O que aprendi com o Chef’s Table? Não foi a cozinhar…

Poster da Temporada 2 de Chef's Table

Tenho assistido a série da Netflix Chef’s Table e cada vez acho mais interessante! Não, ela não ensina nenhuma receita. O programa basicamente não é sobre comida, mas sobre carreira. Retrata os chefs mais criativos e bem-sucedidos da atualidade, em suas biografias até o sucesso. É uma coleção de cases de carreiras, e observei algumas características em comum que podem servir para orientar carreiras em qualquer área de trabalho. Nem todos passaram pelos mesmos passos, mas a maioria representada nos programas, sim.

  1. Estudo: Todos dedicaram-se muito a estudar desde o momento em que escolheram trabalhar com gastronomia. Estudo formal, em cursos e faculdades, mas também informal, resgatando livros de receitas.
  2. Prática com alguém mais experiente: Todos buscaram estágios ou trabalhos como aprendizes em restaurantes de boa comida. Colaram em chefs mais experientes e buscaram reproduzir o seu trabalho, até a perfeição. Nem sempre estagiaram em restaurantes de ponta, mas onde cada um acreditava na qualidade da comida e na experiência do chef.
  3. Sair do local de origem: A maioria estudou ou trabalhou como estagiário ou aprendiz em outras cidades, geralmente grandes centros gastronômicos, como Paris ou Nova York.
  4. Voltar para o local de origem: Quase todos retornaram para suas cidades de origem e arranjaram empregos em restaurantes locais, alguns à beira do precipício da falência. Um deles morava numa cidade entre o nada e coisa nenhuma na Suécia, um ponto altamente improvável para um restaurante que, sob sua direção, tornou-se um dos 10 melhores restaurantes do mundo. Outros abriram seus próprios restaurantes, desde o início seguindo a visão que trouxeram de seus estudos e estágios.
  5. Insucesso inicial: Até onde assisti, só um começou fazendo sucesso. Os outros que já assisti começaram com restaurantes vazios, sem críticas positivas (a maioria sem crítica alguma). A resposta para esse insucesso inicial variou bastante. Alguns faziam mudanças regulares na organização do trabalho e no cardápio, enquanto outros insistiram no que acreditavam desde o início. A maior parte deles sentiu desânimo e pensou em desistir.
  6. Acreditar no que faz e apostar no seu sonho: O desânimo não foi suficiente para superar a confiança no próprio trabalho e a imagem de um sonho que cada um perseguia. Alguns mencionam a frustração por saber que estavam fazendo boa comida e, mesmo assim, as mesas estavam vazias. Todos tiveram determinação para seguir em frente, superando as mesas e bolsos vazios.
  7. Trabalhar com uma equipe competente, responsável e que acredita no sonho: muito da competência dos chefs retratados se baseia na formação de uma equipe que partilha do entusiasmo pelo sonho, e mete a mão na massa, trabalhando de forma competente e responsável. A palavra da moda para isso é SINERGIA.
  8. Usar produtos de qualidade: quando o seu trabalho envolve um produto, esse produto não pode ser meia-boca. Os chefs buscam as melhores matérias primas para transformá-las em deliciosas obras de arte.
  9. Preferir produtos regionais: meio que uma continuação do item anterior, além de ter os produtos mais frescos, valoriza a economia local e cria uma rede confiável dentro da própria comunidade, e contribui com a preservação do meio ambiente, com menos mercadorias viajando pelo planeta.
  10. Releitura de receitas tradicionais: os chefs saíram de suas cidades, estudaram gastronomia, estagiaram com chefs experientes e começaram repetindo o que aprenderam, mas aos poucos foram modificando essa bagagem, acreditando na sua intuição e, principalmente, resgatando livros antigos e fazendo releituras para tornar mais modernas as receitas, criando novos pratos a partir de pratos tradicionais. O chef sueco, por exemplo, cria alimentos em conserva que são os principais atrativos para o seu restaurante.
  11. A voz da criança interior: por fim ficou o mais importante. O traço comum a TODOS os chefs que assisti é a CRIATIVIDADE, alimentada pelas lembranças de criança, pelos sabores, pelas mesas de domingo, pela comida da avó. Transformar uma lembrança prazerosa em novos pratos é dividir e eternizar o prazer vivido na infância. O exemplo mais marcante dessa criança que toma conta da cozinha é o chef italiano que brigava com o irmão pelo cantinho da lasanha da avó, aquele cantinho que ficava meio torrado. Ele criou um prato que é somente a ponta tostada da lasanha, e é um dos grandes sucessos do seu restaurante.

O sucesso na carreira é buscado por todos nós e, independente da profissão de cada um, a jornada de um profissional de sucesso pode servir de lição para detectar o que posso mudar na minha carreira para alcançar esse sucesso.

About the author

Marcelo Guerra

Sou médico, apaixonado por cinema e TV. Na época do vestibular, minha dúvida até o último momento era entre estudar medicina ou cinema. Fiz a escolha certa para mim, porque pude manter meu amor pelo audiovisual no nível da experiência e prazer, e não do estudo formal. http://terapiabiografica.com.br/blog

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