De todos os poucos filmes de Bruce Lee, o póstumo “Jogo da Morte” é, para mim, o mais memorável. Memorável, é bom que se diga, não significa “o melhor”. Seus filmes, na verdade, não eram nem são bons em si. A coisa toda sempre ficou sobre os ombros do belo, esguio, estiloso e miante Lee – com seus pulinhos, gritinhos, roupa colante e o sanguinho no lábio, retirado cui-da-do-as-men-te com a pontinha do polegar. Sim, sim, aquilo hipnotizava a gente.

Fui hipnotizado. Como Tarantino que imitou a coisa toda, inclusive a vingança e o Asics, em “Kill Bill”.

Lee

“Jogo da Morte” estava sendo filmado quando Lee morreu, aos 32 anos, vítima de um AVC por ter tomado um remédio que lhe foi erroneamente indicado. Ele tinha deixado várias anotações, storyboards, idéias e um dublê-discípulo preparado para fazer algumas cenas, caso lhe acontecesse algo (como quebrar uma perna ou uma costela numa luta). Quando morreu, Dan Inosanto estava pronto para assumir o lugar do mestre nas filmagens faltantes. O problema era que Lee tinha deixado poucas cenas gravadas. Havia alguns testes de câmera… E seria difícil tornar tudo plausível. O diretor Robert Clouse, o mesmo do anterior “Enter the Dragon”, reuniu o que podia e achou que ficou bom, era o melhor trabalho que havia feito. Ele teve ajuda: a música de John Barry, 007´s style, assim como a seqüência inicial de créditos, também imitando os filmes de James Bond, de um bom gosto conflitante com o conjunto restante.

Ficou bom? Ainda não. Tinha pouco Lee, apenas 11 ou 12 minutos do ator original, num filme de 100 minutos.

Mas qual o motivo do filme ser mais memorável que outros? Além de algumas das melhores lutas de Lee, no seu auge, é em “Jogo da Morte” que temos o combate de Lee com seu amigo e aluno, o maior jogador de basquete dos anos 70 e de boa parte dos 80, Kareen Abdul Jabbar.

Lee tinha, oficialmente, um metro e setenta e um centímetros (exatamente a minha altura), enquanto Jabbar mede 2,18 metros. A diferença é de quase meio metro.

A lenda diz que a seqüência da luta entre os dois não estava pronta quando Lee morreu, ele queria refilmar. Podia não ser tão interessante quanto a competição (no nível pessoal, inclusive) entre Lee e Chuck Norris, mas certamente, se fosse refeita, podia ser a luta entre os dois seres mais estranhamente diferentes da face da terra: um sino-americano nanico, um afro-americano gigante.

(Não consegui embedar o vídeo, veja aqui.)

As complicações por conta da morte de Lee durante as gravações de “Jogo da Morte” serviram de mote para um novo filme aparentemente hilário, chamado “Finishing the Game”, cujo trailer engraçadíssimo pode (e deve!) ser visto aqui.