Arquivo da Categoria ‘ANOS 80’

The Dirk Diggler Story (1988)

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Hoje por algum motivo acordei com adoração por Paul Thomas Anderson, não que não seja justo acordar com adoração por P.T. todos os dias, pois já existe um número considerável de obras primas em sua carreira. Nisso me embrenhei no seu primeiro filme, feito aos 18 anos de idade como um rascunho de Boogie Nights: o mockumentário sobre Dirk Diggler, a miscelânea ficticía das vidas de Ron Jeremy e, sobretudo, John Holmes.
The Dirk Diggler Story é surpreendentemente bem escrito e narrado embora tenha sido filmado em video de forma totalmente amadora, algo talvez proposital em virtude justamente do mercado pornô de videos da época e que viria a ser a união do útil ao agradável: falta de dinheiro + inesperiência. Além de tudo as atuações deixam muito a desejar, mas não há nenhum Daniel Day Lewis ou Julianne Moore no elenco, então é passível de excusas.
Para um garoto de 18 anos literalmente com uma câmera na mão e uma idéia na cabeça (e só) é um belo começo, mesmo porque ele teria 10 anos para aprimorar tudo aquilo culminando em uma de suas obras primas e levantar algum dinheiro para fazer algo à altura da sofisticação de seu talento.

Nota: Para completar, que seja a minha cena preferida de Sangue Negro (um dos filmes que mais me fizeram rir nos últimos anos e que é um drama), recomendo àqueles que inexplicavelmente ainda não viram o filme que não a assistam:

http://www.youtube.com/watch?v=UcAlN9hJLIM

Já é o segundo filme de Paul Dano com Day Lewis, mas por mim eles deveriam fazer todos os filmes juntos até o fim de suas vidas.

Categorias: ANOS 80, CURTAS, DRAMA, MOCKUMENTÁRIO.

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Fry & Laurie em três tempos

sexta-feira, 21 de março de 2008

Blackadder (1983 - 1989)

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Não conhecia Rowan Atkinson para além de seus papéis de comicidade suspeita, mas o cara não era apenas bom como Blackadder, ele era ótimo. Outro tipinho extraordinário era o, até então desconhecido por mim, Tony Robinson na pele do impagável Baldrick (aka I have a cunning plan).
O seriado que entra fácil nas listas das melhores sitcoms de todos os tempos foi dividido em quatro temporadas, todas protagonizadas por um Blackadder em algum período da história:
The Black Adder (1983): O período em que se passa é fins do século XV. Nem Fry, nem Laurie participaram desta, mas o pai-de-todo-mundo-cômico-inglês Peter Cook participa e isso não é pouca coisa. Ninguém conhece Rowan Atkinson até ver isto, é verdadeiramente genial.
Blackadder II (1986): Se passa em tempos de Elizabeth I. Aqui Fry é um dos atores principais e Laurie é ator convidado. Miranda Richardson e e Rik “WOOF WOOF” Mayall também fazem parte da trupe e a série continua engraçadíssima.
Blackadder The Third (1987): O tempo é do louco Rei George, Laurie interpreta seu filho e Fry é o ator convidado desta vez. Robbie Coltrane dá as caras e o seriado continua a gerar gargalhadas sinceras.
Blackadder Goes Forth (1989): O período é da primeira guerra mundial, tanto Fry quanto Laurie são atores fixos. O conteúdo antibelicista e kick-your-ass em seu ápice, o final da temporada chega ser mesmo depressivo. Miranda Richardson e Rik Mayall voltam a fazer uma participação.
Especial Blackadder: The Cavalier Years (1988): Especial para o Comic Relief em tempos de Cromwell , o atual Príncipe Charles (que é assumidamente fã de Fry & Laurie) é satirizado por Fry e Laurie faz figuração só para marcar presença.
Especial Blackadder’s Christmas Carol (1988): Especial de natal cínico em cima de Charles Dickens. Fry & Laurie, Jim Broadbent, Miriam Margolyes, Robbie Coltrane (já fantasiado de Hagrid) e Miranda Richardson participam.
Especial Blackadder Back and Forth (1999): Esse especial soa como uma grande homenagem às temporadas passadas, Fry & Laurie se sobressaem como duas divas romanas loiras e de mini-saia durante o Grande Império. Colin Firth, Miranda Richardson e Kate Moss participam.

Jeeves and Wooster (1990 - 1993)

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Este é um seriado de classe. Literalmente de classe. Lembro-me de ter lido em algum lugar que ao se mencionar a criação desse seriado falou-se o quão disparatada era a idéia de transpôr a obra de Wodehouse para a tv, mesmo para a televisão britânica, e em pleno anos 90.
Por volta dos anos 20/30, a vida do milionário britânico Bertie Wooster gira em torno de arrumar os relacionamentos dos amigos e fazê-los casar - praticamente uma alcoviteira, mas quando é mencionado um casamento para si próprio entra em pânico, para consertar todos os seus planos mirabolantes que jamais dão certo existe seu brilhante mordomo Jeeves.
Wodehouse é preciso ser lido, ouvido e visto, estranhamente há poucos grandes escritores cômicos no mundo e Wodehouse é um deles, seu estilo é de uma elegância incomparável, ele extrai das pequenas mazelas da vida um mundo. Mas tudo isso pode ser meio suspeito de minha parte, já que para me fazer feliz é só entregar em minhas mãos um livro escrito entre 1880 e 1930, mas é sinceramente delicioso e faz-me falta ficar longe de Jeeves e Wooster, seja na versão escrita ou na versão televisiva.

http://www.youtube.com/watch?v=hRBmbss4qvo

Por ser fã de Wodehouse e desse seriado, Douglas Adams escolheu a dedo Fry & Laurie para encarnarem a voz do Guia e Arthur Dent, respectivamente, na versão cinematográfica de sua obra prima, mas quando Adams morreu (o fdp morreu demasiadamente jovem) e a produção mudou de rumo, apenas Fry permaneceu como a voz do Guia do Mochileiro das Galáxias, o que foi uma pena, pois Laurie nasceu para interpretar Arthur Dent, que pode ser considerado um descendente de Bertie Wooster enquanto que o Guia é a versão tecnológica de Jeeves.
Um artigo que Laurie escreveu no fim dos anos 90 ficou famosíssimo em virtude das considerações feitas de como Wodehouse pôde salvar uma vida, no caso a dele, pois sofre de depressão (em compensação o House não faz muito bem para Laurie e teve que intensificar o seu tratamento). Fry é bipolar, assim como Peter Sellers e John Cleese, é quase que uma maldição todos os gênios cômicos da Inglaterra sofrerem de algum transtorno mental.

A Bit of Fry and Laurie (1987-1995)

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Isso é uma verdadeira maravilha, por esse programa Fry & Laurie chegaram a ser comparados aos míticos Peter Cook & Dudley Moore nos anos 60, o que não é pouca coisa. A meta aqui ainda é a rebuscada linguagem cômica inglesa com seus jogos de semântica e sintaxe, como disse o próprio Laurie quando participou do SNL americano: “Não farei aqui piadas britânicas porque vocês demorarão dois dias para entender”, afinal comicidade britânica é mais estilo de linguagem do que qualquer outra coisa, claro que o ato de derrubar a quarta parede é um dos métodos mais usados e que constroem os melhores sketchs do programa.
Mas nada, nada suplanta um sketch em que Laurie encarna um tipo Clint Eastwood misturado a Steve McQueen (não por acaso ambos são ídolos seus), ele chega até a ficar fisicamente parecido, é claro que o seu formato de rosto, nariz e olhos ajudam mas o seu domínio da expressão facial é quase que assustador. Em compensação desfaleço porque Stephen Fry é o professor de linguística no melhor estilo sonho de consumo que sempre quis. Esses dois sketches podem mostrar o que os fazem diferentes e complementares, Fry é mais gênio e Laurie é mais ator, Fry é cérebro e Laurie é corpo. Enquanto Fry se sobressai onde se use exclusivamente a mente, Laurie é empurrado para uma genialidade que necessita da coordenação motora como a música e as suas qualidades de ator completo.

Nota 1: Bloody hell. Assistir tudo isso me deu uma compulsão incrível por chá. E nem é por sempre ter achado Earl Grey o chá mais saboroso do mundo.

Nota 2: É claro que existem mais infinitos trabalhos de Fry com Laurie espalhados por aí, seja no cinema ou principalmente na tv, mas esses 3 são os principais. Inclusive há o Afresco, uma das primeiras coisas pós Footlights Group. Footlights Group era uma turma de teatro de Cambridge onde Stephen Fry fora apresentado a Hugh Laurie por Emma Thompson, tal grupo é lendário por boa parte do Monty Python ter se conhecido neste mesmo grupo anos antes. Típico “feitos um para o outro”.
Vejam Fry & Laurie entregando o “prêmio” The Silver Dick ao ídolo John Cleese:

http://www.youtube.com/watch?v=lqgxzLq3eC4

Nota 3: Deixe-me exaltar um pouco a Stephen Fry… O cara é um típico cara renascentista, aquele cara que sabe tudo de tudo mas de forma alguma é afetado por isso, muito pelo contrário, ele é um desses casos raros que jamais usam o seu conhecimento com o intuito de ferir alguém, ele poderia cortar gargantas com uma reles frase, mas não o faz. E, convenhamos, é lindo ver pessoas assim por aí ainda, já que isso é considerado completamente fora de moda (bom, isso também pode ser chamado convenientemente de maturidade).
Lembram daquela música do Zeca Baleiro chamada “Por onde andará Stephen Fry?”, ela é baseada num famoso episódio de sua vida, onde Fry desapareceu da face da terra por alguns dias devido a uma crise bipolar, então fica a recomendação do excelente documentário conduzido por Fry: The Secret Life of the Manic Depressive. Bacana ver pessoas fazendo algo para “aclarar” um pouco com a sua própria experiência as mazelas dos diagnosticados com algum tipo de transtorno de personalidade ou de afetividade. O interessante é que durante minha “pesquisa” em torno de “A Bit of Fry and Laurie” pude notar alguns sketches em que ele brincava com a própria doença, onde Fry dava aquelas aulas frenéticas de sapiência e verborragia para de repente se deprimir.

Nota despropositada do dia: Neste exato momento acaba de passar um bêbado na rua gritanto “Eu sou Escócia, Inglaterra não, eu sou Escócia! Freedom!”, a revolução começa aqui, a independência da Escócia está nas mãos dos brasileiros agora. Feriado da Paixão é uma coisa linda, não?

Categorias: ANOS 80, ANOS 90, COMÉDIA, SERIADOS.

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