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a professora de piano - 2001

Publicado em 21/04/2008, às 13:27, por biajoni


Tá certo, dirão os especialistas em cultura pop, a violência de Tarantino é gráfica, referencial, não deve ser levada a sério… É mais alegoria, fantasia, cinema trash levado a algum grau de seriedade por conta da metalinguagem e etc… Mas a violência ainda é muito citada quando se fala do diretor. Uma amiga, depois de ver “Kill Bill”, achou vi-o-len-tís-si-mo e me desrecomendou por conta da violência. Ora, deixaria até meu garoto de 11 anos ver o filme! As cabeças decepadas e o sangue jorrando é mais COMÉDIA. Mas, enfim, tem gente que leva tudo muito à sério, talvez.

O fato é que o mais sério, violento e visceral diretor da atualidade é Michael Haneke. É dele o filme que tem o singelo título de “A Professora de Piano”, mas que de singelo não tem nada, muito menos a tal professora.

Haneke é difícil, seus “Cachê” e “Código Desconhecido” são interessantes, painéis multifacetados, entrecruzando histórias, mas, confesso, um pouco demais para mim. Um pouco Tarkovski demais pra mim. Nesse “A Professora de Piano”, porém, tenho que admitir, ele acerta totalmente, de maneira desconcertante, absurdamente chocante, como um texto violento, cheio de vírgulas, no qual, em cada entrecho, dividido por sinais gráficos, pudéssemos encontrar, gotas, de, sangue, dividindo, idéias.

La Pianiste 1

Isabelle Huppert é a tal professora em seu, muito provável, melhor papel. É uma sisuda (como convém) pianista que tem uma mãe possessiva. Com algum sadismo trata seus alunos e com muito masoquismo corta-se no banheiro de casa com uma gilete. Também se diverte com filmes pornôs - às escondidas da mãe, é claro.

Aparece-lhe o jovem Benoit Magimel (que também está muito bem no ótimo “Rios Vermelhos 2”) e as coisas vão para o ralo. O ralo da sinceridade, no caso.

Ele a afronta com seu estilo de tocar. E também se mostra a fim dela. Aí ela desabrocha em toda sua violência e ressentimento. Não dá pra falar mais - ou seria revelador ou esse texto seria censurado… A coisa fede. Uma análise psicológica mais profunda talvez pudesse ser feita pelo Doni, enfronhado que está nas idéias freudianas.

A direção de Haneke é maravilhosa nas nuances e a dupla central levou a Palma de Ouro em Cannes 2001. Foi relançado agora em DVD, com extras - que ainda não vi. Tire as crianças da sala e prepare os nervos. E não procure grafismos tarantinescos.

9 comentários

#1. Milton Ribeiro, 21/04/2008, 15:28

Perfeito, Bia. Concordo inteiramente.

#2. Doni, 22/04/2008, 14:53

Irei atrás deste filme...

#3. fm, 22/04/2008, 17:52

Conheço Haneke mais de ler sobre ele e assistir suas entrevistas , que são ótimas, que propriamente por seus filmes.
Não vi A Professora de Piano, mas ví “Funny Games”, de 1997e estou incomodado até hoje.
Já está em cartaz, ou deveria estar, uma refilmagem de Funny Game- Violência Gratuita-, feito pelo próprio diretor, que, pelo que lí, é idêntico ao de 1997, filmado na Austria, só que com atores americanos.
A violência em Kill Bill , para não sair de seu exemplo, é grafica sim, e é isso que Haneke critica. Ou seja, a violência estilizada e transformada num picolé que qualquer garoto pode lamber.
Haneke é muito, mas muito mais violento que Tarantino, mas é também, muito, mas muito mais critico, se é que Tarantino faz crítica. Acho também que a crítica de Haneke vai além da crítica à violência puramente cinematográfica. Tratando sobre a relação de cumplicidade entre a violência nos filmes e os espectadores, ele faz uma reflexão sobre a banalização geral da violência.
Acho bati o recorde de uso da palavra violência em tão poucos parágrafos.
Já estou baixando “A professora de Piano”, e verei em breve.
Nos links abaixo há uma baita entrevista com Haneke, sem violência.

PART 1
http://www.youtube.com/watch?v=G8-z8FUhIKg&eurl=http://dissenso.wordpress.com/2008/03/18/michael-haneke-por-serge-toubiana/
PART 2
http://dissenso.wordpress.com/2008/03/18/michael-haneke-por-serge-toubiana/

Quem quiser baixar o filme Funny Games, de 1997, o link é o seguinte:

http://thepiratebay.org/tor/3431386/Funny_Games_(1997_Xvid_700mb)

O link para The Piano Teacher é:

http://thepiratebay.org/tor/4010609/THE_PIANO_TEACHER_DVDRIP_FRENCH_SUBENG_LGLuX.mp4

Os dois são arquivos torrent.

Abraços violentos.

#4. Rui de Lucca, 22/04/2008, 18:30

Ô Bia, esse eu vi e recomendo também. E vale lembrar que o filme é uma versão do romance homônimo de Elfriede Jelinek, ganhadora do Nobel em 2004.

Este ótimo filme foi exibido também no festival de filmes estrangeiros da TV Cultura. ÀS DEZ DA NOITE! Que devem ter pensado os puritanos? minha nossa senhora!

Abraço.

#5. Clarisse, 23/04/2008, 05:11

Oi!

Engraçada sua comparação, mas tenho que admitir que faz sentido. Concordo.

Mas o choque pela violência é muito pessoal. Uns se sentem agredidos por cabeças decepadas, outros por relacionamentos doentios.

Já falei sobre ele antes, e repito: À L' Interieur consegue juntar Carrie e Rosemary numa trama violentíssima. Recomendo.

Abraço,
Clarisse

#6. Grijó, 23/04/2008, 11:40

Haneke é dos melhores.
Sabe representar (e apresentar) a dor e a neurose. E, usando uma mulher como protagonista, dá uma idéia masculina do desespero.
Força e negaividade.

Vale ver.

#7. Grijó, 23/04/2008, 11:41

negatividade.

#8. marcos filipe, 06/05/2008, 13:48

alguém quer comprar o filme a professora de piano????vendo essa raridade por 50,00,vhs,original

#9. marcos filipe, 06/05/2008, 14:08

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