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Autor: Marlon Marques Da Silva

Algo mudou ou já estava escrito?

    Você acredita em destino? Realmente é de se pensar. Mas com quem nunca aconteceu um fato incrível a ponto de pensar em obra do destino? Pensar em encontrar alguém e essa pessoa aparecer, ou como uma lei de Murphy ao contrário, onde tudo dá certo como se as coisas fossem alinhadas previamente para acontecer exatamente assim. “Something Changed” é uma canção que trata justamente disso. Jarvis Cocker é não apenas um excelente cantor, mas também é um ótimo letrista, e um cara de muito bom gosto musical. O Pulp – banda do qual é egresso, é uma daquelas bandas que entram pelo coração, justamente porque as músicas tocam esse músculo diretamente. Sonoramente é um encanto. Como eu já disse em outro artigo – “Fronteiras Emocionais”, para uma música emocionar ela precisa ter alguns elementos: refrão lindo, instrumental pomposo e uma grande voz – e é claro, há quem discorde [ainda bem]. E “Something Changed” possui todos esses elementos. Voltando a parte instrumental, o que posso dizer é que é irretocável. Guitarras suaves, acompanhamento também tranqüilo e cordas, no próprio clipe da canção, vê-se ao fundo uma pequena orquestra de violinos que dão esse tom encantador para a canção. Jarvis canta sussurrando, é elegante, têm a convicção britânica de saber o que está fazendo, e esse ar blasé torna a canção ainda melhor.  Isso é o destino: você...

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Maçãs, Coca-Cola e Pink Floyd: uma ligação & The Final Cut – 30 anos!

  I. O que o tempo não faz não é? O tempo envelhece, distancia, muda. Mas o tempo também é capaz de tornar as coisas mais palatáveis. Sim, também do ponto de vista gastronômico mais simplificado. Essa semana depois de alguns anos, eu comi metade de uma maça. E não é que eu achei saborosa. O último gosto de maça que eu me lembrava, trazia consigo um doce opaco e uma sensação de envelhecimento, como aquelas maças velhas da cesta, já fofas. Depois dessa eu comi outras nos dias seguintes, e o gosto bom foi o mesmo. Mas como eu me conheço, sei que se continuar comendo maças vou logo desgostar. Não sei o porquê isso acontece com maças, parece até que banaliza. O mesmo ocorre com a Coca-Cola. Eu nunca fui lá muito fã da mais americana das bebidas, mas confesso que até gostava em um certo nível de quase vício. Não tinha horário para saboreá-la, em substituição ao leite antes de ir ao trabalho, antes de dormir como uma última água noturna, no almoço, no jantar, em suma, onipresença. Porém chegou um momento que eu já não achava mais graça em Coca-Cola. Acho que banalizou aquele gosto, meu cérebro já não a percebia mais como um refresco, mas como um remédio [sic]. Aquilo ficou travoso em minha boca, e como conseqüência disso passei a rejeitar. Não sei...

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A influência da Bauhaus e das formas da arte abstrata na música do Kraftwerk e do New Order.

  A precisão das linhas, a pujança das formas e a sobriedade das cores, impressionam quando observamos obras como o edifício Seagram em Nova York, do arquiteto Mies van der Rohe. O mesmo impacto se tem quando se vê também na geometria de Gropius ou nas formas centradas de Piet Mondrian. Há ali, um certo ordenamento, um sentido de confiança, uma tranqüilidade interna externando-se, absorvendo-nos aos poucos,organicamente como os quadros de Kandinsky. Quando eu observo essas obras, tenho imediatamente os sentidos tomados por uma “essencialidade”. Um dos grandes legados da escola Bauhaus é a ideia de que a arte não é apenas condicionada a estética, mas que pode servir a humanidade sendo útil, sendo funcional.[1] Uma coisa bela pode ser inútil, assim como uma coisa feia pode ser útil, sendo que esse paradoxo se dá de acordo com que você espera da arte, de como você aplica a arte em sua vida. Embora críticos de peso, como o jornalista Tom Wolfe reduzam a importância da Bauhaus, sem dúvida sua influência é acentuada sobre diversas áreas do conhecimento, da psicanálise á medicina, da física á música.[2] É notável a influência da escola alemã na obra dos também alemães do Kraftwerk e dos ingleses do New Order, sobretudo no que diz respeito a forma, função e padrões. Musicalmente falando, o Kraftwerk utiliza repetição de sons e combinações sobrepostas, criando texturas e...

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O clássico IV álbum do Led Zeppelin.

          Há sempre dois caminhos que você pode seguir. Mas na longa estrada, há sempre tempo de mudar o caminho que você segue.   Stairway To Heaven.       O que é um clássico? A pergunta é difícil e complexa de responder em algumas linhas, mas vamos tentar. Um clássico é algo que vence o tempo por sua qualidade e é capaz de gerar em um grande número de pessoas boas reações. Um clássico no rock é aquele disco que consegue chegar intacto as novas gerações. É aquele disco que encanta seu pai, seu irmão mais velho e os colegas de seu irmão mais novo. É um disco que incrivelmente não perde o encanto e que provavelmente nunca perderá. O Led Zeppelin ao longo de sua carreira conseguiu criar muitos clássicos, mas esse IV, ou “Four Symbols” é sem sombra de dúvida o mais clássico de todos. Um disco inspirado, e se olhar atentamente – ou os desavisados – poderão achar ser o álbum uma coletânea, dado os grandes sucessos e grandes músicas contidas nele. Musicalmente é perda de tempo falar. Falar o quê? É necessário se render frente à tamanha qualidade. Em todas as bandas sempre há aquele musico destaque. Aquele que rouba a cena. No caso do Zeppelin, embora Jimmy Page seja gênio, não é tão fácil assim. Nem mesmo os Beatles...

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Sibylle Baier, um clássico por acaso.

      Sibylle Baier é uma cantora alemã de folk, de voz de anjo quase mórbido. Sua voz às vezes pode parecer monótona para os marinheiros de primeira viagem, mas é de uma qualidade e doçura incríveis. Seu disco de 2006 “Colour Green” é um achado perdido dos anos 70. O mais interessante é que esse belo disco só ganhou o mundo 30 anos depois. Sibylle cresceu na Alemanha dos anos 50 [pós-guerra], e sua vida era cercada por uma incrível monotonia. Até que Baier fez uma viagem para fora da Alemanha – por extensão de seu mundo, e isso muda sua vida. Ao voltar Baier compõe “Remember The Day”, e essa que deveria ser apenas uma canção particular/familiar, tornou-se a primeira de uma série. As canções foram registradas em um gravador caseiro antigo e assim dessa forma despretensiosa, o disco foi guardado e devidamente esquecido, talvez como algo que devesse se envergonhar. O fato é que seu filho Robby decidiu lançar o disco, e assim o mundo conheceu esse clássico acidental – nas palavras de Michelle Aldredge. Só para se ter uma noção, gente do calibre do diretor Wim Wenders [aliás, Baier trabalhou no filme Alice nas Cidades desse diretor] e J. Mascis [Dinosaur Jr.] são fãs da cantora, portanto algo de especial ela tem. E o que de especial ela tem? Primeiro a coragem de gravar...

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