Posts na categoria ‘saudade’

Gabeira desde criancinha, por assim se dizer

Não seria verdade, nem mentira, se eu dissesse que “sou” Gabeira desde criancinha. Jamais votei nele, até porque meu título de eleitor não está registrado no Rio de Janeiro. Mas minha memória mais antiga em política cabe ao hoje candidato a alcaide carioca. Sei lá por quê, jamais saiu de minha cabeça a tela preta, [...]

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Dos sustos

De súbito, salta a meus olhos a razão dos sustos. Refiro-me àqueles que parecem se abater sobre cada vivente de tempos em tempos, regulares como as crises sistêmicas do mercado financeiro, mas bem mais freqüentes. Esses traumas, maiores ou menores, são o mecanismo que a natureza criou para nos trazer de volta à vida, quando [...]

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Ao som do mar e à luz do céu profundo

Como todo mundo no Brasil, sempre fui de encarar as datas cívicas como desculpas para os feriados. Hoje, se estivesse em São Paulo, imprecaria contra os céus por encaixar o dia da pátria num domingo, quando não faz diferença e não dá para ir à praia.
Mas, bolas, nada como a distância para fazer de nossos [...]

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A sublime impotência de não ter palavras

Alguns anos atrás, nem sei quantos, uma imagem me marcou a ferro. É claro, sim, que muitas imagens me marcaram na vida. Mas esse caso me convenceu de que deve haver um compartimento específico e muito íntimo na memória, em que só caiba a lembrança de uma única fotografia. É lá que ficou guardada essa [...]

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Os olhos são sempre irresistíveis

As armas da tirania também podem ser as armas da arte, é o que diz. Em sua guerra, ele nunca mostra o rosto e assina com iniciais: JR. Esconde os olhos debaixo do capuz, porque sua visão foi trocada por uma lente de 28 milímetros, projetada a partir da câmera que ele empunha como um [...]

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A saudar Iemanjá

Mais uma jangada saiu pro mar. Vai navegando nela, provavelmente a assoviar uma de suas próprias canções, o homem que cantou a Bahia e as baianas. Cantou Doralice e Dora, rainha do frevo e do maracatu. Cantou Rosa, com a rosa no cabelo e o olhar de moça prosa. Cantou Marina, morena Marina, que ousou [...]

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À menor das grandes capitais

Estou em dívida com uma cidade. Tudo que ela quer de mim, e eu venho protelando, é um punhado de palavras sobre como ela encanta sem fazer alarde, ao ponto de definir a si mesma como “a menor das grandes capitais”. Pois bem, cá estou para saldar a dívida, começando pelo epíteto que equilibra com [...]

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O tempo e o Rio

Desta vez, foi o motorista do táxi. Como se o céu não estivesse visível, enorme, através do pára-brisa, pesando grave sobre as pistas do Aterro do Flamengo, o bom homem esticou o pescoço e arqueou as sobrancelhas, na postura de quem quer avistar ao longe. Ainda nessa posição significativa que lhe esgarçava as peles do [...]

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Vista assim do alto (1913-2008)

De madrugada, o diálogo que ninguém escutou.
- Me levar? Como assim, me levar? Não vai me levar coisa nenhuma.
- Desculpe, Seu Bispo, temos que ir.
Seu Bispo não quis saber. Fechou a cara e cruzou os braços. Turrão daquele jeito, ninguém poderia obrigá-lo a fazer o que não quisesse. Aliás, todo mundo sempre soube disso.
Só que [...]

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