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the day the clown cried - 1972

Publicado em 01/02/2008, às 11:51, por biajoni


Adoro filmes obscuros, até aqueles que nunca assisti. Acho que tinha ouvido falar desse “The Day The Clown Cried” em algum chat sobre filmes desaparecidos. Recentemente, num papo de MSN com o Almirante Nelson Moraes, ele disse que vinha investigando sobre o filme. Nelsão é investigador amador de coisas pop-obscuras e levantou muita coisa essa estranha obra; um filme de Holocausto com Jerry Lewis. É mole? Falei no MSN com o Nelson sobre ele e aqui está o papo:

Biajoni diz:
nelsão, onde vc ouviu falar desse filme a primeira vez?

Nelson Moraes diz:
Já tinha ouvido falar muito por alto, mas ontem, ao vasculhar a bio do Jerry, atrás dos stand-ups que ele já fez, deparei de novo com esse famoso “filme perdido” dele. E aí comecei a garimpar na web a respeito.

Biajoni diz:
o que descobriu sobre o enredo?

Nelson Moraes diz:
Em 72, depois dos produtores terem considerado o Dick Van Dyke, acabaram entregando o papel ao Jerry. Ele faz um palhaço levado a um campo de concentração, para entreter as crianças que serão executadas na câmara de gás. O tema já despertava um mal-estar junto aos estúdios, tanto que o roteiro cumpriu o célebre trajeto “de mão em mão”, até que o produtor Nat Wachsberger topou a parada. Só que faltou dinheiro para terminar a produção, e então o Jerry tirou do próprio bolso a verba necessária para a conclusão, além de assumir a direção da fita.

Clown

Biajoni diz:
e ele mesmo dirigiu? estranho, né? ou ele acabou assumindo a direção? (estranho por sair da seara pastelão)

Nelson Moraes diz:
As coisas foram acontecendo meio por acaso. O Jerry assumiu a direção pensando em viabilizar a fita, além de, como eu falei, ter financiado a finalização dele. E, sim, o filme é uma insólita exceção na filmografia dele, pela aridez do tema e pela polêmica despertada, já que, pelo que consta, o final é extremamente melancólico.

Biajoni diz:
é verdade que não mais que uma dúzia de pessoas viu esse filme? e o lewis guarda o filme a sete chaves?

Nelson Moraes diz:
Exato. O filme, por conta de problemas de acabamento, distribuição e negociação de direitos autorais, nunca foi lançado. E o Jerry guardou o copião consigo. Só uns poucos felizardos tiveram a chance de assistir, entre eles o ator Harry Shearer (um dos dubladores dos Simpsons), e disse, abre aspas, que o filme era perfeito em sua ruindade (risos).

Biajoni diz:
hahahahaha
Biajoni diz:
o filme feito em uma época em que não havia essa rapidez de pirataria…. senão já estaria na rede.

Nelson Moraes diz:
Bom, aqui (http://www.subcin.com/clowncried.html) você fica sabendo sobre o que está disponível na rede (pedaços de makings of, documentários e tratamentos de roteiro).

Clowncried

Biajoni diz:
pelo jeito existe toda uma FAUNA de adoradores do filme. gente que nunca viu e se come de curiosidade.
 
Nelson Moraes diz:
Sim, a coisa ganhou ares míticos, até porque se tratou do “filme perdido” do Jerry Lewis. E as curiosidades em torno dele só alimentam isso. Por exemplo, você fica sabendo pelo imdb que o Orson Welles faz uma ponta, interpretando o Harry Lime (!), que foi o personagem dele no “Terceiro Homem” (!!!)

Biajoni diz:
essas coisas vão se avolumando, vai dizer?
Biajoni diz:
me lembra a história de SMILE dos beach boys… quando veio à tona vimos que não era um disco tão bom assim… a história do disco é melhor que o disco EM SI.

Nelson Moraes diz:
Sem dúvida. Pra você ter uma idéia, um escritor americano, o Laurence Klavan, escreveu um livro, “The Shooting Script”, que é sobre um detetive no encalço da cópia em celulóide do “The Day The Clown Cried”.

Biajoni diz:
caraca! isso sim é total cult. 
Biajoni diz:
pode ser que aconteça isso com esse filme. cria-se uma expectativa monstruosa e, no final, acaba sendo só uma curiosidade mesmo…

Nelson Moraes diz:
Claro, excelente a analogia com o Smile, do Beach Boys. Porque é isso mesmo. A mitificação do fenômeno acaba sendo mais atraente do que o que está por trás dele. Pode até ser que, como o Harry Shearer disse, a coisa seja uma bomba (até porque, onde sei, ele não chegou a receber o final cut, ficando só como copião mesmo - e aí dificilmente um filme apresenta qualidade narrativa), mas enquanto o grande público não tiver acesso à obra, o mistério sobre “O dia em que o palhaço chorou” vai continuar instigante, alvoroçante.

Biajoni diz:
você se coça de curiosidade pelo filme?

Nelson Moraes diz:
Needless to say, né, Bia? É claro que não espero nenhuma obra-prima, mas o fato da película ter a história de contratempos que teve, o ineditismo do tema (para a filmografia do Jerry) e os detalhes-lenda que só vão ser esclarecidos na exibição propriamente dita são suficientes para dar vontade de receber um Indiana Jones e sair escavando atrás do Jerry Lewis’ lost movie. Ou não? (risos)
Nelson Moraes diz:
(a título de P.S.: a Harriet Andersson, atriz bergmaniana que fez parte do elenco, ao ser entrevistada sobre o filme, disse que não gostaria muito de falar a respeito. Parece a maior jogada de marketing, hem?)

Biajoni diz:
jogada de marketing? hmmm, não sei. mas intrigante sim, sem dúvida.

*Se você tiver se roendo de curiosidade, basta guglar o filme e achar umas coisas bem interessantes.

2 comentários

#1. Viva, 01/02/2008, 23:23

Adorei saber dessa história. Vou comentar com minha professora de cinema ;). Sem dúvida a lenda é sempre bem melhor que o fato.

#2. Charô, 06/02/2008, 07:47

Ae Bia, somente tu com essas dicas maravilhosas hein!

Abraço grande.

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