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Assisti ao filme Batman - O Cavaleiro das Trevas. É bom, ágil, o ritmo das cenas é bem marcado, o finado Ledger realmente faz um Coringa pra lá de sinistro, bem diferente do charmoso Nicholson do primeiro filme, o de Tim Burton, em fins dos 80. É o que o Batman sempre foi, desde os quadrinhos da antiga Ebal até a angústia do personagem de Frank Miller: uma mistura de detetive, justiceiro, agente secreto e homem de inteligência privilegiadíssima. Por falar em Miller, daquele Batman por ele criado - com dores de consciência, amargurado, gauche, insatisfeito - só se mantém o título de cavaleiro das trevas. De resto, é o morcegão ao qual nós nos acostumamos, desde a infância, nos anos 70. Leia-se por “nós” os indivíduos entre 40 e 50 anos.

Todos estão bem no filme, até porque todos têm tempo para isso: duas horas e meia de película é tempo suficiente para que Morgan Freeman possa exercitar seu cinismo; para que Michael Caine exiba seu charme britânico; para que Gary Oldman mostre por que é um dos melhores de sua geração, e, naturalmente, para que Heath Ledger possa, num papel feito para brilhar, fazer a festa no esplendor de sua psicopatia. Ah, ia-me esquecendo: Aaron Eckhart, o Harvey Dent que se transforma em Duas Caras - vai emplacar mesmo é no próximo filme. Maggie Gyllenhaal, bela como sempre, poderia ser mais bem aproveitada, mas não decepciona. E Christian Bale, o cruzado da capa? Até ele - canastra em alto grau - está bem, principalmente quando mascarado, mostrando que pode ser tão apavorante quanto os facínoras que persegue.

As tomadas aéreas - muitas - dialogam com os quadrinhos originais, sugerindo os topos das construções nas quais Batman se localizava, para guardar Gothan. E o Bruce Wayne convence mais do que seus antecessores: com a tecnologia a seu serviço, torna-se mais seguro, sabe que vencer é uma questão de tempo. E reserva até algo de humano, já que é capaz de amar e sofrer.

Uma dica para Hollywood: o filho do comissário Gordon é um lourinho fã do Batman. Parece compreendê-lo (quando toda a cidade mostra o contrário) em sua cruzada justiceira. Não seria, alguns anos depois, um Robin perfeito?