roubada em são paulo, madrid…
E com todo orgulho, o diário da lulu apresenta um continho escrito pela ilustríssima e excelente Brigitte, que passeia por aqui, deixando sempre comentários antológicos. Um relato de uma noite em São Paulo, com roubadas e encontros, que foi inclusive até bem divertida e gostosa:
Um “déjà vu” ao vivo
Na noite passada tive uma daquelas experiências que não têm explicação racional, ou tem? Vou contar e vcs me digam, por favor, o acham que aconteceu.
Saímos, eu e Lulu, em busca da noite, como ela diz, “beber um pouco e ver se rola de encontrar quem não ficou de vir”. Demos com a cara na porta do restaurante que escolhemos, mas logo à frente havia outro, mais simples mas também do gosto das duas. Pra melhorar, estavam lá uns amigos da Lulu bebendo cerveja numa “mesa de pista”, como diria meu pai.
Resolvemos enfrentar o constrangimento de atrapalhar os caras que estavam levando um papo filosófico-transcendental. Dissemos “olá, vcs por aqui?” puxamos duas cadeiras, sentamos e entramos no assunto, mudamos de assunto, enturmamos.
Foi então que eu percebi alguma coisa: aquele lugar me lembrava uma situação que vivi… um bar no centro de Madrid, onde tive minha bolsa furtada das costas da cadeira numa tarde de domingo há dois anos atrás. Eu sempre penduro a bolsa na cadeira, com tudo dentro, apesar de todos dizerem para a gente não fazer isso (nem pendurar, nem levar tudo na bolsa). Mas isso não interessa agora… Mas desta vez não pendurei a bolsa, deixei no colo, coloquei no meio das pernas, no chão entre os pés. Comentei que aquele lugar me lembrava o bar onde me levaram a bolsa em Madrid, mas ninguém ligou. Devem ter pensado: “iiiihh, paranóóóica! Aqui só tem gente boa”.
Comemos, bebemos, filosofamos, e recebemos mensagem de amigas que estavam em outro bar na vila madalena. Decidimos seguir em frente, eu e lulu, e abandonar os rapazes para nos reunirmos às amigas…partimos. beijos, tchau, até mais….
Depois de mais de uma hora mudando de bares, porque era domingo véspera de feriado e todos os bares fechavam cedo, decidimos voltar lá. Quem sabe eles ainda estão filosofando?
Chegamos, e que coisa! Estavam em pé, preocupados, agitados, “roubaram a bolsa de uma amiga que chegou depois que vcs saíram!” Ela sentou-se na cadeira que deixamos… ninguém viu o ladrão, exatamente como aconteceu comigo em Madrid.
A coisa não saiu da minha cabeça o dia todo. Será que eu senti que ia acontecer? Mas essas coisas não existem! Ou será que os ambientes propícios a essas situações são semelhantes em todo o mundo?
Só sei que em 25 anos de São Paulo nunca pegaram minha bolsa pendurada na cadeira, a primeira vez em Madrid e foi um saco….e por alguma razão eu percebi que ia acontecer alí de novo.
Sempre confiei mais na sociologia do que na tal intuição, mas desta vez estou sem resposta…
abril 22nd, 2008 às 22:01
Muito divertido. Ótimo.