Victoria Brasil

Leio na Folha que o brasileiro desistiu de tentar ser europeu - ou seja: não quer a civilização, não quer ser chique, despreza a lourice escandinava e esse negócio de orgulhar-se do passado (Renascença, Iluminismo, Revoluções Francesa e Industrial etc.) é blá-blá-blá. Coisa de museu, cacoete de quem é decadente e não tem mais nada a oferecer ao mundo. A Europa já era, diz o brasileiro. Só serve aos rastaqüeras (novos-ricos). Quem tem grana de verdade quer conhecer Japão, China, Asutrália e Oriente Médio. Pode até, se sobrar uma graninha (a baixa do dólara ajuda), fazer a opção pelo exotismo de Zâmbia, Qatar, Nepal. Não pensei que viveria para ver os brasileiros esnobando suecos, franceses, ingleses, alemães, italianos, suíços, dinamarqueses.

 Antes que perguntem sobre EE.UU.: ninguém falou contra os norte-americanos, nem foram citados na matéria. O alvo é Europa (e seus museus, seu mau futebol, seu descaso com o ambiente, sua moeda opressora). Quem diria!? Desconfio que os ianques foram poupados porque Miami e o mundo de Disney ficam logo ali.

O trecho que segue é de Verissimo, LF:

És suculenta e selvagem / como uma fruta do trópico. /Eu já sequei e me resignei/ como um socialista utópico. / Tu não tens nada de mim / eu não tenho nada teu. / Tu, piniquim. Eu, ropeu.