Jmi Hendrix Sex Tape

Não se deve deixar os mortos em paz. Pode perguntar a qualquer médium. O mundo dos mortos deve ser chacoalhado, deve-se buscar nos ectoplasmas algo que faça sentido para nós, os vivos. E o que mais dá sentido a nossa existência do que grana? Pois é. Não deixam Jimi Hendrix em paz, perturbam-no onde quer que ele esteja, não se importando em companhia de quem. A Vivid Entertainment, uma gigante dos filmes pornôs, lança um devedê de 45 minutos intitulado Jimi Hendrix the Sex Tape, que combina alguns poucos minutos de questionáveis imagens sexuais com uma retrospectiva da carreira do músico nos últimos anos da década de 60 - mas não mostra o mais importante: a música. Bem, eu disse “mais importante” em termos, porque se alguém se interessa em ver Jimi Hendrix nu, usando apenas uma bandana e trocando carinhos com duas mulatas, sua música torna-se irrelevante. Esse voyeurismo post-mortem revela, por parte do consumidor, uma curiosidade que vai além da idolatria e que, de certa forma, banaliza a relação ídolo-fã. O que mais nos iguala do que a prática sexual? Sinceramente? As imagens do estupendo guitarrista em Woodstock ou na Ilha de Wight não valem mais do que 11 minutos de um suposto threesome de 40 anos?

Mas há boas coisas a dizer sobre Hendrix (e sobre sua música): Stephen Stills - sim, do lendário Crosby, Stills & Nash - descobriu, remexendo fitas de velhas gravações, um disco inteiro feito com Hendrix, que será lançado em breve. É o que promete Grahan Nash. No fim das contas é isto o que conta: um dinheirinho vai bem, até aquele que provém dos mortos. Nesse caso, nada contra.