À espera

Porque antes do primeiro dia do resto da vida, há o último do, digamos, início dela.

O meu parece ser hoje.

E entre os dois dias há um intervalo, um interlúdio, uma — vá lá — (turbulenta) transição, que começa precisamente agora para findar daqui a umas semanas, creio, quando as coisas serão efetivamente jogadas pro alto. Com força.

Tenho-as em mãos e aguardo sem muita paciência.

(E nos últimos dias experimentei com certa angústia, e em silêncio, milhares de últimas vezes, aproveitando cada uma delas com menos intensidade do que deveria para poder romantizá-las ou mesmo para as degustar em todos seus detalhes e particularidades. O “nunca mais”, nesse contexto, é desnecessária e excessivamente pesado, denso e incômodo. É o fardo da escolha enquanto durar a memória de certas coisas. Poucas, acho. Mas, como diz o sábio moderno, que se fodam.)

O que cair, caiu.

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