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“Uma ideia e um coelho” – Sobre o roteiro cinematográfico

Olá! Desculpem, demorei a escrever. Demorei, mas voltei! 😉

Prometi no texto anterior uma conversa sobre o processo de criação do roteiro cinematográfico. É isto que trago aqui, porém com um olhar tão simples quanto breve.

 

Segue o texto:

 

“Uma ideia e um coelho” – Sobre o roteiro cinematográfico

 

Cinema é, dentre diversas coisas, um modo de estender em imagens nossa paixão: contar histórias sem temer o que se é, ter o mundo como fonte inesgotável de temas e personagens, abstrai-lo como alimento para nossas produções diversas, absorver detalhes para que de um ponto nasça uma ideia que se propaga em letras, palavras, sentenças, cenas e histórias. Uma utopia deliciosa e inocente, onde, muitas vezes, cada gota de suor é um sussurro do mundo. E é onde muitos de nós, roteiristas, espera retirar da cartola um coelho grande e criativo, único e filmável. Enfrentamos manuais diversos, conferências, seminários, cursos, pesquisas e uma fé inesgotável no conhecimento da técnica e na magia pura da ilusão.

Obviamente isto também envolve quedas e desilusões, mas tudo faz parte do jogo, ou não?! Mesmo com o coelho em mãos sabemos que fazer cinema é contar com um resultado final não exato, independente da originalidade (e até mesmo qualidade) da história.

O roteiro é um conto que, para ser imagem, necessita de uma equipe múltipla e dedicada, que efetiva a transmigração do texto escrito para texto imagético e sonoro. Se o resultado é fidedigno ao que se pretendia, é outra história.

Ponto chave para desencadear uma ideia é, antes de tudo, refletir sobre e entender seu encadeamento lógico, saber o que se faz e para quem (equipe e espectadores).

Muitas são as obras escritas com uma elaboração quase crível, casando com uma suposta construção crítica da ideia inicial, mas que não deixam de compreender o processo de produção e construção da magia cinematográfica. Teoricamente prontas para serem retiradas da cartola e estregues para a filmagem, faltam retornar devagar onde tudo começou e, de forma honesta, repensar como aquilo foi parar onde está, e realmente perceber o caminho que fez para se desenvolver daquele modo, dominando para onde aponta e por que aponta em determinadas direções.

Sabemos que muitos roteiros vão ser filmados sem passar por isto, porém as falhas e brechas na história, se não forem propositais, causam um ruido, dando a entender que o espectador é então tratado como um desigual, alguém incapaz de acompanhar e compreender as brechas e falhas causados por descuidos.

Deve-se perceber que, além da ideia que se desenvolve, e de tê-la trabalhado direcionada à execução, (tenha esta palavra a conotação que tiver), o trabalho com a memória do criador, com a inovação, deve sim andar em conjunto com a crítica e a reflexão, para que a materialização daquilo que o mundo faz com que atravesse nossas mentes e mundos não fique banal e sem bases concretas.

 

Na próxima, iremos continuar esta conversa. 😉

Até lá.

About the author

Patrícia Louzada dos Anjos

Com planos irrealizáveis desde 1983, possui o ser humano como foco central de suas atividades. É bacharel em comunicação social, com habilitação em cinema e vídeo, e especialista em comunicação digital. Escreve como vício e estuda por compulsão. Usa linux, comemorou seu casamento com um bolo de padaria e inventa estórias para sua filha comer.