
Se ficar, trate de estocar comida e equipamentos para sobrevivência. Você pode criar uma barricada na sua casa ou então procurar algum outro refúgio. Vários fóruns gringos sugerem o Wal Mart como esconderijo, pois lá tem de tudo: material de construção para barricada, armas de fogo, taco de beiseball, mantimentos, etc. Aqui em SP, por exemplo, temos os super/hipermercados que desempenham função similar, mas sem armas de fogo. Normalmente estes centros comerciais ficam próximos a lojas de construções, shoppings, aonde você poderá encontrar outros itens. Mas, tome cuidado, esses locais concentram muitas pessoas, pode ser difícil organizar e convencê-las da existência de zumbis, o controle torna-se mais difícil e a segurança pode ser resistente. Um mercadinho menor tem menos recursos, mas pode ser um refúgio viável.
Bom, imagine também, que, se você ficar escondido dentro de casa, embora os zumbis sejam burros, eles parecem ter percepção extra sensorial para detectar humanos. Então, no primeiro dia, um zumbi aparece na tua porta e bate com toda a força. Continua batendo mesmo que a mão dele seja destruída no processo. No segundo dia, mais zumbis estão na sua porta, eles foram atraídos pelo barulho do primeiro. E em pouco tempo, as proteções de uma casa normal vão cair e você se juntará a eles.
Por isso, lembre-se de bloquear todas as saídas e janelas por onde os zumbis possam entrar. Destrua/obstrua escadas fixas, fique nos andares superiores, estoque seus mantimentos lá. Zumbis têm dificuldades para subir escadas de pé, mas eles podem rastejar.
Creio que em cidades grandes, no caso de uma mega infestação, se o exército intervir, vai bombardear pelo ar, que é mais seguro. Então, pinte no telhado mensagens indicando a existência de sobreviventes.
Busque aliados. Sabe aquele seu amigo escoteiro ou o mochileiro? Ele tem equipamento e conhecimento de sobrevivência. Policiais, militares e artistas marciais podem ajudar no combate direto. Marceneiros e pedreiros ajudam na fortificação. Procure formar uma equipe para aumentar suas chances de sobrevivência. Mas se um deles for infectado… “Passa que é teu”.
Zumbis mordem e agarram, certo? E com isso transmitem o vírus. Então, além de andar de jeans e camiseta, coloque também uma jaqueta de couro e um capacete de motoqueiro.
Lojas de armas não são coisa tão simples de se encontrar no Brasil. E mesmo se você conseguir adquirir uma, a maioria das pessoas não tem treinamento para atirar. Não sabe municiar, limpar e atirar com uma arma. Então se você não é bandido, nem policial, militar ou treina tiro como esporte, esta não é uma alternativa inicialmente viável.
As famosas espadas samurais Katana são as preferidas pelas pessoas para tudo. Matar zumbis, vampiros, lobisomens, etc. Os filmes a retratam como sendo a arma mais afiada e suprema no combate corpo a corpo, mas…eu vos digo…aqui no Brasil dificilmente se acha uma katana legítima com fio e durabilidade. A maioria é decorativa. E mesmo que você tenha uma destas, a espada não luta sozinha nem te dá super poderes cinematográficos. Para ela mostrar a potência máxima de corte é necessário anos de técnica e treinamento, coisa que quase ninguém tem. Um pé de cabra na cabeça do zumbi resolve seu problema, além de ser mais fácil de achar e servir para abrir coisas. Se você não estiver em forma ou não tiver força, trate de se juntar a um grupo de pessoas para sobreviver.
E um último conselho…nunca coloque a música Thriller e comece a dançar feito Michael Jackson, na esperança de “enfeitiçar” os mortos vivos. O barulho só atrairá mais zumbis e você morrerá de forma patética.

Exemplo de estória zumbi:

José da Silva
São Paulo, 03/02/2007 – 04/02/2007
Sábado à noite para domingo, foi uma balada e tanto, bebi razoavelmente bem, estava voltando para sua casa de carro, meio sonolento, música alta para não dormir ao volante ficava ouvindo, mentalmente, minha ex namorada me dizendo: Seu maluco irresponsável!
As ruas estavam vazias, vi um farol vermelho distante. A essa hora da madrugada ninguém pára, pensei. Segui em frente, apaguei…acordei com um estrondo. Vi que tinha atropelado um mendigo, ele estava estirado no chão. Rapidamente saí do carro e fui socorrer o mendigo. Ele levanta, como se não tivesse acontecido nada, mas pelo barulho achei que tinha quebrado algum osso. Ele tinha os olhos opacos, fixos no nada. Não havia marcas de sangue. Me aproximei, ele fedia… perguntei se estava tudo bem. Ele fixou o olhar em mim, olhos vazios, senti um calafrio. De forma cambaleante, ele caminhou na minha direção e tentou me agarrar de forma desajeitada. Esquivei, entrei no carro e fugi.
Depois disso, a adrenalina tomou conta e não senti mais a sonolência de antes. Algum tempo depois, já perto do meu apartamento, vi quatro caras batendo covardemente em um, mas com uma ferocidade típica dos animais selvagens, inclusive, um deles estava mordendo o indivíduo. Liguei para a polícia e denunciei. Segui meu caminho. Cheguei no meu apê e fui dormir, mal sabia que seria a última noite de sono tranqüilo.

04/02/2007 Domingo, 13:00 h
Acordei com gritos de pessoas na rua…muita dor de cabeça, ressaca. Fui olhar pela janela para ver o que era. Havia vários indivíduos cambaleantes perseguindo outros. Quando conseguiam cercar uma pessoa, os cambaleantes a DEVORAVAM VIVA!!! Moro em andar alto e por isso demorou até eu perceber que eles a estavam devorando. Mas nesse momento me senti muito mal. Ânsia de vômito. Gorfei na sacada mesmo, não conseguia respirar, desmaiei.

São Paulo, 05/02/2007
Um amigo íntimo da família me ligou, estava desesperado, disse que meus pais e meus irmãos foram pegos no domingo, quando estavam na piscina do clube. Ele viu tudo de longe, mas conseguiu se abrigar na academia de ginástica. Porém, eles estão cercados e sem comida, e só uma questão de tempo. Ligou para me dar a notícia e se despedir de mim.

São Paulo, 23/03/2007
Fiquei muito tempo sem escrever, estava deprimido, ficava na cama o dia inteiro dormindo, comendo pouco, mal bebendo água. Não coloquei o pé para fora do meu apartamento desde o primeiro incidente com aquelas pessoas na rua e a notícia da morte dos meus pais. Essas criaturas se espalharam pela cidade toda e para piorar, ouço os grunhidos delas o dia inteiro, sinto muito medo.

A maior parte da população está em pânico, histeria coletiva. Os noticiários foram censurados, mostram pouca coisa, a única recomendação é que não devemos sair de casa. O que eu sei é que isso parece uma doença contagiosa, as pessoas atacadas tornam-se iguais aqueles zumbis de filmes.
Ouvi batidas na minha porta, eram meus vizinhos, perguntando se estava tudo bem. Respondi que sim e voltei a dormir. Mais tarde, quando despertei desse pesadelo, telefonei para o síndico, ele disse que os moradores criaram uma barricada. Ninguém entra ou sai do prédio. Perguntou se eu precisava de alguma coisa, mas graças a deus, para um solteiro, eu tenho bastante comida e água mineral estocada.

São Paulo, 06/06/2007
Não agüento mais, estou enlouquecendo. Não agüento mais ficar preso aqui dentro, há muitos zumbis na rua. Militares declaram quarentena e estão atacando os focos de infecção.
Ouço explosões o dia todo. Os vizinhos começaram a brigar, alguns não tem mais comida e tentam saquear os apartamentos que têm. Bloqueei minha porta com a mesa e o sofá. As vezes tenho vontade de desistir disso tudo e dormir para sempre….

FIM

A seguir, linko alguns materiais interessantes sobre o tema:

Exemplo de jogo de RPG com zumbis como tema (Não jogadores podem ler também, está no formato de um conto):
Carnaval em Ouro Preto (em português)

Artigo comprovando a existência de zumbis (ambos em inglês):
Zombie Attack at Hierakonpolis
5 Scientific Reasons a Zombie Apocalypse Could Actually Happen

Passeatas de Zumbis
Zombie Walk SP

Ataque zumbi filmado
http://www.youtube.com/watch?v=D6DyiH_5f_I

Dica de Livro
Guia de Sobrevivência à Zumbis – Max Brooks (em português)

E agora o teste final…
Saiba qual a sua chance de sobrevivência no caso de uma insurreição zumbi (em inglês). Faça o teste e poste o resultado. O meu foi 55%.

About the author

Luiz Azuma