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Autor: Luiz Afonso Alencastre Escosteguy

O ocaso da medicina brasileira?

Que o Brasil seja um país colonizado, creio que ninguém discuta. Mas não me refiro à colonização pela vinda de imigrantes. Falo da colonização cultural. Somos totalmente colonizados pelo que podemos chamar de “american way of life”. O que tem de errado nisso? Muita coisa, inclusive nossa medicina. Alíás, em quase todos os ramos da ciência, somos colonizados. No meu caso, por exemplo, a Administração, ignoramos solenemente os modelos europeus de gestão para vender, por aí, o modelo americano dos grandes “gurus”. Cometemos um crime, inclusive, ao adotar esse modelo na gestão pública. Não é para menos que os serviços públicos brasileiros têm a fama que tem. No caso da medicina, sucumbimos ao modelo tecnológico das grandes corporações farmacêuticas e das grandes empresas produtoras de equipamentos de diagnóstico. Para esses grupos, só existe a medicina da doença. Só se pode vender remédios ou exames para quem já está doente. Não há lucro na medicina preventiva e, menos ainda,na medicina natural. Os médicos são aculturados desde o primeio dia de faculdade. E saem de lá, com poucas exceções, acreditando piamente que só esse modelo poderá salvar a humanidade da calamidade. E, para que ninguém se sinta tentado a mudar, ao longo da carreira, criam-se congressos “científicos”, invariavelmente bancados pela indústria. Nossa medicina é a medicina da doença, repito. Por isso existem milhares de cidades sem um médico sequer. Cidades pequenas, invariavelmente...

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O CUBO!

Einstein dizia, em outras palavras, que não podemos tentar resolver um problema com o mesmo raciocínio que o criou.  Aí reside um dos grandes fatores da sua genialidade: ele não tentou explicar a natureza partindo dos conceitos até então existentes. Simplesmente criou novos conceitos.  E foi duramente criticado por seus pares; foi desacreditado; teve que assumir alguns erros, naturais para quem tem a coragem de inovar; mas, principalmente, teve que esperar, na eternidade, o reconhecimento de que acertou em quase tudo. E até hoje não foi superado na afirmação do início: poucos são os que criam novas ferramentas de análise para os novos problemas que surgem. A maioria segue rasa, cartesiana, buscando uma causa para efeitos que os deixam espantados. Confesso e admito que sei pouco, ainda, sobre o assunto, mas mesmo esse pouco me fez recordar as lições do Einstein. A ferramenta? Em tempos de corrupção, outra não poderia ser: analisar qualquer “novidade” como sendo uma possível fonte de corrupção. Sempre tive dificuldades para nomes. Então, só sei que o caso envolve denúncias de uma moça contra dois ou três caras envolvidos em um coletivo e com a Mídia Ninja. Li o texto da moça; li os textos dos moços. E li os mais de trocentos cometários. Coletivos são entidades einstenianas. Não usam, por princípio, a mecânica newtoniana como constituição e, sequer, como processo de ser.  O Fora...

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IDIOSSINCRASIA OU INCOERÊNCIA?

Há um erro grotesco, que as pessoas cometem, que consiste em cobrar dos outros coerência onde ela não se aplica.  Não conseguem compreender que há espaços, na vida, que são, por natureza, incoerentes! Tais espaços poderiam ser definidos como idiossincráticos.  Poupo a minha querida meia dúzia de leitores do árduo trabalho de digitar “idiossincrasia” no Google. O Houaiss define: “predisposição particular do organismo que faz que um indivíduo reaja de maneira pessoal à influência de agentes exteriores” ou “característica comportamental peculiar a um grupo ou a uma pessoa”. A coerência tem sido um dos efeitos colaterais da razão que mais tem prejudicado as pessoas, que fazem dela, a razão, sua única maneira de viver e ver o mundo. Vi, recentemente, em um congresso, a seguinte frase: “um texto, sem contexto, vira pretexto!”. Uma pessoa, sem contexto, vira coerente! E é da aplicação da coerência para todo e qualquer campo da manifestação humana, que nasce o fundamentalismo. Nas suas mais variadas expressões: religiosa, política e, a pior delas, o fundamentalismo pessoal, aquele que tenta impor aos outros que devam ser coerentes. O que mais me deixa perplexo, ainda, é que, se somos o que somos, o somos justamente pela nossa incoerência natural e pela nossa idiossincrasia. Todo “avanço” ou “retrocesso” na história do homem se deu graças aos incoerentes e aos idiossincráticos.  Humanos que ousaram não serem medíocres, ou seja,...

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A REPÚBLICA!

veja o vídeo antes: aqui   Esquece-se, esse senhor, que ainda vivemos em uma República. E um dos mais caros valores de uma res publica é justamente o dever de respeito pelos poderes legitimante constituídos pelo voto. Com essa atitude insana desrespeita a todos nós. Sim, pois um homem que ocupa a presidência de um poder e comete barbaridades como essa, só pode ser um insano, ou, quiçá, já demente. Torna-se indigno de ocupar o cargo que ocupa. Macula o Poder Judiciário, do qual é o guardião maior; macula a nação, pois demonstra não ter justiça em seu próprio coração, ao se deixar levar por questões quem sabe pessoais. Desonra a categoria dos servidores públicos, da qual ele, embora pense que não, faz parte. E, como parte, sabe bem que não lhe é autorizado demonstrações de desafeto em público. Não bastassem as sobejas notícias de possíveis desvios de comportamento público, agora atinge o ápice, ao solenemente desprezar a presidenta do Poder Executivo. Mostrou-se mesquinho por talvez não ser ele a estar ali, ao lado do Papa, recepcionando as pessoas e autoridades. Talvez, movido pela egolatria – insuflada pela mídia -, tenha lhe passado pela cabeça que ali era o SEU lugar e não o de uma qualquer! Esquece-se, esse senhor, que ainda vivemos em uma República em que o chefe do Poder Executivo é chefe de governo e do...

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CINCO PERGUNTAS SEM RESPOSTAS!

Após um pouco mais de meio século acordado nesse mundinho chamado Brasil, percebo que até hoje algumas perguntas não encontraram suas caras metades, as respostas. E pelo andar da carruagem, parece que serão esquecidas solteiras, algum dia, em alguma gaveta da nossa história. Entra eleição e sai eleição, e continuamos a dar demonstrações cabais de que não conseguimos nos unir em torno de uma agenda comum sobre que país queremos. Por vezes – e muitas – tenho a impressão que o grande culpa disso é a nossa “eterna” mania de empurrar para os outros, aquilo que não queremos fazer pessoalmente. Somos uma sociedade de duas classes: nós e os estagiários. Nosso sistema de representação política, sabemos, já nasceu fadado a não funcionar. E por duas razões bem conhecidas: primeira, é que todo resultado advindo da representação sempre será um resultado da representação. Explico. É fácil entender que o nosso sistema é um sistema que permite à representação, uma vez escolhida, tornar-se apenas uma presentação. Eles tornam-se um corpo à parte da sociedade que o elegeu e seus resultados são obtidos e direcionados segundo critérios de interesse de partidos, quando não pessoais. Um projeto de educação desenvolvido e implantado por um governo de um partido – mesmo que contando com uma “base aliada” para sua aprovação, sempre será combatido por outros partidos, não porque seja ruim, mas porque são “oposição”. ...

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